(Conto) A Ordem Obsidiana

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(Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Sex Set 30 2016, 19:37

Considerações off

Começamos aqui as interpretações do terceiro episódio do e-book "A Ressonância das Chamas", com o personagem Naala como protagonista.

A premissa da minha narrativa já é colocar o texto em formato literário, de forma que alguns detalhes serão omitidos no turno, mas colocados em off no complemento ao término da ação, caso necessário, para o devido entendimento dos envolvidos. Se tiver qualquer dúvida, favor não postar no tópico. Me envie uma MP, mensagem pelo Face ou Whatsapp.

A interpretação do jogador deve seguir o fluxo normal dos jogos anteriores. Mas é importante seguir as instruções abaixo, para facilitar a edição em todos os sentidos:

- Não use formatação do texto com cores. Quando o personagem se expressar verbalmente, coloque o travessão (alt+0151). Caso queira expressar algum pensamento, coloque em itálico, sem o travessão;

- Para criar o turno, é necessário o mínimo de 1.000 caracteres, com espaços;

- Revise a ortografia, a gramática e a coesão e coerência do texto. Lembrando que este é um projeto literário e que é importante termos isso como requisito, além de facilitar a edição. Apenas turnos que estejam dentro desta proposta serão aceitos e respondidos;  

- Os turnos de "A Ressonância das Chamas" ocorrerão sempre nas segundas, a cada quinze dias. A próxima semana será usada para revisar o meu turno e juntar a ação dos intérpretes ao que já foi colocado por mim, e também promover os personagens nas redes sociais para o lançamento do e-book no Whattpad.

Caso a estória do personagem não esteja fresca na memória, leia o tópico do perfil dele, localizado no fórum da sua ideologia. Eventuais adaptações no enredo serão sempre colocadas no complemento no final do meu post.

Faça seu turno até o dia 03/10. O lançamento do primeiro episódio do e-book A Ressonância das Chamas ocorrerá no dia 14/10 no Whattpad, e novos episódios serão lançados conforme o nosso avanço quinzenal.

Meu próximo post ocorrerá, igualmente ao lançamento do primeiro episódio do E-book, no dia 14/10.

Vamos ao jogo:




Naala

A Pista

— Eu ainda não concedo nenhum tipo de desejo, ou elucido verdade. Mas, dou pistas importantes sobre muitas coisas interessantes. Sabe disso, não é?

A voz era rouca, como alguém cujo pigarro não saía de jeito algum. Vinha do céfalo de um gênio, produzido por uma fumaça arroxeada de dentro de uma pequena ânfora dourada, que formava a aparência de um rosto delgado, com boca, olhos e nariz largos. A forma dos ouvidos era pontuda, semelhante ao do elfo com quem a criatura conversava e que, num primeiro momento, o respondeu com um breve meneio positivo de cabeça, enquanto virava as páginas amareladas e frágeis de um livro enorme. A grafia, ao menos, era bem nítida e, até, escancarada.

— Nenhum de nós carrega o pleno saber, Hegoras — disse o elfo, que usava um turbante roxo no alto da cabeça, cobrindo parte dos seus cabelos cinzentos. — Aquele que o detinha renunciou das certezas em nome de um erro.

Os lábios da face de Hegoras se abriram num largo sorriso.

— Pare de falar de Materyalis como se ele ainda existisse, Ragnil. — respondeu o gênio. — Apenas seres como eu, que entendem o limiar entre o mundo dos vivos e dos mortos, são detentores do mais alto conhecimento.

Os olhos de Ragnil perscrutaram Hegoras por um instante.

— Então me responda: onde está o Sinkra?

Os lábios de Hegoras se fecharam, e a testa conseguiu produzir uma expressão, no mínimo, contrariada.

— Você é um covarde!

Ragnil sorriu, e voltou à atenção para o livro e o assunto que queria abordar.

— Eu o invoquei por um propósito, e não posso desperdiçá-lo. Não quero ter outra chance de falar com você, apenas, no próximo equinócio de outono. Então, responda às minhas perguntas o máximo que puder. Combinado?

Hegoras fez um movimento com a boca, que parecia um suspiro.

— Eu não tenho escolha. Acordo é acordo. Você me deixa aqui, dormindo por um ano, enquanto minha mente viaja pelo mundo, e eu lhe trago todas as informações que sei. Mas lembre-se: nunca verdade, ou certezas. Sempre pistas!

Ragnil, enfim, deixou o livro aberto numa página muito específica. A caligrafia era diferente das demais, e a linguagem, desconhecida.

— Ótimo, Hegoras. Sem mais delongas. Vamos ao que interessa. Traduza o conteúdo desta página para mim, por favor.

O gênio abriu melhor os olhos, mostrando uma expressão um tanto esnobe, mas, também, esforçada. Em seguida, começou a ler.

— Aí diz: A criatura divinal deixou preciosidades aos seres mais orgulhosos, de forma que, não seria bom... — pausou, como se estivesse em dúvida, permanecendo assim por pouco tempo. — Ele quer dizer algo como não seria bom desagradá-los. Custa-me encontrar um sinônimo melhor que esse em sua língua.

— Continue.

Hegoras voltou a abrir bem os olhos.

— Eles são quatorze. Cada um protege o mundo a sua maneira. Mas, se qualquer um deles for aniquilado, os valiosos relicários estarão vulneráveis, e as preciosidades não terão mais um dono.

O gênio pausou novamente. Ragnil conseguiu deduzir que só restava uma linha para terminar a leitura daquela página. O olhou enquanto ele se esforçava para encontrar as palavras mais adequadas.

— Algo como: Se o dono original morrer, ou abandonar os relicários, a energia das peças valiosas se descontrolará e... — pausou, olhando Ragnil de forma esnobe. — Muitas vidas frágeis e carnais, como a sua, seriam destruídas.

Ragnil fechou o livro.

— Você não vai me dizer o que isso significa, não é?

— Não! — Respondeu o gênio.

— Tudo bem, eu não preciso.

— Então, já posso voltar para a ânfora?

— Não.

— Como não? Tenho que relembrar? Eu só dou pistas! Nunca entrego fatos ou verdades!

— Eu sei — disse Ragnil, se levantando com as mãos apoiadas sobre as páginas do livro.

— Então, o que o impede de me deixar voltar?

— Você ainda tem pistas a me fornecer. Aliás, não só a mim.

Há muito tempo, Ragnil procurava pistas sobre artefatos ligados aos elementos. Era incansável nesta busca, e parecia ter chegado a alguma conclusão importante. Ou, talvez, estivesse bem perto de concluir o que precisava. Havia alguém especial que gostaria de entregar o conhecimento.


(Continue a partir daqui)

COMPLEMENTO:

- Naturalmente, vamos explorar um pouco da relação entre Ragnil e Naala que, à época, já falava sobre o artefato de Garlak. Essa é a proposta inicial aqui da trama;

- Considere a cena em um pequeno aposento dentro de uma gruta. Ragnil e Naala percorrem algumas partes de Hedoron em busca de pistas do artefato. Hegoras é um gênio encontrado em uma ânfora por Hegoras, que aparece de acordo com as regras colocadas no post;

- Interprete normalmente o turno, considerando a situação que propus acima. Caso queira maior descrição do lugar, me avise.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Qua Set 13 2017, 17:27, editado 1 vez(es)

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Naala em Sex Jan 20 2017, 14:05

Naala estava cansado. Ou o mais próximo disso que se pode chegar sendo uma criatura que não precisa dormir ou comer. O pequeno feérico vinha acompanhando Ragnar desde que surgira no plano físico aprendendo tudo que podia - e muito do que não devia também, já que essa era a parte mais divertida - observando e analisando os ensinamentos do elfo alado. Sua habilidade em lidar com os elementos, herdada de seu criador, estava cada vez mais aprimorada, mas isso o deixava mentalmente exaurido pois drenava muito de suas energias... coisa que Naala começava a desconfiar que era proposital, como se fosse para mantê-lo sob controle constante.
Ao ouvir vozes durante seu "descanso", o fada levantou-se e aproximou-se mais dos locutores, tentando prestar atenção no que era falado.
— Eu ainda não concedo nenhum tipo de desejo, ou elucido verdade. Mas, dou pistas importantes sobre muitas coisas interessantes. Sabe disso, não é?
Então... era de novo a época de falar com aquele chato do Hegoras. Só existia uma boa coisa em falar com aquele ser, na opinião do fada: ele conseguia deixar o elfo bastante incomodado com aquele papo de não falar diretamente as coisas. Um dia, quem sabe, ele não poderia ser... convencido... a ser menos elusivo com Naala. O fada prestava atenção nas palavras trocadas entre eles.
— Você ainda tem pistas a me fornecer. Aliás, não só a mim.
Não só a ele? então... seria finalmente agora que o fada seria incluído nas conversas? Depois de anos ouvindo as conversas de longe, se escondendo, seria agora o momento? Naala sabia que não possuía acordo com o gênio, e usaria aquele fato como uma vantagem preciosa no futuro. Naala flutua até os 2, saindo de seu esconderijo, e para ao lado da cânfora, brincando com a fumaça passando a mão por entre ela, como se estivesse testando se a forma de Hegoras sumiria quando sua mão passasse pela mesma.


— Sabe... não é muito educado falar das pessoas sem estarem presentes, mestre. Um certo sábio me ensinou isso...


Naala observava com um sorriso maldoso a reação de Ragnar e de Hegoras, mesmo sabendo que aquele comentário não deixaria o elfo nem mesmo perto de ficar incomodado.

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(Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Qua Jul 26 2017, 18:11

Considerações off

Começamos aqui as interpretações do conto "A Ordem Subsidiana", envolvendo os personagens Dotter, Aerhox, Ghaldren e Kannon (estes três últimos serão encaixados no próximo turno).

A premissa da minha narrativa já é colocar o texto em formato literário, de forma que alguns detalhes serão omitidos no turno, mas colocados em off no complemento ao término da ação, caso necessário, para o devido entendimento dos envolvidos. Para dúvidas, favor não postar no tópico. Envie-me uma MP, mensagem pelo Face ou Whatsapp.

A interpretação do jogador deve seguir o fluxo normal dos jogos anteriores. Mas é importante seguir as instruções abaixo, para facilitar a edição em todos os sentidos:

- Não use formatação do texto com cores. Quando o personagem se expressar verbalmente, coloque o travessão (alt+0151). Caso queira expressar algum pensamento, coloque em itálico, sem o travessão;

- Para criar o turno, prioriza-se a qualidade do texto, e não a quantidade. Quanto mais aproveitados forem na conversão, maior é o indício de que estão funcionando bem para o formato literário;

- Revise a ortografia, a gramática e a coesão e coerência do texto. Lembrando que este é um projeto literário e que é importante termos isso como requisito. Apenas turnos que estejam dentro dessa proposta serão aceitos e respondidos.

Caso a estória do personagem não esteja fresca na memória, leia o tópico do perfil dele, localizado no fórum da sua ideologia. Eventuais adaptações no enredo serão sempre colocadas no complemento no final do meu post.

Favor não ultrapassar sete dias para a resposta.

Anunciarei a data do meu próximo post assim que todos os envolvidos o fizerem, ou no final dos sete dias corridos.

Vamos ao jogo:




I

EQUILÍBRIO

— Um rouxinol azul! Que lindo... Rouxinol azul! Voa! Desce aqui! Desceee... Voaaa...

A majurk entorpecida apontava para o topo de um lariço com folhas esparsas e amareladas, que, de forma alguma, abrigava ninhos de rouxinóis de qualquer espécie. Era pura alucinação provocada pela inalação de perigosos componentes herbáceos.

— Dolka... É melhor você fechar os olhos! — ordenou a irmã, que a conduzia com dificuldade na subida rumo ao Monte Pardo, numa trilha usada por aventureiros que rumam aos Alpes Aliankinos, usando suas grutas como abrigo temporário no caminho para a jornada. Era incomum, contudo, que alguém fosse àquele lugar para levar alguém que não tinha a menor condição de se orientar consistentemente em uma aventura tão arriscada.

— Graças a Materyon, sua languidez já é tanta que nem preciso fazer muito esforço para subirmos. Mas minha resistência não é eterna — suspirou Dira.

Apesar de já ofegar, arrastava Dolka e não pretendia desistir. Segurava-a pelo pulso, envolvendo o braço direito no próprio ombro. No entanto, as retribuições vinham apenas em forma de ironias ou palavras desconexas.

— Nãããão. Eu quero ver o rouxinol lindo!

Dira suspirou longamente.

— Já chega, está bem? Apenas feche os olhos e, de preferência, a boca também!

Não foi por obediência que Dolka abaixou a cabeça, congelou a língua e deixou apenas uma fresta dos olhos aberta. Estava tonta. A escalada ganhava contornos mais íngremes a medida que avançavam. A respiração de Dira tornava-se mais densa e audível e, involuntariamente, fez com que a mente da majurk perturbada interpretasse aquilo de uma forma totalmente insólita.

— Estou ouvindo o vento! — cantarolava Dolka em murmúrios desafinados. — Ele vai nos derruba-ar! Estou ouvindo o vento! Ele vai nos derruba-ar!

Subitamente, Dira fora surpreendida por um impulso nas costas provocado por Dolka, que revelava não estar tão fraca como aparentava.

— Para, Dolka! Vamos cair! Não tenho vocação para bola de neve!

— Estou ouvindo o ven-to! Ele vai nos derruba-ar! Uuuuoooooooouuuuuu! Estou ouvindo o ven-toooo! Ele vai nos derruba-aaaaar! Uuuuuuuuoooooouuuuu!

A canção alienada incentivava um empuxo. Não era preciso ser um profeta para saber que isso não terminaria bem. Mesmo sendo mais forte, Dira não conseguiu evitar que o movimento de pressão traseira feito por Dolka as derrubasse. Com elas, caiu junto um saco de dormir que a majurk sã carregava na retaguarda, e também servia como invólucro para guardar objetos essenciais ao acampamento pretendido na noite gélida que logo viria.

— Sua louca! — bradou Dira, antes de cair por cima do bolsão, rolando relevo abaixo. Apesar disso, conseguiu recuperar o equilíbrio a alguns palmos da queda. A bagagem e Dolka, no entanto, não tiveram a mesma sorte.

— Loucaaaaaa — repetiu uma vez o insulto da irmã enquanto rolava desenfreada, aparentemente gostando da palavra. Além disso, ouviu-se apenas o eco cada vez mais distante da última vogal.

— Dolka!

Embora mentalmente privada de suas faculdades, o corpo de Dolka parou em um dos poucos arbustos macios num trecho de menor clivosidade. Sofrera apenas alguns arranhões no rosto. Sua indumentária, composta por uma camisa de mangas compridas, luvas, calças e botas marrons encouraçadas, protegeu a majurk de outras lesões. Muitos, porém, diriam que a mão de Materyon agiu providencialmente para evitar algo mais sério. 

— Perdoe-me, Materyon, pelas minhas ideias — lamentava Dira sobre o intento de subir o monte. — Pois eu já me arrependi delas!

Dira batia as mãos nas roupas, que eram muito parecidas com as da irmã, diferenciadas pela cor negra do couro das botas e da camisa, que era parcialmente coberta por um gibão e uma capa de pele castanha de lobo, que terminava no meio de suas panturrilhas. Devido à queda, os cabelos castanhos e cheios seguravam pedaços gramíneos de tonalidade escura, que contrastavam com a cor clara de seus olhos verdes. A pele branca do rosto também sujara pouco, bem diferente de Dolka, que, deitada de costas, exibia várias manchas de terra parcialmente úmida. Estava risonha e boquiaberta, soltando gemidos baixos.

A região onde Dolka caíra sustentava mais árvores e arbustos, próximo ao caminho iniciado em um bosque inferior, o que trouxe certa preocupação - aparentemente desatinada - à Dira, que erguia o nariz usando o bom faro dos majurks. Não demorou muito com o ato, uma vez que preocupava-se com o estado da irmã. Descia até ela apressadamente, usando toda a cautela que conseguia para também não ser vitimada. Sentiu-se mais tranquila, porém, ao ouvir que agora a outra gargalhava como uma alienada.

— Por favor, mantenha essa alegria nela, Materyon. Tudo o que não preciso agora é vê-la enraivecer e se transformar numa ursídea maluca e disparatada — murmurava temerosa, e tinha motivos pra isso.

***

Bem perto dali, outra majurk se esticava sobre o chão duro e pedregoso. Não importava o quanto tentasse se acomodar no terreno, ele era irregular o bastante para criar pontos especialmente dolorosos em seu corpo.

Após estalar o pescoço duas vezes, voltava a tocar o queixo na pedra morna pelo sol primaveril. Seu foco era os crisântemos dourados do Monte Pardo, que encantava muitos aliankinos com seu tom dourado peculiar. Todavia, seu interesse estava em três minúsculos pistilos violáceos, que foram cuidadosamente coletados e depositados em um pequeno sobrescrito preso a seu pulso.

— Bem que vocês poderiam nascer em um local mais convidativo — reclamava Dotter. — Ou ao menos serem um pouquinho maiores.

E, com o mesmo cuidado, ia recolhendo os pistilos de outras flores, prendendo a respiração cada vez que aproximava o rosto de uma delas.

— Trinta gramas, ela disse — dizia, lembrando-se dos conselhos de alguém. — Vai ser fácil, ela disse. Estão por toda parte, ela disse.

Resvalava um pouco para a direita, onde havia mais um grupo de crisântemos. Sentia uma das costelas roçar dolorosamente numa protuberância da rocha na qual se deitava.

— Argh! Vocês podem ter sido criadas por Materyon, mas aposto que foi Marilis que escolheu onde nasceriam!

Quando finalmente terminou, sentou-se e alongou os membros, com a nítida sensação de que todos os ossos estalavam com cada movimento.

— Só mais alguns, acho.

Testava o peso do pacote com o ânimo de quem tinha certeza que ainda não coletara a quantidade pretendida.

— Digo, muitos "alguns".

Ouviu os ossos estalando ainda mais alto. O corpo a alarmava.

— Acho que... Quebrei algo!

Com medo, moveu-se lentamente à espera da dor lancinante que a faria chorar de desespero ali, sozinha e desamparada. "Crec". Prendeu a respiração ao ouvir o barulho alto de algo se rompendo. Estava parada e ouviu o mesmo barulho mais seis vezes. A dor, no entanto, pareceria querer deixá-la mais ansiosa, e não vinha por maior que fosse o incentivo.

— Espera!

Percebeu que aqueles "crecs" não vinham dos seus ossos. Alongou-se novamente com cuidado. O ruído desaparecera. Ficou em silêncio por algum tempo e ouviu mais alguns "crecs". Enfim, se deu conta de que eram galhos se quebrando, talvez gravetos que naqueles ermos causavam um estrépito muito mais audível.

— Alguém... Aqui?

“Uuuuuuuuuuuuuu ..... nos derruba-aaaaar”

— Só pode ser brincadeira! eu devo ter respirado pólen demais. Sim, só pode ser isso!

O tom de voz familiar apenas aumentou ainda mais seu mau humor. Levantou-se para caminhar até o declive e, então, se ajoelhou para espiar o caminho rochoso: bem a tempo de ver as duas majurks que cambaleavam por lá. Não acreditava no que seus olhos viam. Fechou-os fortemente por um momento, na esperança de que, ao abri-los, aquela visão perturbadora teria desaparecido. Contudo foi traída pelo próprio sentimento.

Agora via as duas majurks rolando com a desenvoltura de dois filhotes de urso desengonçados. Sentiu seu corpo debruçando no mesmo ritmo daquela queda. Era tão surreal que estava hipnotizada pela cena.

— Ai — franziu o cenho e trincou os dentes, como se compartilhasse a dor da dupla quando elas finalmente tiveram a queda interrompida. — Isso doeu. Com certeza, doeu.

Massageou a têmpora numa tentativa de se acalmar. Não sabia se sentia pena, raiva, aflição ou se apenas ria do estado visivelmente anormal de Dolka.

— Pobre Dira! O que nossa irmãzinha aprontou dessa vez?

Suspirou e buscou acalmar a mente e afastar as dúvidas e emoções para as bordas de sua consciência. A contragosto, pegou sua corda e amarrou firme num tronco de lariço. Mesmo detestando a presença de suas irmãs ali e tentando não gargalhar com a cena de Dolka rolando como uma pedra, evitar que as duas acabassem despencando era sua prioridade. Depois, faria perguntas. Ah, se faria!

— Dira! —gritou lá do alto. — Amarre ao redor dela!

Jogava uma ponta para a irmã lúcida, esperando que ela desse o sinal para puxar a ensandecida.


COMPLEMENTO:

DESIRREÉ:

- Lembrando os nomes da nova família da Dotter: Dhorum (Conde de Majara), Direa (Condessa de Majara), Dira (a irmã "certinha"), Dolka (a irmã curiosa) e Dulcan (o único macho da ninhada de Direa). Os quatro irmãos vieram da mesma ninhada, ou seja, são quádruplos;
- Estou considerando que Dotter (e consequentemente seus irmãos), tinham vinte anos aqui. Em Crônicas de Aliank, minha ideia é que Dotter tenha 33 anos, contra 18 de Nylian (ou seja, ela teria encontrado a elfa quando tinha 15);
- Dadas as habilidades de Dotter, considero que ela sempre procurou ter muito contato com a natureza, e que foi treinada no desenvolvimento do seu den principalmente por sua avó, Dhumla (já falecida em Crônicas de Aliank, mas ainda viva no período deste conto);
- Na próxima semana, colocarei a ambientação do trio emylista grakan (Kannon, Aerhox e Ghaldren), que começarão em uma cena diferente, até chegar à confluência que levará Dotter a conhecer o emylismo e a Ordem Obsidiana, sendo a situação proposta acima uma situação amena que dará gancho para este fato;
- Considerando o motivo sugerido pelo qual Dotter também estaria rumando - coincidentemente - à região dos Alpes Aliankinos: uma espécie vegetal encontrada no Bosque das Castanheiras, localizado ao leste de um vale (chamado Vale do Brado). Findado o limite oriental do bosque, há uma trilha para o Monte Pardo, por onde Dira e Dolka estão subindo e seria do interesse de Dotter também seguir, para acampar. Todos os nomes dos lugares serão elucidados durante o jogo;
- Dotter não tem a mais vaga ideia do motivo pelo qual as duas (nada aventureiras) estão no local, e principalmente o motivo de Dolka estar entorpecida;
- Somente Dotter e Dulcan desenvolveram seus dens, até o momento, mas sabe-se que as duas irmãs também tem alguma capacidade denin;
- Sugestão de condução à cena: Dotter surgindo surpresa na cena, porém, com seu famigerado mau humor, dando uma boa bronca nas irmãs, tentando entender o que elas fazem ali.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Qui Ago 17 2017, 19:30, editado 3 vez(es)

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Dotter Manen em Ter Ago 08 2017, 01:27

A posição era incomoda. Se esticava sobre o chão duro e pedregoso, irregular o bastante para criar pontos especialmente dolorosos em seu corpo não importava o quanto tentasse se acomodar no terreno. Após estalar o pescoço duas vezes voltava a tocar o queixo na pedra morna pelo sol de primavera e focar nas pequenas e exacerbadamente coloridas flores amarelo ouro.
Seu interesse não estava nos tons quase dourados da planta e sim no violeta quase negro de seus pistilos. Com extremo cuidado coletava três dos seis que a bela florescência possuía e os depositava em um pequeno envelope preso a seu pulso.

- Bem que vocês poderiam nascer em um local mais convidativo...ou ao menos serem um pouquinho maiores.

Com o mesmo cuidado ia recolhendo os pistilos das outras flores frendendo a respiração cada vez que aproximava o rosto de uma delas.

- “Trinta Gramas”; ela disse...Vai ser fácil”; ela disse. “Estão por toda parte”; ela disse.

Resvalava um pouco para a direita onde havia mais um grupo de flores e sentia uma das costelas roçar dolorosamente numa protuberância da rocha na qual se deitava.

- Arg. Vocês podem ter sido criadas por Materion, mas aposto que foi Marilis que escolheu onde nasceriam!

Fechava o pequeno envelope e se sentava se alongando com a nítida sensação de que todos os ossos se estalavam com o movimento.

- Só mais alguns, acho...

Testava o peso do pacote com o ânimo de quem tinha certeza de que ainda não coletara a quantidade pretendida.

- ...Muitos alguns.

Se alongava novamente e dessa vez ouvia os ossos estalarem ainda mais alto a ponto de se alarmar.

- Acho que quebrei algo!

Movia-se mais lentamente à espera do movimento que lhe traria dor lancinante e a faria chorar de desespero ali, sozinha sem socorro.

“CREC”

Prendeu a respiração ao ouvir o barulho alto de algo se quebrando, mas a dor não veio.

“CREc  CREc crec crecreCREc”

- Espera

Agora estava parada logo não poderia ser seus ossos. Alongou-se novamente com cuidado, porém sem o ruído estarrecedor de algo se partindo. Ficou em silêncio por algum tempo e ouviu mais alguns crecs finalmente se dando conta que que eram galhos sendo quebrados, talvez gravetos que naqueles ermos causavam um ruído mais perceptível ao serem pisados.

- Alguém...aqui?

“Uuuuuuuuuuuuuu ..... nos derruba-aaaaar”

- ... Só pode ser brincadeira.

O tom de voz familiar apenas aumentou ainda mais seu mau humor.

-Eu devo ter respirado pólen demais, só pode ser isso.

Levantava-se para caminhar até mais próximo ao declive e então se ajoelhava para espiar o caminho rochoso bem a tempo de ver as duas majurks que cambaleavam por lá.

- ........

Não acreditava no que seus olhos viam. Fechou-os fortemente por alguns segundo na esperança de que ao abri-los aquela visão perturbadora ter desaparecido, mas ao contrário tudo apenas piorava.

Agora via as duas moças rolando morro abaixo com a desenvoltura de dois filhotes de urso desengonçados. Dotter sentiu seu corpo debruçando no mesmo ritmo daquela queda. Era tão surreal que estava hipnotizada pela cena.

- Aiiiii. Franziu o cenho e trincou os dentes como se compartilhasse a dor da dupla quando elas finalmente tiveram a queda interrompida por um arbusto.

- Isso doeu...Com certeza... doeu.

Massageou a têmpora numa tentativa de se acalmar. Não sabia se sentia, pena, raiva, aflição ou se apenas ria do estado visivelmente anormal de Dolka.

- Pobre Dira...o que nossa irmãzinha aprontou dessa vez?

Suspirou e buscou acalmar a mente e afastar as dúvidas e emoções para as bordas de sua consciência. Equilíbrio para pensar com clareza.

A contragosto pegou sua corda e amarrou firme num arbusto próximo. Por mais que detestasse a presença de suas irmãs ali e por mais que tentasse não rir com a cena de Dolka rolando como uma pedra, evitar que as duas acabassem despencando era a prioridade. Depois faria perguntas...a se não faria.

- DIRA! AMARRE AO REDOR DELA!

Jogava para a irmã lúcida a outra ponta da corda e esperava que ela desse o sinal de que poderia puxar a ensandecida.

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(Conto) A Herança dos Lobos

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Ter Ago 08 2017, 19:15

Considerações off

Começamos aqui as interpretações do conto "A Herança dos Lobos", envolvendo os personagens Nylian e Morhariel.

A premissa da minha narrativa já é colocar o texto em formato literário, de forma que alguns detalhes serão omitidos no turno, mas colocados em off no complemento ao término da ação, caso necessário, para o devido entendimento dos envolvidos. Para dúvidas, favor não postar no tópico. Envie-me uma MP, mensagem pelo Face ou Whatsapp.

A interpretação do jogador deve seguir o fluxo normal dos jogos anteriores. Mas é importante seguir as instruções abaixo, para facilitar a edição em todos os sentidos:

- Não use formatação do texto com cores. Quando o personagem se expressar verbalmente, coloque o travessão (alt+0151). Caso queira expressar algum pensamento, coloque em itálico, sem o travessão;

- Para criar o turno, prioriza-se a qualidade do texto, e não a quantidade. Quanto mais aproveitados forem na conversão, maior é o indício de que estão funcionando bem para o formato literário;

- Revise a ortografia, a gramática, a coesão e coerência do texto. Lembrando que este é um projeto literário e que é importante termos isso como requisito. Apenas turnos que estejam dentro dessa proposta serão aceitos e respondidos;

- Os turnos estão separados por asteriscos, na seguinte ordem: Nylian e Morhariel.

Caso a estória do personagem não esteja fresca na memória, leia o tópico do perfil dele, localizado no fórum da sua ideologia. Eventuais adaptações no enredo serão sempre colocadas no complemento no final do meu post.

Favor não ultrapassar sete dias para a resposta.

Anunciarei a data do meu próximo post assim que todos os envolvidos o fizerem, ou no final dos sete dias corridos.

Vamos ao jogo:




I

UIVOS

Há dois dias, a calada da noite não era perturbada apenas pelos passos metálicos da guarda real, que patrulhava impositivamente cada região da cidade. Ululados provocados por animais podiam ser ouvidos ao longe, intrigando cada habitante da grande capital aliankina. Um fenômeno incomum e misterioso, capaz de assombrar mesmo os mais altivos inquisidores do reino.

A audição élfica era ainda mais sensível aos uivos emanados pelos ventos frios das montanhas. Captavam algo além do som. Uma estranha amargura nas vozes canídeas, ocultando a mensagem velada na complexa língua das feras.

— Maerond, acalma o teu coração. Preserva o teu sono, pois o ofício do rei lhe exigirá muito amanhã.

A especulada apertura dos lobos alcançara um distinto casal élfico. Naquela madrugada, Daeva tentava acalmar o marido. Ele se comportava como uma das vistosas estátuas que esculturava. Todo o seu corpo estava inerte, e seus olhos paravam no céu escuro, por onde as lamúrias animalescas encontravam mais facilidade de se propagar.

— Lobos não clamam por ajuda aos elfos, homens ou majurks — respondeu Maerond, contemplando a bela lua quarto crescente que brilhava opaca devido à névoa da madrugada. Segurava, na mão direita, uma caneca de cerâmica, contendo um chá quente de salgueiro branco da Floresta de Majara, útil no alívio de muitas dores físicas, porém débil em tratar as mentais. — Mas estes uivam como os gemidos dos cativos nas masmorras da inquisição.

— O que diz o teu dom? — perguntou Daeva, visto que a capacidade de Maerond permitia que a língua das feras não lhe parecesse tão inusitada.

— Uma mensagem — respondeu Maerond, de pronto. — Uma trilha indecifrável, diferente daquela que nos levou à Nylian. Meu coração ribomba peculiarmente desde que estes uivos começaram.

A esposa, então, segurou a canhota do marido e se colocou ao seu lado, para com ele admirar o luar. Não carregava a mesma aflição, embora os sons orquestrados pelos lobos lhes fossem igualmente explícitos.

— Esta pode ser uma agonia como muitas outras que se apropriaram de ti em ocasiões semelhantes — relembrou Daeva. — Mas, houve um longo caminho até o dia em que encontramos Nylian, e muitas foram as mensagens dos lobos. No fim, elas nos deram o maior presente de nossas vidas, e o caminho que aparentemente fora criado pelos servos do maldito nos levou até uma fonte de luz aglomerada em um bebê.

Tomando a frente de Maerond, Daeva segurou seus braços e o fitou nos olhos, esboçando um sorriso tênue.

— O Materyon que nos fere com mistérios, é o mesmo que nos presenteia com dádivas. Já te esquecestes disto?

O elfo também a encarou, mas não conseguiu sorrir. Não demorou muito tempo admirando a serenidade de Daeva. Voltou a olhar para a lua e, quando isto ocorreu, pareceu lhe trazer uma convicção real, distante da lógica emocional que tentou consolá-lo.

— Eles querem algo de mim — respondeu Maerond, enigmaticamente. — Diferente daqueles dias, não há uma ponta de luz esperançosa no túnel escuro dos meus pensamentos. Ainda não sou capaz de compreendê-los, mas Materyon não está nesta mensagem.

A expressão de Deava se fechou. Sentiu seu altruísmo esvaindo rumo ao breu da fé de Maerond.  

O mencionado bebê, que já se tornara uma jovem elfa de quinze anos, estava no próprio quarto no segundo andar da casa, sentada em um banco de frente para a única janela do cômodo. Sua atenção também estava voltada aos lamentos lupinos, que ecoavam em seu peito transmitindo toda a angústia daquelas vozes. Nylian suspirava, inquieta por não compreendê-los.

O silêncio da sua solidão foi quebrado pela sensação de que algo estava acontecendo no andar de baixo. Nylian levantou-se e, deixando o quarto, percebeu que seus pais estavam na sala, confabulando sobre o mesmo assunto que a perturbava. Decidiu ir até eles e, quem sabe, conseguiria acalmá-los.

— Papai? Mamãe? Estão ai? — perguntou Nylian enquanto descia. Trajava um vestido simples azul claro com um cinturão prateado. Os cabelos dourados caíam em ondas suaves sobre seus ombros. A jovem andava com a leveza de seu porte esguio, enquanto os olhos de um azul profundo procuravam pelos pais, que logo foram encontrados. Daeva se virou para ela com um sorriso, e lhe estendeu a mão para que se unisse a eles. Porém, Maerond permaneceu na mesma posição.

— Há algo muito errado com os lobos, papai — disse Nylian, percebendo que ele era o mais incomodado, encarando seu olhar errante como o de um louco. — Você percebe? Eles precisam de algo, mas eu não consigo identificar o que é.


*****

Quatro tochas presas em tripés, posicionadas ao redor de Altarond, o mestre do fogo, eram suas únicas companheiras no extenso Salão dos Magos Flamejantes. Não sugava as chamas dos únicos objetos capazes de iluminar o salão. Usava a própria energia para delinear, no piso de pedra, estranhas runas em oiátif, ou a língua do fogo como diziam os elmïns, os primeiros elfos ancestrais que habitaram a região onde hoje o reino de Aliank está erguido. O elfo é capaz de traduzir a misteriosa capacidade que os elementos têm de se comunicar. E, com isso, visava um objetivo imediato: compreender o significado dos uivos lúgubres advindos das montanhas.

A sua frente, dois caracteres formaram a palavra "Dépixi"; e, na diagonal esquerda abaixo dela, outros dois compuseram "Ségkrav"; por fim, os últimos três,  "Apánsiti". Em uma tradução livre ao hedorin comum: "Diga-me sobre os uivos".

As runas desapareceram pouco após serem escritas. Pacientemente, Altarond esperou. Mas já era tempo de haver uma resposta, e elas não vieram. Algo estava errado.

— Há receio em se comunicar — deduziu o mestre, pensando alto. — Uma treva se abate sobre as chamas. A mesma que assombra os lobos.  

Levantou-se, ressabiado. Aguçava seus sentidos. Se alguém apagava a língua do fogo, certamente intentaria calar o idioma dos elfos, mantendo-se na enigmática penumbra.

— Apareça! — ordenou Altarond. — O ruído dos seus passos é alto como o grasnado dos corvos!

Então, olhou para a porta dupla fechada. Não carregava armas consigo. O fogo era o seu maior assecla e potencial defensor.

O caminho até o salão era feito por um homem de cabelos negros e curtos. Trajava vestes e calçados escuros, com uma blusa de manga longa e desenhos vermelhos em alto relevo que lembravam línguas de fogo. Ia até o mestre pelo mesmo motivo perturbador: a atmosfera sombria que pairava sobre Aliank. Sua tensão era traduzida pelos passos ruidosos e despreocupados até o reduto dos magos.

"Com quem o mestre está falando?" — devaneava o pupilo. "— Pensando alto, talvez?"

Ao chegar diante da porta dupla, ouve a ordem inexorável.

"Isso é comigo? — questionava-se, suspirando em seguida. "Hunf, quem mais seria, Morhariel? Mas a penumbra parece ter deixado sua voz áspera como os terrenos escarpados das montanhas."

E, ao romper a divisa dos cômodos, indagou-o de imediato, porém, com formalidade e notável respeito.

— Falava com alguém, senhor?

COMPLEMENTO:

TODOS

- É madrugada no cenário (por volta das 1h), e os eventos estão acontecendo paralelamente;

- Aconselhável colocar a descrição dos seus personagens, para que eu complemente no meu turno ao converter para o formato literário.

INGRID

- Na revisão do enredo da Nylian, Maerond e Daeva vinham recebendo as mensagens dos lobos há muitos dias, até encontrarem Dotter, que lhes confiou a bebê. Na verdade,estes uivos provinham de Airon no Etrenon. Diferente do enredo atual, ele só será apresentado no plano físico durante este conto, e não encontrado junto ao bebê, como na primeira proposta;

- Maerond e Daeva estão na sala de estar do casarão élfico onde residem, cuja descrição será melhor esmiuçada durante a continuidade do conto;

- Interfira na cena proposta com a Nylian como desejar.

JEAN

- O passos ouvidos por Altarond são, na verdade, Morhariel se aproximando. É adeixa para a interação;

- Por não ser elfo, Morhariel pode ouvir muito menos dos uivos, que mais parecem lamentos distantes aos ouvidos humanos. No entanto, também são capazes de incomodar os homens de Aliank;

- "Salão dos Magos Flamejantes" é o nome dado ao espaço dedicado por Altarond para ministrar muitas de suas lições com o fogo, através do den elorkan.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Ter Ago 22 2017, 17:42, editado 3 vez(es)

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Nylian Lorene em Qua Ago 16 2017, 21:46

Era noite escura, a lua tinha uma luminosidade opaca já encoberta pela névoa do começo da madrugada, o vento era frio e soprava bem ruidoso vindo das montanhas.

Nylian estava sentada em um banco de frente para janela, olhava para além do horizonte em direção a floresta, ouvindo o lamento continuo dos lobos. Sentia uma grande conexão com aqueles seres, sua lamuria ecoava dentro do peito da Artanin e a mesma sentia a angustia e a urgência naquelas vozes. Olhando para a lua Nylian suspirava, faziam dias que os lobos estavam tão inquietos, e a artanin não entendi o motivo. Durante alguns segundos Nylian ficou em silencio e ouviu os sons dos passos no andar de baixo, percebeu que os pais conversavam e pareciam inquietos também, levantou-se e começou a caminhar em direção a escada que elevava ao andar inferior.Ao descer a escava indagava

- Papai, mamãe estão ai? – Nylian descia as escadas em um vestido simples azul claro com um cinturão prateado, os cabelos dourados caiam em ondas suaves sobre seus ombros, a jovem era esguia e com andar extremamente leve, os olhos de um azul profundo procuravam pela sala os pais, assim que os avistava caminhava na direção dos mesmo.

- Há algo muito errado com os lobos papai, você percebe? Eles precisam de algo mas eu não consigo identificar o que é. – Os olhos da jovem Artanin procuravam os do pai adotivo e a jovem aguardava sua resposta enquanto estendia uma mão para segurar a de sua mãe.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Qui Ago 17 2017, 19:14

Considerações off

Jeferson, Rafael e Renan, leiam o meu primeiro turno, bem como as instruções. O introdução dos seus personagens no jogo está logo abaixo dos asteriscos. No final do post, coloquei um complemento para explicar melhor o que está ocorrendo. E sejam bem-vindos! Smile

Vamos ao jogo:




I

EQUILÍBRIO

Uma tentativa de socorro numa região tão inóspita seria agradecida de joelhos por fiéis a Materyon em situações normais. Todavia, aquela estava longe de ser uma.

— Não... Acredito — suspirou Dira ao ouvir alguém do alto.  

Ela fechou os olhos e engoliu seco. Contou até dez. Deu vida novamente à visão. A corda ainda estava lá. A dona da voz, que a chamou pelo nome, também. Ela era literalmente familiar. Uma lástima.

— Achei que tivesse me ouvido, Materyon — reclamou Dira, mais uma vez.

Não olhou para o alto. Pegou a corda apressadamente e a levou até Dolka. Não queria falar mais nada. Pensou que amarrar a cintura da irmã seria fácil, uma ingenuidade tão grande quanto a de pensar que Materyon seria por ela naquela situação.

— Quer me fazer cócegas, é? — perguntou Dolka, subvertendo a tentativa de ajuda da irmã. — Eu também sei fazer, boba!

Dira tinha de enfrentar as mãos pesadas de sua irmã tentando incessantemente alcançar seu abdômen e axilas, partes sabidamente sensíveis ao propósito cruel de Dolka.

— Para! — implorava a irmã, com risos verdadeiramente involuntários e que não traziam seriedade à raiva que sentia de Dolka naquele momento. — Você quer congelar aqui? Já vai cair a noite!

Dolka não se importava. Mesmo. A irmã não teve um momento de sossego. E, quando enfim terminou a amarra, se levantou e quase caiu novamente. Desta vez, mentalmente, agradeceu a Materyon pela presença da outra germana.

— Pode puxar, Dotter! — gritou Dira.

— Doooooootter? — disse Dolka, gargalhando logo ao falar o nome da irmã. — A mandona está aqui? Cadê você, flor espinhenta?

Dira levou as duas mãos ao rosto.

— Flor espinhenta! Me puxaaaaa! Flor espinhenta! Me leva para o céu!

Era bom enlouquecer nestas horas. Como Dira não tinha essa possibilidade, já pensava em como explicar para Dotter o motivo de estarem ali. Certamente, seria mais difícil que tirá-las daquela enrascada.

*****

O majurk andava de um lado a outro com as mãos cruzadas para trás. Mostrava debilidade toda vez que tentava conter a ansiedade. Ouvia sons assustadores da parte baixa do Monte Pardo. Não se sentia capaz de checar o motivo, mas era imprescindível que qualquer intruso ficasse de fora. Algo grande estava para acontecer naquela noite.

— Onde vocês estão? — murmurava, realçando a impaciência. — Essas vozes não param! Não são estúpidos em chamar tanta atenção, não é?

Sentada em uma pedra, uma criatura minúscula com quatro asas verdejantes balançava as pernas no ar, ouvindo as passadas fortes do ursídeo de pouco mais de uma braça de altura praticamente tremerem a terra, tamanha era a sua tensão.

— Gross... — chamou a fada, mexendo com os dedos numa ponta de seus cabelos grandes, ondulados e verdes como lodo reunido nas águas de um grande rio. — Você não quer mesmo que eu desça? Até eu já estou ficando impaciente.

O majurk respondeu, porém, ignorando a pergunta.

— Onde estão aqueles quatro, Araya? — indagou Gross. — Eu falei para serem rápidos, e já perdi a conta de quantas vezes já fui de um lado a outro sem nenhuma resposta!

A fada abraçou as pernas.

— Não é uma boa referência medir o tempo com indas e vindas num espaço tão curto.

Gross fulminou Araya com o olhar.

— Você tem certeza que está aqui para me ajudar?

— Eu estou te ajudando — respondendo Araya, se eximindo da culpa. — Ofereci-lhe um bom chá, mas até isso você recusou. Eu faria pra você num segundo e...

— Não quero chá!

Araya suspirou. Ao longe, ouviram mais gritos. Os pelos de Gross eriçaram. Ele sequer tinha coragem de olhar lá embaixo do penhasco e, assim, quem sabe obter uma pista.

— Eeeeei — chamou uma voz, de súbito, que assustou Gross e fez a fada olhar com os olhos arregalados. — Eu nunca bebi chá feito por fada!

Um sujeito vestindo um capuz na face apareceu, após escalar mais de cinquenta braças até o ponto de encontro. Fios de cabelos brancos brotavam do invólucro de pano, trazendo à rápida ideia de que ele seria um descendente da raça dos cítaros, humanos famigerados pela característica capilar alva.

— Gross — continuou ele, desocultando o rosto, revelando orelhas pontudas e uma pele quase cinzenta. Era um melieof, mestiço de humanos e elfos. — Aqueles dois não chegaram, não é? Eu avisei que não me inspiraram tanta confiança.

Gross chegou a abrir a boca, mas outra voz saiu no lugar da dele.

— Essa montanha é muito barulhenta — disse outra voz masculina, bem mais baixa que a do outro, porém suficiente para fazer com que os olhares se voltassem para ele. — Pensei que era uma reunião. Não uma festa do chá.

Um humano, puro, saía de arbustos formados na trilha oposta ao caminho do primeiro a chegar. Sua feição, porém, era um tanto peculiar. Suas íris avermelhadas lhe davam um aspecto nefasto. Cabelos lisos e negros caíam sobre a face, que agora era estava voltada para o melieof.

— Eu não tenho audição élfica, mas escuto muito bem. Então seria mais inteligente não gritar e guardar suas opiniões sobre quem não conhece para si.

A fada abriu a boca e dedilhou os dentes, perscrutando os visitantes nervosamente. Sentia uma animosidade por vir, que logo foi abafada por Gross.

— Vocês querem um chá antes de começarem a se estapear?  Por acaso dormiram nas pregações sobre equilíbrio do mestre Omaru? — perguntou Gross ironicamente, alternando o olhar entre os dois e se referindo ao mentor de todos eles, que também ministraria o encontro.

— Olha quem fala — murmurou a fada, colocando as mãos nas bochechas.

O majurk a olhou inquisitivamente.

— O que você disse?

Araya apenas sorriu e não respondeu. O humano interrompeu no momento certo.

— Perdoe meu atraso. Talvez tenha tomado cautela demais seguindo fora das trilhas para chegar aqui.

A fada suspirou aliviada.

— Araya, certo? — disse o humano, sugerindo que já estava ali há algum tempo, suficiente ao menos para captar o nome dela. — Acredito que seria prudente que fosse verificar o que está acontecendo do outro lado do monte, antes do último integrante chegar. Afinal, quem pode se comparar à furtividade de uma fada? Não acho que conseguiríamos conversar sobre algo sério sem saber o motivo desses... Barulhos. Ou isso é comum no Monte Pardo?


COMPLEMENTO:

DESIRREÉ:

- Dolka chama Dotter de flor espinhenta, acredito eu que por motivos óbvios XD.

JEFERSON, RAFAEL E RENAN:

- Gross é um majurk que trabalha como um serviçal para Omaru. Geralmente, ele é o interlocutor para chamadas de reuniões entre emylistas da Ordem Obsidiana;

- A Ordem Obsdiana é o grupo emylista mais influente do continente Sullis, formado pelo majurk Omaru. Aerhox, por já ter o enredo readaptado para Aliank, tem o motivo de conhecer Omaru já esclarecido; Kannon tivera esta oportunidade ao chegar em Aliank após os eventos em Oroberia; e Ghaldren soube da Ordem através de emissários de Omaru mundo afora, vendo esta oportunidade para se adequar a um grupo emylista fortemente infiltrado nos reinos do continente. Como falei com o Rafael, faremos adaptações em seu enredo, o que não deve acontecer com o Ghaldren, cuja base será preservada, com ajustes complementares para enriquecê-la;

- Neste conto, Dotter ainda não é emylista nem conhece o trio;

- O trio se conhece apenas de vista no único encontro realizado pela Ordem Obsdiana onde todos estavam presentes. Apesar de saberem que são grakans, nunca chegaram a conversar. No entanto, o início do conto puxa para um encontro deles com Gross no alto do penhasco, que os levará ao local onde ocorrerá a nova conversa entre os emylistas;

- Sugestão de condução à cena: os três chegando em momentos diferentes, vendo a situação nervosa de Gross, que vai expor o que o está perturbando. Aerhox e Ghaldren, por serem meio-elfos, no entanto, possuem audição aguçada, e apesar de não terem ouvido o teor dos gritos lá embaixo, ainda não checaram o que está acontecendo por virem de caminhos diferentes;

- O nome do local alto onde estão é "Monte Pardo".


Última edição por A Lenda de Materyalis em Qua Set 13 2017, 17:36, editado 3 vez(es)

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Aerhox em Sab Ago 19 2017, 16:53

O meio elfo saia do bosque rumo ao ponto de encontro estabelecido. Ali o frio começava a se intensificar, então puxou um lenço sobre a face deixando apenas os olhos a mostra. Olhou o penhasco a sua frente e prontamente se pôs a aquecer os braços, costas e pernas.
Não perderia a chance se intensificar seu vigor físico com uma pequena escalada. Ele também estava bem adiantado. Logo ele disse:

- Cem metros de escalada pela manhã. Bom jeito de aumentar minhas habilidades. E depois já chego na trilha que leva para o Gross.

 Começou a escalar o paredão até onde sabia que teria uma trilha para seguir ao local de reunião com o majurk Gross.

Um tempo depois ele avistou o grande majurk e uma criaturinha que não conhecia, bem no momento que Gross exclamava não querer uma bebida quente. Prontamente ele tirou o pano que protegia sua face e gritou:

- Heeeyy. Eu nunca bebi chá feito por fada. Eu aceito. E Gross aquele outros dois não chegaram né. Eu avisei que não tinham me inspirado tanta confiança.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Morhariel em Seg Ago 21 2017, 22:15

Naqueles dias seus cabelos negros estavam curtos, diferente do habitual cabelos longos que mantinha atualmente,toda a sua vestimenta e calçados eram escuros,porém sua blusa manga longa ,tinha desenhos em alto relevo vermelhos que lembravam o fogo .

Sentia havia algo estranho na atmosfera de Aliank ,algo obscuro que vinha de longe e o incomodava,mas ainda assim ,por não saber o que se tratava ,prefere ignorar e saia de seu quarto focado no desejo de praticar um pouco de seus dens,caminhava lentamente ,mas de forma barulhenta e despreocupada na direção do salão dos magos flamejantes. Ainda um pouco longe escuta a voz de Altarond,mas não compreende o que ele dizia.

Estaria ele falando com alguem agora?talvez esteja apenas pensando alto"

 Quando estava diante da porta dupla ouve a voz de seu querido mestre ordenando que aparecesse.

“Esta ele falando comigo?com quem mais Morhariel..estranho !sua colocação parece tão áspera. ”

Rompia a porta dupla e estava diante do alto elfo sob a perspectiva  de talvez avançar mais nos caminhos do fogo que tanto vinha estudando desde sua chegada aquela escola.

- Falava com mais alguém,senhor.?

Mostrava formalidade e muito respeito pelo alto elfo.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Kannon em Ter Ago 22 2017, 10:16

— Essa montanha é muito barulhenta. – saindo do meio dos arbustos vestindo uma capa com capuz escura que cobre a sua armadura e cabeça — pensei que era uma reunião e não uma festa do chá.

Dá uma olhada para o meio-elfo com uma cara de desaprovação.

— Eu não tenho audição élfica, mas escuto muito bem. Então seria mais inteligente não gritar e guardar suas opiniões sobre quem não conhece para si.

Voltou-se para Gross.

— Perdoe meu atraso, talvez tenha tomado cautela demais seguindo fora das trilhas para chegar aqui.


— Acredito que seria prudente pedir para que Araya verificasse o que esta acontecendo do outro lado da montanha antes que do ultimo integrante chegar, já que uma fada é bem mais furtiva. Não acho que conseguiríamos conversar sobre algo serio sem saber o motivo desses barulhos. Ou isso é normal para o monte Pardo?

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Qua Ago 23 2017, 11:58

Considerações off

Vamos ao jogo:




I

UIVOS

— Sim — respondeu Maerond. — É exatamente o fato de não compreendê-los que me transtorna.

O pai, que sempre tratara a filha com brandura, pareceu presunçoso, se retirando do lado dela com alguma rispidez.

— Tenho deveres para com o rei amanhã, mas não acalmarei o meu coração até saber o que está acontecendo — disse ele, resoluto. — Irei ter com o meu irmão agora. Talvez ele tenha as respostas que tanto anseio.

— Maerond — disse Daeva, atônita. — Estamos sob o toque de recolher.

Enquanto isso, ele ia até um cabideiro de madeira, que sustentava em sua haste mais alta uma túnica de cor cinza toldada, se apressando em vesti-la.

— Os guardas não me impedirão de ver um mestre se souberem a importância do motivo — respondeu de pronto, sem nenhuma convicção do que dizia.

— Nem todos conhecem as tuas capacidades — retrucou Daeva. — Ou mesmo reconhecem teu parentesco com Altarond. Este evento certamente sugestiona a mente de cada aliankino, incluindo os guerreiros, e sabe como isto pode ser perigoso. Por favor, repense.

No entanto, Daeva já sabia o resultado. Só seria possível contê-lo a força. Mas não havia quem dispusesse de tal vigor para fazê-lo. Na verdade, ainda que houvesse, ela não usaria este artifício.  

— Tentem descansar — disse ele, desta vez olhando-as com sua serenidade característica, porém ignorando o último apelo da esposa. — Espero voltar com boas novas.

*****

Altarond suspirou aliviado. Emanava energia no punho, mas não a desprendeu ao ver que o visitante era um de seus pupilos.

— Sim — respondeu o mentor. — Achei que a treva pairante em Aliank se aproximasse deste salão, mas fico feliz em saber que uma chama esplendorosa veio até mim.

Altarond tratava Morhariel como seu pupilo favorito. Não perdia a chance de enaltecê-lo, mesmo em oportunidades tensas, como a que vivia agora.

— Eu tentava entender o que as chamas têm a dizer sobre estes uivos — continuou Altarond. — Mas elas não me foram reveladoras. Algo intimida a voz do fogo, e dizem que só os seres mais imundos do deus maldito são capazes de fazê-lo.

O mestre caminhava até uma grande pira acesa num altar ao fundo do salão. Repousou sua visão na ilustração da espada fincada sobre a cabeça vermelha do dragão, a saber, a bandeira do reino de Aliank, que dividia o espaço da parede traseira com o estandarte azul e amarelo do teryonismo, a ideologia do deus benévolo.  

— Desde aquele dia, não me lembro de ter sentido algo tão obscuro — murmurava o mestre que, vez por outra, devaneava nas lembranças do evento culminante para a construção do reino de Aliank: a queda de Garlak, o dragão de Majara, nas mãos do rei élfico Berong. — A voz dos lobos transmite uma mensagem estranha e melancólica, como uma prece sussurrante por providências divinas.

Recuperando-se dos pensamentos, no entanto, o elfo indagou o humano.

— Mas o que o traz aqui a esta hora? Também te incomodas com os lupinos?

COMPLEMENTO:

TODOS

- Notem que cortei as referências indicando que os personagens são artanins. Isso não ficará explícito ao público;

- Uma vez provocados sobre o assunto, a alma artanin de Nylian e Morhariel perceberá que o uivo dos lobos pode estar ligado a presença de alguma força obscura, não necessariamente bartaluns, mas seres inférlicos que podem estar causando o evento.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Sex Ago 25 2017, 11:54

Considerações off

Jeferson e Rafael, como o Renan e a Desirreé não puderam postar nesse turno, vou dar continuidade à cena de vocês.

Leiam o meu turno anterior. Vocês verão, em vermelho, estão as edições que realizei baseadas nos turnos que escreveram. Assim, poderão ver o que foi inspirado, aproveitado, editado ou excluído do que escreveram. Façam essa releitura em todas as ações seguintes.

Vamos ao jogo:




I

EQUILÍBRIO

A primeira atitude da fada foi buscar a aprovação de Gross, o olhando. Ele deu de ombros.

— Vá! Não é uma ideia ruim — ratificou Gross. — Essa espera está me matando e eu não aguento mais essa gritaria!

Ela sorriu. Os alardes já não eram tão constantes, mas ainda assim era bom verificar. Apesar de paciente, a doce criatura já não aguentava mais tanta ansiedade nos três. Ergueu as asas, alçou voo e passou pelo melieof, cochichando rapidamente.

— Se desejar, faço o seu chá quando chegarmos na gruta de Omaru. Não vai se arrepender.

Gross cruzou os braços e viu a fada descendo o penhasco com facilidade. Suspirou e caminhou até a pedra onde Araya estava sentada. Assim, podia ficar entre os dois.

— Este é apenas o ponto de encontro — começou ele. — Omaru está em uma gruta aqui perto. Lá, iniciaremos a nossa reunião.

O majurk interrompeu os dizeres e olhou com o cenho franzido para o humano.

— E não uma festa do chá.

Suspirou e, não dando tempo para outra colocação infeliz, falou o sobre os outros integrantes.

— Agora vamos esperar pelos outros. Uma é uma elfa, denin grakan como vocês. O outro é um elfo celeste que vive na capital aliankina. O único, por assim dizer, e discriminado pelos seus compatriotas. Só espero que não caiam no difícil caminho até aqui.

O problema era que, ironicamente à confabulação, Gross tentou se sentar na pedra, cuja espessura era insuficiente para sustentar seu traseiro. De fato, não seriam os outros elfos a tombar. O majurk rechonchudo arregalara os olhos, sentindo a terra áspera solavancar seu corpo através de suas costas.

— Argh! Filhos de uma bartalun! Ajudem-me! — apelou Gross aos guerreiros, encalhado como uma baleia. Ao menos, podia contemplar o início do belo crepúsculo.


COMPLEMENTO:

TODOS:

- Melieof é o termo comum que será usado na caracterização dos meio-elfos. Vem do artanês (meli - meio / eof - elfo);


Última edição por A Lenda de Materyalis em Qua Set 13 2017, 17:35, editado 1 vez(es)

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Nylian Lorene em Ter Ago 29 2017, 12:01

Após a conversa entre Maeron e Daeva, Nylian observava seu pai ir embora pela porta, mesmo com o toque de recolher e as suplicas de sua esposa, aguardando alguns segundos votava-se a sua mãe, segurando agora suas duas mãos.

- Queria senhora, acalme-se , vou orar ao grande Materyon e pedir pela proteçao de meu pai, vou tentar encontrar na luz do senhor a resposta para a angustia dos lobos. - Nylian suspirava e soltava as mão de Daeva.

- Vou para meu quarto, fique bem.

Enquanto Nylian andava sentia a angustia em seu peito aumentar de intensidade, levava a mão sobre o coração,entrava dentro de seu quarto encostando a porta ao fazer isso, dirigia-se a janela onde colocava-se de joelhos direcionando o rosto para os céus, fecha os olhos lentamente, rogava uma prece, direcionando toda sua essência a Materyon.
 
- Grande pai, aquele que abençoa a tudo e todos, guia meus pensamentos em tua luz , e mostra-me qual problema aflige aqueles que clamam por sua ajuda. Abraça-me com tua mente, e mostra-me o que posso fazer para ajudar esses seres que tanto me protegeram.

Todo o ser de Nylian era direcionado naquela prece, sua ligação com Materyon era tão grande tão pura e tão bondosa que seu chamado nunca era em prol dela mesma, sempre era direcionada a salvar algo ou alguém.
Nylian era o ser mais dedicado e de coração puro e nobre em toda Aliank (muita presunção não?), sempre pronta a ajudar aqueles que careciam, sacrificando a si mesma se isso fosse necessário.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Kannon em Qua Ago 30 2017, 13:38

Da para ver nitidamente no rosto de Kannon a sua força para não rir da situação. Mas mesmo assim vai dar o auxílio pedido oferecendo uma mão para levantar o majurk. Sendo surpreendido pelo seu grande peso, mudando a sua cara de riso para de esforço. Tenta duas vezes, mas conseguindo mover muito pouco.

— Por Emylia, acho que lhe subestimei o seu peso... – da uma curta pausa – me desculpe, não quis lhe ofender.

Olha na direção de Aerhox.

— Aerhox, acredito que esse trabalho seja duas pessoas, então se você me ajudar agora o senhor Gross estará em pé mais rápido e poderemos ir de imediato para o local da reunião assim que o terceiro integrante chegar aqui. E talvez o a fada faça chá para você também.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Dotter Manen em Qui Ago 31 2017, 00:58

(off: como intercalei a fala da dotter, coloquei as falas das outras irmães entre parenteses)



on:
Buscava a melhor posição possível na pedra  em que estava e enrolava um pouco a corda no braço para segura-la com mais firmeza enquanto esperava pacientemente, mas nem tanto, que Dira finalizasse a árdua tarefa. Se impressionava como a outra mesmo visivelmente nervosa ainda conseguia falar com tanta doçura com Dolka.
 
Se fosse eu lá embaixo já teria resolvido isso com uma torção de braço, ou um galo na testa.
 
(— Pode puxar, Dotter! — gritou Dira. )

(— Doooooootter? — disse Dolka, gargalhando logo ao falar o nome da irmã. — A mandona está aqui? Cadê você, flor espinhenta? )

 
— Não te preocupes, Dolka. Estou aqui an-si-oooo-as para abraçar-te...eu e todos os meus espinhos!
 
Rosnava baixo de raiva. Odiava aquela alcunha. Aquela e todas as outras que Dolka insistia em criar. E a miserável era criativa.
 
(— Flor espinhenta! Me puxaaaaa! Flor espinhenta! Me leva para o céu!)


 
Rangia os dentes enquanto forçava os braços a puxar a irmã estabanada e inquieta para cima, tentando não ceder a vontade de solta-la no meio da subida, apenas um pouquinho, um sustinho de nada, só pra ver se ela se calava...quem sabe desmaiasse e ficasse quieta?
 
— Ora, queres ver estrelas, querida irmã?
 
Sorria quase cruelmente pensando no galo que estava tentada a deixar na testa da tresloucada Manen.
 
O que direis a elas?
 
Dava um tranco de leve na puxada, mas não chegava a soltar a louca.
 
Desviava brevemente o olhar para Dira e então aquiescia diante do evidente desespero da majurk. Continuou a puxar Dolka enquanto imaginava o que poderia tê-la deixado naquele estado e porque as duas estavam ali.
 
— Dira! Está ferida? Precisa de ajuda para subir ?
 
O tom de voz dirigido à outra irmã era mais suave e sem o ar irônico, formal e irritado que tinha com a de madeixas mais escuras e agora cheias de galhos e grama.
 
Olhou a volta. Estariam fugindo de algo? Duvidava, mas certamente fizeram muito barulho e podiam ter atraído atenção indesejável. Mordeu levemente os lábios com os caninos salientes.
 
Espero que nenhum Umsha tenha presenciado esse vexame.
 

Ficava nervosa apenas de pensar em como o patriarca daquela tribo se refestelaria em espalhar a história desse incidente por todo o condado e talvez à terras dos brancos. Não duvidava que o verme traidor gastasse algumas boas moedas para humilhar sua família.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Aerhox em Qua Set 13 2017, 17:00

Assim que a fada murmurou no seu ouvido ele apenas virou e colocou dois dedos em riste na têmpora. O sinal que haviam lhe ensinado para "OK" quando se comunicasse com a ordem.

Ao ver a cena cômica Aerhox rapidamente levou uma mão a boca para abafar um riso. Depois de balançar a cabeça de um lado pra outro e se focar ele disse:

- Certamente a sua palavra tem peso, companheiro.

Prontamente acenou para Kannon com a cabeça e pôs esforço no outro braço de Gross para enfim levanta-lo.

Até ajudou o majurk a limpar um pouco da neve nas suas vestes.

Enfim ele colocou as mãos nos quadris e ao observar o pôr do sol disse:

- Uma elfa grakan e um elfo celeste, não é mesmo? Espero que mostrem novos estilos para nós. Mais força para o equilíbrio... Mais força para o equilíbrio...

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Qua Set 13 2017, 17:49

Considerações off

Este tópico está fundindo cenas para a reunião do conto "A Ordem Obsdiana", envolvendo os personagens Dotter, Naala, Nylian, Morhariel, Kannon, Liliel, Hirlun, Ghaldren e Aerhox.

Explicando a sentença supracitada: estávamos jogando contos separados. Com a nova divisão dos grupos, três contos foram unidos num só: A Herança dos Lobos (Nylian e Morhariel), o conto iniciado no ano passado com o Roberto (Naala), e A Ordem Obsdiana, onde alguns personagens já estavam atuando (Dotter, Kannon, Aerhox e Ghaldren). Adicionalmente, a Giovanna (Liliel), que estava jogando em A Revolta da Colônia, passará para cá, devido a pausa dada pois o intérprete Bruno Gomes (Sarlakros) foi promovido ao livro físico, e está atuando no momento na décima visão das Crônicas de Aliank - volume 2. Por fim, Jorge (Hirlun) que estava no conto "Qu'Lerkor: onde o céu sucumbe", também passará para cá, embora vá continuar no seu conto paralelamente a este a partir da próxima semana.

Ou seja, todos os jogos serão aproveitados. Mas há alguns pontos a se observar:

- Na cena de Naala, no primeiro post, seu mentor era referido como Ragnar, sendo agora "Ragnil", devido à forma dos nomes élficos estabelecidos no cenário. Este detalhe será editado posteriormente;
- Na cena de Kannon e Aerhox, Gross fala sobre a espera de um guerreiro de Bilim. Como reino será suprimido do mapa de Hedoron, devido aos personagens deste projeto agora fazerem parte de Aliank, houve algumas edições na proposição, que vocês poderão conferir nos meus posts anteriores;
- O Renan (Ghaldren) avisou que não poderá postar com regularidade neste mês, de forma que o personagem dele ainda não será incluído na trama, até que ele possa integrar o grupo;
- Ainda sobre a cena de Kannon e Aerhox, notem que Gross fala sobre aguardar dois integrantes: uma elfa guerreira e um elfo celeste, referindo-se à Liliel e Hirlun, antes do encontro com Omaru. Isto já foi editado no meu turno e também no do Jeferson, que havia comentado sobre Ghaldren;
- Neste caso, Giovanna e Jorge devem ler, para entender o contexto, todos os meus posts que estão intitulados como "equilíbrio". No entanto, devem considerar para a interferência das suas personagens apenas as cenas destinadas ao Kannon e ao Aerhox, quando Liliel e Hirlun devem aparecer;
- No post atual, vejam que só citei o Kannon no título. Isso porque cada ato agora foca o ponto de vista de um personagem. No entanto, isso não afeta as ações de vocês;
- Todos os posts dos jogos mesclados a este tópico estão acima. A partir do próximo turno, farei a revisão textual dos mesmos.  

Agora, vamos às instruções padrão:

A premissa da minha narrativa já é colocar o texto em formato literário, de forma que alguns detalhes serão omitidos no turno, mas enviados por Mensagem Privada a vocês. Por isso, limpem suas caixas de entrada de MPs.

Neste primeiro momento, a interpretação do jogador deve seguir o fluxo normal dos jogos anteriores. Mas é importante seguir as instruções abaixo, para facilitar a edição em todos os sentidos:

- Uma cena inicial é proposta, onde você terá duas possibilidades: observar (neste caso, apenas faça um post dizendo em off que observará) ou intervir (sendo assim, faça um turno normalmente). Estas duas opções serão permitidas em todos os demais turnos. Lembrando que todas as ações já preveem brechas para que sua personagem interfira

- Não use formatação do texto com cores. Quando o personagem se expressar verbalmente, coloque o travessão (alt+0151). Caso queira expressar algum pensamento, coloque em itálico, sem o travessão;

- Para criar o turno, prioriza-se a qualidade do texto, e não a quantidade. Na sequência do meu turno, marcarei em vermelho, no post da minha última ação, tudo o que foi extraído das ações de vocês, que, logicamente, podem sofrer edições. Quanto mais aproveitados forem na conversão, maior é o indício de que estão funcionando bem para o formato literário;

- Revise a ortografia, a gramática e a coesão e coerência do texto. Lembrando que este é um projeto literário e que é um requisito para participação. Apenas turnos que estejam dentro dessa proposta serão aceitos e respondidos;

- Revise a proposta que lhes foi enviada por áudio e sinopse pelo Whatsapp. Em caso de dúvidas, entrem em contato privadamente ou pelo nosso grupo; 

- Os posts neste conto acontecerão toda quarta-feira. Portanto, faça sua ação até a terça anterior;

- Por fim, notem que os turnos foram divididos por personagens. Nesta primeira disposição, foram selecionados quatro personagens encabeçando pontos de vista: Naala, Nylian, Dotter e Kannon. Liliel, Hirlun e Aerhox devem considerar seus turnos de interferência na mesma cena proposta ao Kannon, como mencionado anteriormente.

No mais, obrigado a todos por estarem aqui no projeto. Será uma honra narrar para vocês. 

Nota: Consulte o glossário para conferir traduções de palavras estranhas: http://materyalis.mo-rpg.com/t3391-cronologia-glossario-as-cronicas-de-aliank

Vamos ao jogo:




NAALA

— Eu ainda não concedo nenhum tipo de desejo ou elucido verdades. Mas, dou pistas importantes sobre muitas coisas interessantes. Lembra-se disso, não é?

A voz era rouca, como alguém cujo pigarro não saía de jeito algum. Vinha do céfalo de um gênio, produzido por uma fumaça arroxeada de dentro de uma pequena ânfora dourada, que formava a aparência de um rosto delgado, com boca, olhos e nariz largos. A forma dos ouvidos era pontuda, semelhante ao do elfo com quem a criatura conversava e que, num primeiro momento, o respondeu com um breve meneio positivo de cabeça, enquanto virava as páginas amareladas e frágeis de um livro enorme, cuja grafia era escancarada.

— Nenhum de nós carrega o pleno saber, Hegoras — disse o elfo, que usava um turbante violáceo no alto da cabeça, cobrindo parte dos seus cabelos cinzentos. — Aquele que o detinha renunciou das certezas em nome de um erro.

Os lábios do gênio se abriram num largo sorriso.

— Pare de falar de Materyalis como se ele ainda existisse, Ragnil. — respondeu o gênio. — Apenas seres como eu são detentores do mais alto conhecimento.

Os olhos de Ragnil perscrutaram Hegoras por um instante.

— Então me responda: onde está o Sinkra?

Hegoras fez uma expressão contrariada.

— Você é um covarde!

Ragnil sorriu, voltando sua atenção para o livro e o assunto que queria abordar.

— Eu o invoquei por um propósito e não posso desperdiçá-lo. Não quero esperar até o próximo equinócio de outono para falar com você. Então, responda às minhas perguntas o máximo que puder. Certo?

Hegoras fez um movimento com a boca, algo como um suspiro.

— Eu não tenho escolha. Acordo é acordo. Você me deixa aqui, dormindo por um ano, enquanto minha mente viaja pelo mundo, e eu lhe trago todas as informações que sei. Mas lembre-se: nunca verdades ou certezas. Sempre pistas!

Ragnil, enfim, deixou o livro aberto numa página, onde a caligrafia era diferente das demais e a linguagem desconhecida.

— Ótimo, Hegoras. Sem mais delongas, vamos ao que interessa. Traduza o conteúdo desta página para mim, por favor.

O gênio abriu melhor os olhos, mostrando uma expressão um tanto esnobe, porém esforçada. Em seguida, começou a ler.

— Aí diz: a criatura divinal deixou preciosidades aos seres mais orgulhosos, de forma que, não seria bom... — pausou em dúvida, permanecendo assim por pouco tempo. — Ele quer dizer algo como não seria bom desagradá-los. Custa-me encontrar um sinônimo melhor que esse em sua língua.

— Continue.

— Eles são quatorze — retomou Hegoras. — Cada um protege o mundo a sua maneira. Mas, se qualquer um deles for aniquilado, os valiosos relicários estarão vulneráveis e as preciosidades não terão mais um dono.

O gênio pausou novamente. Ragnil conseguiu deduzir que só restava uma linha para terminar a leitura daquela página. Olhou-o enquanto ele se empenhava para encontrar as palavras mais adequadas.

— Algo como: se o detentor original morrer, ou abandonar os relicários, a energia das peças valiosas se descontrolará e... — pausou, olhando Ragnil de forma esnobe. — Muitas vidas frágeis e carnais, como a sua, serão destruídas.

Ragnil fechou o livro.

— Você não vai me dizer o que isso significa, não é? — perguntou o elfo.

— Não! — Respondeu o gênio.

— Tudo bem, eu não preciso.

— Então, já posso voltar para a ânfora?

— Não.

— Como não? Tenho que relembrar?

— Eu já sei — disse Ragnil, se levantando com as mãos apoiadas sobre as páginas do livro.

— Então, o que o impede de me deixar voltar?

— Ainda tenho trilhas a descobrir através da sua sapiência. Aliás, não só eu.

Há muito tempo, Ragnil estava no encalço de antigos artefatos. Por muito tempo, manteve esse objetivo oculto. Incansável nesta busca, parecia ter chegado a alguma conclusão importante com as informações de Hegoras. Continuaria com as perguntas, não fosse a interrupção de uma criatura minúscula que ouvia a tudo escondido.

— Sabe, não é muito educado falar das pessoas sem estarem presentes, mestre — disse o pequeno feérico, revelando ser aquele a quem há pouco Ragnil se referiu como um segundo interessado na obtenção de conhecimentos. Após anos atuando como seu adjunto oculto, a deixa dada pelo elfo indicava que finalmente chegava o momento de aparecer. — Um certo sábio me ensinou isso.

Um sorriso espevitado surgiu nos lábios pouco observáveis do ser. Sabia, no entanto, que aquele comentário não deixaria o elfo nem perto de uma sensação incômoda. O mesmo não se podia dizer do gênio, que se tornara o primeiro alvo de suas atitudes irritantes. Ele flutuou até parar ao lado da ânfora. Começou a brincar com o rosto esfumaçado de Hegoras, passando a mão através dele, como se testasse o quão vulnerável era a sua composição vaporosa.


— Argh! Controle este inseto! — esbravejou o gênio, quase como um pedido de socorro a Ragnil, que ignorou completamente sua súplica.

— Também não é educado se referir a um mestre como se ele não estivesse presente — respondeu Ragnil à criatura, lançando-lhe um sorriso discreto, enquanto voltava a olhar o livro.  

Hegoras estava desesperado. O pequeno prestava atenção na maneira como a fumaça saía de dentro da ânfora dourada e ganhava consciência. Percebia que era como ele, formado por um fluxo cíclico de kalaidrin, a energia essencial que compunha toda a natureza. Sua curiosidade era atiçada ao ver um ser que, de certa forma, era seu semelhante, mas ainda não era o momento de elaborar perguntas.

— Eu tenho forças para soprá-lo! — ameaçou o gênio. — Pare de me tentar!

Ragnil meneou a cabeça negativamente, ao notar a puerilidade de Hegoras, sempre tão soberbo. Mal sabia ele que ameaças com golfadas cálidas seriam um bom motivo para fazer o feérico gargalhar.

— Jogar-me? — inquiriu o minúsculo ser mágico, parando de repente. Forçava um semblante assustado que, por um momento, fez o gênio acreditar que ele realmente havia conseguido algum progresso contra a sua agonia. Mas, tão rápido quanto o tremular das chamas de uma fogueira, brotou um sorriso cheio de perversidade daquele pequeno rosto, que logo dobrou as esperanças da vítima. — Contra a parede? Com ar quente? Você promete?

— Escute, Hegoras — interrompeu Ragnil. — Você sabe que não é do meu feitio conseguir respostas através da tortura. Mas, devo lhe confessar que não tenho o menor interesse de controlar as ações de Naala. Quem sabe, isto o motive a ser mais claro ao responder o que preciso?

— Fale para essa criatura parar de me amolgar, e aí eu me sentirei motivado — respondeu Hegoras, furioso.  

Ragnil não retrucou. Acabara de expressar que não interferiria. Concentrava-se em virar mais algumas páginas do livro. Já Naala tinha o gênio nas mãos, literalmente. Apenas um leve balançar de dedos dentro da fumaça e aquele serzinho inconveniente já tinha perdido a cabeça. Quanta facilidade! Por isso, passou a provocá-lo ainda mais, o trespassando vigorosamente com a mão.

— Uma boa maneira de acabar com isso, é mitigando a indiscrição de Naala — aconselhou o elfo, fitando a criatura minúscula. — Apesar de triquetraz, ele é muito mais curioso que eu. Então, por que não dá a ele a chance de conhecer melhor os famosos indícios de conhecimentos velados que tanto o orgulha?

— Então, seja rápido, pequeno! — ordenou Hegoras, concordando com o elfo.

Naala começa a dar voltas em torno da ânfora, analisando suas possibilidades. Tantas questões, tantas respostas. Ele para à destra de Hegoras, suspirando e fazendo um bico como se estivesse pensando.

— Você banca o sabichão, se diz um profundo conhecedor de todas as coisas, de todos os segredos, de tudo o mais — disse Naala. —  Mas, me diga: você é capaz de responder a uma pergunta direta? Ou você usa de artifícios e artimanhas só pra disfarçar coisas que você não sabe?




NYLIAN

— Sim — respondeu Maerond. — É exatamente o fato de não compreendê-los que me transtorna.

O pai, que sempre tratara a filha com brandura, pareceu presunçoso, se retirando do lado dela com alguma rispidez.

— Tenho deveres para com a realeza amanhã, mas não acalmarei o meu coração até saber o que está acontecendo — disse ele, resoluto. — Irei ter com o meu irmão agora. Talvez, ele me forneça as respostas que tanto anseio.

— Maerond — disse Daeva, atônita. — Estamos sob o toque de recolher.

Enquanto isso, ele ia até um cabideiro de madeira, que sustentava em sua haste mais alta uma túnica de cor cinza toldada. Apressou-se em vesti-la.

— Os guardas não me impedirão de ver um mestre se souberem a importância do motivo — respondeu de pronto, convicto do que dizia.

— Nem todos reconhecem as tuas capacidades — retrucou Daeva. — Ou mesmo o teu parentesco com Altarond. Este evento certamente sugestiona a mente de cada aliankino, incluindo os guerreiros. Sabe como isto pode ser perigoso. Por favor, repense!

No entanto, Daeva já sabia o resultado. Só seria possível contê-lo a força e isso não seria feito por mãe e filha.  

— Tentem descansar — disse ele, desta vez olhando-as com sua serenidade característica, porém ignorando o último apelo da esposa. — Espero voltar com boas novas.

Vendo o inevitável, Nylian decidiu consolar a mãe.

— Querida senhora, acalme-se — disse a elfa, com a voz tenra. — Vou orar ao grande Materyon e pedir pela proteção de meu pai. Tentarei encontrar na luz do benévolo a resposta para a angústia dos lobos.

Sem dizer nada, Daeva fez um meneio positivo com a cabeça.

— Vou para o meu quarto — disse Nylian. — Fique bem.  

Sem impedir a filha, que entraria numa meditação profunda, Daeva permaneceu na sala. Nylian já iniciara preces silenciosas no caminho para o quarto. Ao chegar, ajoelhou-se sobre uma grande tapeçaria de pelos cinzentos, diante de uma majestosa estátua de uma figura alada e vestida num grande manto, segurando uma trombeta. Diante dela, fazia sua oração solitária. Dizem que Materyon se comunica em resposta através de sinais, muitas vezes dados em fenômenos estranhos aos olhos dos incrédulos. Identificá-los, contudo, é sempre uma tarefa árdua. Quanto mais puro fosse o coração do devoto, maior seria seu discernimento sobre as mensagens do alto.

— Ilumina-me, ó Materyon, divo da benevolência, com a tua sabedoria — dizia a elfa solenemente, quase em transe. Doava-se inteiramente para que a voz de seu espírito chegasse
aos domínios de seu deus. — Traga-me o entendimento sobre a mensagem dos lobos do norte. Acalma o coração dos aflitos, como o dos meus pais, que buscam compreender as mensagens dos companheiros canídeos, belos emissários das tuas bençãos e poder. Niho*!

Após breve pausa, Nylian complementou a oração.


— Proteja Maerond, meu pai, contra os olhos vorazes da inquisição e seus subalternos. Não permita que ele seja vitimado pela malevolência das leis que distorcem a tua vontade. Guia-o em segurança desde a ida até Altarond até sua volta para o lar. Niho!

Enquanto pensava em novas súplicas, Nylian ouviu um burburinho lá fora. Levantou-se apressadamente e foi até a janela. Esperava ver uma manifestação rápida da graça de Materyon, mas não foi isso o que constatou.

— Por favor, não o leve! — implorava Daeva. — Tudo o que ele deseja é ajudar o nosso povo!

— Retire-se! — ordenava um guarda aliankino. — Ou a levaremos também!

Estavam prendendo Maerond. O toque de recolher parecia maior que o poder de Materyon.

— Volte, querida — pediu Maerond. — Nylian precisa de você.

Mesmo hesitante, a elfa se recusava a voltar. Porém, as palavras estavam presas, assim como o corpo, inerte e impotente diante dos patrulheiros que seguravam o marido pelos braços. Não sabia como ajudá-lo. Estava trêmula. Unia as mãos. Murmurava preces, esperando o auxílio de Materyon. Nada.

Foi a mais ou menos quatro braças adiante, porém, que algo realmente estranho ocorrera.

Os guardas cessaram os passos. Maerond, surpreso, alternou o olhar para eles, que o soltaram. Por pouco tempo, permaneceram estáticos, aparentemente hipnotizados, até que tombaram. O elfo, contudo, permanecera cônscio, porém confuso. Olhou para a casa. Daeva ainda estava lá, de pé, estarrecida: e, assim como ele, totalmente acordada.

Maerond se voltou para muitos lugares. Nada de diferente. Os uivos continuavam. Nas janelas vizinhas, não havia testemunhas. Fitou novamente a elfa. Acenou para que ela entrasse. Daeva não obedeceu e foi até ele.

— É você que tem de voltar — reclamou ela. — Venha! Não conseguiremos entender isso aqui fora.

Maerond realmente considerou a hipótese. Porém, avistou algo numa esquina ao leste. Um cão de porte médio e pelos cinzentos arfava com a língua para fora, olhando fixamente para o elfo. Daeva também o notou, embora não tivesse a mesma conexão demonstrada pelo marido com o animal.

Latiu duas vezes e correu. O elfo foi atrás.  

— Maerond!

— Não me siga! É o Arkan!

Ela não sabia quem era o canídeo, ou que relação ele tinha com Maerond. Porém, Nylian, que testemunhara tudo pela janela, já ouvira aquele nome e conhecia a sua importância. A mensagem de seu deus viera sem demora.  

Quando decidiu desobedecer, Deava sentiu o toque suave da mão de sua filha em seu ombro esquerdo. Ela voltava a lhe falar com doçura, porém a urgência era explícita.

— Mamãe, vá para dentro de casa. Eu vou seguir o papai. Ele não pode ficar aqui fora sozinho. Por favor, fique lá dentro e tranque tudo. Se alguém bater na porta, não abra. Podem ser os guardas que voltaram do sono. Espero que não se recordem do que aconteceu aqui quando despertarem e não nos incomodem mais.

Nylian tomou a frente, deu um beijo na testa de Daeva e saiu correndo na mesma direção de seu pai.







DOTTER

Uma tentativa de socorro numa região tão inóspita seria agradecida de joelhos por fiéis a Materyon em situações semelhantes. O problema era exatamente quem oferecia a ajuda.

— Não... Acredito — suspirou Dira ao ouvir alguém do alto.  

Ela fechou os olhos e engoliu seco. Contou até dez. Deu vida novamente à visão. A corda ainda estava lá. A dona da voz, que a chamou pelo nome, também. Ela era literalmente familiar. Uma lástima.

— Achei que tivesse me ouvido, Materyon — murmurou Dira.

Não olhou para o alto. Pegou a corda apressadamente e a levou até Dolka. Não queria falar mais nada. Pensou que amarrar a cintura da irmã seria fácil, uma ingenuidade tão grande quanto a de pensar que Materyon seria por ela naquela situação.

— Quer me fazer cócegas, é? — perguntou Dolka, subvertendo a tentativa de ajuda da irmã. — Eu também sei fazer, boba!

Dira tinha de enfrentar as mãos pesadas de sua mana buliçosa tentando incessantemente alcançar seu abdômen e axilas, partes sabidamente sensíveis ao propósito cruel de Dolka.

— Para! — implorava a irmã, com risos verdadeiramente involuntários e que não traziam seriedade à raiva que sentia de Dolka. — Você quer congelar aqui? Já vai cair a noite!

Dolka não se importava. Mesmo. A irmã não teve um momento de sossego. E, quando enfim terminou a amarra, se levantou e quase caiu novamente. Desta vez, agradeceu mentalmente a Materyon pela presença da outra germana.

— Pode puxar, Dotter! — gritou Dira.

— Doooooootter? — disse Dolka, gargalhando logo ao falar o nome da irmã. — A mandona está aqui? Cadê você, flor espinhenta?

Dira levou as duas mãos ao rosto.

— Flor espinhenta! Me puxaaaaa!

Dotter rosnava baixo de raiva. Odiava aquela e todas as outras alcunhas que Dolka insistia em criar. Mas, tinha que admitir: ela era criativa!

— Flor espinhenta! Me leva para o céu! — disse Dolka, sorrindo e levantando os braços como uma criança ao ser puxada, tratando o momento como uma grande brincadeira.

Seria bom enlouquecer nestas horas. Como Dira não tinha essa possibilidade, já pensava em como explicar o motivo de estarem ali, o que decerto seria mais difícil que tirá-las daquela enrascada. Enquanto isso, Dotter buscava a melhor posição possível na pedra em que estava. Enrolava um pouco da corda no braço para segurá-la com mais firmeza, esperando com certa paciência que a irmã finalizasse a árdua tarefa. Impressionava-se como ela, pois mesmo visivelmente nervosa, ainda conseguia falar com Dolka brandamente.

— Se fosse eu lá embaixo, já teria resolvido isso com uma torção de braço, ou um galo na testa — sussurrou Dotter, falando altissonante em seguida. — Não te preocupes, Dolka. Estou aqui ansioooosa para te abraçar. Eu e todos os meus espinhos!

— Adrenalinaaaaaaa! — gritou Dolka, gargalhando e ignorando a provocação de Dotter, que, ainda mais irritada, rangia os dentes enquanto forçava os braços para trazer a irmã estabanada e inquieta para cima. Tentava não ceder a vontade de soltá-la no meio da subida. Um susto leve seria suficiente, na esperança que ela se calasse por algum tempo. No entanto, refreou o intento, desviando brevemente o olhar para Dira, cuja tensão era evidente.

— Dira! Está ferida? Precisa de ajuda para subir? — indagou Dotter. O tom de voz dirigido à outra irmã era mais suave e sem o ar irônico, formal e irritado que tinha com a de madeixas mais escuras e agora cheias de galhos e grama.

Dira apenas meneou a cabeça negativamente. Inspirava e expirava agitadamente. Só precisava de fôlego. Todo o percurso para guiar a majurk havia sugado muito as suas forças. Quando finalmente alcançaram Dotter, ela se sentou. Sem dizer nada, começava a desamarrar Dolka. Forçava-se para não chorar. A esgotada não deveria ser ela.

— Eu amo a minha família — disse Dolka, alucinadamente. — Vocês são tão... Lindas!

Dira recusou-se a responder. Seus olhos encontraram os de sua salvadora.

— Espero que nenhum umshino tenha presenciado esse vexame — disse Dotter, que vigiava preocupadamente o entorno, mordendo levemente os lábios com os caninos salientes. Todo o barulho que fizeram podia ter atraído atenções indesejáveis, sobretudo os ursídeos negros da tribo de Umsha. Ficava nervosa só de pensar em como seu patriarca se refestelaria em espalhar a história desse incidente por todo o povo ursídeo. Não duvidava que o verme traidor gastasse algumas boas moedas para humilhar sua família.

— Acendam uma fogueira, suas preguiçosas! — continuava Dolka, se debatendo como uma convulsionada na terra. — Vamos sentir o cheirinho do orvalho!

Dira levou as duas mãos aos ouvidos ursídeos no alto da cabeça. Acender uma fogueira e sentir o cheiro do orvalho? O que uma coisa tinha a ver com a outra?

— CHEGA! — gritou a irmã, despejando algumas lágrimas incontidas. Sequer conseguia explicar o motivo de estarem ali para Dotter. Aliás, tinha vergonha de falar. E seria ainda mais difícil com Dolka tagarelando.

— CHEGA! CHEGA! CHEGA! — repetiu ensandecidamente a irmã tresloucada, sem um motivo aparente.

Dotter suspirou ao ouvir os berros de Dira, que parecia prestes a ensandecer também. Dois passos foram o bastante para anular a distância entre elas. Não olhou para nenhuma das duas. Pondo-se ao lado da irmã chorosa, permanecia com o olhar sobre o horizonte agora na direção que pretendia percorrer para encontrar abrigo da noite vindoura. Pousou, então, a mão direita sobre a cabeça da majurk sã e bagunçou ainda mais seus cabelos já emaranhados com um carinho que raramente demonstrava.

— Não sei se desamarrá-la será a melhor das ideias em seu estado atual, Dira — disse Dotter, compadecida.

Embora se manifestasse contra o ato, nada fazia para interrompê-lo. Ocupava-se de observar o caminho percorrido pelas gêmeas e a farejar o ar em busca de alguma presença que pudesse ter testemunhado tamanha vergonha para sua linhagem. Ademais, diálogos nunca foram seu forte, ainda mais em momentos tensos, mas havia aprendido que o silêncio podia ser tão acolhedor quanto palavras. Torcia para que a irmã compreendesse e se acalmasse, e também que a outra se calasse antes de obrigá-la a lhe dar um soco no queixo, fazendo-a dormir como uma boa ursinha até o dia seguinte. Mas isso era só ilusão.






KANNON

A primeira atitude da fada foi olhar para Gross, buscando sua aprovação. Ele deu de ombros.

— Vá! Não é uma ideia ruim — ratificou Gross. — Essa espera está me matando e eu não aguento mais essa gritaria!

Ela sorriu. Os alardes já não eram tão constantes, mas ainda assim era bom verificar. Apesar de paciente, a doce criatura queria um tempo longe dos ansiosos. Ergueu as asas, alçou voo e passou pelo melieof, cochichando rapidamente.

— Se desejar, faço o seu chá quando chegarmos na gruta de Omaru. Não vai se arrepender!

Ao ouvir a fada, ele apenas virou e colocou dois dedos em riste na têmpora. Era um sinal de positivo usado por emylistas entre si.

Gross cruzou os braços e viu a fada descendo o penhasco com facilidade. Suspirou e caminhou até a pedra onde Araya estava sentada. Assim, podia ficar entre os dois.

— Este é apenas o ponto de encontro — começou ele. — Omaru está em uma gruta aqui perto. Lá, iniciaremos a nossa reunião.

O majurk interrompeu os dizeres e olhou com o cenho franzido para o humano.

— E não uma festa do chá.

Suspirou e, não dando tempo para outra colocação infeliz, falou o sobre os demais integrantes.

— Agora, vamos esperar pelos outros. Uma é elfa, denin grakan como vocês. O outro é um elfo celeste que vive na capital aliankina. O único, por assim dizer, muito discriminado pelos seus compatriotas pelo simples fato de ter asas. Só espero que ele não caia no caminho.

O problema era que, ironicamente à confabulação, Gross tentou se sentar na pedra, cuja espessura era insuficiente para sustentar seu traseiro. De fato, não seriam os outros elfos a tombar. O majurk rechonchudo arregalara os olhos, sentindo a terra áspera solavancar seu corpo através de suas costas.

— Argh! Filhos de uma bartalun! Ajudem-me! — apelou Gross aos guerreiros, que faziam força para não rir. Ele se debatia como um inseto prestes a morrer. Ao menos daquele ângulo, podia contemplar o início do belo crepúsculo.

— Certamente a sua palavra tem peso, companheiro — disse o melieof, jocosamente.

Eles não deixariam o majurk atabalhoado numa situação tão deselegante. O humano foi o primeiro a ir até ele, oferecendo-lhe a mão destra. Porém, foi surpreendido pelo seu peso, o que fez seu semblante risonho mudar para uma careta de esforço. Tirou pouco das costas do majurk da terra em duas tentativas de puxá-lo.

— Por Emylia, acho que subestimei o seu peso — dá uma pausa curta, percebendo rapidamente sua indelicadeza. — Desculpe-me, não quis ofendê-lo.

Olhou para o melieof.

— Acredito que esse trabalho seja para duas pessoas. Então, se você me ajudar, o senhor Gross estará em pé mais rápido.


Prontamente, o outro acenou para com a cabeça e foi até eles. Pôs força no outro braço de Gross. Enfim, levantaram-no em meio a murmurações do grandalhão.

— Isso é culpa daqueles dois — reclamou Gross. — Se já estivessem aqui, isso não teria acontecido!

— Uma elfa grakan e um elfo celeste, não é mesmo? — perguntou o mestiço. — Espero que mostrem novos estilos para nós e tragam mais poder para o equilíbrio.

— Ao menos, essa queda serviu para ver que o elfo celeste está chegando — disse Gross, limpando as roupas.

O majurk tinha razão. Uma figura alada se aproximava do local viajando pelo céu. Usava um robe vermelho pertencente a EDE, ou Escola de Denins Elorkans. Embora fosse considerada uma cor proibida em Aliank, havia uma exceção aos manipuladores do fogo, que usavam o tom simplesmente como símbolo das chamas, realçando o tipo de habilidade do elfo.

A vestimenta do denin alado também trazia outras caraterísticas peculiares, como a insignia da cabeça de dragão perfurada por uma espada à esquerda do peito. Era o símbolo do estandarte aliankino, bordado ou gravado nas vestimentas de indivíduos com posições altas no reino. À direita, estava o brasão da ideologia teryonista, composta por uma figura esférica em formato circular, que trazia à associação ao olho de Materyon, erguido por uma forma cônica que o sustentava. Era a denotação da ascensão do deus benévolo como o único ser a ter atingido a perfeição dentre todas as criaturas. Isto ia contra o posicionamento do grupo que se preparava para a reunião com Omaru, porém, o traje nada mais era que um dos muitos disfarces usados pelos emylistas, os pregadores do equilíbrio, para se infiltrar em instituições estratégicas de Aliank e assim exercer a influência necessária para a manutenção de seus ideais.

— Saúdo a todos os presentes — disse o elfo, em tom moduladamente sereno e audível, após pousar graciosamente perto deles.


Gross abriu a boca para falar, mas foi interrompido antes que sua voz se propagasse.

— Como estão os ventos, Hirlun? — disse uma voz feminina, que se esgueirava por trás das asas do elfo.

Enfim, a elfa chegara. Recebeu um olhar de soslaio de Hirlun, que lhe meneou positivamente a cabeça, como se indicasse que estava em plena harmonia com o ar. Diferente do elfo celeste, seus trajes não mostravam nenhuma relação direta com a alta cúpula aliankina. Usava uma bata de malha branca e manga comprida bufante, abaixo de um espartilho de couro que cobria boa parte do peito e do ventre. O restante da indumentária, composta por calças justas de couro e botas de cano longo, lhe traziam a impressão de ser uma amazona, destoando apenas no capuz negro preso a uma capa que cobria sua cabeça, e o cabo exposto de uma espada embainhada nas costas.

Saudações, companheiros — disse ela, desta vez cumprimentando a todos.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Qua Out 25 2017, 17:17, editado 10 vez(es)

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Hirlun Imlach em Qui Set 14 2017, 00:09

Secretamente recebera a incumbência de ir até o encontro Emylista, onde Hirlun encontraria seus irmãos de ideologia, seus irmãos frente ao Emylismo. Porém sair de Aliank sem deixar suspeitas, como todas as que sempre vinham de encontro a ele por ser o que era, naquele momento era mais crítico: era quase impossível.

Mas Hirlun sabia os pontos fracos das amarras que o prendiam à cidade de Aliank, ao seu disfarce, à sua missão. Para poder levar em conta que sairia para uma pesquisa particular, deixou apenas o assistente direto de Altarond ciente de sua saída, do qual ele, obviamente, fez inúmeras perguntas. Antes que aquilo virasse um interrogatório e o Intendente, que adorava ficar em seu pé quando ele quisesse coçá-lo – isso levando em consideração que isso era um movimento mínimo, Hirlun saiu de cena e, andando calmamente, alcançou a Floresta de Majara em apenas a terça parte de um ciclo de tempo.

Uma vez na Floresta, ele poderia voar, assim como ele foi feito à criação do mundo. Emylia pode não ter me criado, mas, com certeza aprovaria o uso de minhas habilidades naturais para cobrir mais chão quando o assunto é uma reunião de nossos pares.

Andou calmamente e, já na orla da floresta, adentrou rapidamente nela. Não queria se atrasar.

Vestia ainda sua roupa de acólito da EEA – Escola Elorkan de Aliank, que consistia em um robe azul com frisos vermelhos, simbolizando a união do elemento que manipulava com a benevolência do zhânrir Materyon. Hirlun costumava dizer a si mesmo que aquilo significava a calma permeada de fúria, pretexto suficiente para incutir com frases Emylistas em sua mente. Trocar de roupa significaria chamar mais atenção do que deveria.

Ao se embrenhar o suficiente no lugar, abriu suas longas asas emplumadas e voou. Um pensamento feliz, quase febril, tomou conta de sua mente…

Liberdade.

O vento acima da copa das árvores não era violento, muito pelo contrário: era quase uma carícia em seu rosto sofrido, marcado pelo preconceito e noites mal dormidas na casa de seus pais. Eles são meus pais, não importa quem diga ou quando diga. Hirlun pressionou os músculos presentes além das omoplatas e ganhou força motriz, ganhando impulso para ir em frente.

Aquela felicidade era quase infantil, mas ele tinha que focar. Nem sempre felicidade demais era bom, deixava de aguçar os instintos. Equilíbrio acima de tudo. Paz interior era seu mote.

Voando com rapidez logo acima da copa das árvores, viu um grupo de viajantes logo ao fundo. Foi fácil de reconhecer alguns por seu tamanho, como Gross, majurk assistente de Omaru e dois menores, que pelo que foi possível ver do alto, eram dois meliof. A cena era cômica, e ao mesmo tempo preocupante: Gross ficaria de extremo mau-humor se aquilo não se resolvesse rapidamente…

Mas resolveu chegar e não se impor. Devagar e sempre, fluído como a água. Os elementos eram uma de suas paixões, por isso gostava de estudá-los. Com isso, pousou com uma graça quase felina no chão perto de todos. Apurando os olhos, também viu a fada ao canto.

— Saúdo a todos os presentes. - disse em voz modulada, mas ao mesmo tempo audível a todos.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Naala em Qui Set 14 2017, 18:52

Enquanto o elfo discutia com Hegoras, Naala ficava prestando atenção na maneira como a fumaça saía de dentro da ânfora dourada e ganhava consciência. Vendo mais de perto com certeza algumas dúvidas sobre como funcionava aquela criatura chata seriam respondidas. Mas o momento não era o de sanar essas perguntas.
— Fale para essa criatura parar de me amolgar, e aí eu me sentirei motivado.
O feérico sabia agora que o tinha nas mãos, quase que literalmente. Apenas um leve balançar de dedos dentro da fumaça e aquele serzinho inconveniente já tinha perdido a cabeça! Quanta facilidade. Ao mesmo tempo em que ele continua falando e ameaçando, Naala agita a mão com mais vigor, como se quisesse literalmente provocá-lo.

— Me jogar? Contra a parede? Com ar quente?!

O fada para de repente e abaixa a mão e a cabeça, fingindo claramente estar se sentindo ameaçado. Logo depois ele levanta a cabeça apenas para fitar os olhos do gênio e sorri de maneira perversa.

— Você promete?

Ele começa a dar voltas em torno de Hegoras, analisando suas possibilidades. Tantas questões, tantas respostas. Ele para ao lado da ânfora, suspirando e fazendo um bico como se estivesse pensando. Ele sorri de maneira maldosa quando começa a perguntar.

— Você se diz um tão profundo conhecedor das coisas e segredos e tudo mais... fala que sabe de tudo.... Mas me diga: você é capaz de responder uma pergunta direta? Ou você usa de artifícios e artimanhas só pra disfarçar coisas que você não sabe?

O objetivo de Naala era bem simples. Usar a soberba do gênio contra ele.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Liliel em Sab Set 16 2017, 19:25

Em uma clareira sobre a floresta, servia de refujo de um acampamento solitário.
Este abrigava a elfa dos longos cabelos louros que estava sentada de pernas cruzadas, estava de olhos fechados a meditar. Encostada em um dos troncos da árvore. Mais a frente dela havia um resto de fogueira com cinzas e mais atrás uma bolsa de couro de viagem, o que indicava que a ela havia passado o dia ali.

Trajada de roupas simples, usava uma blusa de malha grossa branca de manga comprida bufante, no colo do peito contém um cordão onde estava preso em um laço. Em cima desta ela usava um espartilho de couro que cobria boa parte do peito e ventre. Usava calças justas de couro e botas de cano longo. Sem deixar de usar seu capuz escuro. Usava os cabelos ao alto rabo de cavalo, com uma fita de cetim. Sua inseparável espada Sagrada, descansava em um compartilhamento de couro preso a suas costas. Suas mãos estavam unida ao centro das pernas em posição de lótus.

Aproveitava a tranquilidade do local para meditar, como se buscasse ir além de sua mente num esforço de buscar algum vestigo de alguma memória. Não conseguia muito, alguns borrões mas nada que ela conseguisse identificar. Era inútil.

Insistiu forçando mais sua mente a instigando a se lembrar, sua testa e sobrancelhas estavam sendo franzidas em sinal de concentração, que talvez ela tinha perdido ao tentar forçar sua própria mente. Isso lhe causou um cansaço mental que a obrigou a “acordar” de seu estado meditativo.
Ao abrir os seus olhos azuis claros, a respiração ofegante da elfa era mais visível, gotas se suor escorriam de sua face. Estava inconformada, remugou ao vazio.

- ...P-porque… me é proibido? O que há em mim que não devo saber…?

A mesma buscou se recompor respirando fundo buscando seu equilíbrio natural. Achou melhor deixar de para depois uma outra tentativa, apesar de não se lembrar do passado ainda conseguia se lembrar dos dias da reunião. Limpou o rosto suado e olhou para o céu, o Crepúsculo vinha, era hora de ir. Pegou suas coisas, jogou neve com o pé sobre a fogueira cobrindo qualquer rastro. Ergueu-se ligeira, preparava-se para usar suas habilidades acrobáticas, em dia de encontros ela era bem cautelosa e evitava ir pelo chão. Usava as árvores quicando de um a outra.

Seguia para o local marcado sempre atenta com sua boa audição elfica. O caminho foi tranquilo, a metade deste parou ao ouvir um som e olhou para cima era Hirlun se aproximando e em fim pousar com segurança no chão. Feito isso ela avançou saltando saindo das copas das árvores caindo alguns metros atrás do elfo alado.
Depois do comprimento que ouviu, olhou melhor a todo a sua volta e deu passos a mais a frente parando ao lado, levando a esquerda a cintura.

- Olá companheiros. Olá Hirlun, como estão os ventos?


Era uma saudação amigável, naturalmente os dois elfos se sentiam mais confortáveis entre si.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Dotter Manen em Seg Set 18 2017, 22:48

— Não sei se desamarrá-la seja a melhor das ideias em seu estado atual, Dira. 

Embora se manifestasse contra o ato, nada fazia para interrompê-lo. Ocupava-se de observar o caminho percorrido pelas gêmeas e a farejar o ar em busca de alguma presença que pudesse ter testemunhado tamanha vergonha para sua linhagem.

Suspirou ao ouvir os berros da outra que parecia prestes a ensandecer também. Dois passos foram o bastante para anular a distância entre elas. Não olhou para nenhuma das duas. Pondo-se ao lado da irmã chorosa permanecia com o olhar sobre o horizonte agora na direção que pretendia percorrer para encontrar abrigo da noite vindoura. Pousou, então, a mão direita sobre a cabeça de Dira e bagunçou ainda mais seus cabelos já emaranhados com um carinho que raramente demostrava.

Diálogos nunca foram seu forte ainda mais em momentos tensos, mas havia aprendido que o silêncio podia ser tão acolhedor quanto palavras. Torcia para que a irmã compreendesse e se acalmasse. Torcia ainda mais para que a outra se calasse antes que lhe tivesse que dar um soco no queixo para que dormisse como uma boa ursinha até o dia seguinte.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Kannon em Ter Set 19 2017, 09:43

—Pela sua densidade, deve ser muito desagradável levar um golpe seu em sua forma majurk Gross. – admirado pela diferença de peso de um humano e majurk do mesmo tamanho.

Após fazer esse comentário ele ouve os dois elfos se anunciando. Sem se virar ele pega a seu cantil e toma um gole e oferece para Aerhox e Gross. —Não é chá de fadas, mas a água esta fresca.

Com a outra mão ele ajeita o capuz da sua capa o deixando na altura do nariz. —Acredito que todos os integrantes dessa reunião já tenham chegado finalmente. Ou ainda falta alguém chegar?


Se vira para a direção para onde Araya foi investigar os barulhos. — A não ser que queira esperar o seu auxiliar chegue e nos diga o que seria esse barulho do outro lado da montanha, para não arriscar comprometer a integridade da reunião.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Nylian Lorene em Ter Set 19 2017, 12:05

A oração era de uma força surpreendente, deixava Nylian quase em transe, toda a essência de seu ser era doada naquele momento, uma aura benévola irradiava de Nylian e assim que a prece terminava Nylian era desperta pelo alvoroço que acontecia do lado de fora de sua casa, ao olhar pela janela o primeiro avistamento de Nylian foi a grande fera lupina que estava observando-os da esquina, sua atenção logo foi voltada para seu pai discutindo com alguns guardas e assim que percebia que eles iriam leva-lo, a jovem saia em disparada em direção a porta de sua casa. Porem quando chegava lá em baixo percebia que os guardas haviam caído em um sono profundo e seu pai saia em disparada em direção a Arkan. Nylian virava-se para sua mãe e com voz doce porem urgente dizia:
- Mamãe vá para dentro de casa, eu vou seguir papai, ele não pode ficar aqui fora sozinho, por favor fique lá dentro, e deixe tudo trancado, se alguém bater na porta, não atenda por que talvez sejam os guardas que voltaram do sono, se ninguém atender eles concluirão que estamos dormindo. – Nylian dava um beijo em Daeva e saia correndo em direção ao seu pai.
 
Saia então em disparada, perguntando-se em seu intimo o que diabos estava acontecendo e por que estava tudo tão fora do normal.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Aerhox em Qua Set 20 2017, 18:51

Ele observou a grande presença do elfo-celeste. Seus olhos denins reconheceram nele grande capacidade kalaidrina. Uma capacidade semelhante, mas metonyana, emanava da elfa. Ele educadamente recusou a água oferecida por Kannon com um aceno que queria dizer "Obrigado". Para os novos integrantes ele se apresentou:

- Olá irmãos emylistas. Creio que é hora de me apresentar devidamente. Aerhox Lenfaej. Batedor da quinta tropa da Ordem da Chama Sagrada. Espero solenemente ser de bom uso para superar os desafios do equilíbrio ao lado de vocês.

Para a indagação de Kannon ele respondeu:

- É prudente esperar o retorno da fada. Vamos nos preparar para lidar com o que quer que seja aquele barulho.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Qua Out 04 2017, 17:00

Considerações off

Pessoal, atenção às instruções abaixo, divididas nominalmente:

Ingrid:

- Em ações que coloquem a fé da Nylian em movimento, procure complementar o texto de forma mais pessoal. Note que incluí duas orações ao texto;

Jorge e Giovanna:

- Notem que, como já havia uma contextualização no turno de encontro com Kannon e Aerhox, a introdução que fizeram para Hirlun e Liliel (apesar de boa), não foi aproveitada. Pensando na estrutura sequencial de um texto literário, cenas onde aparecem mais personagens são tratadas de maneira mais objetiva. Por isso, a edição revelou como os personagens apareceram para Gross e os companheiros denins;
- Ao Jorge: Dois detalhes no seu turno foram modificados. O primeiro é a referência correta da Escola de Denins Elorkans - EDE (no turno, você descreveu "EEA – Escola Elorkan de Aliank") e a vestimenta padrão dos alunos, que foi editada no texto. É recomendável, sempre, consultar o que já foi solidificado no livro. Estas duas informações constam no início da terceira visão do livro A Lenda de Materyalis: As Crônicas de Aliank - Volume 1;
- À Giovanna: Embora os trechos a seguir não tenham sido aproveitados, é importante colocar duas informações sobre a ambientação. A primeira, é que o cenário é descrito na primavera (foi descrito "...jogou neve com o pé sobre a fogueira..."). Esta informação não estava disponível previamente a você, então, a dedução é compreensível, mas deixo aqui, de antemão, o esclarecimento. O segundo detalhe é uma impossibilidade no cenário, descrito neste trecho: "Usava as árvores quicando de um a outra." Mesmo com as habilidades acrobáticas, não seria possível executar esta ação no cenário proposto d'A Lenda de Materyalis.

Jeferson:

- O trecho "Até ajudou o majurk a limpar um pouco da neve nas suas vestes." foi retirado da edição, pois como dito à Giovanna, a estação é a primavera.Vale o mesmo que ela: como eu não especifiquei antes, a dedução é compreensível, mas fica o esclarecimento para os próximos turnos.

Todos:

- Procurem enxergar os meus posts como a página de um livro, e como a sua interpretação poderia completá-la. Se houver alguma reação sobre algo que não siga a ordem do texto, faça uma citação para que eu complemente na edição. Outro adendo é que, se você já descreveu, por exemplo, que seu personagem tem os cabelos negros, não é preciso falar sobre isso outra vez, a menos que haja um contexto que realmente peça isso. O mesmo vale para uma sensação já comentada, onde só deve ser falada novamente caso o personagem a intensifique (de "ele estava com medo", para "entrou em pânico") ou mesmo a mude (de "estava com medo" para "respirou aliviado ao constatar que não era o que pensava");
- Notem que minha resposta foi curta. Isso deve acontecer muitas outras vezes, mas esta objetividade é planejada e será importante em muitos momentos do projeto, daqui pra frente. Notem que meu turno complementa exatamente onde o outro parou, de forma que não terei que cortar nada no meu texto para dar uma continuidade lógica à minha edição. Procurem fazer sempre o mesmo;
- Grande parte do meu tempo gasto na edição foi com ortografia (foram constatados erros como a falta de acento nas palavras), gramática (neste caso, houve mais situações de erros de pontuação nas frases) e na coerência e coesão do texto (notem que inverti ou cortei frases dos turnos, especialmente por não estabelecer uma sequência lógica). Procurem dar atenção especial a isso, pois certamente vai facilitar e apressar, muito, o desenvolvimento dos próximos turnos;
- Caso desejem feedback específico sobre pontos observados nos turnos, me procurem privadamente no Whatsapp, onde comentarei por áudio sem expor no grupo. Lembrando que todos os critérios apontados estão sendo observados para a seleção do livro físico, e serão pontuados em uma métrica que estou criando e divulgarei em breve.

Vamos ao jogo:




NAALA

— Como se atreve a duvidar de mim, criatura minúscula? — indagou Hegoras, revoltado. — É claro que posso responder a uma pergunta direta! Só tenho bons motivos para não fazer isso!

O pequeno feérico fazia uma careta de deboche, imitando os movimentos dos lábios do gênio, enquanto ele falava e revirava os olhos. Parecia claro como água que aquele ser ia liberar informações preciosas de maneira quase infantil. Bastava um leve puxão na direção certa.  

— Pergunte ao seu mestre! Todas as vezes que ele seguiu meus conselhos, sempre foi levado à conquistas poderosas.

— Nem todas — interrompeu Ragnil, sem tirar os olhos do livro.

— Isso, sim, é uma mentira! — o rosto do gênio se virou para o elfo. — Diga um mísero evento em que não foi útil?

— Quer que eu comente sobre o lugar que chamou de casa do amor? Onde aquela que me completaria pelos próximos séculos estaria me esperando para me satisfazer por noites incontáveis, mas de uma forma bem diferente do afeto que eu esperava?

Naala segurou uma gargalhada na hora em que seu mestre falara. Realmente, o episódio ao qual Ragnil se referia foi, no mínimo, hilário. Para quem ouvisse, claro.

Hegoras emudeceu e se voltou para Naala, tergiversando em seguida:

— Pois bem, se quer perguntar algo, que seja logo! Mal nos conhecemos e eu já te odeio! Muito!

— Toda essa sinceridade o encerrou nesta ânfora, Hegoras — disse Ragnil. — Lembre-se disso.

O gênio engoliu seco, se é que isso era possível. Por sua vez, Naala não se segurou mais. Soltava uma risada abafada com uma das mãos, apontando para Hegoras com um olhar malévolo. Depois de alguns segundos, ele respirou profundamente e voltou a circundar a ânfora, passando o dedo indicador pela borda da mesma enquanto andava.

— Hum... Então o todo poderoso e sapiente Hegoras, que possui o sopro quente emitido pelo próprio Marilis, não responde perguntas diretas porque tem bons motivos pra isso? Pra mim, isso é o mesmo que dizer que você é uma farsa, torcendo para que essa baboseira que diz faça sentido de alguma maneira, antes de voltar a ser chamado e tenha que dar explicações.


O pequeno ser para de maneira impetuosa e desafiante na frente do gênio, afrontando o mesmo e erguendo a mão lentamente.

— Você vai me responder tudo que eu perguntar, não é? — indagava o feérico, mostrando um novo sorriso nos lábios, enquanto coligia rapidamente o raciocínio. — Eu e meu mestre queremos saber sobre o Sinkra. Você tem um acordo com ele onde só pode dar pistas, o que lhe é muito conveniente, pois nos torna dependentes do que tem a dizer, sendo balela ou não. Mas agora quem pergunta sou eu. Então, me diga: o que você pode me dizer, diretamente, sobre o Sinkra e sua localização?

Um semblante mais sério surgia em Naala, deixando seu costumeiro sorriso desaparecer.

— Lembre-se, você não tem um acordo desses comigo. Mas nada que não possa ser... Negociável — concluía, observando a reação da face gasosa de Hegoras. Procurava um sinal de fraqueza que o incomodasse mais do que já havia feito.





NYLIAN

Todavia, Maerond era muito mais rápido. A elfa o perseguiu pela primeira rua na direção onde o vira correr, que desembocava em uma praça ampla, redonda e com ruas trifurcadas. Um chafariz, também com uma imagem de um ser alado apontando para o céu com o dedo indicador, destacava-se à primeira vista. Não havia sinal do pai, ou mesmo do lobo. Porém, outros estavam presentes.

— Ei! — gritou uma voz feminina. — Estamos sob o toque de recolher! Como ousa desobedecer a uma ordem explícita da realeza?

Os olhos vigilantes de uma patrulheira avançavam sobre Nylian. Vinha de uma rua à oeste, acompanhada de outro guarda que a seguia a alguns passos atrás. Ela desembainhava a espada da cintura e andava apressadamente até a elfa, que só podia correr para o leste, contornando a fonte e escolhendo seguir pela rua naquela mesma direção, ou tentar a que seguia para o norte, sem qualquer noção de onde estava seu pai. De qualquer forma, tinha uma difícil decisão a tomar: resolver o problema com a patrulha agora ou depois, já que não foram afetados pelo mesmo fenômeno sonífero e certamente surgiriam oportunamente em sua morada para cobrar explicações. E isto nunca acontecia moderadamente.




DOTTER

— Mas que fadinha linda! — suspirou Dolka, sorrindo encantada. — Eu... Amo fadas!

— Fadas? — indagou Dotter, lançando um olhar impaciente para a irmã. — Que fadas? Não há nenhuma nessas montanhas e sequer é noite para que os pirilampos apareçam.

— Ela não é linda? — insistiu Dolka, apontando para o alto do terreno. — Tão pequena e frágil! Vamos colocá-la num pote e levá-la de presente para a vovó?

Dira suspirou. Já estava cheia daquelas loucuras. Ao fundo, ouvia Dotter bufando.

— O que deu em você hoje? — perguntava Dotter. — Bateu a cabeça? Comeu cogumelos? Ou andou bisbilhotando as caixas da vovó novamente?

Foi naquele instante que a majurk mandona teve um estalo. Preocupou-se ao lembrar do quanto Dolka era curiosa sobre o herborismo, embora não demonstrasse a mínima habilidade para lidar com plantas. Assim como a avó, Dotter aperfeiçoava seus conhecimentos em diversos tipos de vegetais, guardando extratos perigosos em sua toca que, vez por outra, era invadida pela irmã inconsequente.

— Em momentos como este, eu me sinto uma marilista — disse Dira, desejando maldades ocultas. Massageava a testa, buscando calma. Sabia exatamente qual era o problema da irmã e logo falaria. No fundo, torcia para que Dotter a colocasse para dormir, já que não tinha coragem de fazê-lo.

— Só não diga isso na frente de ninguém ou nos tornaremos atração de arena para aqueles elfos, ou divertimento para o inquisidor — disse Dotter, abrindo um sorriso discreto em anuência com Dira. — Mas não se sinta mal caso esteja desejando esganar nossa irmãzinha tanto quanto eu.

— Olhem! — reiterou Dolka. — Como ela é maravilhosa! Deve ter gostado da gente! Ela está vindo pra cá!

Quando finalmente Dira optou por dar atenção à teimosia, paralisou. Primeiramente, pensou que a entorpecida enxergava uma moita como uma fada. O problema é que vegetais não rosnam, mordem ou uivam.

— Por... Materyon.

A majurk colocou a mão direita no peito esquerdo. Engoliu seco. O que via não se parecia em nada com uma fada. Tratava-se de um... Lobo! E dos grandes! Cinza, rápido e feroz. Olhava para elas com olhos cintilantes. Bastava uma corrida para descer e atacá-las facilmente. Estavam em plena desvantagem.

— D-Dotter... — murmurou Dira, apontando para o elevado. Dotter se virou imediatamente. O canídeo a emudecia por um momento. Sua vontade era de chorar, correr, gritar, mas sabia que nada daquilo adiantaria.

A situação piorava sem demora. O lobo uivava altissonante, confirmando que não era um solitário. O ato transmitia um sinal para que a alcateia se agrupasse e, em pouco tempo, iriam em auxílio do alfa.

— Cuide dela! — ordenou Dotter a Dira. Àquela altura, a irmã também não tinha recursos para fazer o que foi pedido e não sabia o que responder ou fazer. Nem mesmo conseguia controlar as risadas descontroladas de Dolka. Era desesperador.

Dotter sacou uma adaga da bota. Apesar disso, estava dominada pelo medo. O rosto umedecia de suor e lágrimas. Não tinha ideia do que fazer. Podia entrar em pânico a qualquer momento. Lembrava-se da orientação de seu povo em sempre evitar os lobos. Estava frustrada por não ter farejado tanto e não ter percebido a aproximação.

Contudo, ela desafiava os próprios sentimentos. Avançou dois passos, porém hesitou ao constatar outro problema: a posição do adversário. Era bem provável que ele corresse e saltasse direto sobre as irmãs, impulsionado pelo declive e evitando facilmente qualquer golpe.

Com as opções escassas, era possível verificar que os cabelos de Dotter ficavam mais volumosos e suas garras mais evidentes. A mais arisca do clã Manen perdia cada vez mais o controle e estava prestes a entrar na forma feral.

— Cala essa boca, lobo sarnento! — desafiava Dotter, berrando e ouvindo um ladrado do oponente em resposta. Sua atitude só ajudaria a aproximar o resto dos lobos. No entanto, quase não raciocinava mais. Tremia e sentia a mão pegajosa. Não era só o suor, mas sim propriedades que absorvera por todo o dia das plantas que a avó lhe mandara colher e que agora escapavam por cada poro, jorrando um líquido esmeraldino e cintilante sobre o cabo da adaga. Um trunfo poderoso que poderia alarmar o canídeo e fazê-lo recuar, ou simplesmente aguçar seu faro para concluir que a ameaça era insuficiente para conter o seu instinto selvagem.





KANNON

— Olá, irmãos emylistas — disse o melieof. — Creio que seja a hora de me apresentar devidamente. O nome é Aerhox Lenfaej. Espero solenemente ser de bom uso para superar os desafios do equilíbrio ao lado de vocês.

Da parte de Hirlun, houve apenas um novo gesto positivo com a cabeça.

— Saudações, irmão Lenfaej — respondeu a elfa, dando um passo para o lado, saindo detrás das asas de Hirlun para ficar inteiramente no campo de visão de Aerhox. — É uma honra compartilhar a amplitude desta experiência no caminho do equilíbrio em sua companhia. Sou Liliel.

— Já chega de amenidades! — gritou Gross, contradizendo os princípios de sua ideologia, ao mesmo tempo que seu ato arredio arrancou um riso discreto do elfo celeste. — Elfos deveriam ser pontuais! Logo anoitecerá e ainda estamos aqui!

O humano, sem se virar para os elfos, pegou seu cantil e tomou um gole. Ergueu-o primeiramente para o melieof, que recusou educadamente. Em seguida, ofereceu ao majurk, ignorando o seu mau humor.

— Não é chá de fadas, mas a água está fresca — disse ele, antes de ver a mão enorme de Gross lhe tomar o objeto e despejar o conteúdo na boca como um sedento no deserto.


— Muito providencial! — exclamou Gross, devolvendo o frasco vazio. — É disso que o equilíbrio precisa. E eu também!

Sem água, o único humano do grupo preferiu continuar a conversa.

— Acredito que todos os integrantes desse encontro já tenham chegado, finalmente — disse ele, olhando para o penhasco por onde Araya descera. — A não ser que queira esperar a sua auxiliar chegar e nos dizer o que seriam esses barulhos do outro lado do monte. Assim, não arriscaríamos comprometer a integridade da reunião.

— É prudente esperar o retorno da fada — disse Aerhox. — Vamos nos preparar para lidar com o que quer que seja o ruído.

— Esperar? — respondeu Gross, voltando a se irritar. — Agradeça aos elfos por não podermos mais fazer isso. Não quero ter que abocanhar lobos gigantes e seus filhotes carniceiros. Vamos embora! Agora!

Poucos passos após seguir para o lado setentrião do monte, onde havia uma trilha discreta em declive, ouviu-se um uivo altissonante de longe. Os pés vilosos de Gross pararam no mesmo instante. Ainda não havia um clima tão frio no local, mas os pelos do majurk esfriaram. Rangia os dentes. Sentia-se como um agourento que, ao tecer o mais breve comentário especulativo sobre algum mal, o realizava involuntariamente.

— Droga! — esbravejou Gross, olhando alternadamente para os quatro. — De quem foi a maldita ideia de ir agora? É óbvio que isso não será possível! Façam uma fogueira! Vamos ter que improvisar e passar a noite acampados aqui!

O pânico pela presença dos lobos fazia o ursídeo esquecer o que dissera há poucos instantes e, também, do compromisso que tinham com Omaru. O grandumba correu até o penhasco, procurando pelo paradeiro de Araya por cima de um obstáculo grande e sinuoso: a própria barriga.

— Fada louca! Apareça já! — berrou o majurk, dando um bom sinal aos animais de onde todos estavam.

— Ei, Gross! — repreendia Liliel, falando em tom baixo, porém firme. — Recomponha seu equilíbrio! Devemos ser cautelosos! Desse jeito, só está abrindo o apetite dos lobos!

Gross não lhe deu atenção, fazendo a elfa fechar o cenho e cruzar os braços, contrariada.

— Ficar parado e montar acampamento pode nos deixar cercados de lobos — disse Aerhox. — É melhor irmos para a reunião. Sugiro que sigamos em fila, companheiros, comigo na retaguarda e Liliel na dianteira. Nossa audição vai nos ajudar a prever qualquer aproximação. Irmão Hirlun também poderia nos dar suporte pelo alto, procurando algum sinal da fada.

Enquanto escutava Aerhox, o humano guardava o cantil na mochila, ponderando sobre o que foi proposto.

— Você tem razão — manifestou-se o guerreiro. — A ideia de ficarmos acampados no território deles à noite não traz muita segurança, principalmente após o grito do senhor Gross. Apesar de animais selvagens normalmente terem medo do fogo, é bem provável que algum deles venha nessa direção. Acampar aqui seria arriscado.


Ele se agachava, tirando da mochila uma pederneira e uma tocha preparada, que começava a acender.

— Se me permitem uma sugestão, não deveriam andar em fila pela floresta, mas formando um pequeno círculo para não deixar pontos cegos, com o senhor Gross na vanguarda e a elfa na traseira. Isso dificultaria o trabalho dos lobos em pegá-los separadamente na escuridão — dizia o homem, olhando em seguida para o parceiro alado. — Ademais, a não ser que os elfos consigam enxergar tão bem no escuro, a ponto de identificar uma pequena fada dos céus, não vejo como ele poderia ajudar dessa forma. Mas, caso eu esteja enganado, creio que ele será mais útil manipulando o fogo pelo caminho.

— Acho plausível continuar o percurso como o Sr. Lenfaej sugere — respondeu Liliel ao homem. — Acho muito perigoso nos separarmos. Lobos não costumam atacar sozinhos e, por isso, devemos seguir juntos. A essa altura, já devem saber nossa posição atual.

A reação do guerreiro, contudo, não foi das melhores. Ele riu, retirou o capuz e olhou diretamente para a elfa.

— Se realmente acredita no que disse, ótimo! Então, me siga, pois já tomei uma decisão.


Ao terminar de acender a tocha, segurava-a com a mão esquerda, enquanto a destra desembainhava a espada antes ocultada pela longa capa que lhe cobria as costas.

— Eu irei atrás de Araya — disse o único ainda anônimo, olhando austeramente para Gross, que se ausentara da discussão por um momento. — Já que a sugestão de fazê-la investigar os barulhos foi minha, devo assumir a responsabilidade para que nada aconteça com ela. Assim que eu a encontrar, nos encaminharemos para o ponto de encontro.

Foi então que Hirlun, que até então não se pronunciara no debate e parecia perdido em seus pensamentos, interviu:

— Caro guerreiro, sei que urges em achar a companheira perdida, porém sugiro que coloquemos isto em voga. De nada adiantará um só desgarrar-se do grupo. Sei que sentes culpa por tê-la deixado ir, mas não é sábio nos separarmos agora.


Em seguida, o elfo se voltou para Aerhox, trazendo à luz sua posição, que poderia mudar a ideia do grupo:

— Sinto desapontá-lo, irmão Lenfaej, mas não tenho qualquer vantagem no escuro. Uma criatura tão pequena quanto a fada passaria despercebida por mim. O que podemos fazer é seguir juntamente ao irmão atrás da fada, atrasarmos um pouco nosso encontro com mestre Omaru e chegarmos incólumes. Todos juntos. Creio que ele há de entender que tentamos proteger uns aos outros ao notar a nossa demora.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Qua Out 25 2017, 18:57, editado 9 vez(es)

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