Décima Visão: O Ceifador

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Décima Visão: O Ceifador

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Seg Set 04 2017, 14:36

Considerações off

Bruno, recomeçamos aqui as suas interpretações das Crônicas de Aliank, volume 2.

Conforme previamente anunciado, este capítulo (visão) é complementar, e será o segundo do volume 2 do livro.

Note que, a partir de agora, já colocarei a narrativa em primeira pessoa, com Harcos descrevendo toda a cena. Ou seja, quando houver algo que ele não vir, colocarei, no final do post, informações complementares. Isso será feito para facilitar a edição do livro, assim como os demais processos que colocarei abaixo.

Peço que não formate o texto com cores. Caso expresse algum pensamento, coloque em itálico (lembrando que pensamentos não são captados por Harcos). Quando falar, coloque travessão. Não há delimitação mínima ou máxima para escrever o turno.

Lembre-se: Harcos expressa nas transcrições das visões do sinkrorbe aquilo que ele vê, ou deduz que as personagens estão pensando ou sentindo. Portanto, quanto mais claro isso ficar na sua ação, melhor. Procure explorar bem os diálogos. Lembre-se, também, de revisar o texto depois de escrever o turno, preferencialmente com a ajuda de um corretor ortográfico e gramatical. Isso é muito importante.

Os posts ocorrerão toda segunda até o término do capítulo.

Caso a estória não esteja fresca na memória, leia especialmente as últimas visões do livro A Lenda de Materyalis - As Crônicas de Aliank - Volume 1.

Vamos ao jogo:




Décima visão: Sarlakros

O Ceifador

Olhando pela janela, eu vislumbrava o breu da noite invernal e os pequenos flocos de neve que afrontavam as trevas. Ainda lembrava da tragédia que estava por vir e me foi revelada na nona visão. Nem mesmo o calor do chá de gengibre, posto em uma caneca em minha mão direita, conseguia acalentar minha alma. Lutava contra os meus instintos, que sopravam incessantemente para que eu interferisse no destino fatídico dos aliankinos. Mas logo a doutrina de Müdrik revisitava minhas memórias, me desvencilhando com relativa facilidade dos conselhos erráticos da minha mente.

Algum tempo depois, ouvi um som diferente do propagado pelos ventos gélidos. Acompanhado de um ruído tênue e prolongado, o sinkrorbe reacendera. Em seu interior, transmitia o fragor constante de uma cruviana muito maior que aquela que eu testemunhara fora do meu abrigo. Ainda não estava pronto para uma nova visão, mas não tive escolha e me assentei diante do cristal esférico novamente. Respirei fundo. Perguntava-me, vez por outra, que tipo de revelações ele me traria agora, e se eu precisaria testemunhar mais mortes lamentáveis.

Reuni os papéis e me apressei para tomar nota das informações. Equivoquei-me ao pensar que os ermos de Majara seriam novamente desvelados. Minha alma imergiu rapidamente em uma sala grande e luxuosa, ocupada por apenas dois indivíduos. Era construída com grandes blocos de pedra nas quatro paredes e iluminada pela alvura vespertina, que traspassava a janela e invadia o aposento. Também era possível ouvir muitas vozes que falavam descompensadamente de algum lugar, que não consegui identificar de imediato.

O sinkrorbe logo enfatizou um dos presentes. Tratava-se de um homem alto, de cabelos castanhos claros e desgrenhados. Vestia uma armadura aliankina de metal azulado escuro, cuja tonalidade era sabidamente usada para identificar os guerreiros de patente mais alta no reino. Era observado por outro homem, este calvo no alto da cabeça, entrajado em uma túnica surrada e de cor semelhante à indumentária do outro, presa por uma faixa amarela na cintura. Seus cotovelos estavam apoiados sobre o enorme tampo de uma mesa usada para tertúlias, que sustentava um castiçal prateado com cinco velas acesas.

Um clima tenso e melancólico pairava sobre o recinto, e logo eu descobriria o motivo.  

— É melhor se sentar — disse o homem calvo. — Não vai aliviar suas emoções andando aleatoriamente como um gato.

— Diz isso pois não sente como se o fio da espada do Lorde encostasse em sua tez — respondeu o outro, olhando-o de soslaio. — Não quero ser responsabilizado pela morte de incompetentes.

— E não é — continuou o escalvado. — Os homens em combate constataram que o corpo do majurk não era ferido pela ponta de flechas ordinárias, ou mesmo pelas melhores espadas aliankinas.

— Não sei até onde isso será levado em consideração, Mensaard — disse o guerreiro inquieto, me revelando o nome do outro. — Sabe muito bem que a especulação pode falar mais alto que os fatos nesta cidade.

— A que especulação se refere?

— Qualquer uma — bradou o armífero. — Ele pode me julgar incapaz de exercer minhas funções, me chamar de covarde por não estar presente no momento da luta, ou fazê-lo expedir uma ordenação de prisão. Tudo é possível!

Finalmente, o homem ansioso decidiu se sentar diante de Mensaard. Puxou incivilmente a cadeira de ferro, acomodando-se no encosto alto do móvel. Colocou as mãos na cabeça, afundando os dedos na grossa cabeleira. Olhava perdido para o tremeluzir das chamas erguidas nos pavios das velas, que eram incapazes de acalentar o suor frígido que lhe caía sobre a face.

— É para isso que estamos aqui — respondeu Mensaard. — Ele haverá de considerar a minha opinião sobre o assunto, caso esteja pensando em alguma das hipóteses que mencionou, ou qualquer outra situação negativamente impactante a ti.

— Aprenda uma coisa — respondeu o guerreiro, irritado. — Ele não escuta opiniões, a não ser aquelas ventiladas em sua própria mente.

Os dois suspiraram, embora com tensões distintas.

— Torço para que Materyon traga a ele reflexões virtuosas.

— Reze, Riatom. Reze — disse Mensaard, cruzando os braços. — Pois a ele, o povo chama por implacável, não indulgente.

Descobri, então, que o agitado guerreiro era Riatom, o comandante nortenho citado por guardas na quinta visão. Era compreensível seu nervosismo, afinal, sua atuação na caçada ao majurk foi pífia. Decerto, desejava que estivesse sob o julgo de Liliel, cujo epíteto de justiceira seria perfeitamente adequado à sua situação.

Antes que o diálogo continuasse, a porta do aposento foi aberta rispidamente, e por algum tempo permaneceu escancarada. A maçaneta era segurada firmemente por Sarlakros, que era escoltado por alguns guerreiros. Riatom e Mensaard logo trataram de se levantar em respeito ao Lorde, que fez um gesto simples com a mão destra, que logo entendi ser um sinal para que seus homens mantivessem guarda do lado de fora. Ao mesmo tempo, deixou a manga de sua roupa cair e revelar uma atadura em seu braço. Uma cicatriz do confronto da noite anterior.

— Mais um belo dia está prestes a acabar, senhores — disse Sarlakros, fechando a porta atrás de si. — Suponho que ainda estejam comemorando a minha vitória contra o majurk!

— A Graça de Materyon sobre o Lorde implacável! — disseram os outros dois em uníssono, enquanto curvavam o dorso levemente para consolidar o cumprimento formal.

Sem qualquer cordialidade, Sarlakros deu a volta pelo lado direito da mesa, se aproximando ameaçadoramente de Riatom. Embora muitos lugares estivessem disponíveis, fazia questão de tirar o do comandante, que logo entendeu e se afastou.

— E, quando eu digo a minha vitória, Riatom, significa que o comandante nortenho da capital não apareceu sequer como apoio para rastrear o inimigo, deixando seus soldados serem massacrados pelo majurk — continuou Sarlakros, antes que o outro líder pudesse se assentar novamente. — Logo, pergunto: onde ele estava?

Riatom engoliu seco, enquanto Sarlakros assumia o seu lugar, passando as mãos no grande mantel azul com babado dourado que cobria a mesa. Seus olhos detalhavam a suntuosidade da vistosa toalha, como um ato de deboche para provocar intensa expectativa em seus observadores.

— Ah, sim! Agora me lembro — voltou a falar Sarlakros, de súbito. — Ele estava aqui, sentado confortavelmente em sua cadeira, degustando dos preciosos vinhos nortenhos e das iguarias locais,  enquanto seus homens e seu Lorde colocavam suas vidas em risco por Aliank!

O rosto de Sarlakros se virou lentamente para Riatom, que, ainda de pé, parecia uma estátua decorativa. O semblante fechado do grakan ilustrava bem qual seria o rumo daquela conversa.

— Agora responda, Riatom — continuou Sarlakros. — O que você faria a um soldado covarde que, no meio de uma guerra, não seguiu os passos de seu superior, lhe abandonando sozinho contra os inimigos? Ou que ignorou a vida dos compatriotas, deixando claro todo o seu egoísmo perante a hoste?

E, quando Riatom fez menção de responder, Sarlakros continuou:

— Vou mais longe: O que você faria com alguém que demonstra estar negando todo o amor ao próximo, mandamento exaustivamente ensinado por Materyon aos seus fiéis?


(Continue a partir daqui, Bruno)

Complemento:

- Os dois homens na cena são Mensaard (nome já citado no post) e Riatom. O primeiro é Intendente nortenho (é como um prefeito da regiaão norte da capital de Aliank), e o segundo é o comandante das forças da mesma região. Harcos não citou isso ainda, mas Riatom está preocupado pois teme receber uma punição de Sarlakros, já que não esteve a frente dos guerreiros do norte durante a batalha contra o majurk assassino, ou mesmo se mostrou eficaz em montar uma emboscada para eliminá-lo, fato que culminou no chamado de Sarlakros e Morhariel para a missão (referências na quinta e sexta visões do livro A Lenda de Materyalis: As Crônicas de Aliank - volume 1);

- Na conversa, Riatom expressa a preocupação de Mensaard ser obrigado por Salakros a ordenar sua prisão nos ergástulos (masmorras), dada a incompetência que demonstrara;

- Sarlakros não ouviu a conversa, no entanto, verá o nervosismo de Riatom ao entrar na sala. Obviamente, ele já sabe o motivo. Interfira como preferir na cena.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Seg Set 11 2017, 17:34, editado 4 vez(es)

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Re: Décima Visão: O Ceifador

Mensagem por Sarlakros Darkenyns em Qua Set 06 2017, 13:13

No dia seguinte a batalha contra o majurk, Sarlakros passara a noite na caserna nortenha da cidade onde buscava descansar e repor suas energias. Bem cedo na manhã seguinte ao combate, os soldados de Aliank já estavam de pé e o Lord ouvia batidas em sua porta. Certamente seria Leonard, seu oficial de confiança e um punhado de soldados como havia ordenado que viessem.

Terminava de organizar seus pertences e dirigia-se até a porta, abrindo-a e fechando-a logo atrás de si. Com um leve aceno com a cabeça, cumprimentava os demais soldados que logo respondiam com um movimento enérgico em sinal de respeito e começavam a andar em direção a câmara do comandante da área norte de Aliank.

Por baixo de sua armadura, na altura de seu braço esquerdo, era visível uma atadura colocada pelos médicos para auxiliar em sua recuperação. Aproximando-se a porta da câmara do comandante nortenho, Sarlakros a abria de forma ríspida, segurando-a totalmente aberta por alguns segundos enquanto olhava os dois homens lá dentro. Com um sinal com uma das mãos, ordenava que os demais soldados mantivessem guarda do lado de fora enquanto conversava com os dois.

-Mais um belo dia se inicia e, suponho, que estejam comemorando a minha vitória contra o majurk!

Nem mesmo um bom dia era ouvido. Andava pela sala, aproximando-se da mesa dos dois homens. Fazia uma breve pausa em sua fala, esperando que o outro se identificasse, afinal, só conhecia Riatom ali. Dava a volta pela mesa, se aproximando da cadeira do comandante nortenho, evidenciando que quer se sentar ali. Caso Riatom estivesse de pé em frente a ela, aguardaria o mesmo se afastar para que Sarlakros pudesse se sentar.

-E quando eu digo minha vitória, Riatom, significa que o comandante nortenho de Aliank não apareceu se quer para me ajudar a rastrear o inimigo. Deixando seus soldados serem massacrados pelo Majurk sem se importar com a vida deles, não levantando um dedo para ajudar. Logo, pergunto eu, onde ele estava?

Fazia um sinal com sua face e uma das mãos de dúvida. Logo, sentava-se no lugar de Riatom, na cadeira de ferro do comandante das tropas do norte de Aliank.

-Ah, sim, agora me lembro, ele estava aqui... sentado confortavelmente em sua cadeira enquanto seus homens e seu Lord colocava sua vida em risco por Aliank!

Já sentado, virava-se em direção a Riatom e lhe fazia uma pergunta direta. Encarava-o como de costume, com seu rosto fechado de poucos amigos e não demonstrando se quer um sinal de felicidade pela vitória do dia anterior.

-Agora responda, Riatom... o que você faria a um soldado covarde que no meio de uma guerra não seguisse seus passos, lhe abandonando sozinho contra os inimigos e não se importando com a vida de seus compatriotas mortos, deixando claro que está negando todo o amor para com seu próximo ensinado por Materyon e deixando claro também sua incompetência perante a tropa?

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Re: Décima Visão: O Ceifador

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Seg Set 11 2017, 18:04

Considerações off

Glossário atualizado com referências em asterisco no meu post de hoje: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

Continuamos com o turno. Como de praxe, próximo post toda segunda, sendo o próximo no dia 25/9.

Vamos ao jogo:




Décima visão: Sarlakros

O Ceifador

Riatom buscou o apoio de Mensaard com o olhar, mas ele permaneceu calado. Precisou pensar rápido e, para isso, abaixou o cabeça. Se encarasse o Lorde, as palavras o trairiam.

— Se me permite a resposta, milorde, alguém com postura tão hedionda não merece a nossa piedade. Só mesmo do deus benévolo tem a espiritualidade necessária para perdoar uma criatura tão abominável.

Apenas por um instante, houve novo silêncio, suficiente para que Riatom percebesse a brecha para continuar sua justificativa.

— No entanto, o comandante nortenho não praticou tais atos. Organizei os homens em patrulhas para garantir que novas vítimas não fossem feitas pelo majurk, e assumo a responsabilidade pelas inestimáveis perdas que tivemos. Mas a queda dos bravos guerreiros de Berong não foi em vão, pois minha ausência permitiu mais descobertas sobre o mal que ainda nos assola.

Verificando mais uma vez que ainda tinha a palavra, Riatom passou a falar mais apressadamente.

— O majurk não era o único assassino entre nós, milorde. Parti com um destacamento para os limites à noroeste até Ahamür*, ávido por pistas que nos levassem até a criatura bestial. Mas fomos surpreendidos por testemunhos muito distintos, que não nos revelavam a presença de um dos metamorfos das montanhas, mas, sim, de alguém que municia uma foice como um emissário da morte.

— Ele se refere ao nathan, milorde — interrompeu Mensaard.

Houve mais uma pausa. Riatom corroborou a afirmação do companheiro e voltou a falar com Sarlakros.

— Dentre as vítimas supostamente feitas pelo majurk, descobri que algumas delas foram feitas pelo nathan. A lenda citadina é real, milorde. E posso provar.

— Agora, quer que eu dê ouvidos à crendices, Riatom? — indagou Sarlakros, impaciente. — Essa estória existe há anos e todos dão uma versão diferente sobre o que viram. E, agora que seus homens foram mortos sem a sua ajuda, você vai culpar um fantasma?

Nervoso, Riatom balbuciou algo, mas o som de sua voz foi tragado pelo de Sarlakros.

— Ainda que essa informação seja verdadeira, não anula as mortes que poderia ter evitado se estivesse confrontando o majurk aqui na cidade. Uma guarnição de soldados lhe espera à porta e lhe conduzirá até a Masmorra de Ym'Adrago*, onde aguardará sua sentença.

Ym'Adrago, uma das quatro masmorras da capital aliankina, é famigerada pela peculiaridade dos eventos que lá ocorrem. Mas um é proeminente: o fato de que o lugar atordoa a mente dos prisioneiros de uma forma peculiar. Embora os tribunais de inquisição sejam rápidos em seu ofício, os cativos nortenhos normalmente já escutam a liturgia do julgamento desprovidos de qualquer capacidade cognitiva. Não se sabe ao certo o que acontece, mas o que se diz é que espíritos inferiores subservientes ao deus maldito os importunam incessantemente através das trevas subterrâneas, seja com visões aterradoras, timbres perturbadores e constantes de gritos e choque entre objetos, odores cadavéricos e uma infinidade de provocações negativas aos sentidos. Talvez, por levar lendas tão a sério, como evidente ao falar sobre o tal nathan, Riatom começou a tremer, pensando nas inúmeras possibilidades que a prisão poderia lhe trazer. Já Mensaard esperava o momento certo de intervir.

— Mas, antes, diga-me, Riatom — disse Sarlakros, trazendo um fio frágil de esperança de que algo poderia mudar sua ideia. — Como pode provar a existência do nathan? Se me der uma explicação condizente, talvez isso amenize sua pena.


(Continue a partir daqui, Bruno)

Complemento:

O que foi omitido no turno e será explicado por Harcos posteriormente:

- Note que "nathan" está escrito propositalmente com letra minúscula. Isso devido ao significado da palavra em citarín, ceifador, conforme glossário disponível aqui: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.] Harcos explicará isso mais adiante;

- Sarlakros sabe, através de Wagsa, que Nathanael, o antigo "ceifador de bartaluns", tornou-se um artaninfolo, agora aliado ao marilismo. Apesar de saber que Nathan atua no território aliankino, eles jamais se encontraram no reino;

- Sarlakros sabe acerca de uma lenda urbana existente no norte da capital sobre uma criatura alada, de aparência cadavérica e munida de uma grande foice, que supostamente julga os hereges que entram em seu território, aniquilando-os. Isto fará com quele rapidamente associe este ser a Nathanael, já devido ao conhecimento adquirido que possui. A lenda varia desde aqueles que acreditam que ele seja uma criatura aliada à vontade de Materyon (apesar da aparência bizarra), até os que creem que é a personificação da morte criada por Marilis. Ou seja, nunca houve uma unanimidade sobre as motivações do monstro, de forma que, para muitos, a lenda soa apenas como uma grande bobagem.

* Ahamür: a muralha do mármore azul que cerca a Cidade de Aliank, sendo a principal defesa litorânea do reino. A referência será acrescentada posteriormente no livro.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Seg Set 18 2017, 16:53, editado 2 vez(es)

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Re: Décima Visão: O Ceifador

Mensagem por Sarlakros Darkenyns em Sex Set 15 2017, 23:30

O lord Aliankino ouvia com atenção as palavras de Riatom. Já estava decidido em puni-lo, mais ainda por ele ser um teryonista.

-Agora quer que eu acredite em lendas urbanas, Riatom? Essa história existe a anos e ninguém nunca o viu. E agora que seus homens são mortos sem sua ajuda você vai culpar um fantasma?

Sarlakros se interessava pelo assunto, sabia que existia esse artaninfolo mas não demonstraria nada aos aliankinos. Mediante as ultimas palavras de Riatom, o lord indagava.

-Mesmo que isso seja verdade, essa informação não anula as mortes que poderia evitar se estivesse confrontando os Majurks aqui da cidade. Uma guarnição de soldados lhe espera à porta e lhe conduzirão até a masmorra aonde passará um tempo. Mas antes diga-me, Riatom, como podes provar a existência de nathan? Talvez amenize sua pena.

Sarlakros prestava a atenção na resposta a seguir de Riatom. Usaria esse artaninfolo para auxiliar seu plano para destruir a cidade e talvez mantivesse segredo. Aguardava uma explicação de Riatom e logo após a mesma, Sarlakros ordenava que os soldados de guarda na porta entrassem para conduzir Riatom até a prisão na masmorra de Aliank e, com isso, menos um teryonista em ativa na cidade.

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Re: Décima Visão: O Ceifador

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Seg Set 18 2017, 18:32

Considerações off

Glossário atualizado com referências em asterisco no meu post de hoje: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

Continuamos com o turno. Como de praxe, próximo post toda segunda, sendo o próximo no dia 18/9.

Vamos ao jogo:




Décima visão: Sarlakros

O Ceifador

Riatom não podia desistir da sua liberdade. Respirou fundo. Precisava colocar seu último trunfo em ação.

— Não desejo desrespeitar a sua decisão, milorde — recomeçou Riatom. — Porém, sou o único que pode levá-lo ao ponto exato onde o nathan está.

— Por mais que isso soe como um sofisma barato, eu lhe aconselho, humildemente, a dar ouvidos a Riatom, milorde — interrompeu Mensaard, finalmente agindo em defesa do outro. — Logo que o majurk foi derrubado, tomei a liberdade de ordenar aos versados da Escola da Panaceia que examinassem os ferimentos de alguns cadáveres dos guerreiros mortos nas ruas nortenhas. Em princípio, eu não dei crédito algum às palavras do comandante, até que seu testemunho foi corroborado pelos alquimistas.

Uma informação adicional aos irmãos veniristas, é que a Escola da Panaceia é um dos pontos de destaque na região nortenha da capital. Foi criada por uma família de alquimistas muito influente e, desde sua fundação há cerca de cento e sessenta anos, sempre foi muito respeitada pelos aliankinos, incluindo a realeza. Acredita-se que os experimentos são feitos em simbiose com a vontade de Materyon, que lhes desvela aos poucos os segredos da vida e sua essência. Algo que foge de uma realidade latente, já que o principal mal do reino, a "praga de Garlak", jamais obteve uma cura, mesmo com o esforço secular dos versados.

— Muitos dos rasgos encontrados nos corpos não eram proporcionais às garras de um majurk, estivesse ou não transformado — continuou Mensaard. — Eram golpes de foice com lâmina comprida. A infantaria aliankina não usa essa arma. Ademais, realizo na região nortenha, em caráter ânuo, uma investigação específica nas propriedades aristocráticas, nos feudos e nas choupanas dos camponeses subsistentes, com o apoio do comandante Riatom. O único registro de uma foice capaz de provocar tais feridas é de um jardineiro chamado Chelham, que, por sua vez, não poderia ser o assassino. Sua gadanha foi arrestada há seis anos, quando assumi a intendência. Na época, ele alegara que a recebeu de um nobre chamado Sanchet Brandge, que confirmou a história e disse tê-la escambado com um habitante de uma ilha colonizada pelo reino, que, se não me engano, era Chenkrip. Disse ter achado interessante presentear seu serviçal, visto que o objeto era bem relacionado ao ofício que realizava. No entanto, Chelham declarou jamais tê-la usado por não se adaptar bem com seu peso e altura, pois não trabalha na lavoura. Atua em espaços limitados, como os jardins da casa dos Brandge.

— Alguém como Sanchet, ou mesmo Chelham, não seria capaz de fazer frente a infantes armados com espadas e lanças — complementou Riatom. — Além disso, desconfiei, desde o princípio, do número de vítimas feito pelo majurk. Sua característica ursídea, mesmo em forma humanoide, não o deixaria incólume por muito tempo. Isso só se confirmou com o seu triunfo, milorde. Mas, antes, outras testemunhas refutaram a ideia de que só ele era o responsável, e voltaram a falar sobre as aparições do ceifador nas noites sombrias. Até que reuni informações suficientes para seguir seus rastros, provavelmente no mesmo momento em que milorde enfrentava o majurk. E, por fim, consegui encontrar uma prova definitiva de sua existência. Ele está além da necrópole de Khody-Nyvech, em um ponto específico numa campina apelidada de Região Disforme.

Mensaard suspirou, e eu entendi o motivo. Riatom estava poupando pouco as informações que poderiam lhe garantir, ao menos, mais algum tempo livre. Mesmo declarando haver singularidade no local, eu me perguntava se Sarlakros não estaria disposto a procurá-lo sozinho, uma vez que a missão confiada por Edfeu já estava concluída. Além disso, eu tinha cada vez mais curiosidade em saber sobre o tal nathan, ou "ceifador", pelo que pude compreender até então.  

— Confesso, milorde, que outras vidas de nossa hoste foram sacrificadas no processo — complementou Riatom. — O destacamento por mim designado fora eliminado pelo nathan. Mas, se me der a chance de levá-lo até ele, tenho certeza que confirmará o que estou dizendo. Estou disposto a arriscar minha vida nisso. Permita que eu me redima das vidas levadas pelas garras do majurk e pela foice do ceifador, e, quem sabe assim, eu mereça a piedade da lâmina cálida do Lorde aliankino.

Os olhares se voltaram para Sarlakros. Riatom dedilhava a mesa nervosamente. Uma nova expectativa se formara. Era o momento derradeiro para o comandante.


(Continue a partir daqui, Bruno)

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Re: Décima Visão: O Ceifador

Mensagem por Sarlakros Darkenyns em Qui Set 21 2017, 19:04

O lord grakan permanecia em silêncio absoluto, ouvindo toda a explicação de Riatom. Concentrava-se em olhar a mesa a sua frente, refletindo nas palavras do comandante nortenho. Sabia que existia um artaninfolo a serviço de marilis na área e aquela criatura poderia lhe auxiliar bastante em seus planos.

-Hm, interessante..Quer dizer que esse "ceifador" está atacando a cidade junto com os Majurks?!

Sarlakros parecia pensativo, ouvindo a explicação de Riatom. Conduziria a conversa seu favor. Já era hora de eliminar alguns teryonistas importantes para a cidade e colocaria em prática seu novo plano.

-Pois bem, Riatom, essa história me deixou bastante intrigado. Esse nathan precisa ser eliminado!

Voltava com o olhar em Riatom e, por hora, alternava-o para Mensaard.

-Quem mais sabe dessa informação?

Fazia uma breve pausa para ouvir a resposta. Não podia deixar evidências. Nathan precisava ser uma carta na manga.

-Reuna todos os homens que sabem dessa informação e que foram contigo nessa busca, inclusive você, Mensaard. Vamos partir em uma missão secreta, deliberada por mim. Não quero boatos pela cidade. Após eliminar-mos o ceifador, comunicarei pessoalmente ao rei sua vitória e retirarei a sua punição e, quem sabe, um aumento de cargo.

Apelaria para a ambição humana. Sarlakros não era de promover nem de elogiar ninguém mas sabia que isso, com certeza, atiçaria Riatom em fazer tudo como foi mandado e cair na armadilha.

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Re: Décima Visão: O Ceifador

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