(Conto) A Ordem Obsidiana

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Aerhox em Qui Out 05 2017, 19:45

O meliof terminou sua apresentação e se pôs a ouvir Gross. Já estava puxando o capuz e colocando um pano na face quando ouviu os lobos. Por instinto levou a mão esquerda a sua arma que guardava nas costas. Encaixou os dedos na guarda em forma de meia-lua e adotou uma postura atenciosa. Ele enfim disse:

- Ficar parado e montar acampamento pode nos deixar cercados de lobos. É mais prudente seguirmos rumo a reunião. Em fila, comigo na retaguarda e Lady Liliel na dianteira. Nossa audição vai nos ajudar. Irmão Hirlun nos céus também poderia nos ajudar e também averiguar o paradeiro da fada. Claro, é só uma sugestão, companheiros.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Kannon em Qui Out 05 2017, 23:41

Guarda o cantil vazio na mochila enquanto escuta Aerhox.

– Você tem razão, a ideia de ficarmos acampados no território deles a noite não trás muita segurança principalmente após o grito do senhor Gross. É bem provável que algum animal venha nessa direção, mesmo que tenha uma boa fogueira e normalmente animais selvagens ficam afastados com medo do fogo. Acampar aqui seria se arriscar um pouco.

Se agacha, tira uma tocha preparada da mochila e começa a acende-la com a sua pederneira.

– Se me permitir dar uma sugestão, se eu fosse vocês não andariam em fila pela floresta, mas formando um círculo pequeno para não deixar pontos cegos com o senhor Gross na frente e a grakan na retaguarda para dificultar o trabalho dos lobos em pega-los separadamente na escuridão.

Da uma rápida olhada para as roupas do elfo celeste e continua a falar.

– A não ser que os elfos consigam enxergar no escuro e consiga identificar uma pequena fada dos céus, não vejo como ele poderia ajudar dessa forma. Caso não esteja enganado, ele será mais útil manipulando o fogo pelo caminho. É apenas a minha opinião, podem levar em consideração ou não.

Ao acender a tocha a segura com a mão esquerda e coloca a outra mão dentro capa segurando o cabo da sua espada.


– Eu irei atrás de Araya. – olha para Gross de forma séria. - Já que a sugestão dela ir investigar os barulhos foi minha, devo assumir a responsabilidade para que nada aconteça com ela. Assim que eu a encontrar, nós encaminharemos para o ponto de encontro.


Última edição por Kannon em Ter Out 10 2017, 14:35, editado 1 vez(es)

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Naala em Dom Out 08 2017, 23:27

— Como se atreve a duvidar de mim, criatura minúscula? — indagou Hegoras, revoltado. — É claro que posso responder a uma pergunta direta! Só tenho bons motivos para não fazer isso!

O pequeno feérico fazia uma careta de deboche enquanto ouvia a figura do gênio falar, imitando os movimentos dos lábios do mesmo enquanto ele falava e revirando os olhos. Estava claro como água que aquele ser ia liberar informações preciosas de maneira quase infantil, bastava um leve puxão na direção certa. 

Ragnil arqueou as sobrancelhas num piscar de olhos. Concordava com o gênio. 
— Pergunte ao seu mestre! Todas as vezes que ele seguiu meus conselhos, sempre foi levado a conquistas poderosas. 
— Nem todas — interrompeu Ragnil, sem tirar os olhos do livro.

Naala segurou uma gargalhada na hora em que seu mestre falara. Realmente, o episódio ao qual Ragnil se referia foi no mínimo... hilário... para quem ouvisse, lógico.

— Isso, sim, é uma mentira! — o rosto do gênio se virou para o elfo. — Diga um mísero evento em que não foi útil? 
— Quer que eu comente sobre o lugar que chamou de casa do amor, onde aquela que me completaria pelos próximos séculos estaria me esperando para me completar por noites incontáveis? 
Hegoras emudeceu e se voltou para Naala, tergiversando. 
— Pois bem, se quer perguntar algo, que seja logo! Mal nos conhecemos e eu já te odeio muito! 
— Toda essa sinceridade o encerrou nesta ânfora, Hegoras — disse Ragnil. — Lembre-se disso. 
O gênio engoliu seco. Se é que isso era possível.

Nesse momento, Naala não se segura mais e solta uma risada abafada com uma das mãos, apontando para Hegoras com um olhar malévolo. Depois de alguns segundos, ele respira profundamente e volta a circundar a cânfora do gênio passando o dedo indicador pela borda da mesma enquanto andava.
— Hummmmmm.... Então o todo poderoso e sapiente Hegoras, que possui o sopro quente emitido pelo próprio Marilis, não responde perguntas diretas porque tem bons motivos pra isso... pra mim, isso é o mesmo que dizer que você é uma farsa que não sabe de nada, torcendo para que essa baboseira que você diz de alguma maneira faça sentido antes de você voltar a ser chamado e tenha que dar explicações.
O pequeno ser para de maneira impetuosa e desafiante na frente do gênio, afrontando o mesmo e erguendo a mão lentamente.
— Você vai me responder tudo que eu perguntar, não é...
Um novo sorriso aparece nos lábios do fada.
— Eu e meu mestre queremos saber sobre o sinkra. Você tem um acordo com ele onde só pode dar pistas, o que é terrivelmente conveniente para você, pois nos torna dependentes do que você tem a dizer, sendo balela ou não. Mas agora quem pergunta sou eu. O que você pode me dizer, diretamente, sobre o sinkra e sua localização?
Um olhar mais sério do fada surgia, ao mesmo tempo em que seu costumeiro sorriso desaparecia e ele cruzava os braços.
— Lembre-se, você não tem um acordo desses comigo, mas nada que não possa ser... negociável.
Ele observava a reação da face gasosa de Hegoras procurando um sinal de fraqueza que o incomodasse mais do que já havia feito.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Liliel em Seg Out 09 2017, 18:00

Ao chegar no local, deu um passo para o lado, saindo do campo de visão das asas para assim iniciar um contato visual com os seus novos companheiros, como não recebeu uma resposta de Hirlun, voltou sua atenção para os presentes. Só conhecia Hirlun e Gross de reuniões passadas. 
Em seguida recebeu de maneira amistosa a apresentação.

- Saudações irmão, Lenfaej. É uma honra compartilhar a amplitude desta experiência do caminho do equilibro a vossa companhia. Sou Liliel. 

Respondeu de forma instruído, mas momentâneo ao se apresentar o que era comum quando se tratava de si. Em seguida ouviu a voz impaciente de Gross a se queixar, assim não dando a oportunidade do outro rapaz fazer o mesmo. 
Cruzou os braços sem alterar sua expressão serena, não sabia o que aconteceu antes da sua chegada mas via que faltava mais alguém, fechou o cenho ao ouvi-lo gritar pelo caminho, o comportamento de Gross era alarmante e suficiente para receber um corretivo da mesma. 

- Hey, Gross! Recomponha seu equilíbrio interno. Caso esqueceu que todos nós devemos ser cautelosos e evitar chamar atenção durante o encontro? Estas nos denunciando, cabeça dura!

Apesar de falar em um tom baixo era firme, com aquele comportamento irracional estava pondo perder os esforços de todos, ser discreto era pedir demais para o mesmo. Ouviu em seguida a sugestão de Aerhox e Kannon. Ponderou a respeito e se manifestando olhando para um e depois para outro.

- Acho plausível continuar o percurso como o Sr. Lenfaej sugere, mas acho muito arriscado nos separar, lobos não costumam atacar sozinhos por isso devemos seguir juntos. A essa altura já devem saber nossa posição atual.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Dotter Manen em Ter Out 10 2017, 23:45

Off: Quando pensei nas flores que a Dotter colhia imaginei algo menos vistoso e com pistilos que não passassem de meia dúzia como os lírios. Crisântemos tendem a ser flores de aparência mais exagerada e miolo tão cheio que não daria tanto trabalho assim em coletar.


On:


—Fadas? Que fadas?
Bufou irritada lançando um olhar impaciente para a irmã.

—Não há fadas nessas montanhas e sequer é noite para que os pirilampos apareçam.
O que deu em você hoje? Bateu a cabeça? Comeu cogumelos ou andou bisbilhotando as caixas da vovó novamente?

         —Ou nas minhas?
Preocupou-se ao lembrar o quanto a outra era curiosa sobre o herborismo, mas, em sua humilde opinião, não demonstrava um mínimo de habilidade para lidar com plantas.

Se virou para Dira quando ela falou sobre se tornar marilista e fez cara de quem concordava por alguns instantes.
— Só não diga isso na frente de ninguém ou nos tornaremos atração de arena para aqueles elfos, ou divertimento para o inquisidor. Mas não se sinta mal caso esteja querendo esganar nossa irmãzinha tanto quanto eu.
Sorria cansada. Sorriso que desaparecia no momento que notou a face da irmã empalidecer e a voz falhar.

Imediatamente se virou na direção que as outras duas indicavam. O lobo a sua frente a deixava sem palavras por um momento. Sabia que se o mesmo uivava era por não está sozinho. Se fosse um solitário já estaria na jugular de uma delas.
Queria chorar, correr, gritar, mas sabia que nada disso adiantaria.
— Cuide dela!
 
Inexperiente e desesperada só pensava em calar a boca daquele lobo o mais rápido possível. Sacou a adaga que levava presa a bota e deu dois passos a frente, mas ficou indecisa ao se dar conta que a posição do lobo era desfavorável para elas.

Se corresse em sua direção ele poderia pular em suas costas o que talvez lhe desse a chance de tentar esquivar e rasgar-lhe a barriga, mas ele também poderia saltar direto sobre as irmãs evitando qualquer golpe.

Sentiu o rosto úmido de suor e de lágrimas de pânico. Não tinha ideia do que fazer. Não se enfrentava os lobos. A orientação era sempre evita-los. Estava frustrada de ter farejado tanto e não ter percebido a aproximação.

Dira talvez notasse que os cabelos de Dotter ficavam mais volumosos e suas garras mais evidentes. A mais arisca das Manes estava perto de perder o controle e poderia entrar na forma feral a qualquer momento.

— Cala essa boca lobo sarnento!
Seu berro poderia atrair mais lobos tanto quanto os uivos da fera, mas ignorava esse fato. Tremia sem conseguir raciocinar, sentiu a mão pegajosa, mas considerando que agora seu suor dava aquela sensação a todo seu corpo acabou por não notar o leve brilho esmeralda que cobria o cabo e logo escorria pela rustica lâmina. As propriedades que absorvera por todo dia das plantas que a avó propositalmente lhe mandara colher lhe escapava por cada poro.


Seu den ainda selvagem poderia ser uma vantagem ou piorar ainda mais a situação. Tudo dependeria da reação do lobo ao sentir o cheiro perigoso vindo da majurk. Se enlouqueceria atacando ainda mais ferozmente ou se o instinto da espécie lhe guiaria a se afastar do cheiro da praga venenosa que brotavam ao primeiro sinal de degelo.


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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Kannon em Qua Out 11 2017, 00:32

Kannon tenta, mas não consegue segurar o riso ao ouvir a elfa falar. Retira o capuz da cabeça e olha diretamente para a elfa.
 
—  Se realmente acredita que no disse e que não devemos separar o grupo, ótimo! Então me siga, pois não voltarei com minha palavra agora.  
 
Olha para todos desse grupo recém-formado com seriedade dos seus olhos de aparência maligna.
 
— Caso desejem me ajudar na busca, é só ir atrás devemos sair agora.
 
Saca a sua espada e começa o seu caminho em busca da fada.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Hirlun Imlach em Qua Out 11 2017, 23:39

Hirlun observou a todos ali, e cumprimentou o melieof de longe, com um mero aceno de cabeça. Liliel chegou no momento seguinte, de trás de si, cumprimentando Aerhox. a ela sorriu e fez outro meneio de cabeça. Gross cortou rapidamente os cumprimentos, exatamente como o elfo alado pensou que ele faria. Riu brevemente com a mão no rosto, mas deixando escapar o olhar divertido.

Quando foi oferecida a água, antes que Hirlun pudesse se mexer, Gross lhe tomou a frente e tomou a água. Olhando para aquilo, Hirlun ficou quieto, e mais uma vez seguiu andando com os demais. Enquanto os demais conjecturavam sobre a continuidade da missão, Hirlun continuou olhando para o local, maravilhado com a natureza. Os elementos sempre o fascinaram, e por mais que dominasse a manipulação do fogo, ele queria aprender as demais. Queria ser um mestre dos elementos, para estar em comunhão com a natureza. Equilibrado com o mundo.

Enquanto os demais conversavam, Hirlun estava perdido em seus próprios pensamentos. No momento seguinte, Gross falou em acamparem ali, sem que falasse nada, mesmo que o uivo, que todos haviam ouvido em alto e bom som, e Kannon diz que vai buscar a fada perdida.

— Caro guerreiro, sei que urges em achar a companheira perdida, porém sugiro que coloquemos isto em pauta. Não adianta um só desgarrar-se do grupo em detrimento dos demais. Sei que sentes culpa por tê-la deixado ir, mas não adiantará de nada se nos separarmos neste momento fatídico.

Hirlun continua, virando-se para Aerhox.

— Irmão Lenfaej, sinto desapontá-lo, mas não enxergo tão bem assim no escuro. Talvez na penumbra, mas de perto. E uma criatura tão pequena quanto a fada passaria a mim despercebidamente. O que podemos fazer é, seguir juntamente ao irmão atrás da fada, atrasarmos um pouco nosso encontro com mestre Omaru e chegarmos incólumes, e todos juntos. Creio que ele há de entender que tentamos proteger uns aos outros caso note a ausência de nossa chegada de maneira prolongada.

E logo Hirlun voltou a mergulhar em silêncio. Era melhor ouvinte do que orador, e preferia se manter a parte das rusgas. Mas se manteve atento, pronto para manipular o fogo quando a situação melhor aprouvesse.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Qua Out 25 2017, 18:46

Considerações off



Vamos ao jogo:




NAALA

— Você é tolo, ou o quê? — insistia Hegoras. — Eu não vou lhe responder nada diretamente! E, mesmo que eu quisesse, não poderia!

— Ora, seu... — disse o pequeno ser, mudando o semblante com a mesma rapidez com que seu brilho, normalmente arroxeado, se tornara vermelho vivo, como se um pedaço do fogo do próprio Marilis ganhasse vida e aparecesse no plano físico. Aquela criatura havia chamado ele de tolo! Tolo?! Ele ia pagar muito caro por aquilo.

Ragnil não contestou. Era um indício de que o gênio não blefava. Suas palavras ladeadoras não diziam objetivamente nem mesmo o motivo de agir assim, embora lembrasse o tempo todo das regras.  

— Se quer saber onde está o Sinkra, pergunte ao seu mestre! É a única coisa que ainda pode se gabar por saber mais que eu.

Naala já estava com várias ideias sobre como poderia torturar e fazer aquela manifestação mequetrefe sofrer quando foi pego de surpresa por esse comentário. Ele sabia que o elfo tinha conhecimentos sobre o Sinkra. Afinal de contas, esse era praticamente todo o teor das conversas que eles tinham quando estudavam as pistas dadas por Hegoras e também quando não estavam treinando. Ele olhou para Ragnil com um olhar que beirava a incredulidade. Quase se sentia traído por seu mestre.

— Mestre? Como assim?! — indagou Naala, deixando sua postura desafiante desaparecer naquele instante.


Foi então que o elfo fechou o livro. Olhou para o gênio com um semblante compadecido. Um sentimento estranho, quase tátil, revoava o lugar. Não olhava Naala, mas para a face conturbada que se apresentava na outra criatura mágica.

— Escute, Naala — dizia Ragnil. — Hegoras precisa de nós, e vice-versa. Convivemos há tempo o bastante para que eu perceba sua perspicácia diante deste fato. Se ele tivesse essa resposta, não seria um mero desafio que o faria falar. Todavia, estamos diante de um cativo, alguém que errou miseravelmente e agora paga por suas escolhas infelizes. Ele não será capaz de lhe dar o que bem entende da maneira que precisa, mas poderá ser um aliado distinto se usarmos o nosso intelecto.

— Um cativo... — disse Naala, interrompendo seu mestre. Murmurava isso enquanto ele falava e observava melhor a ânfora e a figura gasosa do gênio.

Um brilho tênue foi visto nos olhos do elfo.

— Hegoras está fadado a este destino, e nós não podemos fazer nada para evitá-lo. Por mais que eu odeie falar indiretamente, o conhecimento deste ser está prestes a me levar ao fim de uma estrada que percorri por séculos até aqui e, finalmente, já se mostra num horizonte próximo.

Por fim, o elfo olhou para Naala, sorrindo.

— É verdade que sei muito sobre o Sinkra se comparado a ele, mas nada além daquilo que já confabulamos nas noites frias, porém acalentadas pelas fogueiras criadas pelo seu poder. Contudo, os segredos do fogo do dragão de Majara estão mais perto das suas mãos do que qualquer conjuração que faça neste instante.

E, depois daquela fala, Hegoras fitou Ragnil impacientemente. Parecia enredado, como se aquele fosse o limite da expressão que podia transmitir em torno da afirmação do amo.

— Encerre-me na ânfora! — protestou o gênio. — Esta criatura quer duelar com o meu ego, não obter respostas!

Ragnil suspirou, pois sabia que aquilo que ouvira não era uma verdade. Ao menos, não em parte.

— Mestre... Eu... Eu discordo! — protestou Naala, assumindo novamente a sua postura desafiadora, só que dessa vez o alvo era o elfo. — Não vejo nada que possa causar uma forma tão absurda de punição! Talvez, no máximo, um desmando dessas divindades horríveis das quais o senhor tanto fala, só que divirjo desta conformidade de que qualquer tipo de criatura esteja fadada a isso!

A revolta da pequena criatura estava claramente demonstrando sua aflição, pois agora não sabia mais como agir perto de seu mestre. Como ele podia ser conivente com uma punição tão arbitrária? Como poderia deixar que uma criatura como ele, concebida pelo kalaidrin, continuasse cativa por sabe-se lá quantos séculos?

— Como assim os segr...? — disse Naala, se interrompendo ao concatenar algo que seu mentor havia falado e quase havia passado despercebido para ele durante seu estado revoltoso. Ergueu a cabeça e fitou Hegoras. Naquele momento, seu olhar não era mais de repto ou sequer de superioridade. Demonstrava uma postura resolutória e uma seriedade extrema no que dizia.

— Você tem razão, Hegoras. Eu o estava provocando e perturbando para que respondesse às minhas perguntas — dizia Naala, tentando dar um sorriso inocente e desmalicioso, embora suas feições não ajudassem muito no propósito. — Meu mestre não gosta de certas atitudes, mas eu normalmente o ignoro. Por isso, agora sou eu quem quer fazer um acordo com você — ele cruzou os braços e flutuou para ficar em frente ao rosto do gênio, formando uma expressão pensativa enquanto rapidamente analisava as consequências de suas palavras vindouras. Obviamente, e como sempre, analisar resultados não era bem o forte do feérico.

— Não sei o que Ragnil prometeu ou os termos desse acordo que vocês têm. Mas quero saber se gostaria de ter a sua liberdade de volta. Essa é a minha proposta. Responda-me o mais diretamente e corretamente que puder, e eu farei de tudo para descobrir um meio de deixá-lo livre.

Naala esperava sinceramente que o gênio aceitasse sua oferta. Até mesmo porque já tinha algumas perguntas formuladas.






DOTTER

"Eu ficarei aqui, esperando por vocês! Ninguém derruba os ursos de Majara com uivos que mais parecem cainhados. Por isso, ouçam bem!"

Uma voz grossa se interpunha entre os inimigos. Ela ecoava por todo o monte, como uma divindade salvadora que enviava um proeminente servo em favor dos seus devotos. Impedia o avanço do lobo, que, entre rosnados contínuos, agia como um metamorfo consciente do tipo de rival que surgia misteriosamente ante a sua presa. 

"Eu, Gross de Tiata, descendente dos Protetores, cravarei as minhas garras em suas peles fétidas e asquerosas. Eu as arrancarei e venderei aos mais meticulosos alfaiates, para que façam de suas bocarras meros capuzes para cobrir a minha cabeça e as de meus irmãos, e os frustrem mesmo depois da morte pela sua debilidade em não poder concluir a mordida!"

 
— Gross... — balbuciou Dotter, que não lembrava daquele nome. Ainda que sentisse o coração bater descompassado, a voz retumbante dava-lhe um fio de esperança que a fazia segurar a adaga com mais firmeza. 

— Que voz... maravilhosa é essa? — indagava Dolka, que parara as risadas ao ouvir o grito. — Seria um... Pretendente?

— Gross de Tiata — disse Dira, ignorando a outra. — É um dos nossos! Obrigada, Materyon! 


Tiata é uma das quatro tribos do Condado Majurk. E
mbora sejam os menos aguerridos e experientes em batalha, seus aldeões são os mais devotados ao deus benévolo. Ainda assim, a voz transmitia uma confiança enorme e motivadora para as irmãs, que só voltaram a se sentir reprimidas ao ouvir uivos que pareciam produzidos pela própria natureza em simbiose com os animais. Ao mesmo tempo que ladravam por toda parte, apenas um era visto. Por sinal, este deixava a intimidação de lado e descia a passos lentos na direção de Dotter, a primeira que enfrentaria. Ele expunha os caninos, trazendo mais ênfase ao prelúdio do combate. Ao menos não saltava sobre ela, movendo-se com passos mais curtos e precavidos.

Dotter mordeu os lábios, percebendo ali alguma chance, mas não sabia como usá-la. Mais um pouco e estariam no mesmo nível do solo. Sentiu o canino feri-la, lhe indicando o quanto estava perigosamente exaltada. O que seria de Dira tendo que lidar com duas irmãs enlouquecidas? Mas o que seria das três se não se livrassem daquele lobo antes que o restante da matilha chegasse?
Não podia esperar que o alto nomeado Gross resolvesse parar com o falatório e começar de fato a lutar. 


— D-Dolka... — disse Dotter, controlando a voz para parecer o mais gentil que conseguia. Intimamente, jurava que a esganaria caso sobrevivessem. — Não é... Educado... Deixar seu pretendente esperando.

A voz de Dotter saía tremida, falhando em demonstrar segurança ou entonar certo senso de humor. Começava a chorar. Felizmente estava de costas para as irmãs, que não poderiam ver a totalidade do medo estampado em sua face.

— Dira, fuja na direção da voz — ordenou Dotter. — Vou manter esse sarnento ocupado. 
Não tirava os olhos do lobo, tentando acompanhar seus passos de maneira a se manter entre ele e as irmãs. — Vão!

Dava um passo mais firme a frente e rosnava para o inimigo em claro desafio. Queria lhe tomar toda a atenção enquanto as irmãs escapassem. Torcia para que não fossem estúpidas o bastante para morrerem ali também.





KANNON

Quando o grupo estava prestes a uma tomada de decisão, Gross cometia outras atitudes tresloucadas. Primeiro, sentou-se com as mãos apertando suas volumosas bochechas, massageando a barba que a revestia, enquanto um sorriso debochado e infantil surgia em seu rosto. Os olhos esbugalhavam como os de um alucinado alheio aos perigos que a natureza oferecia. 

— Lobos, lobos... — dizia ele, repetindo a palavra incontáveis vezes, alto o suficiente para que fosse ouvido. — Lobos assassinos, caçadores cinzentos, névoa das montanhas... Como são extensas às suas alcunhas, hã? 

Displicentemente, ele levantava as mãos em tom desafiador:

— Eu ficarei aqui, esperando por vocês! Ninguém derruba os ursos de Majara com uivos que mais parecem cainhados. Por isso, ouçam bem!

— Só me faltava essa agora — murmurou Kannon, colocando a espada na bainha novamente. Voltava-se para Gross em passadas largas e rápidas. — Ele não vai fazer o que eu estou pensando. Por favor, não grite. Por favor, não grite!  

Observando o sarcasmo de Gross, Hirlun, que até então sustentava uma expressão serena, ficava indignado. E, quando caminhou alguns passos na direção do aliado, prestes a deixar a aparente apatia de lado, o majurk veio com outra atitude completamente insana. Soltou o ar de uma só vez e gritou o mais alto que pôde, para que cada canto do Monte Pardo conhecesse a sua voz:

— Eu, Gross de Tiata, descendente dos Protetores, cravarei as minhas garras em suas peles fétidas e asquerosas. Eu as arrancarei e venderei aos mais meticulosos alfaiates, para que façam de suas bocarras meros capuzes para cobrir a minha cabeça e as de meus irmãos, e os frustrem mesmo depois da morte pela sua debilidade em não poder concluir a mordida! 

Ao presenciar o que Gross acabara de fazer, todos ficaram espantados. O humano ficou imóvel por alguns instantes, deixando a tocha cair. Liliel bateu a palma da mão esquerda contra a testa, balançando a cabeça negativamente na sequência. Não acreditava no que acabara de ouvir. Afinal, todo o cuidado que o grupo se esforçava em tomar foi inutilizado por aquele ato. Tal motivo levava Kannon a liberar sua raiva. Logo despertou de seu transe e voltou a caminhar vigorosamente até o ursídeo. Certamente o repreenderia!

Mas, não bastasse a repercussão causada pelos brados, uma risada estrepitosa tomava o monte. Gross estava ensandecido e agira como um servo inconsequente do Maldito. Até que uivos vindos de toda a parte, mas ainda originados de baixo, fizeram o majurk desacelerar lentamente. Sua expressão mudara. Parecia que ele finalmente havia concatenado a gravidade da situação. 

— A... Araya? — disse ele, gaguejando o nome da aliada que não dera mais qualquer sinal de vida. 

A descida estava livre de obstáculos. Os matadores vorazes sabiam emboscar mesmo em áreas abertas, como era o caminho até o pé do monte. Havia a dúvida de como agiriam, embora a única certeza que pairava era de que haviam aceitado o desafio de Gross.

Quando Kannon chega perto o suficiente lhe dá um chute com força. — Se levante agora seu idiota e tenha a decência de agir de acordo com o que você acabou de falar. –  falando de forma firme, mas evitando elevar a voz.

— Um verdadeiro Protetor se não me engano não faria o que está fazendo agora. Não agiria como uma criança cheio de medo gritando o tempo todo colocando os seus companheiros em perigo e abandonando o seu integrante que até onde sei é o mais frágil e que está sozinha a mercê de uma matilha de lobos.

— Senhor Gross, acho que não é momento para tantas reações exacerbadas. Precisamos nos concentrar, encontrar nosso equilíbrio e nos defender, afinal de contas, queremos chegar inteiros à companhia do Mestre Omaru... Vai ficar esperando por nós ou podemos fazer uma equipe forte o suficiente para apenas deixá-los dormir e partir à frente? - Kannon havia respondido de maneira ofensiva e violenta, mas Gross precisava daquilo.

Ela ergueu o rosto e acompanhou Kannon perder a calma e chutá-lo, apesar da surpresa em seguida a mesma relaxou ao ver o ato, pois ela também compartilhava o desejo de chutar. Kannon ganhou o respeito da mesma, ouviu o comentário seguido elfo, lhe respondeu de forma sutil.

— Nem adianta apartar Hirlun. Ele está fora de si. Se fosse eu, já chegaria numa voadora.

Aerhox ouviu toda a gritaria do ursídeo e depois abaixou a cabeça e fez pequenos movimentos de negativa. Assim como Kannon aumentou a voz, mas não chegou a gritar:

— Senhor Gross. Retome sua razão agora. É gritando de forma louca e inconsequente que Mestre Omaru lhe ensinou a trilhar o caminho do meio?

Kannon dá uma pequena pausa respira fundo, engole um pouco de saliva nitidamente buscando se acalmar.

— Pela força do meu chute você deve ter percebido que não a mínima chance agora de derrotar os lobos que aparecerem no meu caminho sozinho e encontrar Araya. Então eu peço que me mostre a verdadeira força de Gross de Tiata descendente dos Protetores e nos proteja nessa missão de resgate.

— Peço desculpas a vocês, parceiros, mas precisamos agir imediatamente. Precisamos montar um perímetro de defesa, uma contramedida para ataques em grandes números e nos aproveitar do terreno aberto. Pode ser, sim, uma vantagem para os nossos agora declarados adversários, mas temos uma vantagem que eles não têm: somos organizados. Precisamos tomar vantagem dessa organização que temos. Não é hora de sucumbirmos ao caos.

Logo Hirlun assumiu uma pose de luta com as mãos em forma de cuia, uma para frente e outra para trás, com as pernas levemente arqueadas. E suas mãos, naquela posição incômoda, começaram a brilhar em vermelho.

Aerhox viu seu companheiro tomar uma posição beligerante e emanar um pouco de kalaidrin. Quanto a isso disse:

— Muito bem. Isso quer dizer que vai ficar na defesa desta posição irmão Hirlun?

Kannon estende sua mão para Gross.

— Por favor senhor Gross e companheiros, como o elfo alado acabou de dizer. Devemos nos unir agora, pois só assim chegaremos ao nosso destino final.

Depois voltou sua atenção para os outros dois integrantes, e solenemente falou:

— Irmãos. Eu sou um batedor. Vou conseguir levar pelo menos mais uma pessoa comigo em segurança. Eu já fiz treinamentos nessa região no inverno profundo. Na primavera não terei nem desafio. Enfim, Kannon comigo na busca e Lady Liliel na defesa? 

A mesma confirmou com a cabeça ao receber a pergunta sobre a posição, não havia se negado. No entanto se apoiou no que ouviu e tinha uma dúvida em pauta. 

— Sem problemas. Só que algo eu ainda não entendi, se a tal Araya é uma fada, que são conhecidas por possuir astúcia. Porque ela iria voar em uma altura alcançável pelos seus predadores?

Em seguida a mesma mudou de postura para defensiva, retirando do descanso sua bela espada cuja lâmina já cantava o som da energia metonyana era contagiosa, de forma decrescente. Girou o cabo entre os dedos com tamanha mestria sem dispensar a energia.

— Vamos? Já estou ficando com tédio.
Respirando calmamente, Kannon olha na direção dos companheiros.

— Nesse momento não acredito ser possível separar o grupo. Todos devem ficam e lutar ou todos devem seguir juntos.

Olha para baixa e solta sorriso espontâneo.

— Meu pai me disse uma vez que uma batalha evitada é uma batalha ganha, mas se não puder evitar deve vencer com o mínimo de danos possível. Como a nossa situação atual é diferente de instantes atrás, antes da declaração de guerra aos lobos. – Se vira novamente para o senhor Gross – Não busco culpados, mas precisamos agora analisar qual é a nossa melhor alternativa.

Volta a olhar para os outros.

—  Os lobos sabem do senhor Gross e sua localização. Possuem a vantagem de estarem no seu próprio território, de enxergarem melhor no escuro, de ter o elemento surpresa e claro de ter seu número maior que o nosso. 

—  Então devemos aproveitar todas as nossas vantagens. – fecha seu punho com firmeza — Estamos num terreno mais elevado, sabemos por onde eles virão. – aponta para Hirlum — possuímos um manipulador de chamas, três grakans, um majurk e até onde sei eles só esperam atacar uma única presa. Então não teremos que enfrentar a matilha inteira de uma vez.

Com um sorriso largo de satisfação.

—  Ficando aqui eles perdem o ataque surpresa, a vantagem de número e domínio do território deles não podendo atacar das sombras. 

Dando um olhar bem sereno e calmo.

—  Não digo que será fácil, mas acredito que as nossas chances são bem maiores e evitamos grandes perdas.

Balança a cabeça negativamente, como estivesse percebido algo errado.

— Ficar ou seguir? É a decisão que precisamos tomar agora. Admito que errei agora pouco, tomando a decisão de seguir sozinho como sempre fiz e peço desculpas. Então sugiro que devemos seguir a decisão da maioria de agora em diante. – levanta a mão — Eu escolho ficar aqui com senhor Gross e o elfo alado e tirarmos vantagem da nossa posição até o nascer do sol.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Qua Dez 13 2017, 17:10, editado 3 vez(es)

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Naala em Qui Out 26 2017, 12:23

— Você é tolo, ou o quê? — insistia Hegoras. — Eu não vou lhe responder nada diretamente! E, mesmo que eu quisesse, não poderia!

— Ora seu...!
O pequeno ser mudou de semblante com a mesma rapidez com que seu brilho, normalmente arroxeado, se tornara vermelho vivo, como se um pedaço do fogo do próprio Marilis tivesse ganho vida e estivesse presente no plano físico. Aquela criatura havia chamado ele de tolo?! Tolo?! Ele ia pagar muito caro por aquilo.

Ragnil não contestou. Era um indício de que o gênio não blefava. Suas palavras ladeadoras não diziam objetivamente nem mesmo o motivo de agir assim, embora lembrasse o tempo todo das regras.  
— Se quer saber onde está o Sinkra, pergunte ao seu mestre! É a única coisa que ainda pode se gabar por saber mais que eu. 

Naala já estava com várias ideias sobre como poderia torturar e fazer aquela manifestação mequetrefe sofrer quando foi pego de surpresa por esse comentário. Ele sabia sim que o elfo tinha conhecimentos sobre o Sinkra, afinal de contas esse era praticamente todo o teor das conversas que eles tinham quando estudavam as pistas dadas por Hegoras e também quando não estavam treinando. Ele olhou para Ragnil com um olhar beirando a incredulidade, quase se sentia traído por seu mestre.
— Mestre...? Como assim...
A postura desafiante de Naala desaparecera por breves instantes nesse momento.

O elfo, enfim, fechara o livro. Olhou para o gênio com um semblante compadecido. Um sentimento estranho, quase tátil, revoava o lugar. Não olhava Naala, mas para a face conturbada que se apresentava na outra criatura mágica. 
— Escute, Naala — dizia Ragnil. — Hegoras precisa de nós, e vice-versa. Convivemos há tempo o bastante para que eu perceba sua perspicácia diante deste fato. Se ele tivesse essa resposta, não seria um mero desafio que o faria falar. Todavia, estamos diante de um cativo, alguém que errou miseravelmente e agora paga por suas escolhas infelizes. Ele não será capaz de lhe dar o que bem entende da maneira que precisa, mas poderá ser um aliado distinto se usarmos o nosso intelecto.

— Um cativo....
O fada não interrompia seu mestre, apenas murmurava isso enquanto ele falava e observava melhor a ânfora e a figura gasosa do gênio.

Um brilho tênue foi visto nos olhos do elfo. 
— Hegoras está fadado a este destino, e nós não podemos fazer nada para evitá-lo. Por mais que eu odeie falar indiretamente, o conhecimento deste ser está prestes a me levar ao fim de uma estrada que percorri por séculos até aqui e, finalmente, já se mostra num horizonte próximo.
Por fim, o elfo olhou para Naala, sorrindo. 
— É verdade que sei mais sobre o Sinkra se comparado a ele, mas nada além daquilo que já confabulamos muitas vezes nas noites frias, porém acalentadas pelas fogueiras criadas pelo seu poder. Contudo, os segredos do fogo do dragão de Majara estão mais perto das suas mãos do que qualquer conjuração que faça neste instante.
E, depois daquela fala, Hegoras fitou Ragnil com a mesma expressão, mas parecia enredado, como se aquele fosse o limite da expressão que podia transmitir em torno da afirmação do amo. 
— Encerre-me na ânfora! — protestou o gênio. — Esta criatura quer duelar com o meu ego, não obter respostas. 
Ragnil suspirou, pois sabia que aquilo que ouvira não era uma verdade, tampouco se aproximava dela. Ao menos, em parte.

— Mestre... eu... eu discordo!
O fada assumia novamente a sua postura normal de desafio, só que dessa vez o alvo era o elfo.
— Não vejo nada que possa causar uma forma tão absurda de punição! Talvez, no máximo, um desmando dessas divindades horríveis das quais o senhor tanto fala, só que discordo de que qualquer tipo de criatura esteja fadada a isso!
A revolta da pequena criatura estava claramente demonstrando sua aflição, pois agora não sabia mais como agir perto de seu mestre. Como ele podia ser conivente com uma punição tão arbitrária, deixar uma criatura feita de energia kalaidrina, da mesma maneira que o próprio fada era feito, cativa por sabe-se lá quantos séculos!
Ele então se toca de algo que seu mentor havia falado e quase havia passado despercebido para ele durante seu estado de revolta.
— Como assim os segr...?
Naala ergue a cabeça e olha para Hegoras, nesse momento seu olhar não é mais de desafio ou sequer de superioridade, mas sim demonstrava que estava resoluto e que realmente o que dizia era extremamente sério.
— Você tem razão, Hegoras. Eu estava provocando e perturbando você propositalmente pra que você respondesse minhas perguntas. — Ele tenta dar um sorriso inocente, que não era pra parecer maldoso, mas as feições do fada realmente não ajudavam muito nisso. — Meu mestre não gosta de certas atitudes mas eu normalmente ignoro ele. Mas agora sou eu quem quer fazer um acordo com você.
Ele cruza os braços e flutua para ficar em frente ao rosto do gênio, uma expressão pensativa enquanto rapidamente analisa as consequências do que vai falar. Obviamente, e como sempre, analisar consequências não era bem o forte do feérico.
— Não sei o que Ragnil prometeu ou os termos desse acordo que vocês tem.... Mas quero saber se você gostaria de ter sua liberdade de volta. Minha proposta pra você é essa. Você me responde o mais diretamente e corretamente que você puder, e eu farei tudo que eu puder pra descobrir um meio de deixar você livre.
Naala esperava sinceramente que o gênio aceitasse sua proposta. Até mesmo porque já tinha algumas perguntas formuladas.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Dotter Manen em Qua Nov 01 2017, 00:05

Gross...não lembrava desse nome, mas a voz retumbante dava-lhe um fio de esperança que a fazia segurar a adaga com mais firmeza ainda que sentisse o coração bater descompassado.
O lobo hesitou apenas pelo tempo que a voz do Tiatiano reverberou no ar. Os uivos que se sucederam parecia rapidamente remover as dúvidas do lupino. Ao menos se movia com menos velocidade. Passos mais curtos e precavidos e não um salto.

A majurk mordeu os lábios percebendo ali alguma chance, mas não sabia como usá-la. Mais um pouco e estariam ao mesmo nível de solo. Sentiu a presa alongada feri-la indicando-lhe o quanto estava perigosamente exaltada.

O que seria de Dira tendo que lidar com duas irmãs enlouquecidas? Mas o que seria das três se não se livrassem daquele lobo antes que o restante da matilha chegasse?
Não podia esperar que o alto nomeado Gross resolvesse parar com o falatório e começar de fato a lutar.
Respirou fundo jurando que esganaria Dolka caso sobrevivessem.

— Dira, fuja na direção da voz, vou manter esse sarnento ocupado.
Por mais que tentasse demonstrar convicção na voz essa tremia lhe traindo. Estava chorando felizmente de costas para as irmãs que não poderiam ver o medo e resignação turvar seus olhos.

— D-Dolka...
Controlava a voz para parecer o mais gentil que conseguia.

— Não é...educado...deixar seu pretendente esperando.
Não tirava os olhos do lobo, tentando acompanhar seus passos de maneira a se manter entre ele e as irmãs.

— Vão!
Dava um paço mais firme a frente e rosnava para o logo em claro desafio. Queria lhe tomar toda a atenção enquanto as irmãs escapassem. Torcia para que não fossem estúpidas o bastante para morrerem ali também.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Kannon em Qua Nov 01 2017, 00:15

Quando o grupo estava prestes a uma tomada de decisão, Gross cometia outras atitudes tresloucadas. Primeiro, sentou-se com as mãos repousando sobre suas volumosas bochechas, massageando a barba que a revestia, enquanto um sorriso debochado e infantil surgia em seu rosto. Os olhos esbugalhavam como os de um alucinado alheio aos perigos que a natureza oferecia. 

— Lobos, lobos... — dizia ele, repetindo a palavra incontáveis vezes, alto o suficiente para que fosse ouvido. — Lobos assassinos, caçadores cinzentos, névoas das montanhas... Como são extensas às suas alcunhas, hã? 

Displicentemente, ele levantava as mãos e, despreocupado com a opinião dos demais, reiterava o seu ato:

— Eu ficarei aqui, esperando por vocês! Ninguém derruba os ursos de Majara com uivos que mais parecem cainhados. Por isso, ouçam bem!


— Só me faltava essa agora. – Coloca a espada na bainha novamente e se dirige a Gross em passadas largas e rápidas, quase correndo. — Ele não vai fazer o que eu estou pensando... por favor não grite... por favor não grite.  

Soltando o ar de uma só vez, gritou o mais alto que pode, para que cada canto do Monte Pardo conhecesse a sua voz:

— Eu, Gross de Tiata, descendente dos Protetores, cravarei as minhas garras em suas peles fétidas e asquerosas. Eu as arrancarei e venderei aos mais meticulosos alfaiates, para que façam de suas bocarras meros capuzes para cobrir a minha cabeça e as de meus irmãos, e os frustrem mesmo depois da morte pela sua debilidade em não poder concluir a mordida! 


Ao presenciar o que Gross acabara de fazer, Kannon parou de andar tão espantado e acaba deixando cair a tocha que estava levando. Ficou imóvel por alguns instantes ainda perplexo, mas logo o espanto impresso no seu rosto se tornou em pura raiva que o fez despertar e voltar a andar apressado.

Não bastasse a repercussão causada pelos brados, uma risada estrepitosa tomava o monte. Gross estava ensandecido e agira como um servo inconsequente do Maldito. Até que uivos vindos de toda a parte, mas ainda originados de baixo, fizeram o majurk desacelerar lentamente. Sua expressão mudara, fazendo parecer que ele havia finalmente concatenado a gravidade da situação. 

— A... Araya? — disse ele, gaguejando o nome da aliada que não dera mais qualquer sinal de vida. 

A descida estava livre de obstáculos. Os matadores vorazes sabiam emboscar mesmo em áreas abertas, como era o caminho até o pé do monte. Havia a dúvida de como agiriam, embora a única certeza que pairava era de que haviam aceitado o desafio de Gross.



Quando chega perto o suficiente lhe dá um chute com força. — Se levante agora seu idiota e tenha a decência de agir de acordo com o que você acabou de falar. –  falando de forma firme, mas evitando elevar a voz.

— Um verdadeiro Protetor se não me engano não faria o que está fazendo agora. Não agiria como uma criança cheio de medo gritando o tempo todo colocando os seus companheiros em perigo e abandonando o seu integrante que até onde sei é o mais frágil e que está sozinha a mercê de uma matilha de lobos. 

Da uma pequena pausa respira fundo, engole um pouco de saliva nitidamente buscando se acalmar.

— Pela força do meu chute você deve ter percebido que não a mínima chance agora de derrotar os lobos que aparecerem no meu caminho sozinho e encontrar Araya. Então eu peço que me mostre a verdadeira força de Gross de Tiata descendente dos Protetores e nos proteja nessa missão de resgate.

Estendendo a sua mão para Gross.

— Por favor senhor Gross e companheiros, como o elfo alado acabou de dizer. Devemos nos unir agora, pois só assim chegaremos ao nosso destino final.


Última edição por Kannon em Qua Nov 29 2017, 21:16, editado 2 vez(es)

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Hirlun Imlach em Qua Nov 01 2017, 00:38

Quando o grupo estava prestes a uma tomada de decisão, Gross cometia outras atitudes tresloucadas. Primeiro, sentou-se com as mãos repousando sobre suas volumosas bochechas, massageando a barba que a revestia, enquanto um sorriso debochado e infantil surgia em seu rosto. Os olhos esbugalhavam como os de um alucinado alheio aos perigos que a natureza oferecia. 

— Lobos, lobos... — dizia ele, repetindo a palavra incontáveis vezes, alto o suficiente para que fosse ouvido. — Lobos assassinos, caçadores cinzentos, névoas das montanhas... Como são extensas às suas alcunhas, hã? 

Displicentemente, ele levantava as mãos e, despreocupado com a opinião dos demais, reiterava o seu ato:

— Eu ficarei aqui, esperando por vocês! Ninguém derruba os ursos de Majara com uivos que mais parecem cainhados. Por isso, ouçam bem!

— Só me faltava essa agora. – Coloca a espada na bainha novamente e se dirige a Gross em passadas largas e rápidas, quase correndo. — Ele não vai fazer o que eu estou pensando... por favor não grite... por favor não grite.  


Hirlun apenas observava as reações de Gross. Puro sarcasmo tomava conta do ursídeo, e o elfo alado simplesmente achou aquilo um despropósito. Observando calmo e de maneira indignada, o jovem Imlach resolveu deixar a aparente apatia de lado quando ele surgiu com aquela frase completamente despropositada.

Soltando o ar de uma só vez, gritou o mais alto que pode, para que cada canto do Monte Pardo conhecesse a sua voz:

— Eu, Gross de Tiata, descendente dos Protetores, cravarei as minhas garras em suas peles fétidas e asquerosas. Eu as arrancarei e venderei aos mais meticulosos alfaiates, para que façam de suas bocarras meros capuzes para cobrir a minha cabeça e as de meus irmãos, e os frustrem mesmo depois da morte pela sua debilidade em não poder concluir a mordida! 

Ao presenciar o que Gross acabara de fazer, Kannon parou de andar tão espantado e acaba deixando cair a tocha que estava levando. Ficou imóvel por alguns instantes ainda perplexo, mas logo o espanto impresso no seu rosto se tornou em pura raiva que o fez despertar e voltar a andar apressado.

Não bastasse a repercussão causada pelos brados, uma risada estrepitosa tomava o monte. Gross estava ensandecido e agira como um servo inconsequente do Maldito. Até que uivos vindos de toda a parte, mas ainda originados de baixo, fizeram o majurk desacelerar lentamente. Sua expressão mudara, fazendo parecer que ele havia finalmente concatenado a gravidade da situação. 

— A... Araya? — disse ele, gaguejando o nome da aliada que não dera mais qualquer sinal de vida. 

A descida estava livre de obstáculos. Os matadores vorazes sabiam emboscar mesmo em áreas abertas, como era o caminho até o pé do monte. Havia a dúvida de como agiriam, embora a única certeza que pairava era de que haviam aceitado o desafio de Gross.

Quando Kannon chega perto o suficiente lhe dá um chute com força. — Se levante agora seu idiota e tenha a decência de agir de acordo com o que você acabou de falar. –  falando de forma firme, mas evitando elevar a voz.

— Um verdadeiro Protetor se não me engano não faria o que está fazendo agora. Não agiria como uma criança cheio de medo gritando o tempo todo colocando os seus companheiros em perigo e abandonando o seu integrante que até onde sei é o mais frágil e que está sozinha a mercê de uma matilha de lobos.


— Senhor Gross, acho que não é momento para tantas reações exacerbadas. Precisamos nos concentrar, encontrar nosso equilíbrio e nos defender, afinal de contas, queremos chegar inteiros à companhia do Mestre Omaru... Vai ficar esperando por nós ou podemos fazer uma equipe forte o suficiente para apenas deixá-los dormir e partir à frente? - Kannon havia respondido de maneira ofensiva e violenta, mas Gross precisava daquilo.

Kannon dá uma pequena pausa respira fundo, engole um pouco de saliva nitidamente buscando se acalmar.

— Pela força do meu chute você deve ter percebido que não a mínima chance agora de derrotar os lobos que aparecerem no meu caminho sozinho e encontrar Araya. Então eu peço que me mostre a verdadeira força de Gross de Tiata descendente dos Protetores e nos proteja nessa missão de resgate.


— Peço desculpas a vocês, parceiros, mas precisamos agir imediatamente. Precisamos montar um perímetro de defesa, uma contra medida para ataques em grandes números e nos aproveitar do terreno aberto. Pode ser, sim, uma vantagem para os nossos agora declarados adversários, mas temos uma vantagem que eles não têm: somos organizados. Precisamos tomar vantagem dessa organização que temos. Não é hora de sucumbirmos ao caos.

Logo Hirlun assumiu uma pose de luta com as mãos em forma de cuia, uma para frente e outra para trás, com as pernas levemente arqueadas. E suas mãos, naquela posição incômoda, começaram a brilhar em vermelho.


Kannon estende sua mão para Gross.

— Por favor senhor Gross e companheiros, como o elfo alado acabou de dizer. Devemos nos unir agora, pois só assim chegaremos ao nosso destino final.


Última edição por Hirlun Imlach em Qua Nov 29 2017, 23:47, editado 2 vez(es)

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A balança entre uma ideologia e outra é uma linha de pensamento... Então pense: Não é melhor se manter neutro no marisinkro e depois, somente depois, lutar para que tudo de bom seja restaurado?
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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Aerhox em Qua Nov 01 2017, 12:05

Quando o grupo estava prestes a uma tomada de decisão, Gross cometia outras atitudes tresloucadas. Primeiro, sentou-se com as mãos repousando sobre suas volumosas bochechas, massageando a barba que a revestia, enquanto um sorriso debochado e infantil surgia em seu rosto. Os olhos esbugalhavam como os de um alucinado alheio aos perigos que a natureza oferecia. 

— Lobos, lobos... — dizia ele, repetindo a palavra incontáveis vezes, alto o suficiente para que fosse ouvido. — Lobos assassinos, caçadores cinzentos, névoas das montanhas... Como são extensas às suas alcunhas, hã? 

Displicentemente, ele levantava as mãos e, despreocupado com a opinião dos demais, reiterava o seu ato:

— Eu ficarei aqui, esperando por vocês! Ninguém derruba os ursos de Majara com uivos que mais parecem cainhados. Por isso, ouçam bem!

— Só me faltava essa agora. – Coloca a espada na bainha novamente e se dirige a Gross em passadas largas e rápidas, quase correndo. — Ele não vai fazer o que eu estou pensando... por favor não grite... por favor não grite.  

Hirlun apenas observava as reações de Gross. Puro sarcasmo tomava conta do ursídeo, e o elfo alado simplesmente achou aquilo um despropósito. Observando calmo e de maneira indignada, o jovem Imlach resolveu deixar a aparente apatia de lado quando ele surgiu com aquela frase completamente despropositada.

Soltando o ar de uma só vez, gritou o mais alto que pode, para que cada canto do Monte Pardo conhecesse a sua voz:

— Eu, Gross de Tiata, descendente dos Protetores, cravarei as minhas garras em suas peles fétidas e asquerosas. Eu as arrancarei e venderei aos mais meticulosos alfaiates, para que façam de suas bocarras meros capuzes para cobrir a minha cabeça e as de meus irmãos, e os frustrem mesmo depois da morte pela sua debilidade em não poder concluir a mordida! 

Ao presenciar o que Gross acabara de fazer, Kannon parou de andar tão espantado e acaba deixando cair a tocha que estava levando. Ficou imóvel por alguns instantes ainda perplexo, mas logo o espanto impresso no seu rosto se tornou em pura raiva que o fez despertar e voltar a andar apressado.

Não bastasse a repercussão causada pelos brados, uma risada estrepitosa tomava o monte. Gross estava ensandecido e agira como um servo inconsequente do Maldito. Até que uivos vindos de toda a parte, mas ainda originados de baixo, fizeram o majurk desacelerar lentamente. Sua expressão mudara, fazendo parecer que ele havia finalmente concatenado a gravidade da situação. 

— A... Araya? — disse ele, gaguejando o nome da aliada que não dera mais qualquer sinal de vida. 

A descida estava livre de obstáculos. Os matadores vorazes sabiam emboscar mesmo em áreas abertas, como era o caminho até o pé do monte. Havia a dúvida de como agiriam, embora a única certeza que pairava era de que haviam aceitado o desafio de Gross.

Quando Kannon chega perto o suficiente lhe dá um chute com força. — Se levante agora seu idiota e tenha a decência de agir de acordo com o que você acabou de falar. –  falando de forma firme, mas evitando elevar a voz.

— Um verdadeiro Protetor se não me engano não faria o que está fazendo agora. Não agiria como uma criança cheio de medo gritando o tempo todo colocando os seus companheiros em perigo e abandonando o seu integrante que até onde sei é o mais frágil e que está sozinha a mercê de uma matilha de lobos.


— Senhor Gross, acho que não é momento para tantas reações exacerbadas. Precisamos nos concentrar, encontrar nosso equilíbrio e nos defender, afinal de contas, queremos chegar inteiros à companhia do Mestre Omaru... Vai ficar esperando por nós ou podemos fazer uma equipe forte o suficiente para apenas deixá-los dormir e partir à frente? - Kannon havia respondido de maneira ofensiva e violenta, mas Gross precisava daquilo.


Aerhox ouviu toda a gritaria do ursídeo e depois abaixou a cabeça e fez pequenos movimentos de negativa. Assim como Kannon aumentou a voz, mas não chegou a gritar:

- Senhor Gross. Retome sua razão agora. É gritando de forma louca e inconsequente que Mestre Omaru lhe ensinou a trilhar o caminho do meio?

Kannon dá uma pequena pausa respira fundo, engole um pouco de saliva nitidamente buscando se acalmar.

— Pela força do meu chute você deve ter percebido que não a mínima chance agora de derrotar os lobos que aparecerem no meu caminho sozinho e encontrar Araya. Então eu peço que me mostre a verdadeira força de Gross de Tiata descendente dos Protetores e nos proteja nessa missão de resgate.


— Peço desculpas a vocês, parceiros, mas precisamos agir imediatamente. Precisamos montar um perímetro de defesa, uma contra medida para ataques em grandes números e nos aproveitar do terreno aberto. Pode ser, sim, uma vantagem para os nossos agora declarados adversários, mas temos uma vantagem que eles não têm: somos organizados. Precisamos tomar vantagem dessa organização que temos. Não é hora de sucumbirmos ao caos.

Logo Hirlun assumiu uma pose de luta com as mãos em forma de cuia, uma para frente e outra para trás, com as pernas levemente arqueadas. E suas mãos, naquela posição incômoda, começaram a brilhar em vermelho.


Aerhox viu seu companheiro tomar uma posição beligerante e emanar um pouco de kalaidrin. Quanto a isso disse:

- Muito bem. Isso quer dizer que vai ficar na defesa desta posição irmão Hirlun?



Kannon estende sua mão para Gross.

— Por favor senhor Gross e companheiros, como o elfo alado acabou de dizer. Devemos nos unir agora, pois só assim chegaremos ao nosso destino final.



Depois voltou sua atenção para os outros dois integrantes, e solenemente falou:

- Irmãos. Eu sou um batedor. Vou conseguir levar pelo menos mais uma pessoa comigo em segurança. Eu já fiz treinamentos nessa região no inverno profundo. Na primavera não terei nem desafio. Enfim, Kannon comigo na busca e Lady Liliel na defesa?


Última edição por Aerhox em Qui Nov 30 2017, 19:56, editado 1 vez(es)

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Qua Nov 01 2017, 17:10

Considerações off

Conforme informado no grupo, teremos apenas o post do Naala hoje. O prazo de resposta dos intérpretes é sempre o dia anterior ao marcado para a minha revisão / continuação, de forma que, quem postar a partir da 0h de quarta, só terá o procedimento comum na quarta da semana seguinte. Fiquem atentos e procurem não deixar para postar em cima da hora, caso queiram continuar o jogo na semana subsequente.

Vamos ao jogo:




NAALA

— Então, você quer me libertar? — perguntou o gênio, surpreso. — Tem alguma ideia do quão inconsequente é a sua ideia?

Mais uma vez, Ragnil permanecera calado. Seu semblante era o de quem novamente concordava com Hegoras. Variava o olhar também para o feérico, julgando-o como a mais ingênua das criaturas que já vira.

— Eu não tenho escolha! O meu acordo com esse elfo é o melhor que posso fazer por mim! Não há volta para o meu erro, nem espero que algum ser tenha tamanho poder para me libertar. Quem me conhece simplesmente não nutre interesse para que eu saia daqui. Assim é Ragnil, e assim são todos. Incluindo você!

Apesar de continuar a falar com Naala, o gênio olhou furiosamente para Ragnil, cujo temperamento permanecia incólume.

— Seres como eu não têm o direito de sonhar. Temos apenas um dever a cumprir e ele é a razão que permite a minha existência. A ânfora é como a minha alma. Desvincule-me dela, e serei destruído! Essa é a consequência do meu ato e estou disposto a pagar por isso. Mas não tente me dissuadir com esse altruísmo tão verdadeiro quanto uma alface genuinamente saborosa. Muitos já tentaram e nada conseguiram. Você é só um mosquito e não aguentaria uma fagulha do poder necessário para realizar todo o necessário para que eu saia daqui e mude a minha realidade miserável.

— Altruísmo?! Eu não f... — disse Naala, mas logo foi interrompido por Ragnil, que falava com a voz branda como a de um pai amoroso.

— Sinceramente, não esperava um gesto nobre da sua parte — começou o elfo. — Isso só prova que o equilíbrio sempre paira sobre todos, independente da nossa vontade. Mas, por mais ínclitos que sejam os seus sentimentos, é melhor acreditar em Hegoras. Sua gênese determina aquilo que é. Transforme a sua aparência, faça os outros acreditarem que é um gigante ao invés de um anão, e a realidade ainda estará lá nas suas entranhas, cuidando da harmonia necessária para que as leis de Materyalis continuem agindo. Sejam elas arbitrárias ou não, isso não passa de um mero debate, uma opinião tão finita quanto a nossa vida. Ainda que os anos não o envelheçam, algum dia será tragado pelo fenômeno do equilíbrio, e deixará este ou qualquer outro mundo existente. É uma aceitação que independe das queixas. O que se deve fazer é buscar a melhor forma de compreendê-la para aceitar a vinda do momento derradeiro, pois, se não estiver pronto, seus últimos instantes serão muito mais agonizantes.

Havia uma contradição nas palavras de Hegoras. Embora declarasse ser impossível libertá-lo, admitia que existia uma força latente capaz de fazê-lo. Ragnil notava isso, mas procurava desviar o assunto. Por outro lado, Naala não propunha a liberdade do gênio por altruísmo algum. Apenas considerava que todos os seres tinham de tê-la integralmente respeitada. Porém, ainda não falaria sobre isso.

— Talvez, o futuro detentor do Sinkra possa questionar a tudo isso e realizar um universo inimaginável — concluía Ragnil, com um sorriso leve no rosto. Ele se voltou mais uma vez para Hegoras, cujas esperanças eram obliteradas com o seu discurso. — Contudo, nunca alguém se aproximou dele, e espero que quando alguém o fizer, esteja alinhado com os pensamentos emylistas.

— Obrigado pela consideração mestre, mas eu não acho que só porque ele foi condenado a isso tenha de ficar preso pela eternidade. — respondeu Naala. — E se os segredos do Sinkra estão tão perto assim das minhas mãos, mantenho minha parte do acordo!

Naala se virava para o gênio, semi-cerrando os olhos e franzindo a testa.

— Hegoras, eu não me importo com as consequências da sua liberdade. Achando o Sinkra, essa grande fonte de poder que ele é, eu poderei te libertar, assim como qualquer outra criatura que seja prisioneira desses deuses e de seus seguidores acéfalos! — determinava Naala, cruzando os braços. Seus lábios tremiam levemente de raiva. — E não me julgue pelo meu tamanho, seu maldito teimoso!


Para uma criatura etérea, Hegoras fez o mais próximo de engolir seco ao ouvir àquelas considerações. Já Ragnil ouvia Naala curiosamente. De certa forma, era um defensor dos deuses, embora não se considerasse enquadrado na ofensa que o feérico dirigiu aos seus devotos. Entretanto, sua noção de liberdade era algo que o preocupava. Afinal, outras ideologias foram criadas se baseando naquele princípio e temia que seu pupilo abraçasse alguma delas.

Naala então se senta de frente para a ânfora, a cabeça baixa e virada levemente para o lado. Depois de alguns segundos de silêncio constrangedor, ele ergue os olhos e fita o rosto de aparência distinta. Ele tinha que deixar de lado seus pensamentos imediatos de raiva e incômodo para formular uma pergunta que o colocasse numa posição de vantagem no que se referia à procura do artefato. Então, reorganiza as ideias com base no que acabara de falar e traz uma questão à tona.

— Muito bem então, sabichão. Eu tenho duas perguntas pra você — ele se reclina para trás se apoiando nas mãos, seu rosto mostrando uma seriedade inatural. — A primeira é sobre o que meu mestre falou, a respeito da proximidade que eu estou do artefato. Qual a melhor explicação que você pode me dar sobre isso?


Última edição por A Lenda de Materyalis em Ter Nov 28 2017, 13:41, editado 3 vez(es)

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Liliel em Qua Nov 01 2017, 23:58

Quando o grupo estava prestes a uma tomada de decisão, Gross cometia outras atitudes tresloucadas. Primeiro, sentou-se com as mãos repousando sobre suas volumosas bochechas, massageando a barba que a revestia, enquanto um sorriso debochado e infantil surgia em seu rosto. Os olhos esbugalhavam como os de um alucinado alheio aos perigos que a natureza oferecia. 

— Lobos, lobos... — dizia ele, repetindo a palavra incontáveis vezes, alto o suficiente para que fosse ouvido. — Lobos assassinos, caçadores cinzentos, névoas das montanhas... Como são extensas às suas alcunhas, hã? 

Displicentemente, ele levantava as mãos e, despreocupado com a opinião dos demais, reiterava o seu ato:

— Eu ficarei aqui, esperando por vocês! Ninguém derruba os ursos de Majara com uivos que mais parecem cainhados. Por isso, ouçam bem!

— Só me faltava essa agora. – Coloca a espada na bainha novamente e se dirige a Gross em passadas largas e rápidas, quase correndo. — Ele não vai fazer o que eu estou pensando... por favor não grite... por favor não grite.  

Hirlun apenas observava as reações de Gross. Puro sarcasmo tomava conta do ursídeo, e o elfo alado simplesmente achou aquilo um despropósito. Observando calmo e de maneira indignada, o jovem Imlach resolveu deixar a aparente apatia de lado quando ele surgiu com aquela frase completamente despropositada.

Soltando o ar de uma só vez, gritou o mais alto que pode, para que cada canto do Monte Pardo conhecesse a sua voz:

— Eu, Gross de Tiata, descendente dos Protetores, cravarei as minhas garras em suas peles fétidas e asquerosas. Eu as arrancarei e venderei aos mais meticulosos alfaiates, para que façam de suas bocarras meros capuzes para cobrir a minha cabeça e as de meus irmãos, e os frustrem mesmo depois da morte pela sua debilidade em não poder concluir a mordida! 

Ao presenciar o que Gross acabara de fazer, Kannon parou de andar tão espantado e acaba deixando cair a tocha que estava levando. Ficou imóvel por alguns instantes ainda perplexo, mas logo o espanto impresso no seu rosto se tornou em pura raiva que o fez despertar e voltar a andar apressado.



A elfa ficou com um ar de espanto ao ver Gross agir de forma irresponsável, não querendo acreditar no que ouvia, todo o cuidado que o grupo teve para se encontrar foi inútil. inconformada a elfa bateu a palma da mão esquerda contra a testa balançando a cabeça negativamente.

Não bastasse a repercussão causada pelos brados, uma risada estrepitosa tomava o monte. Gross estava ensandecido e agira como um servo inconsequente do Maldito. Até que uivos vindos de toda a parte, mas ainda originados de baixo, fizeram o majurk desacelerar lentamente. Sua expressão mudara, fazendo parecer que ele havia finalmente concatenado a gravidade da situação. 

— A... Araya? — disse ele, gaguejando o nome da aliada que não dera mais qualquer sinal de vida. 

A descida estava livre de obstáculos. Os matadores vorazes sabiam emboscar mesmo em áreas abertas, como era o caminho até o pé do monte. Havia a dúvida de como agiriam, embora a única certeza que pairava era de que haviam aceitado o desafio de Gross.

Quando Kannon chega perto o suficiente lhe dá um chute com força. — Se levante agora seu idiota e tenha a decência de agir de acordo com o que você acabou de falar. –  falando de forma firme, mas evitando elevar a voz.

— Um verdadeiro Protetor se não me engano não faria o que está fazendo agora. Não agiria como uma criança cheio de medo gritando o tempo todo colocando os seus companheiros em perigo e abandonando o seu integrante que até onde sei é o mais frágil e que está sozinha a mercê de uma matilha de lobos.

— Senhor Gross, acho que não é momento para tantas reações exacerbadas. Precisamos nos concentrar, encontrar nosso equilíbrio e nos defender, afinal de contas, queremos chegar inteiros à companhia do Mestre Omaru... Vai ficar esperando por nós ou podemos fazer uma equipe forte o suficiente para apenas deixá-los dormir e partir à frente? - Kannon havia respondido de maneira ofensiva e violenta, mas Gross precisava daquilo.



   Ela ergueu o rosto e acompanhou Kannon perder a calma e chutá-lo, apesar da surpresa em seguida a mesma relaxou ao ver o ato, pois ela também compartilhava o desejo de chutar. Kannon ganhou o respeito da mesma, ouviu o comentário seguido elfo, lhe respondeu de forma sutil.


- Nem adianta apartar Hirlun. Ele tá fora de si. Se fosse eu, já chegaria numa voadora.



Aerhox ouviu toda a gritaria do ursídeo e depois abaixou a cabeça e fez pequenos movimentos de negativa. Assim como Kannon aumentou a voz, mas não chegou a gritar:

- Senhor Gross. Retome sua razão agora. É gritando de forma louca e inconsequente que Mestre Omaru lhe ensinou a trilhar o caminho do meio?

Kannon dá uma pequena pausa respira fundo, engole um pouco de saliva nitidamente buscando se acalmar.

— Pela força do meu chute você deve ter percebido que não a mínima chance agora de derrotar os lobos que aparecerem no meu caminho sozinho e encontrar Araya. Então eu peço que me mostre a verdadeira força de Gross de Tiata descendente dos Protetores e nos proteja nessa missão de resgate.

— Peço desculpas a vocês, parceiros, mas precisamos agir imediatamente. Precisamos montar um perímetro de defesa, uma contra medida para ataques em grandes números e nos aproveitar do terreno aberto. Pode ser, sim, uma vantagem para os nossos agora declarados adversários, mas temos uma vantagem que eles não têm: somos organizados. Precisamos tomar vantagem dessa organização que temos. Não é hora de sucumbirmos ao caos.

Logo Hirlun assumiu uma pose de luta com as mãos em forma de cuia, uma para frente e outra para trás, com as pernas levemente arqueadas. E suas mãos, naquela posição incômoda, começaram a brilhar em vermelho.


Aerhox viu seu companheiro tomar uma posição beligerante e emanar um pouco de kalaidrin. Quanto a isso disse:

- Muito bem. Isso quer dizer que vai ficar na defesa desta posição irmão Hirlun?


Kannon estende sua mão para Gross.

— Por favor senhor Gross e companheiros, como o elfo alado acabou de dizer. Devemos nos unir agora, pois só assim chegaremos ao nosso destino final.


Depois voltou sua atenção para os outros dois integrantes, e solenemente falou:

- Irmãos. Eu sou um batedor. Vou conseguir levar pelo menos mais uma pessoa comigo em segurança. Eu já fiz treinamentos nessa região no inverno profundo. Na primavera não terei nem desafio. Enfim, Kannon comigo na busca e Lady Liliel na defesa?



A mesma confirmou com a cabeça ao receber a pergunta sobre a posição, não havia se nagado. No entanto se apoiou no que ouviu e tinha uma dúvida em pauta.


- Sem problemas. Só que algo eu ainda não entendi, se a tal  Araya  é uma fada, que são conhecidas por possuir astúcia. Porque  ela iria voar em uma altura alcançável pelos seus predadores?

 
Em seguida a mesma mudou de postura para defensiva, retirando do descanso sua bela espada cuja lâmina já cantava o som da energia metonyana era contagiosa, de forma decrescente. Girou o cabo entre os dedos com tamanha mestria sem dispesar a energia.



- Vamos? Já estou ficando com tédio.


Última edição por Liliel em Sex Dez 01 2017, 18:38, editado 1 vez(es)

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Kannon em Ter Nov 07 2017, 23:20

Quando o grupo estava prestes a uma tomada de decisão, Gross cometia outras atitudes tresloucadas. Primeiro, sentou-se com as mãos repousando sobre suas volumosas bochechas, massageando a barba que a revestia, enquanto um sorriso debochado e infantil surgia em seu rosto. Os olhos esbugalhavam como os de um alucinado alheio aos perigos que a natureza oferecia. 

— Lobos, lobos... — dizia ele, repetindo a palavra incontáveis vezes, alto o suficiente para que fosse ouvido. — Lobos assassinos, caçadores cinzentos, névoas das montanhas... Como são extensas às suas alcunhas, hã? 

Displicentemente, ele levantava as mãos e, despreocupado com a opinião dos demais, reiterava o seu ato:

— Eu ficarei aqui, esperando por vocês! Ninguém derruba os ursos de Majara com uivos que mais parecem cainhados. Por isso, ouçam bem!

— Só me faltava essa agora. – Coloca a espada na bainha novamente e se dirige a Gross em passadas largas e rápidas, quase correndo. — Ele não vai fazer o que eu estou pensando... por favor não grite... por favor não grite.  

Hirlun apenas observava as reações de Gross. Puro sarcasmo tomava conta do ursídeo, e o elfo alado simplesmente achou aquilo um despropósito. Observando calmo e de maneira indignada, o jovem Imlach resolveu deixar a aparente apatia de lado quando ele surgiu com aquela frase completamente despropositada.

Soltando o ar de uma só vez, gritou o mais alto que pode, para que cada canto do Monte Pardo conhecesse a sua voz:

— Eu, Gross de Tiata, descendente dos Protetores, cravarei as minhas garras em suas peles fétidas e asquerosas. Eu as arrancarei e venderei aos mais meticulosos alfaiates, para que façam de suas bocarras meros capuzes para cobrir a minha cabeça e as de meus irmãos, e os frustrem mesmo depois da morte pela sua debilidade em não poder concluir a mordida! 

Ao presenciar o que Gross acabara de fazer, Kannon parou de andar tão espantado e acaba deixando cair a tocha que estava levando. Ficou imóvel por alguns instantes ainda perplexo, mas logo o espanto impresso no seu rosto se tornou em pura raiva que o fez despertar e voltar a andar apressado.

A elfa ficou com um ar de espanto ao ver Gross agir de forma irresponsável, não querendo acreditar no que ouvia, todo o cuidado que o grupo teve para se encontrar foi inútil. inconformada a elfa bateu a palma da mão esquerda contra a testa balançando a cabeça negativamente.

Não bastasse a repercussão causada pelos brados, uma risada estrepitosa tomava o monte. Gross estava ensandecido e agira como um servo inconsequente do Maldito. Até que uivos vindos de toda a parte, mas ainda originados de baixo, fizeram o majurk desacelerar lentamente. Sua expressão mudara, fazendo parecer que ele havia finalmente concatenado a gravidade da situação. 

— A... Araya? — disse ele, gaguejando o nome da aliada que não dera mais qualquer sinal de vida. 

A descida estava livre de obstáculos. Os matadores vorazes sabiam emboscar mesmo em áreas abertas, como era o caminho até o pé do monte. Havia a dúvida de como agiriam, embora a única certeza que pairava era de que haviam aceitado o desafio de Gross.

Quando Kannon chega perto o suficiente lhe dá um chute com força. — Se levante agora seu idiota e tenha a decência de agir de acordo com o que você acabou de falar. –  falando de forma firme, mas evitando elevar a voz.

— Um verdadeiro Protetor se não me engano não faria o que está fazendo agora. Não agiria como uma criança cheio de medo gritando o tempo todo colocando os seus companheiros em perigo e abandonando o seu integrante que até onde sei é o mais frágil e que está sozinha a mercê de uma matilha de lobos.

— Senhor Gross, acho que não é momento para tantas reações exacerbadas. Precisamos nos concentrar, encontrar nosso equilíbrio e nos defender, afinal de contas, queremos chegar inteiros à companhia do Mestre Omaru... Vai ficar esperando por nós ou podemos fazer uma equipe forte o suficiente para apenas deixá-los dormir e partir à frente? - Kannon havia respondido de maneira ofensiva e violenta, mas Gross precisava daquilo.

Ela ergueu o rosto e acompanhou Kannon perder a calma e chutá-lo, apesar da surpresa em seguida a mesma relaxou ao ver o ato, pois ela também compartilhava o desejo de chutar. Kannon ganhou o respeito da mesma, ouviu o comentário seguido elfo, lhe respondeu de forma sutil.

— Nem adianta apartar Hirlun. Ele está fora de si. Se fosse eu, já chegaria numa voadora.

Aerhox ouviu toda a gritaria do ursídeo e depois abaixou a cabeça e fez pequenos movimentos de negativa. Assim como Kannon aumentou a voz, mas não chegou a gritar:

— Senhor Gross. Retome sua razão agora. É gritando de forma louca e inconsequente que Mestre Omaru lhe ensinou a trilhar o caminho do meio?

Kannon dá uma pequena pausa respira fundo, engole um pouco de saliva nitidamente buscando se acalmar.

— Pela força do meu chute você deve ter percebido que não a mínima chance agora de derrotar os lobos que aparecerem no meu caminho sozinho e encontrar Araya. Então eu peço que me mostre a verdadeira força de Gross de Tiata descendente dos Protetores e nos proteja nessa missão de resgate.

— Peço desculpas a vocês, parceiros, mas precisamos agir imediatamente. Precisamos montar um perímetro de defesa, uma contramedida para ataques em grandes números e nos aproveitar do terreno aberto. Pode ser, sim, uma vantagem para os nossos agora declarados adversários, mas temos uma vantagem que eles não têm: somos organizados. Precisamos tomar vantagem dessa organização que temos. Não é hora de sucumbirmos ao caos.

Logo Hirlun assumiu uma pose de luta com as mãos em forma de cuia, uma para frente e outra para trás, com as pernas levemente arqueadas. E suas mãos, naquela posição incômoda, começaram a brilhar em vermelho.

Aerhox viu seu companheiro tomar uma posição beligerante e emanar um pouco de kalaidrin. Quanto a isso disse:

— Muito bem. Isso quer dizer que vai ficar na defesa desta posição irmão Hirlun?

Kannon estende sua mão para Gross.

— Por favor senhor Gross e companheiros, como o elfo alado acabou de dizer. Devemos nos unir agora, pois só assim chegaremos ao nosso destino final.

Depois voltou sua atenção para os outros dois integrantes, e solenemente falou:

— Irmãos. Eu sou um batedor. Vou conseguir levar pelo menos mais uma pessoa comigo em segurança. Eu já fiz treinamentos nessa região no inverno profundo. Na primavera não terei nem desafio. Enfim, Kannon comigo na busca e Lady Liliel na defesa? 

A mesma confirmou com a cabeça ao receber a pergunta sobre a posição, não havia se negado. No entanto se apoiou no que ouviu e tinha uma dúvida em pauta. 

— Sem problemas. Só que algo eu ainda não entendi, se a tal Araya é uma fada, que são conhecidas por possuir astúcia. Porque ela iria voar em uma altura alcançável pelos seus predadores?

Em seguida a mesma mudou de postura para defensiva, retirando do descanso sua bela espada cuja lâmina já cantava o som da energia metonyana era contagiosa, de forma decrescente. Girou o cabo entre os dedos com tamanha mestria sem dispensar a energia.

— Vamos? Já estou ficando com tédio.

Respirando calmamente, Kannon olha na direção dos companheiros.

— Nesse momento não acredito ser possível separar o grupo. Todos devem ficam e lutar ou todos devem seguir juntos.

Olha para baixa e solta sorriso espontâneo.

— Meu pai me disse uma vez que uma batalha evitada é uma batalha ganha, mas se não puder evitar deve vencer com o mínimo de danos possível. Como a nossa situação atual é diferente de instantes atrás, antes da declaração de guerra aos lobos. – Se vira novamente para o senhor Gross – Não busco culpados, mas precisamos agora analisar qual é a nossa melhor alternativa.

Volta a olhar para os outros.

—  Os lobos sabem do senhor Gross e sua localização. Possuem a vantagem de estarem no seu próprio território, de enxergarem melhor no escuro, de ter o elemento surpresa e claro de ter seu número maior que o nosso. 

—  Então devemos aproveitar todas as nossas vantagens. – fecha seu punho com firmeza — Estamos num terreno mais elevado, sabemos por onde eles virão. – aponta para Hirlum — possuímos um manipulador de chamas, três grakans, um majurk e até onde sei eles só esperam atacar uma única presa. Então não teremos que enfrentar a matilha inteira de uma vez.

Com um sorriso largo de satisfação.

—  Ficando aqui eles perdem o ataque surpresa, a vantagem de número e domínio do território deles não podendo atacar das sombras. 

Dando um olhar bem sereno e calmo.

—  Não digo que será fácil, mas acredito que as nossas chances são bem maiores e evitamos grandes perdas.

Balança a cabeça negativamente, como estivesse percebido algo errado.

— Ficar ou seguir? É a decisão que precisamos tomar agora. Admito que errei agora pouco, tomando a decisão de seguir sozinho como sempre fiz e peço desculpas. Então sugiro que devemos seguir a decisão da maioria de agora em diante. – levanta a mão — Eu escolho ficar aqui com senhor Gross e o elfo alado e tirarmos vantagem da nossa posição até o nascer do sol.


Última edição por Kannon em Dom Dez 03 2017, 01:25, editado 1 vez(es)

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Naala em Ter Nov 21 2017, 19:56

— Então, você quer me libertar? — perguntou o gênio, surpreso. — Tem alguma ideia do quão inconsequente é a sua ideia?
Mais uma vez, Ragnil permanecera calado. Seu semblante era o de quem novamente concordava com Hegoras. Variava o olhar também para o feérico, julgando-o como a mais ingênua das criaturas que já vira. 
— Eu não tenho escolha! O meu acordo com esse elfo é o melhor que posso fazer por mim! Não há volta para o que fiz, nem espero que algum ser possua tamanho poder para me libertar. Quem me conhece simplesmente não nutre interesse para que eu saia daqui. Assim é Ragnil, e assim são todos. Incluindo você!
Apesar de continuar a falar com Naala, o gênio olhou furiosamente para Ragnil, cujo temperamento permanecia incólume.
— Seres como eu não tem o direito de sonhar. Temos apenas um dever a cumprir e ele é a razão que permite a minha existência. A ânfora é como a minha alma. Desvincule-me dela, e serei destruído! Essa é a consequência do que fiz e estou disposto a pagar por isso. Mas não tente me dissuadir com esse altruísmo tão verdadeiro quanto uma alface genuinamente saborosa. Muitos já tentaram e nada conseguiram. Você é só um mosquito e não aguentaria uma fagulha do poder necessário para realizar todo o necessário para que eu saia daqui e mude a minha realidade miserável.

Havia uma contradição nas palavras de Hegoras. Embora declarasse ser impossível libertá-lo, admitia que existia uma força latente capaz de fazê-lo. Ragnil notava isso, mas procurava desviar o assunto. Então, olhou Naala, falando com a voz branda como a de um pai amoroso. 


— Altruísmo?! Eu não f....

Antes de continuar, no entanto, Ragnil começou a falar, o que fez o fada interromper o que estava falando. Não fazia aquilo por altruísmo nenhum, apenas considerava que a liberdade de todos os seres tinha de ser respeitada. Mas não falaria aquilo naquele momento.

— Sinceramente, não esperava um gesto nobre de sua parte — começou o elfo. — Isso só prova que o equilíbrio sempre paira sobre todos, independente da nossa vontade. Mas, por mais ínclitos que sejam seus sentimentos, é melhor acreditar em Hegoras. Sua gênese determina aquilo que é. Transforme a sua aparência, faça os outros acreditarem que é grande ao invés de minúsculo, e a realidade ainda estará lá nas suas entranhas, cuidando da harmonia necessária para que as leis de Materyalis continuem. Sejam elas arbitrárias ou não, isso não passa de um mero debate, uma opinião tão finita quanto a nossa vida. Ainda que os anos não o envelheçam, algum dia será tragado pelo fenômeno do equilíbrio, e deixará este ou qualquer outro mundo existente. É uma aceitação que independe das queixas. O que se deve fazer é buscar a melhor forma de compreendê-la para aceitar a vinda do momento derradeiro, pois, se não estiver pronto, seus últimos instantes serão muito mais agonizantes.
E, com um sorriso brando no rosto, ele se voltou mais uma vez para Hegoras, cujas esperanças eram obliteradas com o discurso. 
— Talvez, o futuro detentor do Sinkra possa questionar a tudo isso e realizar um universo inimaginável. Nunca, contudo, alguém se aproximou dele, e espero que quando alguém o fizer, esteja alinhado com os pensamentos emylistas.


— Obrigado pela consideração mestre, mas eu não acho que só porque ele foi condenado a isso ele tenha de ficar preso à essa situação pela eternidade. — o feérico não iria comentar sobre o fato de sua vida não ter um fim natural, pois achava desnecessário naquele momento — e se os segredos do Sinkra estão tão perto assim das minhas mãos, mantenho minha parte do acordo!

Naala se virava para o gênio, semi-cerrando os olhos e franzindo a testa. Maldito teimoso.

— Hégoras, eu não me importo com as consequências da sua liberdade. Achando o Sinkra, achando essa grande fonte de poder que ele é, eu posso e vou libertar você! Você e qualquer outra criatura que seja prisioneira desses Deuses e de seus seguidores cegos e burros! — o pequeno ser cruza os braços e seu lábio dá uma leve tremida, claramente de raiva — E não me julgue pelo meu tamanho, sua criatura teimosa!

Naala então se senta de frente para a ânfora, a cabeça baixa e virada levemente para o lado. Depois de alguns segundos de silêncio constrangedor, ele ergue os olhos e fita o rosto da figura etérea saindo da ânfora. Ele tinha que deixar de lado seus pensamentos imediatos de raiva e de incômodo para formular uma pergunta que o colocasse numa posição de vantagem no que se referia à procura do artefato. Ele se lembra então do que acabara de falar e formula não uma, mas duas perguntas.

— Ok então, sabichão... eu tenho duas perguntas pra você. — ele se reclina pra trás se apoiando nas mãos, seu rosto mostrando uma seriedade não natural. — A primeira é sobre o que meu mestre falou, sobre a proximidade que eu estou do artefato. Qual a melhor explicação que você pode me dar sobre isso?

Após ouvir a resposta, Naala faria a segunda pergunta. Logicamente dependendo do quão direto ou claro Hégoras foi na primeira resposta.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Qua Nov 22 2017, 17:58

Considerações off

O post de hoje colocará apenas a cena do Naala, dada a complexidade de revisão do turno em grupo e que todos deverão se enquadrar. Falarei sobre isso no Whatsapp para instruí-los corretamente.

Vamos ao jogo:




NAALA

Hegoras e Ragnil se entreolharam, algo que denotava uma cumplicidade na resposta vindoura. O acordo precisava continuar e qualquer informação sobre o Sinkra devia ser dada com muita cautela. Além disso, ela não seria novidade alguma para o elfo.

— Perto e longe, ao mesmo tempo — respondeu Hegoras, com um sorriso aparentemente irônico. Como muitos interlocutores do Sinkra, pavimentava a pista de uma estrada tortuosa e desorientada. — O que você é não traz nenhuma proximidade com o artefato, mas o que você tem de diferente o faz ser parte dele.

Ragnil cruzou os braços e olhou Naala de soslaio.

— Deseja que eu explique? — perguntou o elfo, antes que o feérico fizesse a segunda pergunta. Em relação à primeira orientação de Hegoras, não haveria problemas em responder integralmente. Ele já estava pronto para saber.

Hegoras e Ragnil se entreolharam, denotando uma cumplicidade na resposta vindoura. O acordo precisava continuar e qualquer informação sobre o Sinkra devia ser dada com muita cautela. Além disso, ela não seria novidade alguma para o elfo. 

— Perto e longe, ao mesmo tempo — respondeu Hegoras, com um sorriso aparentemente irônico. Como muitos interlocutores do Sinkra, pavimentava a pista de uma estrada tortuosa e desorientada. — O que você é não traz nenhuma proximidade com o artefato, mas o que você tem de diferente o faz ser parte dele. 

Ragnil cruzou os braços e olhou Naala de soslaio. 

— Deseja que eu explique? — perguntou o elfo, antes que o feérico fizesse a segunda pergunta. Em relação à primeira orientação de Hegoras, Ragnil julgava não haver problemas em explicar a Naala abertamente. Ele já estava pronto para saber.[/i]

— Parte do Sinkra, não é? — disse Naala, olhando Ragnil com certa curiosidade, afinal essa elucidação poderia ser referente a algum fundamento dado antes mesmo do surgimento do feérico, e por consequência o mesmo não saberia. — Está na hora de saber tudo, mestre? Eu sei que existem segredos que o senhor não me conta. Não sou tão tolo. Segredos, mais segredos e sempre mais segredos... 

O fada dava um sorriso malcriado para o elfo, se virando novamente para a criatura pairando no ar. 

— Mas antes quero a resposta da minha segunda pergunta. As explicações o senhor me dará depois — concluiu Naala com o elfo, passando a fitar o gênio. 

— Hegoras, minha segunda pergunta é bem simples: quais segredos meu mestre guarda que ainda não me contou? 

Após fazer a pergunta, Naala olhava de soslaio para Ragnil. Um sorriso maldoso se formara nos ínfimos lábios da criatura enquanto a mesma observava a reação de seu criador e mentor.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Qua Dez 06 2017, 13:50, editado 1 vez(es)

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Naala em Ter Nov 28 2017, 14:07

Hegoras e Ragnil se entreolharam, algo que denotava uma cumplicidade na resposta vindoura. O acordo precisava continuar e qualquer informação sobre o Sinkra devia ser dada com muita cautela. Além disso, ela não seria novidade alguma para o elfo. 

— Perto e longe, ao mesmo tempo — respondeu Hegoras, com um sorriso aparentemente irônico. Como muitos interlocutores do Sinkra, pavimentava a pista de uma estrada tortuosa e desorientada. — O que você é não traz nenhuma proximidade com o artefato, mas o que você tem de diferente o faz ser parte dele. 

Ragnil cruzou os braços e olhou Naala de soslaio. 

— Deseja que eu explique? — perguntou o elfo, antes que o feérico fizesse a segunda pergunta. Em relação à primeira orientação de Hegoras, não haveria problemas em responder integralmente. Ele já estava pronto para saber.


— Parte dele, não é? — Naala olha para o Ragnil com certa curiosidade, afinal essa explicação poderia ser alguma informação dada antes mesmo do surgimento do fada, e por consequência o mesmo não saberia.

— Está na hora de saber tudo, mestre? Eu sei que existem segredos que o senhor não me conta.... não sou tão tolo. Segredos, mais segredos e sempre mais segredos... — O fada dava um sorriso malcriado para o elfo, se virando novamente para a criatura pairando no ar. — Mas antes quero a resposta da minha segunda pergunta; as explicações o senhor me dará depois... — falava com o elfo, mas fitava Hegoras.

— Hegoras... minha segunda pergunta é bem simples: Quais segredos meu mestre guarda que ainda não me contou? — Era Naala que agora olhava de soslaio para Ragnil, um sorriso maldoso claramente se formava nos ínfimos lábios da criatura enquanto a mesma observava a reação de seu criador e mestre.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Dotter Manen em Dom Dez 03 2017, 23:26

DOTTER

"Eu ficarei aqui, esperando por vocês! Ninguém derruba os ursos de Majara com uivos que mais parecem cainhados. Por isso, ouçam bem!"

Uma voz grossa se interpunha entre os inimigos. Ela ecoava por todo o monte, como uma divindade salvadora que enviava um proeminente servo em favor dos seus devotos. Impedia o avanço do lobo, que, entre rosnados contínuos, agia como um metamorfo consciente do tipo de rival que surgia misteriosamente ante a sua presa. 

"Eu, Gross de Tiata, descendente dos Protetores, cravarei as minhas garras em suas peles fétidas e asquerosas. Eu as arrancarei e venderei aos mais meticulosos alfaiates, para que façam de suas bocarras meros capuzes para cobrir a minha cabeça e as de meus irmãos, e os frustrem mesmo depois da morte pela sua debilidade em não poder concluir a mordida!"

 


Gross...


Não lembrava desse nome, mas a voz retumbante dava-lhe um fio de esperança que a fazia segurar a adaga com mais firmeza ainda que sentisse o coração bater descompassado.





— Que voz... maravilhosa é essa? — indagava Dolka, que parara as risadas ao ouvir o grito. — Seria um... Pretendente?

— Gross de Tiata — disse Dira, ignorando a outra. — É um dos nossos! Obrigada, Materyon! 


Tiata, uma das quatro tribos do Condado Majurk. Seus aldeões eram os mais devotados ao deus benévolo, embora fossem os menos aguerridos e experientes em batalha. Todavia, a voz transmitia uma confiança enorme e motivadora. Mas, tão logo as esperanças da majurk foram renovadas, caíram em um poço sem fundo, ao ouvir uivos que pareciam produzidos pela própria natureza em simbiose com os animais. Ao mesmo tempo que estavam por toda parte, apenas um era visto. Este, por sinal, deixava a intimidação de lado, e descia a passos lentos na direção de Dotter, a primeira que enfrentaria expondo os caninos para iniciar o combate.  





O lobo hesitou apenas pelo tempo que a voz do Tiatiano reverberou no ar. Os uivos que se sucederam parecia rapidamente remover as dúvidas do lupino. Ao menos se movia com menos velocidade. Passos mais curtos e precavidos e não um salto.

A majurk mordeu os lábios percebendo ali alguma chance, mas não sabia como usá-la. Mais um pouco e estariam ao mesmo nível de solo. Sentiu a presa alongada feri-la indicando-lhe o quanto estava perigosamente exaltada.

O que seria de Dira tendo que lidar com duas irmãs enlouquecidas? Mas o que seria das três se não se livrassem daquele lobo antes que o restante da matilha chegasse?
Não podia esperar que o alto nomeado Gross resolvesse parar com o falatório e começar de fato a lutar. 
Respirou fundo jurando que esganaria Dolka caso sobrevivessem.

— Dira, fuja na direção da voz, vou manter esse sarnento ocupado.
Por mais que tentasse demonstrar convicção na voz essa tremia lhe traindo. Estava chorando felizmente de costas para as irmãs que não poderiam ver o medo e resignação turvar seus olhos.

— D-Dolka...
Controlava a voz para parecer o mais gentil que conseguia.

— Não é...educado...deixar seu pretendente esperando.
Não tirava os olhos do lobo, tentando acompanhar seus passos de maneira a se manter entre ele e as irmãs.

— Vão!
Dava um passo mais firme a frente e rosnava para o logo em claro desafio. Queria lhe tomar toda a atenção enquanto as irmãs escapassem. Torcia para que não fossem estúpidas o bastante para morrerem ali também.

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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Qua Dez 06 2017, 13:50

Considerações off


Vamos ao jogo:




NAALA

— Ragnil entende mais sobre si do que qualquer um poderia julgar — disse Hegoras. — Uma sombra não tão obscura quanto você poderia imaginar.

O tom poético de Hegoras trazia uma charada estranha, que fez Ragnil retribuir a expressão maliciosa a Naala. Era tudo o que o prisioneiro da ânfora tinha a dizer ao feérico.

— Ele o levará ao limite do intelecto — disse o elfo. — Com Hegoras, joguetes não conduzem a atalhos. Só encarceram o ouvinte na cela de uma masmorra fria, escura e solitária. Trate-me como um aljubeiro conivente e seus anseios poderão se cumprir no tempo certo.  

E, contraindo o sorriso, os olhos claros de Ragnil perscrutaram profundamente os do feérico, alcançando a sua essência. Ao fazer isso, Naala sentiu um leve calafrio, algo que só parecia possível para seres vivos cuja existência era alimentada por energia espiritual.





DOTTER

Enquanto Dolka, histérica, não se dava conta do perigo, Dira tratou de pegá-la pelo braço e puxá-la. A ordem só fez sentido por um instante, até que ela se permitiu pensar melhor sobre o que estava para acontecer. Talvez Gross não as alcançasse. Poderia ser obstruído pelos outros assassinos da alcateia e, neste caso, as duas ficariam a própria sorte e teriam que confrontar mais lobos. Observava fixamente o adversário de Dotter, enquanto repreendia mentalmente a ideia da irmã. Na melhor das hipóteses e enquanto pudessem, eram duas majurks contra um lobo.

Foi então que Dolka sentiu seu pulso ser liberado. O gesto surpreendeu a tresloucada, que, mesmo em sua debilidade, percebeu o destino que a irmã daria ao confronto. Dira não rosnou como Dotter. Preferiu bramir como os ursos primatas das montanhas. Os fios de cabelo eriçavam, as unhas começavam a crescer e o corpo a avolumar. Ela não deixaria sua semelhante sozinha.

— D-Dira!? — disse Dolka. — V-você está mais nervosa que a flor espinhenta, meu bem. Fica calma!

Dira estava disposta a ir até o fim com a metamorfose, para a infelicidade do lobo, que parara. Distribuiu outro uivo desesperado ao relento. Um pedido de socorro ainda mais emergencial. Seu instinto era bom o suficiente para saber que não poderia confrontar duas majurks. Principalmente porque uma logo assumiria a forma bestial, e a outra tinha a sua melhor chance de iniciativa no combate.




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Re: (Conto) A Ordem Obsidiana

Mensagem por Dotter Manen em Ter Dez 12 2017, 00:22

DOTTER

Enquanto Dolka, histérica, não se dava conta do perigo, Dira tratou de pegá-la pelo braço e puxá-la. A ordem só fez sentido por um instante, até que ela se permitiu pensar melhor sobre o que estava para acontecer. Talvez Gross não as alcançasse. Poderia ser obstruído pelos outros assassinos da alcateia e, neste caso, as duas ficariam a própria sorte e teriam que confrontar mais lobos. Observava fixamente o adversário de Dotter, enquanto repreendia mentalmente a ideia da irmã. Na melhor das hipóteses e enquanto pudessem, eram duas majurks contra um lobo.

Foi então que Dolka sentiu seu pulso ser liberado. O gesto surpreendeu a tresloucada, que, mesmo em sua debilidade, percebeu o destino que a irmã daria ao confronto. Dira não rosnou como Dotter. Preferiu bramir como os ursos primatas das montanhas. Os fios de cabelo eriçavam, as unhas começavam a crescer e o corpo a avolumar. Ela não deixaria sua semelhante sozinha. 




Dotter mantinha os olhos nos da fera e só se deu conta que as irmãs ignoraram sua ordem ao ouvir o bramido de Dira. O som a fez gelar. Sentiu seus próprios pelos se eriçarem mais como se a metamorfose da outra instigasse a própria. Respirou fundo para em seguida prender o ar. Temia mais sua própria transformação que a da irmã.


— D-Dira!? — disse Dolka. — V-você está mais nervosa que a flor espinhenta, meu bem. Fica calma! 

Dira estava disposta a ir até o fim com a metamorfose, para a infelicidade do lobo, que parara. Distribuiu outro uivo desesperado ao relento. Um pedido de socorro ainda mais emergencial. Seu instinto era bom o suficiente para saber que não poderia confrontar duas majurks. Principalmente porque uma logo assumiria a forma bestial, e a outra tinha a sua melhor chance de iniciativa no combate. 

  
 
O medo do lobo era perceptível pelo uivo agora agoniado. Ao menos alguém ali temia mais o desfecho da ação de Dira do que Dotter.

Em um impulso a mesma avançou, talvez temendo que o lupino recobrasse a valentia como ocorreu assim que a voz de Gross cessou. Não daria a ele a chance de achar que seus companheiros chegariam a tempo.

ROOOOAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAOOUUUUUUUUUU.

A adaga mirava o pescoço da fera. Realmente duvidava que conseguisse acerta-la de primeira, ou mesmo que acertaria em algum momento, mas tinha a convicção de que distrairia o lobo pelo tempo necessário para que Dira assumisse sua forma ursídea.  

A única em quem confio mesmo sob a pelagem de fera.”

Apenas alguns instantes.”

 Era tudo o que precisavam. Talvez com alguma sorte ele partisse. Alguns instantes e alguma sorte...

                                          “...e um pouco de sangue”

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