(Conto) Qu'Lerkör: Onde o Céu Sucumbe

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(Conto) Qu'Lerkör: Onde o Céu Sucumbe

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Qui Jul 27 2017, 18:58

Considerações off

Começamos aqui as interpretações do conto "Qu'Lerkör: Onde o Céu Sucumbe", aventura solo do personagem Hirlun Imlach.

A premissa da minha narrativa já é colocar o texto em formato literário, de forma que alguns detalhes serão omitidos no turno, mas colocados em off no complemento ao término da ação, caso necessário, para o devido entendimento dos envolvidos. Para dúvidas, favor não postar no tópico. Envie-me uma MP, mensagem pelo Face ou Whatsapp.

A interpretação do jogador deve seguir o fluxo normal dos jogos anteriores. Mas é importante seguir as instruções abaixo, para facilitar a edição em todos os sentidos:

- Não use formatação do texto com cores. Quando o personagem se expressar verbalmente, coloque o travessão (alt+0151). Caso queira expressar algum pensamento, coloque em itálico, sem o travessão;

- Para criar o turno, prioriza-se a qualidade do texto, e não a quantidade. Quanto mais aproveitado for na conversão, maior é o indício de que está funcionando bem para o formato literário;

- Revise a ortografia, a gramática e a coesão e coerência do texto. Lembrando que este é um projeto literário e que é importante termos isso como requisito. Apenas turnos que estejam dentro dessa proposta serão aceitos e respondidos.

Caso a estória do personagem não esteja fresca na memória, leia o tópico do perfil dele, localizado no fórum da sua ideologia. Eventuais adaptações no enredo serão sempre colocadas no complemento no final do meu post.

Favor não ultrapassar sete dias para a resposta.

Anunciarei a data do meu próximo post assim que responder o post, ou no final dos sete dias corridos.

Vamos ao jogo:




I

INVULGAR

Diante do clima acalentador da lareira, estavam pai e filho sem laços de sangue: Renjus, um humano, e Hirlun, um elfo alado que, por possuir tal característica, era diferente de todos os outros que habitavam no reino de Aliank.

A conversa entre os dois, morna como as águas do rio Majara, cuja nascente vinha das proximidades do famoso vulcão onde Garlak adormecera após o duelo com Berong, logo tornou-se gélida e densa como o frio atroz do inverno aliankino. Foi interrompida por batidas na porta de entrada do casarão que, num primeiro momento, começaram contidas. Todavia, logo se tornaram violentas, apressadas e descompassadas.

— Aguarde aqui — ordenou Renjus ao filho, que, num primeiro momento, obedeceu.

— Espere, por Materyon!

A voz grossa do homem de cabelos compridos, grisalhos e desgrenhados tentava conter a pressa daquele que batia a sua porta com violência. Renjus presumia que algum companheiro de aventuras chegara há pouco na cidade, e que não tivera tempo suficiente de alcançar a própria morada. A casa da família Imlach era sempre um bom abrigo para os membros da Confraria Alada, irmandade formada por exploradores da natureza de Hedoron, apaixonados por desbravar peculiaridades de terras longínquas, reunindo uma gama invejável de conhecimento.

Mas, para a decepção do anfitrião, as visitas não pertenciam ao seleto grupo de aventureiros.

— Abra ao Intendente, em nome de Materyon, nosso deus, e do rei por ele alçado, Berong — gritou uma voz masculina que, apesar de não ser tão grave, mostrava hostilidade ao revelar o cargo daquele que estava do lado de fora.

"O que o Intendente quer a esta hora da noite? Não bastava ter chegado mais cedo ou esperado a luz do dia?"— especulava Hirlun, enquanto o pai se preparava para atender os inconvenientes.

Já próximo à porta, Renjus suspirou longamente. Tremeu a mão esquerda, que carregava um candeeiro, enquanto a destra se encarregava de escorregar os dedos para segurar a chave certa, que logo abriria a porta para os inoportunos diligentes do rei.

— Os altos servos de Materyon o saúdam, Renjus Imlach, o explorador, filho do saudoso Renk Imlach.

Os sentidos de Renjus captaram rapidamente o ambiente externo. Seus olhos avistaram um homem de estatura média, encapuzado e vestindo um grosso capote azul escuro, marcado no lado direito do peito com a insígnia da cabeça do dragão vermelho perfurada com uma espada - a saber, o símbolo de Aliank expressando a vitória do rei sobre Garlak. Do lado esquerdo, o emblema da Estrela Venir guiada pelo olho de Materyon, representação máxima do teryonismo, ideologia do deus benévolo.

— Que a chuva seja a graça de Materyon sobre vós, Intendente Mensaard — respondeu Renjus, sem corroborar seus pensamentos com as palavras. — Entrem, por favor.

O plural era a permissão para que dois soldados aliankinos também entrassem. Eles faziam a escolta do líder a serviço da inquisição. Renjus fechou a porta em seguida, impedindo que os ventos trouxessem a tempestade para o interior de seu lar. A lama nas botas dos intrusos já era suficiente.

— O senhor tem uma bela casa, digna de um clã tão respeitado — disse o Intendente, olhando a parca iluminação da antessala, alastrada apenas por cinco velas dispostas em um candelabro de chão perto da entrada em arco que conduzia à sala principal do casarão. — Espero que os tributos dela estejam em dia.

— Certamente estão, senhor Intendente — respondeu Renjus, sem titubear. Incomodado, não o convidava a prosseguir e se acomodar em um ambiente mais apropriado para a recepção de visitas. — Eu e Alsha cuidamos zelosamente de todas as nossas obrigações com o reino.

O Intendente, sem se desculpar pela vinda em turno inapropriado, conduzia a conversa com naturalidade.

— Fiquei sabendo que ela viajou com sua primogênita e parte da Confraria Alada para uma incursão na Cordilheira de Majara — continuou Mensaard, referindo-se a Alsha, esposa de Renjus. — O senhor não se sente solitário? Uma viagem dessas pode demorar meses.

Renjus deu de ombros.

— Estamos acostumados. Nosso espírito aventureiro não permite que fiquemos muito tempo aqui. Mas afazeres nos obrigam a, muitas vezes, revezar as jornadas. E, se me permite a correção, Alisha não é minha primogênita.

Percebendo o incômodo com o erro exposto por Renjus, o Intendente resolveu retrucar com uma provocação parcialmente velada.

— Temos conceitos diferentes sobre o mesmo tema, senhor Renjus. Não considero adotados como primogênitos. Não pode mudar a realidade das crias de sangue, por maior que seja o seu amor por Hirlun.

O diálogo prosseguia em tom mediano, suficiente para que a audição élfica de Hirlun, na sala principal, captasse tudo com riqueza de detalhes. O perfilhado já se preparava para não deixar o pai sozinho. Caminhava lentamente rumo à antessala com os olhos estreitados, expressando um desagrado involuntário com o tom usado pelo Intendente para falar sobre si, além do constante desrespeito dos aliankinos ao não compreender o sentimento autêntico de Renjus em considerá-lo seu primogênito.

Renjus não replicou. Sabia que um Intendente, ao tomar aquela postura já margeante a uma agressão verbal, nunca desejava uma trégua. Não era sábio debater divergências com os asseclas de Berong. Se o fizesse, correria o risco de desenvolver uma animosidade, que poderia lhe trazer muitos problemas depois.

— Bem, senhor Intendente, em que posso ser útil? — perguntou Renjus, tentando mudar o rumo da conversa.

— Na verdade, já entramos no foco da questão. Como coincidências não existem, decerto Materyon nos conduziu ao apogeu do assunto, mesmo neste breve diálogo.

"Talvez por que estamos no auge da madrugada, e não seja tempo de se fazer essas visitas intimidantes." — pensou Renjus, que já sabia que tal surpresa nunca tinha bom significado, ainda mais quando acontecia em uma noite tão sombria como aquela.

— Não entendo. Qual seria o assunto?

— Seu filho adotivo, Hirlun — respondeu o Intendente. — Desde que tomei posse em minha função, tenho investigado com afinco o histórico da população nortenha, e constatei a mesma estranheza que muitas línguas espalham nas conversas de tavernas, ou mesmo no aconchego de seus lares entre familiares e amigos. Lendo os escritos dos intendentes anteriores, não encontrei transcrições profundas sobre a existência de um elfo alado em Aliank. Como não gosto de me basear em boatos, decidi lhe inquirir pessoalmente, afinal, o povo costuma fugir das sombras quando, muitas vezes, basta jogar um feixe de luz para alumiar nossas ideias. E que momento mais apropriado como este para mantermos a discrição e, ao mesmo tempo, nos livrarmos das trevas especulativas, não é mesmo?

Havia algo que Renjus era obrigado a concordar. Na madrugada, poucos seriam os olhos atentos nas janelas das casas para testemunhar uma visita assustadora de um Intendente. Mas era comum que os emissários da inquisição omitissem seus reais propósitos. A justificativa, portanto, ainda não era condizente.

— Não creio que poderei elucidar muito mais sobre Hirlun, além daquilo que todos já sabem — respondeu Renjus. — Já faz vinte anos desde que o encontramos, ainda bebê, nas montanhas. Mas o motivo de seu abandono é tão misterioso a nós quanto para qualquer curioso.

O Intendente franziu o cenho.

— Nenhum sinal? Algo que talvez nunca tenha falado, por não considerar importante?

— Não — respondeu Renjus, secamente, enquanto pedia perdão a Materyon mentalmente. Agradecia ao deus benévolo por não estar diante do Inquisidor, o único em Aliank que poderia desvelar o segredo que guardava diante das indagações de Mensaard.

E, quando o Intendente seria ainda mais intrusivo, se surpreendeu ao ouvir a voz daquele a quem se referia de maneira tão deselegante.

— Que a luz de Materyon esteja convosco. Boa noite, Intendente Mensaard.


COMPLEMENTO:

JORGE:

- Considerar que, na reformulação do enredo de Hirlun, Renjus e Alsha (seus pais) têm uma filha chamada Alisha, sua irmã de consideração;
- Renjus se incomodou com a afirmação do Intendente, naturalmente, porque considera Hirlun seu primogênito, já que não tinha Alsha (com dezoito anos agora) na época em que encontrou Hirlun;
- Importante enfatizar que, nesta época, Hirlun já tivera contato com o emylismo, mas sua família era teryonista. Isto será adaptado no enredo, visto que Hirlun só teria se convertido ao emylismo depois da morte dos pais;
- Tudo o que Hirlun sabe é que foi encontrado nas montanhas. Mesmo sendo alvo de cochichos em Aliank por ser o único elfo celeste que lá reside, Renjus e Alsha sempre desconversaram ou entregaram poucos detalhes do local onde foi encontrado, ou mesmo as circunstâncias;
- Sugestão de condução à cena: Hirlun pode se manter oculto, porém atento à conversa (pode ouvi-la desde que esteja em um cômodo próximo do casarão, usando a audição élfica aguçada) ou se intrometer deixando o pai mais a vontade.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Ter Ago 15 2017, 17:59, editado 1 vez(es)

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Re: (Conto) Qu'Lerkör: Onde o Céu Sucumbe

Mensagem por Hirlun Imlach em Sab Jul 29 2017, 00:49

Estavam à frente da lareira, Hirlun e seu pai, Renjus, em determinada noite quando foi possível ouvir batidas à porta. À primeira vista foram batidas contidas, educadas. Renjus foi levantando e Hirlun permaneceu onde estava. Segundo o elfo dos céus, o zhânrir benévolo tinha sido muito bom para ele, tudo tinha sido bom desde que tinha achado os Imlach.

Poucos instantes depois, as batidas calmas se tornaram violentas, apressadas, descompassadas.  Foi fácil de ouvir a inquisição para que a porta fosse aberta, e segundo a autoidentificação, era alguém importante. O que o Intendente quer a esta hora da noite? Não bastava ter chegado mais cedo ou deixado para amanhã cedo?

Mesmo em uma conversa em tom de voz normal (o que ouvidos humanos não conseguiriam ouvir por causa da distância entre a sala da lareira e a porta de saída da casa, mas a audição élfica não poderia ser comparada à humana), foi possível ouvir tudo, com clareza, o que foi dito. Hirlun ficou preocupado com o pai ao ouvir “vós” ou “entrem”; Isso significava que Mensaard não estava sozinho.

Hirlun seguiu escutando, mas desta vez já preparado para agir. E com o andar da conversa, percebeu que falavam sobre si, sobre o fato de não só o intendente, mas toda a cidade não considerar o elfo alado como primogênito dos Imlach. O jovem elfo estreitou os olhos em uma clara reação de desagrado. Se Renjus o considerava seu primogênito, mesmo não sendo de sua carne e sangue, por que os demais tinham de fazer o contrário?

Logo foi possível entender que o motivo da visita era ele mesmo. O que o intendente queria saber dele? Logo o medo fez casa e Hirlun resolveu levantar e ir em direção dos dois que conversavam.

— Boa noite, pai. Boa noite, Mensaard. Que a luz de Materyon esteja com vocês.

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Re: (Conto) Qu'Lerkör: Onde o Céu Sucumbe

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Ter Ago 15 2017, 18:32

Considerações off

Vamos ao jogo:




I

INVULGAR

— Que a luz de Materyon também venha sobre ti, Hirlun Imlach — disse o Intendente, mostrando com um sorriso o seu cinismo. — E que ela aclare as dúvidas que pairam entre os aliankinos sobre o teu ser.

Renjus suspirou. Preferia ter resolvido sozinho o assunto com o Intendente. Estava inconformado por Hirlun tê-lo desobedecido. No entanto, era certo que seria difícil segurá-lo, uma vez que sabia que ele ouvira a conversa e se incomodara com o jogo pesado que Mensaard fazia. Não se importava de ser marginalizado ou que o denegrissem. A única forma real de atingir o elfo era atacando sua família, que lhe acolhera com um amor incondicional.

— Poupou-nos um tempo precioso nos recebendo — continuou o Intendente. — Não gostaria de lhes causar qualquer desconforto, mas não posso deixar toda uma região em azáfama por uma questão que já dura tantos anos.

Mensaard virou o corpo totalmente para Hirlun. Sua estatura era bem mais baixa que a do elfo, embora isso não o intimidasse.

— Diga-me, Hirlun Imlach. Carregas um sobrenome humano, mas tua anatomia difere até mesmo dos de tua raça. Ademais, um elfo celeste entre tantos outros desprovidos de asas, é facilmente visto pelos aliankinos como anátema de seu próprio povo. Afinal, todos se perguntam sobre o motivo de ter sido abandonado.

O tom sorridente de Mensaard mudou para um semblante austero.

— As lendas sobre os elfos celestes são vastas e montam todo o tipo de relato, desde aqueles que foram preteridos pelos seres sagrados e jogados como caídos em nosso mundo, até amaldiçoados que são lançados dos céus pela própria extirpe. E não são apenas meras crendices. São testemunhos que fazem parte da história do mundo e nunca terminaram com a paz desejada por Materyon, nosso deus. Então...

Ele se aproximou do elfo, fitando-o de baixo para cima, com a mesma postura inquisidora dos torturadores do rei e igualmente distorcedor dos mandamentos de Materyon.

— Dê-me um bom motivo para acreditar que pode conviver pacificamente entre o nosso povo, ou talvez eu precise investigar mais sobre o passado das asas que sucumbiram da imensidão dos céus. Temo que minhas descobertas possam lhes ser profundamente desagradáveis, Hirlun, pseudo filho dos homens.

As cartas foram postas à mesa. O imenso sarcasmo presente na voz do Intendente fez Hirlun arrepiar. Não havia palavras para descrever como Renjus irritara-se com aquelas palavras. Não fosse um Intendente acompanhado de dois guardas, provavelmente não teria controlado tanto a paciência. No entanto, logo perceberia que seu filho já não era mais o bebê indefeso que encontrara nas montanhas.

— Não sei se o meu motivo lhe agradará, senhor Mensaard — respondia Hirlun. — Mas eu digo que encontrei a paz nas lições de Materyon e o amor junto a Renjus, Alsha e Alisha, minha família. Só eles me conhecem profundamente e sabem que eu seria incapaz de fazer qualquer mal a um aliankino, ainda que me reprimam.

Mensaard estava acostumado a respostas mais elaboradas. As pessoas costumavam se desesperar com cada ponto de interrogação no final de uma frase por ele colocada. No entanto, Hirlun prosseguiu calmamente, devolvendo-lhe uma indagação.

— E quanto a ti, senhor Mensaard? Gostaria de saber do senhor qual é o motivo de tanta desconfiança em relação à minha pessoa. Sempre vivi em paz junto aos meus pais. Nunca fiz mal a quem quer que seja.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Seg Ago 28 2017, 16:30, editado 2 vez(es)

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Re: (Conto) Qu'Lerkör: Onde o Céu Sucumbe

Mensagem por Hirlun Imlach em Seg Ago 21 2017, 22:59

Hirlun percebeu rapidamente o cinismo, o imenso sarcasmo presente na voz do intendente fez Hirlun arrepiar, ainda mais com a resposta seguinte... Com a reação de seu pai adotivo, o elfo dos céus percebeu que não era pra aparecer ali. Mas ele não tinha conseguido se segurar, ainda mais com o jogo pesado que o soldado aliankino estava fazendo em relação ao pai. Não poderia deixá-lo sozinho numa hora daquelas. Materyon não pregava aquilo, aquelas pessoas distorciam a palavra do zhânrir benévolo.

Mensaard perguntava por algo que nem mesmo ele sabia, mas ele tinha certeza do sentimento que sofria dos outros, do tanto que era marginalizado. E logo o intendente resolveu colocar as cartas na mesa, pedindo a ele um bom motivo para conviver pacificamente entre os aliankinos. Hirlun não se importava que lhe atacassem, se importava mais com que atacassem seu pai, aquele que o acolhera depois de tanto tempo perdido sem que ele mesmo soubesse o porque ou porque não tinha consigo seu pai e sua mãe biológicos.

— Não sei se o meu motivo lhe agradará, senhor Mensaard, mas eu digo que encontrei a paz nas lições de Materyon, encontrei o amor junto a Renjus e todos me conhecem, sabem que eu não faria mal a qualquer ser presente em Aliank; Não tenho motivos para tanto. - e, com um tom calmo, questionou - E o senhor, senhor Mensaard? Gostaria de saber do senhor qual é o motivo de tanta desconfiança em relação à minha pessoa. Sempre vivi em paz junto aos meus pais, nunca fiz mal a ninguém...

E Hirlun olhou com amor para o pai. Ele era uma das pessoas mais queridas de sua vida, e não queria deixá-lo mal com quem quer que seja.

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Re: (Conto) Qu'Lerkör: Onde o Céu Sucumbe

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Seg Ago 28 2017, 17:34

Considerações off

Vamos ao jogo:




I

INVULGAR

— É uma desconfiança natural de alguém com responsabilidades específicas, em um reino visado por muitas ideias nefastas vindas de todos os cantos do mundo — respondia Mensaard, mantendo a austeridade. — Muito se sabe sobre Aliank, senhor Hirlun. Nossas leis, ideologia, crenças, população. Tudo. Nosso reino é a alumiação de inúmeros fiéis e o assombro de muitos hereges, mesmo daqueles que estão dispostos nos pontos mais remotos de Hedoron. Não seria leviano imaginar que elfos do alto, interessados em nossa eliminação, nos presenteiem com uma de suas crias, esperando o momento oportuno para usá-lo, enquanto acreditamos em uma pseudo tolerância ao desconhecido que corrói nossas forças na surdina.

Renjus, enfim, pronunciou-se.

— Acredito que não tenha uma só evidência a respeito de suas conjecturas, senhor Intendente — falava com a voz levemente alterada, enquanto via Mensaard voltar o olhar para si. — Como meu filho já lhe colocou, que mal ele fez a qualquer aliankino? Não seriam as más línguas o maior motivo de desconfiança à heresia das leis de Materyon e de Aliank?

— Engana-se, senhor Renjus — respondia o Intendente, prontamente, encarando o homem. — Já li muitas histórias sobre os mais diversos eventos envolvendo a guerra ideológica em todo o mundo. Muitos deles, vitimando teryonistas pela própria benevolência. A citação que fiz há pouco é um bom exemplo disso. Temo que sua família, apesar das constantes jornadas pelo mundo, não tenha acesso a esplendorosa Biblioteca de Aliank, onde muitos destes fatos são elucidados.

De fato, a família Imlach não era uma das privilegiadas na aquisição do conhecimento bibliotecal, propositalmente limitada pela realeza para se evitar a íntegra da leitura dos mandamentos de Materyon por todos os aliankinos. Na visão do rei, tal impedimento era necessário para que as escrituras sagradas não fossem interpretadas pela massa de maneira diferente à lei de inquisição.

— Certamente não conhece a história de Tin-Grielder, o venerável, que, tal como Hirlun, era um elfo celeste — continuava Mensaard. A partir daquele momento, voltava a fitar o elfo. — Ele se infiltrou em um certo reino de Artaniun, o primeiro Império teryonista de Hedoron. Fora considerado uma divindade por humanos, uma dádiva concedida por nosso deus para guiar o povo ao caminho da plenitude. Mal sabiam eles, porém, que aquela criatura alada, aparentemente atulhada em graças, na verdade era a encarnação de um bartalun, a mais imunda das criaturas de Marilis, o deus maldito, e que a tola crendice que construíram seria a precursora da queda de uma nação que poderia ter salvo muitas vidas em nome de Materyon.

— Isto é absurdo! — esbravejava Renjus. — Volto a lhe indagar sobre alguma eminência do fato. Não pode condenar alguém por uma presunção baseada num fato histórico.

— Sim, senhor Renjus — interrompeu Mensaard. — A lei alinkina permite que alguém seja levado à Câmara da Inquisição por mera presunção por similaridades históricas, se os emissários do rei entenderem que isso sustenta a segurança do reino. O que estou tentando fazer é lhes dar uma chance de me convencer de que a presença de Hirlun em Aliank é segura a mim, aos Imlach e a toda a nossa população.

O olhar do Intendente voltou-se mais uma vez para o elfo.

— E isso não se consegue com respostas vazias.

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Re: (Conto) Qu'Lerkör: Onde o Céu Sucumbe

Mensagem por Hirlun Imlach em Seg Ago 28 2017, 23:31

Com a resposta do intendente, foi fácil perceber a empáfia vinda dele. Era nojento ouvi-lo falar, e ainda imaginar que aquele tipo de pessoa servia Materyon. O zhânrir que era todo o bem na face daquele mundo, que representava tudo de bom, tinha um servo daquele? Renjus seguiu com sua fala indignada, deixando Hirlun feliz. Aquele era seu pai, mesmo que não de sangue.

O momento seguinte foi em que ele disse que havia provas contra o elfo dos céus na biblioteca de Aliank. Como um lugar de tanto conhecimento poderia ser casa de tanta maldade, tantos dogmas horríveis? Hirlun não acreditou no homem sequer um momento, aquilo parecia muito estranho a seus ouvidos. Logo o intendente começou a falar de uma história de outro elfo dos céus, e olhou com frieza para o jovem Imlach.

Falou absurdos para Renjus, e ainda terminou com uma frase para o próprio Hirlun.

— Uma coisa você não pode deixar de notar... Se eu quisesse ter feito alguma coisa, eu já teria feito. Disse antes e lhe direi novamente, senhor Mensaard. Vivo em Aliank com meu pai, minha mãe e meus irmãos e eu nunca tive... Nunca tive um traço de violência, nem sequer de resposta. A despeito do que você diz deste Tin-Grielder ou seja lá como se chama, nunca fui nada além de um Teryonista que acredita na palavra de Materyon. Você deveria estar feliz por eu estar engrossando as filas de Aliank, e não tentando trazer uma história do passado que está bem distante de nossa realidade de hoje, NIHO!!

Hirlun terminou a frase em um tom de voz alterado, mas era tudo fervor. Era tudo o que ele queria dizer, externar, aquela desconfiança era demais e ele não queria que aquela sombra pairasse por seus pais e irmãos. Não queria que uma possível lembrança do passado lhe perpassasse o presente, não queria que uma desconfiança infundada manchasse o que ele tinha conseguido por pura sorte.

O jovem elfo dos céus terminou a frase com a mão direita no coração, mostrando extrema devoção do zhânrir benévolo, e seus olhos brilhavam de fervor. Qualquer um, qualquer um que olhasse para aquela cena e fosse um teryonista, mesmo que não praticante ou mesmo praticasse bastante, ficaria emocionado com tamanha demonstração de dedicação a Materyon.

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Re: (Conto) Qu'Lerkör: Onde o Céu Sucumbe

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