(Conto) O Tesouro Escarlate

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(Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Ter Set 12 2017, 19:49

Considerações off

Nota: Novas palavras, baseadas no contexto do turno de hoje, foram adicionadas ao glossário. Veja em: http://materyalis.mo-rpg.com/t3391-cronologia-glossario-as-cronicas-de-aliank

Vamos ao jogo:




YIDRIN

Os ventos frios e a imensidão do céu. Uma visão ímpar para uma criatura cuja morada está oculta nas profundezas da terra. A variedade de cenários e de seres era algo que encantava o grande metamorfo lacertílio, que caminhava por passagens rochosas, aproveitando os últimos momentos antes de retornar aos seus domínios secretos.

Seus trajes, no entanto, não eram tão diferentes dos seres da superfície. Vestia um enorme capote cinza, que escondia sua principal peculiaridade racial: uma cauda, que agora estava envolvida em sua cintura e, certamente, causaria muita comoção se fosse vista por outros habitantes do território aliankino. 

— Ah — suspirava o ser. — Creio que já estou há muito tempo aqui em cima. E espero que esteja tudo inteiro lá embaixo.

Divagava sobre possibilidades desagradáveis, pois conhecia o temperamento arredio de Saslah, uma das serviçais que respondia por ele em sua ausência. Era o líder de seu povo e conhecia o caráter de cada um dos seus comparsas, procurando não julgá-los desnecessariamente. Afinal, sua personalidade também não era tão distinta dos geniosos parceiros que lhe protegiam. 

A criatura parou já perto de chegar ao objetivo. Puxou da roupa as sobras de uma lebre que havia pego e assado na manhã daquele dia, embrulhadas em folhas grandes de uma planta a qual havia esfumaçado na brasa para dar um sabor extra à carne. Porém, ao abri-las, sua expressão se fechou instantaneamente. Os lábios se distorceram antes dele apertar os dentes e desabafar altissonante. 

— E isso é tudo o que restou? — falava sozinho, grunhindo furiosamente. — Malditas sejam essas criaturinhas rápidas e evasivas! Eu preciso de mais umas quatro para ficar satisfeito! Eu deveria ter queimado sua toca, ou quem sabe todo o bosque. Assim pouparia os meus esforços e saciaria a minha fome com algo diferente de insetos! 

Era difícil imaginar que seu corpo robusto se sustentasse com seres tão pequenos. Não, definitivamente ele precisava de mais. Muito mais! 

Não se preocupava em parar e sentar para se alimentar. Fazia isso enquanto continuava a seguir a pequena estrada de terra, enquanto mantinha na face o seu mal-humor espontâneo pela quantidade ínfima de comida ingerida em sua jornada pelas montanhas e, também, pela sua obrigação e responsabilidade de logo ter que voltar ao covil sem nenhuma notícia interessante.

O cenário onde estava era conhecido por ele. Ali, sentia a familiaridade de sua terra e o conforto de não se esconder debaixo de panos e mais panos. Passava por um ambiente rochoso e cálido, procurando uma das entradas que conhecia para retornar ao coração de sua casa. Embora não fosse um segredo lacrado a sete chaves, de maneira alguma aquele caminho era óbvio. Qualquer indivíduo o veria como mais uma caverna desinteressante naquele fim de mundo. Porém, o segredo estava nos vários túneis que poderiam levar os desavisados facilmente a se perder. E ninguém melhor para conhecer as sendas do que os lagartos nativos, principalmente o próprio maioral, que as percorria frequentemente para ir até as regiões externas em busca de conhecimento.

— Cá estou — disse, ao entrar na caverna. — Mais uma vez imerso nestas galerias, imaginando quando visitarei as terras altas novamente.

Começava a percorrer rapidamente o emaranhado de trilhas, descendo até as câmaras onde o calor era semelhante ao núcleo de uma fornalha. Estava ladeado pelo magma do vulcão Majara.

— Logo chegará o dia em que não precisaremos mais nos esconder do mundo — murmurou esperançoso, pensando na situação de seu povo.

A descida era longa, algo até vantajoso para evitar que curiosos sem amor à própria vida chegassem ali. Até que atravessou a última passagem. Tirou o capote e a camisa. Enfim, chegara ao lar. Estava livre dos estorvos que só abafavam ainda mais o seu corpo, mas não dos infortúnios que já haviam chegado naquele território.


*****

— Estamos expostos! Estamos expostos!

Por mais que tentasse se deslocar rapidamente, Misesh, que também atendia pela alcunha de pachorrento, arrastava seu pesado corpo pelo chão áspero da caverna. As pernas traziam toda a sua adiposidade com uma dificuldade incompatível à urgência propagada na mensagem.

Embrenhando-se por um algar cuja luz era provinda por um longo lençol de lava à sua destra, o indivíduo se apoiava nos pilares de metal escarlate, esculpidos habilmente pelos lacertílios.

— Até o eco do seu berro é lento! — vociferou uma criatura feminina, fazendo Misesh se escorar morosamente com as costas curvadas em uma das altas colunas do local.

As mãos enrugadas do ser se apoiaram nos joelhos. Ele estava ofegante. Olhava para o rumo setentrional da caverna, por onde saía um enorme fulgor vermelho de uma elevada passagem em arco, iluminando os passos apressados da interlocutora de outrora.

— Você... já foi mais rápida, Saslah — zombou Misesh.

Uma figura calva se aproximava. Tinha pele negra, com marcas amarelas e sinuosas que pareciam pintadas à mão. Usava somente uma tanga de palha, que ia da cintura até um pouco acima dos joelhos, além de uma roupa formada pela mesma gramínea chamada azex*, que lhe cobria o busto. Uma cauda comprida e pontiaguda era balançada de um lado a outro, sem seguir os movimentos naturais do corpo. Era sinal de que estava impaciente e fazia questão de mostrar isso.

— Por que fui incomodada pelo pachorrento e sua voz anciã? — indagou Saslah, parando com os braços cruzados a pouco mais de uma braça do visitante.

— Você não me ouviu? — respondeu Misesh, ofegante. — Estamos expostos!

— O calor está corroendo a sua cabeça? Por que ao invés de esperar que eu pergunte o que quer dizer com isso, você simplesmente não fala?

A cauda de Saslah bateu mais intensamente no chão, chamando a atenção de Misesh, que não dispunha da mesma força no mesmo atributo físico, tão diminuto e inexposto.

— Estão chegando aqui!

Ela arqueou as sobrancelhas desprovidas de pelos. Misesh entendeu que deveria continuar falando, ou experimentaria a ansiedade de Saslah de uma maneira nada agradável.

— Eu quero falar com kop-Yidrin.

— Vai ter que falar comigo primeiro — respondeu Saslah, meneando a cabeça negativamente. — E, mesmo que eu permitisse sua passagem aos salões, kop-Yidrin não está aqui.

— Onde ele está? — perguntou Misesh, com o semblante sôfrego.

— Foi se arrefecer no outono da superfície. Perdeu a noção do tempo, pachorrento?

Misesh abaixou a cabeça. E só deixava a intermediadora do líder lacertílio ainda mais irritada.

— Você vai falar, ou não? Se o que quer dizer com "estamos expostos" for algo como alguém ter caído em um dos seus charcos nojentos e visto essa sua face imunda, dê meia volta antes que eu destile meu veneno em sua bocarra!

Saslah apertou o pulso. Uma gota de um líquido viscoso caiu lentamente de uma de suas marcas amarelas. Misesh a fitou, pávido. Era melhor ser convincente.  

— Estou de volta! — gritou uma voz conhecida. — Saslah! Cadê você?!




MALTHUS

As trevas protegiam o seu aliado, que logo entraria incólume no casarão repleto de tesouros há muito esquecidos.

Mesmo tomados pela intensidade da chuva que caía naquela noite, os patrulheiros sempre eram um problema. Naquele turno, o toque de recolher era implacável. Por isso, a figura sombria não poderia simplesmente passar por eles.
Observava todos os detalhes com atenção. Contornava a casa pelo flanco leste, por onde não havia outros lares escondendo testemunhas nas janelas. O muro alto, aparentemente intransponível, foi estrategicamente burlado. Há dias, caixotes cheios de suprimentos eram deixados próximo à entrada do portão de acesso, quando agricultores ainda tinham a esperança de receber algo por suas mercadorias. Até que as encomendas pararam de chegar. Os aliankinos, sempre tão moralistas em nome de seu deus, eram incapazes de saquear os pertences deixados na rua. Não fosse o fato de que os Nesoma tinham negócios com a realeza e seus agentes locais, tudo aquilo já teria sido recolhido. O Intendente ainda aguardava um tempo até que decidisse declarar toda a família morta. No entanto, todo o evento era primoroso às intenções do homem, que empilhava dificultosamente os cunhetes para saltar a enorme parede e invadir o território proibido.

O homem caiu em uma parte fofa do jardim. Usara o máximo de sua vigorosidade para procurar a entrada mais próxima, mas não encontrara outra além de um improviso: uma janela de madeira quebrada, com os trincos facilmente violáveis. Correu pisando inevitavelmente nas poças de lama, que encardiram as roupas grossas que usava.

Forçou a madeira. Conseguiu findar o objetivo. Pulou para o interior do casarão sem dificuldades. Entrou em uma grande sala de estar, vislumbrando um ambiente luxuoso. Uma rica tapeçaria aveludada tomava conta de quase todo o cômodo, indo desde a janela anterior até uma braça e meia rente a duas poltronas de madeira maciça e folhadas em prata. Estavam diante de uma lareira, com lenha suficiente para que fosse usada pelo resto da noite.

Havia diversos outros detalhes. Uma harpa com bordas polidas no canto esquerdo, junto a um pufe revestido com pelos de algum animal das montanhas nortenhas; dois sofás entalhados à mão, com forro prateado como as sédias, posicionados perpendicularmente no centro da sala; quatro candelabros de chão, dispostos em cada extremidade do ambiente; duas portas, uma a esquerda e outra a direita; e, por fim, uma mesa de carvalho, com dois lugares nas extremidades e outros quatro distribuídos nas laterais do móvel.

Meio receoso, o invasor começou a explorar o local, espalhando lama à medida em que andava. Olhava para tudo como um caçador indômito. Levantava as extremidades do tapete, procurando por algum alçapão ou, quem sabe, objeto. Nada. Sua adrenalina o impedia de pensar nos detalhes com cuidado. Logo desistiu dos móveis e tentou a porta da direita. Estava trancada. Ainda restava a outra. Indeciso, pensava em seus próximos movimentos, enquanto outro indivíduo, não muito longe dali, intentava entrar no casarão.

Ao contrário do primeiro, porém, este conhecia bem a propriedade, mesmo estando distante dela há algum tempo. Ali vivera alegrias e tristezas por muitos anos. Ansiava chegar logo, mas seus passos eram lentos e seu corpo não parecia dar conta da chuva fria e do vento constante que tomavam aquela noite.

Tomara o mesmo caminho do ladrão que o precedera no ato. Ao ver o jardim, constatava que já não era como se lembrava. Os canteiros, tomados por ervas daninhas, não tinham o cheiro doce das mais diversas rosas que sua mãe cultivava, o que era estranho para ele. Todavia, nunca gostara daquele aroma. Preferiu sair logo dali, se dirigindo para a janela aberta.
As passadas atiçaram os sentidos do outro invasor que, tenso, se deslocara até a porta da esquerda. Obteve sucesso em abri-la e não hesitou em passar. Continuava despercebido. Só não sabia por quanto tempo.

Enquanto o antigo morador se deparava com a sala de estar, o homem sombrio encontrava um compartimento de jantar. Sua natureza o possibilitava enxergar com facilidade no breu do local. Porém, não teve tempo de minuciar outros detalhes, além de uma mesa comprida e muitas cadeiras enfileiradas. Estava atento ao ambiente vizinho. Precisaria agir ao menor movimento.

O outro, no entanto, percebia que o lugar estava exatamente como lembrava, porém mais empoeirado, descolorido e... Enlameado! Passava as mãos por cada móvel com serenidade, contemplando-os com o único olho que ainda lhe proporcionava visão. A sujeira do local não foi suficiente para o despertar do transe gerado pelo retorno nostálgico. Porém, logo novas companhias o obrigariam a recobrar a consciência.

*****

— E então, Wilnas? Podemos ir?

A voz fina da adolescente indagava o namorado apressadamente. A chuva apoquentadora ensopava os corpos de ambos, escondidos em um beco escuro numa esquina próxima ao casarão.

— Falta pouco — respondeu Wilnas, forçando a vista entre as gotas grossas e o vapor denso que o impedia de ver com clareza a movimentação do trio de guardas aliankinos que patrulhava as ruas. A noite já havia passado da metade. O toque de recolher à plebe, no entanto, não valia para jovens audaciosos, que não se intimidavam mesmo num reino imperado pela inquisição.

— Estou com frio — reclamou a menina. — Devíamos ter esperado uma noite seca.

— Fique calma, Merija — disse Wilnas, com um sorriso no rosto. — Terei muito tempo para lhe aquecer nas colchas dos Nesoma.

Ela não respondeu. Se encolheu e espirrou, assustando Wilnas. Felizmente, os homens já haviam se afastado o bastante para não ouvi-la.

— Agora! — sinalizou Wilnas. — Vamos!

Ambos correram. Todos os empecilhos já estavam dispersos. Há meses, o último dos Nesoma não retornara àquele lar. Os serviçais também abandonaram a propriedade. Afinal, não havia mais quem os sustentasse. Sem pagar os tributos, logo seria tomado pela ordem de algum déspota aliankino. E, enquanto isso não acontecia, servia perfeitamente como refúgio para os mais diversos propósitos.

Enquanto o casal usava o mesmo caminho dos outros, lá dentro, o verdadeiro morador era tomado por uma torrente de lembranças distantes e difusas. Seu rosto expressava inquietação, como se ainda tentasse entender a realidade em que agora estava. Até que suas divagações foram interrompidas por um barulho, e seu instinto possessivo alertou que alguém invadia seu antigo lar.

Rapidamente, pegou um braseiro no chão. Defenderia-se com ele, mas se lembrou da fraqueza que abatia seu corpo. Desistiu, deixando o objeto no console da lareira.

Olhou para a esquerda, a mesma que fora usada pelo salteador. Foi o mais rápido que pode até ela, conseguindo atravessá-la discretamente. O aposento estava escuro, porém, seu estado permitia enxergar todo o ambiente com facilidade. Não se ateve, contudo, a reparar em suas minúcias. Seu foco estava nos intrusos, de forma que também não percebera o outro indivíduo furtivo que o observava encolhido atrás da mesa.

Quando os adolescentes enfim entraram, ficavam maravilhados com todo o requinte. Mas Merija não conseguia se concentrar. Abraçou o próprio corpo, se recostando em Wilnas, que a amparou e sorriu.

— Lugar incrível, não é? — perguntou o jovem. — E ainda há tanto a se ver. Nem que orássemos a Materyon por décadas, conseguiríamos algo assim.

Quieta, Merija parecia intimidada.

— Tem certeza que é seguro ficarmos aqui? — perguntou ela, preocupada.

— Ora, quem poderia nos atrapalhar?

O garoto, que não tinha mais que dezesseis primaveras, correu até o sofá da direita, onde se jogou displicentemente, sujando o belo estofado.

— Venha, minha querida! Vou cumprir a minha promessa. Vou lhe aquecer!

O frio parecia agora o menor dos problemas para Merija. Ignorara o convite do amante e caminhou lentamente até a porta da direita. Assim como o ladrão, não conseguiu abri-la. Restava a outra. Começava a ir para lá.  

Do outro lado, os homens ouviam as vozes joviais. O último a entrar encostara o ouvido na porta para entender melhor o que diziam. Constatou que passos se aproximavam. Estava prestes a ser visto! Foi tomado pela intranquilidade. Abriu a boca espontaneamente. Há muito tempo não ouvia a própria voz, jazida no fundo de sua garganta. Agora, ela era a sua única arma. Faria com que ela ecoasse assim que a porta fosse inevitavelmente aberta.

— Já sei! Quer aproveitar a casa primeiro, certo? — perguntou Wilnas, com um sorriso abobado no rosto.

Ela não respondeu. Girou a maçaneta e abriu a porta.

— Vão embora! — bradou urrante o residente, defronte a garota indefesa.




NATHAN

As batidas constantes da aldrava do portão de ferro ribombavam, quebrando o silêncio lúgubre da madrugada e atraindo muitas atenções ocultas. Emitiam um alerta impreterível. Não parariam, até que o único indivíduo disponível para atender aos dois encapuzados finalmente aparecesse.

— Esqueceram do toque de recolher? — indagou uma voz masculina, rouca e envelhecida. — Quem pode ser tão idiota para vir a uma necrópole nesse turno?

Os dois homens se entreolharam. Não confirmariam, obviamente, uma resposta tão degradante.

— Abra! — ordenou um deles.

O ancião descerrou uma portela, suficiente apenas para revelar seus olhos claros e nariz encrespado. Surpreendeu-se em ver os homens parados lado a lado como estátuas. Uma aparência ainda mais sombria era conferida pelas túnicas negras que os protegia da chuva e cobria seus rostos.

— Quem são vocês? — indagou o velho.

— Pessoas que desejam conhecer a Região Disforme — respondeu o outro.

O anfitrião olhava como se os chamasse mentalmente de estúpidos.

— Já vi que são forasteiros — disse o macróbio. — Sabiam, por exemplo, que é proibido vestir preto em Aliank? Ou que os poucos que retornaram da Região Disforme hoje estão loucos, presos nas masmorras?

— Sim — respondeu o outro, deixando o interlocutor sem reação por um momento.

— Tudo bem, estranhos. Já que não conseguem entender, então serei mais claro — esbravejou o velho, pigarreando. — O meu dever é enterrar os cadáveres, não conduzi-los à morte! Compreenderam?

A portela se fechou. O velho, que carregava uma lamparina, já não tinha mais saúde para continuar debaixo de água e sereno. Murmurava contra os pretensos estrangeiros, enquanto voltava para o casebre miserável onde vivia e, ao mesmo tempo, vigiava a necrópole.

Contudo, um tilintar foi ouvido do outro lado. Ele se tornava cada vez mais intenso, a ponto de fazer o coveiro parar. Olhou novamente para o portão, tentando entender o que se passava. Meneou a cabeça negativamente e seguiu o caminho de volta. Porém, as batidas da aldrava o interromperam novamente. Já não aguentava mais tanta perturbação.

— Vão embora! — gritou ele. — Tenham mais amor a única vida que Materyon lhes permite ter!

Foi quando fez menção de se virar novamente, que percebeu não ter mais vontade própria. O barulho tornava-se excruciante, mas não o deixava partir. Sua cabeça estava a ponto de explodir. A única maneira de interromper aquilo era abrindo o portão. A mente não parava de sugerir aquele ato. Era mais forte que ele. Precisava fazer isso. Que se danassem os ingênuos.

O coveiro, então, tirou um molho de chaves de sua túnica. Em verdade, não queria fazer aquilo. Simplesmente não faria, mas estava sendo literalmente forçado, embora raciocinasse perfeitamente. O corpo tremia sob o domínio da força misteriosa que conduzia todos os seus nervos. Seria obrigado a deixar que aqueles tolos seguissem em direção à Região Disforme. Apesar de se importar com eles, não podia evitar que fizessem o que bem entendessem.

O peso do portão tornou-se ainda maior, duelando contra a idade avançada de seu guardião. Com muita dificuldade, ele consumava o ato. Escancarava a entrada. Contudo, não esperava que além da vontade usurpada, o campo externo traria as últimas visões de sua vida. Foi surpreendido pelo mover rápido de um vulto negro, que saltou sobre sua jugular, cravando nela caninos descomunais e pontiagudos. Enquanto sua luz se esvaía lentamente, o outro encapuzado seguia sem muita pressa ao horizonte setentrião, numa trilha formada entre túmulos e mausoléus.

— O sabor do sangue ancião é como o vinho: quanto mais velho, melhor é o sabor — disse o primeiro peregrino.

O outro homem, antes debruçado sobre o corpo do coveiro, o deixou ali, morto indignamente. Era possível ver seus olhos vermelhos por baixo do capuz, fitando o outro que seguia lentamente.

— Como acharemos a tal Região Disforme? — indagou o assassino, altissonante.

— A morte nos rodeia. Posso sentir a presença de seu emissário — respondeu, parando por um momento. — Vamos! Até ele deve ter um preço.

O homicida não apressou o passo. Acompanharia o assecla de longe. Estava ressabiado, pois ainda não entendia como era possível dialogar com a morte, que já os observava  através de uma penumbra invisível aos olhos dos seres ainda presos ao mundo carnal. Era como dizer que as trevas vigiavam o mover daquelas sombras.

Os dois indivíduos atravessaram a necrópole, alcançando uma enorme campina. Após algum tempo caminhando incólumes, notavam que pequenas esferas etéreas e cinzentas surgiam ao redor deles, acompanhando seus passos. Eram manifestações espirituais conhecidas como fogo-fátuo. Almas errantes tentavam intimidá-los, pois haviam passado por uma barreira delimitadora onde a morte atingia o auge do seu poder.  

— Quem ousa se aproximar da Região Disforme? — inquiriram os espíritos, em uníssono.






FALLEN

A água da clepsidra estava prestes a transbordar. Os ventos frios da zona montanhosa de Majara traziam um fragor veemente, quebrando o silêncio nos casebres destinados aos expatriados da capital. Ademais, o som das botas metálicas dos vigilantes aliankinos estrondeava no calçamento de pedra das ruas quase mortas, alertando aos habitantes que não deveriam atentar mais uma vez contra as regras do reino.

Àquela noite, contudo, seria diferente. Criaria movimentos avessos às regras pré-estabelecidas em Umonal, a cidade dos exilados.

Uma extensa propriedade fora isolada há nove dias, anexando oito casas em uma. A obra atendia ao gosto de alguém que ainda podia gozar de algum privilégio: Lady Ciadra, como costumava ser chamada a líder da Guilda dos Proscritos, que há muito tempo tirara na surdina o domínio da realeza aliankina daquelas terras. Sua posição, atualmente maior que a do próprio Intendente designado pela alta cúpula do reino para administrar a província, era suficiente para realizar qualquer desmando. Entre eles, ordenar que os antigos moradores da região fossem trasladados para o sul, onde não seriam um estorvo para os negócios que ali seriam iniciados.  

Uma grande festa foi preparada no novo lar de Ciadra, vulgarmente apelidada de "caserna" pelos membros da guilda. Dali, surgiriam oportunidades, descobertas, pactos e convenções. Ações inesperadas para hereges marginalizados pela aristocracia aliankina, porém perfeitamente capazes de planejar formas minuciosas de minguar o poder estabelecido por Berong há duzentos anos.

Diante do portão de ferro que agora separava a rua deserta e o imóvel, dois homens conversavam. Um deles estava vestido elegantemente com trajes finos, sedosos e azuis. O outro era um patrulheiro aliankino que, se estivesse realmente exercendo o seu ofício, deveria ter levado imediatamente o engomado à clausura em um casebre qualquer.

— Então, entendestes o roteiro, senhor Edcas? — perguntou o homem de aparência nobre. — Lady Ciadra não aprecia nem recompensa a desordem.

— Comigo aqui, vocês estarão seguros, senhor Sanlay — respondeu o armífero, tocando no cabo da espada embainhada.

— Pensei em lhe deixar algumas instruções por escrito, mas temo que isso não lhe seja útil, estou certo? — indagou Sanlay.

— Infelizmente — disse Edcas, que, como muitos em Aliank, não sabia ler ou escrever. — Mas não se preocupe. Tenho uma boa memória.

Sanlay meneou a cabeça positivamente.

— Estamos esperando três figuras muito importantes. Eles não podem ser barrados em hipótese alguma. Fui claro?

— O bardo, a meretriz e o... elfo. Correto? — perguntou o guerreiro, demonstrando asco à última palavra.

— Estes mesmos. Mas sua mente recordará seus nomes?

— Estão mais claros que a neve invernal, senhor.

— Muito bem. Então, entrarei. Há muito o que preparar para esta noite.

Edcas se retirou, passando pelo jardim de arbustos recentemente plantados na entrada. O guerreiro se voltou para o lado de fora, onde tudo permanecia ermo. Por algum tempo, permaneceu acompanhado do som dos ventos e dos burburinhos que já começavam entre os convidados já presentes na festa. Até ouvir uma sinfonia leve e tranquilizante, propagada pela flauta de um homem com trajes simples, porém elegantes.

O guarda só pode ver melhor o músico quando ele chegou bem próximo do portão. Usava uma capa azul com um capuz caído a partir da nuca, um pequeno chapéu cinza com uma pluma vermelha presa no alto da coroa, uma camisa marrom larga de botões, calças cinzentas e botas de couro negro. Uma indumentária muito comum entre musicistas.

— Uma bela noite, não? — perguntou o homem, parando a melodia ao chegar perto da entrada. — Gostaria de me encontrar com Lady Ciadra.

— Você certamente é o bardo mencionado pelo ecônomo de Lady Ciadra — respondeu o vigia. — Elgard, estou certo?

O bardo sorriu e não respondeu diretamente ao que era óbvio.  

— Pelo visto, não fui o primeiro a chegar — disse Elgard, ironizando o fato. Bardos normalmente não são pontuais, pois gostam de gerar expectativa para o público que vão se apresentar.

— Faltam poucas pessoas. Na verdade, estávamos esperando três, especificamente. O senhor e mais dois. — respondeu, abrindo caminho. — Fique à vontade e tenha uma boa festa. Creio que terá muito trabalho em entreter os convidados de Lady Ciadra.

Apesar de não falar mais nada, Elgard não perdera sua simpatia e rumava para o interior da casa,
enquanto o sentinela voltava ao trabalho. Não demorou muito a ganhar novo foco em sua visão. Desta vez, era absorvido pela toada graciosa dos passos de uma mulher, cujo caminhar garboso causava a impressão de que iria levitar. A capa bordô de veludo, que cobria todo o corpo, lembrava muito os trajes usados pelas aristocratas aliankinas.

Diferente do bardo, ela disfarçava a face com o capuz de sua roupa, de onde era possível ver alguns fios de cabelos negros, que balançavam levemente com a brisa da noite fria.

— Boa noite — disse a mulher ao parar diante do guarda, que se sobressaltou com sua presença. — Gostaria de me encontrar com Lady Ciadra. Ela me aguarda.

— Você poderia ser levada à fogueira na capital, se lá vestisse uma roupa deste tom — advertiu Edcas, falando animadamente. Referia-se à proibição imposta pela inquisição ao uso da cor vermelha e pigmentos propínquos nas vestimentas em todo o território aliankino, por considerá-la alusiva ao estandarte dos seguidores de Marilis, o deus maldito. Poucos eram exceção à regra, e aquela proscrita certamente não era uma delas. — Entre! Sei muito bem quem você é.


Outros convidados chegaram na sequência. A maioria veio em pares. Eram membros do destacamento local, novos integrantes da guilda ou mesmo forasteiros que entraram em solo aliankino com a conivência de hostes fronteiriças. Tudo perfeitamente arranjado. No entanto, ainda restava um. Seus olhos prateados observavam a tudo durante algum tempo, encolhido e imóvel em um canto sombrio de uma das casas vizinhas, paliado como um mendigo enrolado em uma estopa imunda. Desavisados julgariam-no morto, o que logo seria refutado ao constatar que ele podia se mexer.

Deixando a peça suja deslizar de seu corpo até o chão, o indivíduo se levantou nas sombras. Usava uma jaleca grossa e negra, presa de um lado a outro por três tiras de couro, cruzando o peito até terminarem em presilhas prateadas quase à altura do cinto largo de fivela redonda, que também atava a vestimenta do dorso. Uma camisa branca de crepe sedoso podia ser vista por baixo, coberta por um colete negro do mesmo tecido e um lenço de tonalidade creme em torno do pescoço sob a gola, caindo sobre o colo do peito e preso embaixo pela lapela de sua jabona.

Logo no início da caminhada, puxou as mangas e as alisou com suas luvas brancas de cetim engomadas, tirando a poeira que ainda insistia em acompanhá-las. Um grande chapéu de couro negro, pontiagudo e envolto por abas largas que pendiam para baixo, ocultava seu rosto até a parte inferior da linha das orelhas, sendo possível ver apenas duas mechas de cabelos em cada lado do rosto, que caíam até o tórax e cintilavam como prata. A aparência era a de um bruxo, que controlava o ruído dos saltos de suas botas de cano alto, permitindo que só fosse notado pouco antes de chegar ao portão, causando surpresa no vigia, que o observava passar sem que a devida atenção lhe fosse dada.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Ter Out 03 2017, 19:04, editado 20 vez(es)

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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Singlond em Qua Set 13 2017, 10:05

Aquela era apenas mais uma noite. Já não sabia quanto tempo havia se passado desde que voltara a visitar aquela propriedade que lhe trouxera alegrias e tristezas por muitos e muitos anos. Seus passos eram lentos e seu corpo não parecia dar conta da chuva fria e do vento constante que tomavam conta da noite. O jardim já não era como se lembrava. Os canteiros, tomados por ervas daninhas, não tinham o cheiro doce das mais diversas rosas que sua mãe cultivava, o que era estranho para ele, pois nunca havia gostado daquele cheiro.

O casarão, ainda que imponente, mostrava sinais de abandono. Já não havia segurança, a não ser a dos guardas da cidade que, tinha certeza, não o haviam visto ao passar pelos caixotes deixados por fazendeiros e atravessar o muro. O grande salão interno estava exatamente como lembrava, só que com mais poeira e menos cor, em sua opinião. Passou a mão por cada móvel de madeira e tapeçaria com solenidade. Parou diante da bela harpa e a contemplou com seu único olho bom como se fosse a coisa mais linda que já vira na vida, deslizando seus dedos calmamente pelas cordas, como se desejasse tocá-la. Seus olhos percorriam os detalhes de cada peça enquanto sua mente era inundada por uma torrente de lembranças tão distantes e difusas que era impossível que seu rosto não demonstrasse dúvidas sobre a veracidade delas.

Um barulho. Alguém invadindo sua casa. Por um momento pegou o braseiro que estava no chão próximo para se defender, mas estava fraco e, pensando duas vezes, pendurou-o acima da lareira, na parede que subia para a chaminé. Correu até a porta de ferro da esquerda e a fechou sem barulho. Um corredor escuro se adiantou à sua frente, mas para ele era como se nunca houvesse saído daquela casa. Sabia que nada viria do porão.

Ouviu vozes. Dois jovens conversavam. Encostou o ouvido na porta para melhor entender o que diziam. Ouviu passos se aproximarem da porta e viu a maçaneta girar. Segurou-a com todas as suas forças, e como a mesma não moveu, a pessoa do outro lado desistiu. Soltou um suspiro baixo, mas continuou quieto atrás da porta. Não queria ser visto naquele estado deplorável no qual se encontrava, mas seu intestino virou e torceu. Uma sensação maior que qualquer coisa que já havia sentido inundou seu corpo por completo. Sem perceber, abriu a boca lentamente e uma voz que há muito não ouvia saiu do fundo de sua garganta como um urro, ecoando pelo vasto salão do outro lado da porta.

— VÃO EMBORA!


Última edição por Singlond em Sab Set 16 2017, 20:24, editado 1 vez(es)
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Elgard em Qua Set 13 2017, 15:14

Após um leve tempo com Edcas observava a rua que em si ainda era deserta começou-se a se ouvir um som leve e suave, diferente dos burburinhos que vinham dos convidados, parecia ser o som vindo de uma flauta. O som parecia tranquilizar devido a sua leveza aparente e então logo pode se ver um Homem com trajes aparentemente simples e ao mesmo tempo com certa elegância pessoal, trajando uma capa azul com capuz, que se encontrava abaixado e em sua cabeça um pequeno chapéu cinza e uma plena vermelha presa, ele também estava usando uma camisa marrom e calças cinza.
Ele vinha caminhando e tocando suavemente sua flauta, e era como se tudo fosse ficando mais devagar exceto os movimentos do bardo, a lua. Assim que chega próximo ao guarde ele então para de tocar e em quanto guardava sua flauta na cintura também removendo o chapéu.

— Uma bela noite não? — Disse o bardo — Gostaria de me encontrar com Lady Ciadra. Creio que não vejo ter sido o primeiro a chegar, correto? — Ele fala sorrindo como se fosse algo costumeiro um atraso vindo de sua pessoa.

Após questionar ele aguardou uns estantes, mesmo após a resposta do que havia perguntado parecia que ele esperava alguma outra coisa, talvez alguma informação ou indagação, porem logo após ele começa a adentrar passando pelo jardim de arbustos recentemente plantados na entrada.
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Nathan em Qui Set 14 2017, 11:03

O som das batidas no portão pesado de ferro ecoava na vastidão da necrópole, com certeza atraindo atenções muito mais sombrias que a do velho guardião local. Indiferente ao que se passava entre os invasores e o agora novo defunto junto ao portão que se abrira com novo estardalhaço, quebrando o silêncio fúnebre da madrugada, jazia um observador ainda mais sinistro que os dois mortos-vivos recém-chegados.

Este se mantinha oculto, acompanhando o movimento dos invasores com olhos púrpuras, tomados de energia kalaidrina que permitiam enxergar através da película que separava o plano metonyano daquele habitado pelos espíritos e criaturas cymblarkinas. Antes de revelar a própria presença, o Ceifador estudava os sangue-sugas e buscava perceber seus pontos fracos e habilidades. A demonstração de poder para dominar a vontade do coveiro reforçava a cautela do artaninfolo, que não recebia a visita de simples curiosos.

Permitia que os vampiros avançassem cada vez mais próximos da lendária Região Disforme, como era conhecido o local onde o tecido da realidade era tão fino que por vezes os planos espelhados chegavam a convergir. Para não se mostrar abertamente aos invasores, o marilista invocava algumas almas errantes, comuns na necrópole, e aqueles sensíveis ao cymblarkin veriam algumas esferas etéreas flutuarem dispersas entre os túmulos. Aquelas manifestações espirituais eram conhecidas vulgarmente como fogo-fátuo.

- Quem ousa se aproximar da Região Disforme?

A voz ecoaria ao redor dos invasores ao cruzar a barreira entre os planos. A intenção era fazer os vampiros acreditarem que inicialmente eram interpelados apenas pelos espíritos que habitavam o local, e não pelo próprio Ceifador.

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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Malthus em Sab Set 16 2017, 19:25

E ao Pico da noite apenas o vento soprava ao horizonte, não tinha sinais de nenhuma criatura viva por perto e em uma rua afastada via-se um casaram. A chuva caia intensamente e Malthus aproximava da localidade em busca de completar sua missão. O Alukan apos chegar observava de uma distancia segura a presença de alguns guardas próximo ao local, e logo escondia-se nas esquinas escuras ali próximo. Apos alguns minutos o momento surgia e Malthus logo adentrava na localidade sem muita dificuldade. Apos observar os arredores percebiam que todas as portas e janelas estavam fechadas, exceto uma aparentemente já violada, uma pequena janela de madeira.

Malthus aproximava da janela e olhava de forma rápida o interior da mansão percebendo que ninguém estava ali, saltava rapidamente sobre a janela e logo se via em uma grande sala com moveis finos e caros começava a vasculhar o local olhando atentamente como se busca-se alguma coisa, entretanto, era notável que mais pessoas estiveram ali aquela noite, passos e rastros de lama estavam localizadas no recinto, e meio receioso abaixava-se próximo a arpa e levantava um tapete próximo de duas poltronas ali presente, infelizmente nada encontrava. Impaciente, Malthus abria a porta da direita dando acesso a outro tipo de sala, deixava uma pequena frecha de luz sobre a porta apenas para da uma pequena iluminação no ambiente, novamente ninguém avista, via-se uma mesa menor e quatro cadeiras também de material requintado, uma estatueta de canto e uma enorme pratilheira com diversos livros de todos os tamanhos e cores, na parte alta da pratilheira um pequeno bau trancado a chave o qual Malthus retirava e colocava sobre o chão em um local em que a frecha ilumina-se.

O alukan observava o ambiente mais cautelosamente ali mesmo abaixado no piso da sala, não era possível ver muito mais apenas outra janela de madeira trancada no fundo da sala, e sem pensar duas vezes Malthus força o bau quebrando a fechadura sem muito pudor e via uma certa quantidade de papeis velhos dentro dele junto com muitos pergaminhos. Na sala a qual estava não tinha sinais de visantes, nem passos, nem lama, porem infelizmente Malthus ouve algum barulho vindo da sala ao lado, do qual tinha saído, e sorrateiramente observava pela frecha da porta quem aproximava-se do lugar, interrompendo sua ação de busca.
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Salenae em Seg Set 18 2017, 10:05

Salenae caminhava lentamente em direção à propriedade, seus passos eram graciosos, quase parecia levitar de tão suave que era seu toque ao chão. Ela vestia uma capa bordô de veludo, com um capuz cobrindo seus cabelos e ocultando sua face. Embaixo da capa, trajava um vestido, que parecia da alta elite aliankina, porém parecia um pouco mais gasto do que deveria.
Neste momento, ela tinha um objetivo a cumprir e não desejava chamar atenção, não pelo menos até chegar lá.
Mesmo com o capuz, era capaz de sentir a brisa da noite, ela sempre gostou das noites frias.
Enfim ela chegou ao lugar que precisava, ouvia as vozes em conjunto de algumas pessoas lá dentro e o guarda parecia ansioso na entrada. Salenae se aproximou do guarda, que se sobressaltou com sua voz doce, mas que parecia penetrar nas profundezas da alma.
- Boa noite! Gostaria de encontrar lady Ciadra, ela me aguarda.
Ela então entrou na sala principal, onde estavam os outros convidados, retirou a capa e a colocou em um cabideiro próximo à entrada. Agora era possível vê-la melhor. Era uma humana, aparentava ter cerca de 20 anos, pele quase tão alva quanto a neve, longos cabelos pretos azulados e ondulados que desciam até abaixo de seus quadris e belos e penetrantes olhos azuis. Seu vestido era de um cinza bem escuro, quase preto, com alguns detalhes em renda vermelha, contornava sua silhueta, marcando bem a cintura e apresentava um decote bem ousado.  

Quase todos os presentes a olhavam, mesmo sem ter a intenção. Ela sorriu e observou a sua volta, em busca de lady Ciadra.
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Fallen em Seg Set 18 2017, 13:57

A maior parte dos convidados parecia já ter entrado na propriedade.Em um canto sombrio de uma das casas próximas à propriedade  havia um mendigo enrolado em uma estopa suja, estava todo coberto, encolhido  se protegendo do vento intenso daquela noite.  Ele estava imóvel no lugar há um bom tempo, alguns poderiam julga-lo morto mas das sombras de seu rosto coberto pela estopa os olhos prateados observavam a entrada com atenção. Se recolhendo nas sombras do sopé da casa ele se ergue deixando a estopa deslizar caindo ao chão. Sai das sombras caminhando altivo um homem trajando uma jaqueta longa de couro negro. A jaqueta se prendia um lado ao outro por 3 tiras de couro  que cruzavam o peito terminando em  presilhas prateadas a última quase a altura do cinturado.Na altura da cintura a jaqueta era presa por um cinto ligeiramente largo e negro com uma fivela redonda prateada. Embaixo da jaqueta podia se observar uma camisa de crepe de seda branca,um colete de seda negro, um lenço de seda creme em torno no pescoço sob a gola da camisa com tecido caindo sobre o colo do peito e preso embaixo da lapela da jaqueta e da primeira tira que a prendia. Ele puxava as mangas e as alisava tirando a poeira, suas mãos estavam cobertas com luvas brancas de cetim engomadas nas partes de cima,  enquanto caminhava apertava abotoaduras prateadas nas mangas da jaqueta que cintilavam quando ele se movia. Em sua cabeça seu rosto era oculto até embaixo da linha das orelhas por um grande chapéu pontudo de couro de abas bem largas que pendiam para baixo, sua  ponta pendia dobrando sobre o próprio peso na base da ponta uma fivela prateada fazia o ajuste do tamanho junto as grandes abas. Apenas podia se ver duas mechas de cabelo branco prateado, uma de cada lado do rosto caindo até o colo do peito e nas costas seu cabelo estava preso sob um rabo de cavalo embaixo do chapéu por uma presilha adornada. À medida que se aproxima do portão os saltos da as botas pretas de cano alto  faziam um som suave agora que ele desejava ser notado, as botas iam até o joelho e eram presas por fivelas de couro,dentro da boca da bota as calça de linho preta se prendiam. O "toc toc" do solado no pavimento de pedra aumentava a medida que ele se aproximava do portão. Sem dar muita atenção ao guarda ele já se dirigia para dentro da propriedade.


Última edição por Fallen em Seg Set 18 2017, 20:24, editado 1 vez(es)

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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Yidrin Gallux em Seg Set 18 2017, 19:43

Os ventos da superfície e a imensidão do céu. Isso não é algo que se vê todo dia quando seu lar está oculto no interior mais profundo da terra. A variedade de cenários e de seres é algo que encanta o grande lakriak em sua visita distante de seu domínio secreto. Vestido com um enorme capote cinza que esconde as suas peculiaridades que o diferem das outras criaturas que andam por estas terras e com a cauda abraçada em sua cintura, ele caminha procurando nada mais do que se atualizar sobre os acontecimentos da superfície enquanto aprecia as belezas dali, no caminho para as passagens rochosas e abafadas de seu lar.

-Ah, creio eu que já estou a muito tempo aqui em cima...E espero que esteja tudo inteiro lá em baixo...

...Dizia isso conhecendo o temperamento daquela a quem respondia por ele enquanto não estava presente. Não que o próprio Yidrin tivesse um temperamento tão diferente. Ele puxa de seu capote as sobras de um pequeno animal que havia pego e assado na manhã daquele dia, embrulhadas em folhas grandes de uma planta a qual havia esfumaçado na brasa para dar um sabor extra à carne. Ao abrir as folhas, Instantaneamente a expressão do lakriak fecha e seus lábios se distorcem rapidamente antes dele apertar os dentes e desabafar...

-E isso é tudo que sobrou! Grrrrrawr!!! Malditas sejam essas criaturinhas rápidas e evasivas, eu preciso de mais umas quatro para sequer ficar satisfeito! Eu deveria ter queimado elas, a toca e o bosque!

 Reclamava e esbravejava para sí mesmo sobre a aparente falta de comida para agradar o seu enorme corpo e paladar. Não se preocupava em parar e sentar para comer, fazia isso enquanto continuava a seguir a pequena estrada de terra enquanto mantinha em sua face o seu mal-humor espontâneo pela quantidade de comida e pela sua obrigação e responsabilidade de logo ter que voltar à toca, com nenhuma notícia muito interessante...
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Yidrin Gallux em Seg Set 25 2017, 00:48

Finalmente essa viagem havia chegado ao seu fim, assim como várias outras que a antecederam. E agora era hora de Yidrin mais uma vez voltar para o sigilo de seu lar. O cenário ao qual havia chegado era uma visão que já havia sido gravada na sua mente. Ao invés de uma sensação nova de descobrimento, ali ele sentia a familiaridade de sua terra e o conforto de poder ser ele mesmo diante de outros semelhantes. Não precisaria ficar andando pelas sombras e escondido debaixo de panos e mais panos.

Passando por aquele ambiente rochoso e quente, Yidrin procurava uma das entradas que conhecia para retornar ao coração de sua casa. De maneira alguma era óbvia aquela passagem, mas ao mesmo tempo não era um segredo lacrado a sete chaves. Não passava de mais uma caverna naquele fim de mundo, totalmente desinteressante. O que guardava a secrecidade do local eram os vários túneis dentro da caverna que poderiam levar alguém não acostumado aos seus caminhos a se perder. E ninguém melhor para conhecer os caminhos do que os lakriaks que ali habitavam, principalmente o próprio metamorfo o qual costumava de tempos em tempos visitar a superfície atrás de conhecimento.

-Aqui estamos - Dizia Yidrin, ao entrar na caverna. -Mais uma vez descendo por estes túneis e imaginando quando farei minha próxima visita à superfície.

E então, lá dentro, rapidamente começava a percorrer o emaranhando de túneis, descendo até as câmaras quentes de seu domínio.

Onde a superfície do lado de fora já era quente devido ao ambiente, ali virava um forno. Uma região subterrânea próxima ao magma não poderia ser diferente. Mais uma vez, é um ambiente ao qual era familiarizado, mas também não podia se esquecer do frescor lá de cima.

-Um dia -Comentava para sí mesmo, pensando na situação de seu povo -Um dia não precisaremos mais viver escondidos do mundo.

A decida era longa. Algo até vantajoso para evitar que curiosos sem amor pela própria vida não chegassem ali, ou ao menos não chegassem inteiros. No fim daquele túnel onde estava, Yidrin sabia que já estava a sua casa e o seu povo. Assim que chega naquela caverna de espaço mais aberto, ele tira aquele enorme capote cinza e a camisa de pano logo abaixo. Ali ele podia ser livre daqueles empecilhos que só abafavam ainda mais seu corpo.

-Estou de volta! - Gritava - Saslah, cade você?!
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Ter Out 03 2017, 17:03

Considerações off

Pessoal, atenção às instruções abaixo, divididas nominalmente:

Anthony e Zoroléo:

- Como devem ter lido na edição do turno anterior, alguns detalhes das ações foram mudados. Entre eles, estão a definição da ordem de entrada na mansão (Malthus fora o primeiro, Singlond o segundo e o casal Wilnas e Merija em terceiro) e o corte de algumas ações do Anthony (como a descrição que fez do cômodo que eu não havia descrito, onde havia o baú). Para estes casos, é muito importante ressaltar: antes de adicionar qualquer detalhe na narração que influencie positivamente para o seu personagem, ou que esteja fora da sua interpretação ou acrescente detalhes no ambiente, sempre consultem o narrador. Em princípio, leva-se sempre a regra de que vocês devem interpretar somente o seu personagem, descrevendo suas reações e aspectos físicos. O cenário e NPCs estarão sempre na responsabilidade do narrador;
- Notem que no turno editado, Malthus está oculto e observa Singlond atrás da mesa da sala de jantar. Por ser um vampiro, ou seja, um morto-vivo, Malthus vê banshees (condição do Singlond) normalmente. Há de se considerar, também, que Singlond não viu ou sentiu a presença de Malthus no ambiente onde estão;
- Percebam que, na continuidade do turno, Merija age como se não tivesse visto ninguém na sala de jantar. O final do turno, no entanto, deixa subentendido que ela viu alguém, mas ela só conseguiria isso se fosse uma denin, onde dependendo da habilidade, poderia ver Singlond ou, por alguma razão, Malthus escondido.

Ranier, Dérik e Marianna:

- A continuação do turno descreve a festa, deixando Elgard livre num primeiro momento, mas trazendo a ele a possibilidade imediata de associação ao preparo do tablado para tocar para os convidados antes do encontro com Lady Ciadra. Apesar do objetivo central do episódio incorporar o encontro com a líder da Guilda dos Proscritos, não há impedimento para interações iniciais no ambiente (como o caso do homem que abordou Salenae);
- Os três personagens (Fallen, Elgard e Salenae) conhecem Sanlay, que é ecônomo de Lady Ciadra e, portanto, podem se dirigir a ele para serem levados a ela o quanto antes, caso não optem por não realizar nenhuma interação inicial na festa;
- Ao Ranier, o turno de resposta serviu apenas para enfatizar a importância do Fallen no episódio, de forma que, se desejar continuar a ação com ele entrando na festa, já está liberado;
- Ao Dérik e a Marianna, é importante salientar que, como Elgard e Salenae fazem parte da Guilda dos Proscritos, eles já se conhecem. Para o caso de alguma interação ocorrer envolvendo o Fallen, já o viram em algumas situações, mas não sabem muito sobre ele, e vice-versa.  

Todos:

- Procurem enxergar os meus posts como a página de um livro, e como a sua interpretação poderia completá-la. Se houver alguma reação sobre algo que não siga a ordem do texto, faça uma citação para que eu complemente na edição. Outro adendo é que, se você já descreveu, por exemplo, que seu personagem tem os cabelos negros, não é preciso falar sobre isso outra vez, a menos que haja um contexto que realmente peça isso. O mesmo vale para uma sensação já comentada, onde só deve ser falada novamente caso o personagem a intensifique (de "ele estava com medo", para "entrou em pânico") ou mesmo a mude (de "estava com medo" para "respirar aliviado ao constatar que não era o que pensava");
- Notem que minha resposta foi curta. Isso deve acontecer muitas outras vezes, mas esta objetividade é planejada e será importante em muitos momentos do projeto, daqui pra frente. Notem que meu turno complementa exatamente onde o outro parou, de forma que não terei que cortar nada no meu texto para dar uma continuidade lógica ao meu turno editado. Procurem fazer sempre o mesmo;
- A maior parte do meu tempo gasto na edição foi com ortografia (foram constatados erros como a falta de acento nas palavras), gramática (neste caso, houve mais situações de erros de pontuação nas frases) e na coerência e coesão do texto (notem que inverti ou cortei frases dos turnos, especialmente por não estabelecer uma sequência lógica). Procurem dar atenção especial a isso, pois certamente vai facilitar e apressar, muito, o desenvolvimento dos próximos turnos;
- Caso desejem feedback específico sobre pontos observados nos turnos, me procurem privadamente no Whatsapp, onde comentarei por áudio sem expor no grupo. Lembrando que todos os critérios apontados estão sendo observados para a seleção do livro físico, e serão pontuados em uma métrica que estou criando e divulgarei em breve.

Vamos ao jogo:




YIDRIN

A voz do líder soou com um sinal de resgate para o pachorrento, que deslizou as costas pelo pilar o mais rápido que pode, sob o olhar furioso de Saslah.

— K-kop-Yidrin! — gritou Misesh, interrompendo a atacante. — Eu estava lhe procurando!

No entanto, ele cometia um erro ingênuo: ignorar Saslah. Sua corrida lenta até a retaguarda não foi um problema para a lacertília, que se colocou em posição quadrúpede, salientou a língua bifurcada como a de uma serpente e perseguiu o mensageiro. Virou o corpo para lhe atingir as pernas com a cauda, aplicando uma rasteira que quase lhe fraturou as pernas.

— Atrevido! — bradou Saslah, com vocábulos separados pela letra "S" continuamente, como fariam as cobras peçonhentas se pudessem falar. — Eu avisei que precisa da minha permissão para se aproximar dele! Não pense que alguma coisa mudou!

Saslah se debruçou sobre Misesh, que, caído de costas, via uma gota enorme de saliva presa na língua da guardiã, prestes a ser disparada em sua boca, como ela prometera.

— Estou aqui, kop-Yidrin! — respondeu ela, só após render o pobre visitante. — Estou ensinando alguns modos a um intruso!

— Você não está entendendo! — bradou Misesh, se entregando à ansiedade. — Eu não sou um invasor, mas há um verdadeiro vindo para cá!

Cega pela raiva, Saslah deu um golpe com as unhas extremamente afiadas na lateral do rosto de Misesh, fazendo-o berrar. Àquela altura, não tinha mais condição alguma de controlar suas emoções, ainda que uma advertência séria estivesse diante dela.

Foi então que Yidrin finalmente pode constatar o que ocorria. Suspirou. Já esperava ver alguma cena daquele tipo, a julgar pela conhecida personalidade de Saslah. Porém, quem lhe chamava mais a atenção era Misesh. Se tivesse de se preocupar com todos os boatos e crendices que ouvia, ficaria louco. Por outro lado, poucos eram os que desejavam encontrá-lo irresponsavelmente para falar sobre possíveis ameaças.

— Saslah! — bradava Yidrin, emitindo toda a sua fúria com uma voz gutural, batendo sua cauda contra o chão. — Que situação inférlica é essa?

Saslah parou naquele instante. Tanto ela como Misesh se calaram, enquanto Yidrin se aproximava e continuava:

— Eu ouvi algo, da boca dele, que em nenhuma hipótese se deve ignorar! — dizia Yidrin, com a mesma intensidade. — Você ao menos ouviu o que ele tem a dizer?! Qual explicação você pode me dar, querida Saslah?!

A ironia misturada à raiva era um dos sinais mais claros de que sua paciência havia despencado em um poço de chamas. Saslah sabia que o melhor Yidrin para se ter por perto definitivamente não era o de temperamento cálido. Ele não costumava agir com violência contra seus comparsas, mas o faria se a situação saísse do controle.





MALTHUS

Ofegante, a menina fechou a porta tão rápido quanto abriu. Levou a mão direita ao peito. O coração estava acelerado. Começava a suar, como se o calor do meio-dia no verão invadisse aquela meia-noite de outono.

— O que há, Merija? — perguntou Wilnas, enfim percebendo que havia na amada uma tensão maior que a comum.

— Eu... Não sei bem — respondeu Merija, pausada e nervosamente. — Há algo perturbador deste lado.

— Ora, é claro que há. Eu também não teria a mínima coragem de me embrenhar por essas trevas. Eu me sentiria acompanhado pelos filhos do Maldito.

Aproximando-se de Merija, Wilnas tocou seus ombros. Massageava-os levemente. Fechou os olhos e sentiu o perfume de alisso que ainda resistia em seu corpo encharcado.

— Venha relaxar. Outros já estiveram aqui. Logo, poderão vir mais pessoas com a mesma ideia que a nossa. Então, vamos aproveitar tudo o que pudermos, ainda que sejamos rápidos.

Mas, ao reabrir os olhos, Wilnas não viu sucesso em seus cortejos. A mão de Merija, ainda repousada sobre a carapeta, tremia como um galho lânguido abatido por uma forte ventania.

— Merija!?

— Deixe-me! — ordenou ela, se virando lentamente para fitá-lo de soslaio.

Wilnas recuou dois passos. Vira um cintilar discreto nos olhos da namorada. Não era o brilho do amor que sempre vislumbrara nela. Emudeceu, vendo-a abrir novamente a entrada que há pouquíssimo tempo queria evitar.

— Quem é você? — inquiriu a menina, austeramente.

Um silêncio torpe tomou o lugar por um instante. O rosto deformado do homem não definia expressões. Via-se, contudo, um fulgor profundo no olho direito, único órgão da face que ainda estava quase íntegro. De lá efluía um sentimento possessivo e abarrotado de uma agressividade fulminante aos invasores.

— Nes... Nesoma — balbuciou o amolgado, com uma voz úmida e arrastada — Vão embora... Casa... Eu... Singlond...

Tentando entender o que aquelas palavras aparentemente desconexas significavam, a menina observava, imóvel, o levantar das duas mãos do indivíduo, que iam na direção do seu pescoço, enquanto uma palavra acusatória começou a ser repetida.

— Ladrões... Ladrões...


Mas, antes que fosse tocada, algo inesperado aconteceu. Repentinamente, a maçaneta era atingida por algo desconhecido, sofrendo uma pequena explosão, suficiente para que pequenos estilhaços metálicos voassem em Merija e também no homem. Era provocada por uma façanha daquele que ainda estava incólume aos presentes e concentrava um poder dominado por poucos.




NATHAN

— Em que lugar estariam os fortes, não fosse sua ousadia? — indagou o líder, levantando as duas mãos, como em rendição.

O outro olhava desconfiado, curvando o corpo. Estava inseguro. Ainda não compreendia bem como o companheiro conduziria os eventos vindouros.

— Nós já vimos a morte uma vez — continuou o homem. — Foi ela quem nos trouxe à nossa condição atual. Contudo, não nos arrependemos de ter negociado com ela. Como podem ver, seu imenso poder permite que estejamos aqui, dialogando convosco.

— Podemos vê-los, tocá-los e destruí-los! — bradou o outro, nervoso, tentando revidar a pavidez causada pelos mortos.

— Sim, ele tem razão — disse o líder. — Mas não viemos aqui para desafiá-los. Há um mestre entre vós e queremos vê-lo. Servimos ao seu mesmo deus e trazemos boas novas do norte. Uma arma há muito perdida que poderá engrandecer a fama do Ceifador uma vez mais.

Viu-se um leve sorriso por baixo do capuz do homem, que olhava discretamente para os seres presentes. Aparentemente, era ambicioso demais para blefar num lugar como aquele e conhecia muito sobre a criatura que habitava naquelas terras. Mas, por algum tempo, nenhum ruído surgiu em resposta às palavras dos invasores. As esferas espirituais flutuavam com aparente indiferença, prolongando a apreensão mórbida e quase palpável do lugar.

Até que, subitamente, um estrépito inicialmente indecifrável teve início, aproximando-se pouco a pouco. Sua fonte se revelava às costas da dupla, vinda da necrópole que haviam deixado para trás. Logo foi possível identificar que se tratava do retinido de uma enorme foice, cuja lâmina encurvada trazia uma imediata associação à alcunha da criatura: o Ceifador.

A arma era puxada por apenas uma mão de dedos esqueléticos e compridos, que se fechavam ao redor de sua haste, arrastando-a sobre a via de chão batido que rumava à Região Disforme.

— Muitos são os curiosos que buscam desvendar a lenda do Ceifador. Poucos são os que têm algo a oferecer além das próprias almas — dizia o anfitrião sombrio. — Desfraldem suas intenções, filhos da noite!

O semblante do assassino estava quase totalmente oculto sob as sombras criadas pelo capuz de seu manto maltrapilho, deixando a mostra apenas parte do queixo ossudo e dos lábios finos e escuros, dos quais as palavras saíam quase como num sussurro ecoante no descampado. Luzes sutis em tons púrpura emanavam das órbitas profundas onde deveriam estar os olhos daquela criatura sinistra. O manto que cobria seu corpo era arrastado por passos pesados e cambaleantes, produzidos em uma caminhada lenta até os invasores.






FALLEN

— Ei, espere! — ordenou o guarda. — Trajes negros não são permitidos na festa!

Apesar do tom determinante, ele parecia enfeitiçado. Deixara o estado de impressionabilidade de lado, mas era incapaz de avançar um passo para conter o misterioso convidado, que havia parado ao ouvir a ordem.

— A menos que eu tenha um nome importante a anunciar, não posso deixá-lo entrar e desrespeitar as normas claras que me foram dadas — disse o homem, segurando o cabo da espada ainda embainhada.
 
Por um breve momento, apenas os sons da agitação do vento e da festa ao fundo podiam ser ouvidos. O corpo do sujeito girava lentamente, quase sem sair da posição, até ficar defronte ao guarda. Ele levava a mão ao grande chapéu negro e o inclinava para trás, revelando por completo a bela face afilada. O impacto do olhar frio trazia uma sensação quase sobrenatural, refletindo a luz bruxuleante das lamparinas presas ao portão de ferro. Suas sobrancelhas eram finas e grisalhas; a pele, alva e lisa como porcelana; seu nariz fino, de comprimento modesto, terminava perto da boca de traçado delicado, lábios medianos e com arco bem definido. Não fossem as roupas masculinas, seus lineamentos poderiam confundi-lo facilmente com uma mulher.

O detalhe mais importante na aparência do visitante foi acentuado um pouco depois por um leve brilho dourado, que era emitido por um par de brincos vistosamente trabalhados, pendendo de uma fina corrente presa nos ouvidos grandes, pontudos e que naquele momento se mostravam saltando para fora das abas do chapéu. Uma característica peculiar dos elfos.

— Acredito que Lady Ciadra faria uma exceção para mim, não? — Ele sorria de leve, gentil e inofensivo. Rearrumou o item na cabeça e prosseguiu para a casa, deixando o outro para trás, emudecido.

Já do lado de dentro, a festa iniciara sem música, o que não parecia incomodar ninguém. O feiticeiro parara na soleira da porta, analisando cada detalhe do salão de festa e dos convidados, como se estivesse procurando algo ou alguém. Todos estavam bem vestidos, rindo e brindando em mesas redondas de madeira descoberta e qualidade questionável. Quase todas já estavam ocupadas. Havia cerca de trinta convidados dividindo o espaço amplo, onde dois cumins serviam apressadamente cervejas extraídas de toneis espalhados perto das arestas do aposento. Uma porta aberta à esquerda levava a um segundo ambiente similar, onde outras pessoas conversavam no mesmo tom.

O elfo começava a circular pelo recinto, deixando as passadas anunciarem sua presença protuberante. Com graciosidade, seus longos dedos apanharam uma taça de vinho da bandeja de um dos serviçais que passava por ele. Começava a ser notado, principalmente por suas roupas de corte mais refinado e até um pouco excêntrico se comparadas às usadas pela maior parte dos convivas.

Na parte posterior do compartimento, o bardo esperava pacientemente por Sanlay, que administrava o trabalho de dois homens vestidos com túnicas bege e calças de couro marrom. Eles martelavam pregos nas laterais de um tablado, que sustentava uma bela poltrona de estofado azul, com braços metálicos e sinuosos, posicionada no centro do estrado. Ficava abaixo de uma escada dupla e serpentiforme, que iniciava nas duas extremidades do salão. Os degraus se encontravam ao chegar no andar superior.

— Está pronto — disse um dos homens a Sanlay, que sorriu para o flautista, lhe dando a deixa para iniciar sua apresentação.

O bardo olhava a tudo com uma simpatia inerente. Enquanto todos já começavam a ficar ansiosos para que alguma melodia viesse ao espaço tomado pelo emaranhado de vozes, o músico perscrutava o ambiente como uma intenção misteriosa, vez por outra substituindo o semblante alegre por uma face analítica e preocupada. Tão logo alcançou o tablado, pegava a flauta presa na cintura. Sanlay se retirava junto aos operários, deixando-o livre para se apresentar ao público.

— Boa noite, meus amigos e amigas — começava ele, atraindo a atenção dos presentes. Suas palavras saíam tão leves quanto as notas de sua flauta doce. — Cordialmente, lhes peço perdão, já atinente à interrupção de minhas palavras. Mas, venho a vós dizer que tocarei uma música para iniciarmos bem esta noite. Espero que apreciem.


Embora o som aprazível penetrasse na alma da maioria, quem mais chamava a atenção na casa era a mulher esperada por Lady Ciadra. Ela procurava por um cabideiro para pendurar a capa que retirara ao entrar, revelando mais de sua aparência. Tratava-se de uma humana com cerca de vinte anos, pele quase tão alva como a neve e olhos azuis pungentes. Os longos cabelos pretos e ondulados desciam até um pouco abaixo dos quadris. O vestido, que contornava sua silhueta especialmente na cintura e também possuía um decote ousado, era de um tom cinza escuro, quase negro, com alguns detalhes em renda vermelha.

— Permita-me — disse a voz rouca de um indivíduo de meia-idade, que se esgueirou por trás da moça para pegar cordialmente a peça envoltória. — Deixe que eu entregue isso a um prestadio.

O sorriso discreto e os olhos entreabertos lhe davam um ar galanteador. O porte físico robusto e as vestes encouraçadas revelavam que pertencia à guarda de Umonal, provavelmente de alguma patente alta.

— Obrigada, meu caro! — disse a mulher, que sorriu levemente e inclinou sua cabeça para frente, segurando as pontas do vestido com os dedos indicador e polegar de cada mão. Era um gesto de agradecimento. — Eu sou Salenae. É um prazer conhecê-lo, senhor...?

— Burlin, ao seu dispor — apresentou-se o homem, acenando para um serviçal, que logo se aproximou para recolher a vestimenta retirada por Salenae. — Uma dama como você, não pode ficar num lugar como este sem alguém para lhe proteger — continuou ele, cortejando-a.

— Agradeço a sua preocupação — respondeu a jovem, adotando uma expressão temporariamente severa. — Mas não preciso de proteção aqui. Afinal, estamos todos entre amigos. Não é? — questionava, voltando a sorrir.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Ter Out 31 2017, 19:04, editado 17 vez(es)

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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Fallen em Qua Out 04 2017, 10:26

O homem parava, a barra do fraque negro ondulando com o vento daquela noite. Seu corpo girava levemente, quase sem sair completamente da posição. Por um tempo breve apenas o vento e o som agitado do ambiente da festa ao fundo podiam ser escutados. Ele levava a mão ao grande chapéu negro e o inclinava levemente para trás revelando por completo a bela face afilada. O impacto do olhar frio que refletia a luz bruxuleante das lâmpadas de óleo eram quase que sobrenaturais, suas sobrancelhas finas, grisalhas, a pele alva, lisa como porcelana. Seu nariz fino de comprimento mediano terminava em uma boca de traçado delicado, lábios medianos de arco bem definido. A pessoa a frente do guarda agora lançava a dúvida se era um homem ou uma mulher, seus traços eram confusos. Não fossem as roupas masculinas aquilo poderia ser um problema. A atenção se volta então ao mais importante para ele, as orelhas. Um leve brilho dourado de um brinco trabalhado que pendia em uma fina corrente presa a orelhas pontudas. O Elfo o olhava, sua expressão parecia serena e gentil.

— Acredito que Lady Ciadra faria uma exceção para mim, não? — Ele sorria de leve, gentil e inofensivo.

Ele então reposiciona seu chapéu e retoma seu caminho para a festa sem esperar uma resposta do guarda que é deixado para trás.

O elfo para na soleira da porta olhando de lado a lado o salão de festa e seus convidados como se estivesse procurando algo ou alguém. Ele então adentra o recinto deixando os leves sons de sua passada denotarem sua presença. Ele destoava da maioria ali, suas roupas tinham um corte mais refinado e até um pouco excêntrico comparada a maioria que ali se encontrava. Ele então começava  circular na festa, com graciosidade seus longos dedos apanhavam uma taça de vinho da bandeja de um dos serviçais que passava por ele, o elfo então segue sem parecer lhe dar muita atenção.





Considerações em off:

Como voce pediu para postar; aquele lance do fraque longo, do crepe de ceda na camisa interna e seda no colete por serem tecidos diferentes.As fivelas terminam na altura do cinturado, que é o nome da parte da jaqueta onde tem uma redução na costura fica +- na ultima costela enquanto o cinto esta preso a cintura.


Fallen estaria literalmente circulando na festa e analisando o local e as pessoas que ali estavam com seu habito analítico e paranoico muito bem disfarçado sob sua faceta xD


Última edição por Fallen em Qua Out 04 2017, 20:34, editado 1 vez(es)

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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Singlond em Qua Out 04 2017, 13:40

Permaneceu imóvel quando a porta foi batida com a mesma velocidade com que fora aberta segundos antes.

As palavras da jovem à sua frente pareciam não fazer sentido a ele, e seu rosto deformado não transparecia expressöes, salvo seu seu olho que brilhava incomum. Havia, contudo, uma urgência de resposta, de proteger o que era seu daqueles invasores.

— Nes...Nesoma - balbuciou - Vão embora... Casa... Eu... Singlond... - dizia em uma voz úmida e sussurante -

Mesmo desconectadas, as palavras sussurradas ao vento poderiam fazer, ou não, algum sentido aos dois jovens à sua frente, mas sem desejar esperar que gosse entendido, o ser extendeu os dedos wm direção ao pescoço da garota parada à porta.

— Ladrões... Ladrões... - repetia -
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Malthus em Qua Out 04 2017, 15:01

Matlhus continuava no recinto, calmo e observador, na verdade totalmente imóvel enquanto via o individuo na sua frente, entretanto, por esta escondido a criatura não conseguia perceber a presença do Alukan. Apos alguns instantes a maçaneta da porta é girada abrindo e fechando a porta rapidamente. A entidade a sua frente da um grito na tentativa de expulsar os invasores da localidade, não era entendível o porque da criatura conseguir falar ou se expressar no mundo material, porem não parecia ter surtido muito efeito com os jovens que estava do outro lado da porta, pois estes não pareciam ter notado tudo aquilo.
A uma mesa de distancia, os pensamentos de Malthus avaliava e analisava toda a situação. Tal posição era preocupante, pois não queria ser descoberto, ate que vozes voltavam a surgir do outro lado da porta. Resmungavam, e aparentemente o clima aventureiro que havia nos dois jovens havia sumido de repente. 
Apos ouvir algumas menções, Malthus concentra-se na maçaneta na porta por algum tempo, e utilizando seus poderes Alukan cria uma explosão na proporção que afeta-se a criatura a sua frente, com proposito de saber se a tal era possivelmente tangível ou que pelo menos desobstrui-se seu caminho e destruí-se a porta.
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Salenae em Sex Out 06 2017, 15:26

Salenae entregou seu capuz para o homem, sorrindo levemente.
- Obrigada meu caro! – ela agachou levemente e inclinou sua cabeça para frente segurando a saia do vestido com a ponta dos dedos em um gesto de agradecimento.
Ela levantou a cabeça com um olhar mais sério.
- agradeço sua preocupação, mas não preciso de proteção aqui, pois estamos todos entre amigos. Não é? – e voltou a sorrir.
- Eu sou Salenae. É um prazer conhece-lo, senhor...? – Ela esperou ele se apresentar.


Última edição por Salenae em Sex Out 13 2017, 14:08, editado 1 vez(es)
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Elgard em Sex Out 06 2017, 20:12

Conforme Elgard vai adentrando a festa ele observa atentamente cada convidado com um sorriso em seu rosto e também vai cumprimentando todos, em quanto caminha também já percebe que está sendo feita a montagem de um tablado, o que nitidamente o aparenta animar ainda mais, pois seria um ótimo lugar para tocar, assim ele vai caminhando até Sanlay, mas antes de chegar ele olha Sanlay recebendo uma resposta e então em seguida passando um sinal a ele com um sorriso, o flautista olha com um sorriso de volta e cumprimentando a distancia mostrando entender e também agradecer, com toda a simpatia. Assim ele caminha até o tablado, onde lá fica de frente para todos.

— Boa noite meus amigos e amigas, cordialmente peço lhes perdão já atinente por interromper a todos com minhas palavras, mas venho as vos dizer que uma musica irei a lhes tocar. — Sua palavras saem leves e sutis e em quanto vai falando Elgard vai pegando sua flauta em sua cintura — Então lhes desejo uma ótima noite e espero que apreciem a musica.

Assim sem mais delongas, ele vai aproximando sua flauta de seu rosto em quanto ao mesmo tempo já vai tomando certo folego, de leve e quase imperceptível de forma que mostraria que sua musica possivelmente viria a começar suave.


Última edição por Elgard em Qui Out 26 2017, 14:03, editado 6 vez(es)
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Yidrin Gallux em Seg Out 09 2017, 22:32

Parece que a previsão de Yidrin era realidade. Como já havia imaginado, o temperamento de Saslah era responsável pela cena que se desenvolvia logo à sua frente. A primeira coisa a testemunhar era a sua representante atacando outro ser, o qual o líder conhecia relativamente pela sua velocidade desprovida de qualquer tipo de pressa ou mínima rapidez. Apenas via o ataque se desenrolando antes mesmo de sequer ter condições de dar continuidade ao seu anuncio de chegada.

Yidrin suspira enquanto começa a se mover diante dos dois e escuta as palavras da sua subordinada, que parecia estar e um passo de deixar algumas marcas mais duradouras do que a rasteira que havia acabado de levar. Mas o que surpreende o humanoide são as palavras de Misesh. Se fosse se preocupar com todos os boatos e palavras de que haviam sido expostos ficaria louco, mas por outro lado a situação atual de seu povo não permitia qualquer falha. Informação é importante para que se mantenham em segurança, além de que não custaria nada ouvir o que o pobre coitado tinha a dizer.

Antes que dissesse para Saslah se acalmar, ela ataca novamente o pachorrento. Isso faz com que Yidrin distorça sua face em fúria e emita um rosno gutural, antes de bater sua calda contra o chão próximo aos dois e por sua opinião e emoções diante daquele cena em palavras:

-SASLAH! -Grita ele, sua fúria clara no tom de voz- O que em inferlis eu estou vendo aqui?!

Esperava que suas palavras acordassem ela antes que tivesse que tornar a advertência em contato físico. Não gostava e nem queria ter que se impor em violência contra seu povo, mas em momentos que as coisas saem do controle as opções são reduzidas. De qualquer modo, ele continua, ao menos abendo que Saslah não é alguém que simplesmente o ignoraria diante da fúria do próprio Yidrin.

-Eu ouvi algo que de maneira alguma deve se deixar passar em branco em NENHUMA hipótese da boca dele! -Dizia com menor fúria, mas com a mesma intensidade- VOCÊ ao menos ouviu o que ele tem a dizer?! QUAL explicação você pode me dar, querida SASLAH?!

Com suas palavras, ele queria uma resposta e uma explicação pela atitude de Saslah. E a esse ponto ela deveria saber que o melhor Yidrin para se ter por perto definitivamente não é o Yidrin que não teve o que quer em um momento de temperamento caloroso dele, e a ironia misturada é um dos marcadores mais claros de que seu humor havia acabado de despencar em um poço de chamas.
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Nathan em Ter Out 10 2017, 11:38

Nenhum ruído surgiu em resposta às palavras dos invasores. As esferas cymblarkinas flutuavam indiferentes e silenciosas, prolongando a apreensão mórbida que naquele lugar era quase palpável. Então, de súbito, um ruído inicialmente indecifrável teve início até que sua fonte se revelava às costas dos dois mortos-vivos, vindo da necrópole que haviam deixado para trás. O som, cada vez mais próximo, pertencia a uma enorme lâmina encurvada cuja aparência estava diretamente associada à alcunha do ceifador. A foice era puxada por apenas uma mão de dedos esqueléticos e cumpridos que se fechavam ao redor de sua haste, arrastando-a sobre a via de chão batido que deixava a necrópole em direção à Região Disforme.

- Muitos são os curiosos que buscam desvendar a lenda do ceifador. Poucos são os que têm algo a oferecer além das próprias almas. Desfraldem suas intenções, filhos da noite...

O semblante do Ceifador estava quase totalmente oculto sob as sombras criadas pelo capuz de seu manto maltrapilho, deixando a mostra apenas parte do queixo ossudo e dos lábios finos e escuros, dos quais as palavras saíam quase como num sussurro que ecoava no descampado. Além disso, apenas uma luz sutil em tons púrpuras pareciam emanar das órbitas profundas onde deveriam estar os olhos daquela criatura sinistra. Caminhava lentamente, com passos pesados e cambaleantes, com o manto arrastando-se sobre a terra.

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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Ter Out 31 2017, 16:33

Considerações off

Vamos ao jogo:




YIDRIN

Saslah se esforçara poucas vezes na vida para conter seu veneno, que por pouco não pingara em Misesh e deixaria sua vida por um triz. A lacertília engoliu toda a saliva. Observava o teto pedroso e avermelhado da caverna, enquanto erguia o corpo lentamente. Ao ficar completamente ereta, evitou encarar Yidrin. 

— Desculpe-me, kop-Yidrin — disse Saslah. — Não tenho explicação alguma a lhe dar, além de que não queria importuná-lo com criaturas débeis como essa. 

— Eu quero uma conversa particular com você depois, mas agora eu quero saber mais sobre essa história toda — disse Yidrin, de certo modo entendendo a motivação de Saslah, mas ainda assim estranhando seu comportamento extremamente agressivo.

Misesh se esgueirava com as costas para fora das pernas da agressora. Apoiava as mãos no chão e levantou-se o mais rápido que pôde. Finalmente, estava diante daquele que poderia resolver o problema do povo reptiliano. A atenção de Yidrin estava completamente voltada para o pachorrento, querendo saber tudo o que ele tinha a explicar sobre o medo de seu povo estar exposto. Via que o pobre coitado estava mais confiante e menos temeroso por estar em sua presença, mudança de atitude que o fez soltar um suspiro rápido. Não tinha muita paciência com covardes.

— Encontrei um corpo — disse Misesh, abandonando sua fama de moroso por um instante. Julgava que o melhor a se fazer depois de toda aquela tensão era ser direto. — Um cadáver humano em decomposição numa lagoa subterrânea. Isso significa que estão perto de nos descobrir e que estavam tentando abrir caminho por lá. O defunto só não foi forte o bastante para prosseguir. 

O som do "S" na língua de Saslah se intensificou por um momento, sustentando seus olhos fendidos sobre Misesh. Estava prestes a falar algo, mas se calara. Ainda não era o momento de se manifestar. O líder voltou a estranhar o comportamento daquela que considerava seu braço direito, e alimentava suspeitas de que ela ocultava algo. Isso não era bom. Teria que realmente pô-la contra a parede para saber o que havia acontecido enquanto estava fora? 

— Posso levá-lo até lá, kop-Yidrin — continuou Misesh. — Mas não tenho ideia do quão expostos nós... Estamos!

— Então vamos nos apressar antes que algo possa sair do meu controle — disse Yidrin, decidido.

A cabeça de Saslah se voltou para baixo, inclinada mais à direita. Ela logo dividiu seu pensamento com os outros dois, murmurando uma palavra muito reveladora. 

— Traidores! — disse a guardiã, sustentando por algum tempo o som da última letra. 

Aquele vocábulo carregava um assunto e uma possibilidade extremamente forte e sensível para Yidrin. O problema foi que Saslah não deu continuidade ao raciocínio ou explicação daquele adjetivo que o seu líder tanto odiava, o que fez muitos pensamentos passarem por sua cabeça nos poucos segundos em que ele a fitou com um olhar extremamente ameaçador, o qual se formou instantes após ouvir a voz dela pronunciar tal coisa. A única conclusão que chegava sobre o que fora dito era que ele havia sido traído por alguém de seu povo, e consequentemente isso apenas veio à tona porque Misesh comentou do corpo. Ou seja, Saslah estaria mantendo isso escondido. Por quê? Essa era uma linha de raciocínio simples que imediatamente se construiu na mente do líder. E o comportamento estranho que ela havia demonstrado desde que chegou era apenas combustível sendo adicionado a uma chama que já queimava forte.

— O... Quê? — disse Yidrin, com uma pausa acentuada e seca entre as duas palavras. 

As fendas de seus olhos se comprimiram, demonstrando um sentimento perigoso que começava a se alastrar pela expressão de Yidrin. Silenciosamente, ele se aproximava de Saslah em passos longos. Ele para logo a frente dela, a uma distância próxima e invasiva. Logo colocou a mão destra sobre a face da guardiã, num ato que somente a primeira vista pareceu afetuoso. Seguiu-se então uma frase curta e baixa, algo atípico ao tom alto e imperativo que sempre usava, digno de um ser com capacidade inata de liderar.

— Conte-me, tudo o que você... — disse Yidrin, fazendo uma pausa enquanto apertava seus dentes pontudos sobre os lábios. — Esconde!

Sua voz áspera demonstrava uma animosidade ainda velada, diferente de suas explosões de personalidade ao qual os dois já poderiam estar acostumados. O que era certo é que Yidrin estava irritado. Perigosamente irritado.





MALTHUS

Os efeitos eram muito distintos. Enquanto Merija se ajoelhava gritando de dor, segurando o pulso numa tentativa débil de aliviar a ardência que ocupava toda a sua mão, o outro sentia pequenos cortes feitos por riscos de uma energia translúcida e violácea, que o atingira na altura do abdome e na cintura.

Wilnas não sabia o que fazer. Sua covardia foi tamanha que não se permitiu aproximar de Merija. Constatou que não a amava. Queria apenas um caso, uma brincadeira jovial e despropositada. Quem sabe, uma história para contar pelo resto da vida. Só pensava em si, revelando que o altruísmo dos crentes em Materyon não fazia parte de sua essência. Olhou para a janela de onde viera e, depois, para a menina. Se a deixasse ali, em meio ao espaço de fenômenos sobrenaturais, poderia condená-la.

— Merija! Temos que ir embora! — disse Wilnas, exasperado, correndo em direção à janela. — Vamos! Agora!

Ordens não a protegeriam do desconhecido. Wilnas sabia disso. Nem mesmo a visão aflitiva dos gemidos que esmoreciam pouco a pouco, além do sangue que escorria do braço da jovem e a mão em carne viva, o compadeceram. Respirou fundo, pulou a janela e a deixou ali, totalmente a mercê.

— Desgraçado — protestou Merija, com os olhos marejados. Sua ofensa partia para aquele que, de uma forma ou de outra, jamais se proporia a amar novamente, embora sua cabeça se erguesse à criatura misteriosa que, embora ferida, nada sofrera de mais grave. Ele procurava pelo autor da proeza explosiva.




NATHAN

Os dois se viraram. Não pareciam tão aturdidos, ao menos não como deveriam. O primeiro, compelido por uma onda de ansiedade, recuou quatro passos, quase se colocando ao lado do chefe. Este, por sua vez, comprimiu o sorriso e fitou atentamente o mórbido. Já não superestimava mais a própria confiança. 

— Assim será feito. Sabemos que não se compra o tempo da morte.  

Ao contrário do aliado, o interlocutor avançou quatro passos, pondo-se à frente do outro, que, apesar de parado, tinha o corpo tão agitado quanto os galhos de uma árvore frágil em meio a uma tempestade. 

— Um objeto vermelho cintila do norte. Sua luz, alta e proeminente, invade os céus vindo da boca do vulcão Majara, como um pilar reluzente criado pelo fogo de Garlak. No entanto, não é o dragão quem a propaga. Vem do tesouro há muito cobiçado por teryonistas e marilistas, embora seus propósitos sejam deveras distintos. 

O outro homem olhava-o com estranheza, como se aquela história fosse desconhecida. Ao mesmo tempo, era uma maneira de não fitar o Ceifador diretamente. Isso anuviaria os seus pensamentos sobre os dizeres do companheiro, pois há muito se falava em Aliank sobre uma preciosidade confinada no âmago do vulcão, e portanto só acessível a Garlak. Havia, no entanto, diversas teses sobre sua real utilidade, no qual aquele indivíduo parecia conhecer melhor que outros. 

— Ele não atrai apenas curiosos — continuou o líder. — Seu poder é capaz de criar uma enorme fenda entre os mundos. As chamas do dragão não são nada perante o arder do fogo de Marilis. Com o artefato em mãos, ainda que temporariamente, quebraríamos as regras entre os planos físicos e espirituais, e levaríamos o calor do Inferlis aos vivos. Incineraríamos os aliankinos sem precisar despertar Garlak de seu sono. E, ainda assim, nos deleitaríamos com o sofrimento contínuo dos sectários de Materyon, erguendo um novo tempo através das cinzas do reino de Berong. Nosso regente será um dos acólitos do Maldito, alguém como eu e você. E assim não precisaríamos ser subservientes a uma criatura tão orgulhosa e poderosa como um dragão. 

Ouvir o próprio discurso fez bem ao homem, que sorriu sem se dar conta antes de concluir:  

— Ajude-nos a chegar ao tesouro escarlate. Não conhecemos ou ouvimos falar de alguém tão hábil em invocar criaturas inférlicas ou, ao mesmo tempo, se deslocar rapidamente entre espaços distantes, desde que sua graça lhe foi retirada pelos servos de Materyon. Mas, antes, precisamos alcançar as profundezas de Majara. Nós temos o caminho. Você, a chave. 

Não era bom que a morte não soubesse nada sobre um mediador que demonstrava conhecer muito sobre si. Era uma intimidade surpreendente e ao mesmo tempo perigosa, pois poucos eram os que sabiam o paradeiro de Nathan, ou sabiam que o motivo de seu cognome veio de tempos muito longínquos, quando propagava a morte por razões muito distintas. Ademais, que credibilidade havia naquela história, cuja natureza fantástica poderia denotar significados tão bons quanto ruins?

Enquanto ouvia o discurso, o Ceifador se mantinha como uma estátua macabra, imóvel ao passo que mantinha os olhos sinistros focados no marilista. A lâmina da enorme foice continuava displicentemente apoiada no chão, empunhada por apenas uma das mãos ao lado do corpo de Nathan. O único movimento visível em sua silhueta era o balançar do manto esfarrapado ao sabor da brisa noturna. E, quando o sanguessuga finalmente terminou de falar, um silêncio sepulcral dominava o descampado enquanto o Ceifador parecia digerir todas aquelas informações, tanto as agradáveis quanto as mais perturbadoras. 

 Coletou com primor as informações para a demanda, filho da noite — disse o Ceifador, cuja voz era como o sussurrar de um espectro. — E, de fato, derrubar a monarquia élfica sem a necessidade de nos curvarmos aos caprichos do dragão é uma alternativa deveras interessante.

O brilho púrpura sobressaiu dos olhos fundos da morte, perscrutando os visitantes da cabeça aos pés. A luz parecia faiscar em sinal de excitação. Era difícil captar os pequenos sinais corporais e expressões faciais daquela criatura cadavérica.

 Antes de meu veredito, diga-me quem seria vosso patrono e onde conseguiu tanta informação sobre mim e a Região Disforme.






FALLEN

A atenção de Burlin se dividiu por um momento. A música leve envolvia seu espírito, de forma a torná-lo mais reflexivo ante à situação e a pergunta de Salenae. Um sorriso brando apareceu, mas poderia ser interpretado tanto como empatia quanto ironia. Só alguns instantes depois, veio a resposta à dúvida:

— Não sei que motivos a trouxeram a Umonal, Salenae — disse ele, a voz sobressaindo aos tons da flauta. — Mas tristes são os que acreditam em amizade num lugar como este. Todos somos proscritos da capital. Lembre-se que há muito esquecemos o que essa palavra significa, assim como muitas outras normas ensinadas pelos supostos mandamentos do deus benévolo.

A melodia terminava rapidamente. Era o bastante para os assentados se levantarem, e quem estava de pé permaneceu em sua posição. Todos agiam por uma causa comum: aplaudir o artista. Burlin acompanhou os demais, aproveitando o momento para voltar o olhar à Salenae e complementar seu raciocínio:

— Gostaria de acreditar que tens sentimentos nobres, caríssima, mas suas vestes já contradizem totalmente a ideia. Posso imaginar claramente o porquê de ter sido expulsa da cidade para esta comunidade, populada indiscriminadamente por indivíduos sujos desde as entranhas da alma.

Embora a polidez ainda existisse em sua fala, Burlin ultrajava Salenae de forma insinuosa. Para ele, todos em Umonal eram iguais. O respeito demonstrado à priori era apenas um afago necessário, uma ponte segura para que pudesse caminhar rumo ao outro lado e, então, despejar palavras amoladas. A única coisa que ainda permanecia latente era a sua intenção perante o ato.


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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Malthus em Ter Out 31 2017, 18:31

Ao ver a catástrofe surgi e logo o salto do jovem janela a fora, Malthus fica em pé do outro lado da mesa, era possível de ver a destruição que o pequeno ataque tinha causado, fosse na jovem , ou moveis que tivesse sido atingido. O marilista da um gargalhar chamando atenção da criatura que visivelmente também tinha sido alvejada pelo seu ataque, e na minima movimentação a ser percebido por Malthus, ele reaparecia do lado da jovem indefesa caída ao chão, e com a ponta de seu dedo indicador que estava brilhando e apontado diretamente para a cabeça da menina, realiza um novo disparo.

A sede de sangue era visivelmente vista nos olhos de Malthus, que não tinha a minima piedade da jovem caída ali. O cenário explosível e sanguinolento lhe deixava com pulso acelerado entrando em um estado de êxtase ao ver o sangue jorrando. Apos o disparo contra a jovem o marilista levanta seu olhar para ver a entidade novamente. Gargalhando de emoção com toda a euforia que sentia naquele instante.
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Singlond em Ter Out 31 2017, 18:57

[size=40]Arregalou o olho, surpreso pela explosão que atingia tanto ele quanto a garota a sua frente. Sentia os rasgos dos resquícios de energia em seu abdome, mas nada parecia importar mais que a maçaneta e parte da porta que já não mais existiam. Centenas de memórias de um garoto abrindo aquela mesma porta surgiram e desapareceram em um flash que pareceu uma eternidade. Aos poucod, desviou a atenção à jovem. Parecia tão surpresa quanto ela e visivelmente ferida, o sangue gotejando e manchando o chão de sua outrora bela casa, agora arruinada. Buscou o outro jovem, mas este acabava de pular janela afora. Um ladrão a menos.[/size]

[size=40]— Quem...? - balbuciou de forma etérea, aumentando a voz a cada palavra que se seguia - Você não... Casa... Quem... QUEM!?[/size]

[size=40]Singlond fez menção de andar, mas seu corpo cynblarkino apenas deslizou da forma mais rápida que podia, atravessando a garota e parando no meio do salão e olhava para todos os lados, deslizando de um canto para outro, atravessando móveis e paredes enquanto repetia a mesma pergunta em gritos quase ensandecidos. Aquela casa era tudo o que tinha e algo, ou alguém, o havia atingido no lugar errado.[/size]

[size=40]Em um momento de total fúria, uma grande corrente em tons azul-acinzentados surgiu em suas mãos e, conforme buscava a origem da explosão, balançava a arma recém surgida em todas as direções, quase acertando a jovem por duaz vezes. Algo lhe dizia que aquela corrente levaria a punição ao criminoso que profanara sua casa. Parou diante do homem que ainda não havia visto. A corrente balançava em suas mãos como uma serpente.[/size]

[size=40]— QUEM!?... QUEM!?... QUEM É VOCÊ!? - gritava repetidamente -[/size]
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Fallen em Ter Nov 07 2017, 00:25

Off: Fallen continua até terminar de averiguar o salão, os convidados prestando especial atenção a conversa da lady de vermelho. Basicamente observa.

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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Yidrin Gallux em Seg Nov 13 2017, 23:23

OFF: ALELUIA!

ON: 

Saslah se esforçara poucas vezes na vida para conter seu veneno, que, por pouco, não pingara em Misesh. Aquilo poderia ser fatal ao frágil mensageiro. Ergueu a cabeça, engolindo toda a saliva, ao mesmo tempo que o esforço a prendia na calma. Observava o teto pedroso e avermelhado da caverna, enquanto ia erguendo o corpo lentamente. Ao ficar completamente ereta, abaixou a cabeça. Não encararia Yidrin. Não despertaria nele a melhor impressão se o fizesse. 

— Desculpe-me, kop-Yidrin — disse Saslah. — Não tenho explicação a alguma a lhe dar, além de que não queria importuná-lo com criaturas débeis como esta. 


— Saslah, eu quero uma conversa particular com você depois, mas agora eu quero saber mais sobre essa história toda.  — Dizia Yidrin, de certo modo entendendo sua motivação, mas ainda sim estranhando o comportamento extremamente agressivo recentemente demonstrado por ela.

Sem ligar para o insulto, Misesh se esgueirava com as costas para fora das pernas da agressora. Apoiava as mãos no chão e levantou-se o mais rápido que pôde. Não a temia mais. Finalmente, estava diante daquele que poderia resolver o problema do povo reptiliano. 
Yidrin volta a sua atenção para o pachorrento, querendo saber tudo o que ele tinha a explicar sobre o medo de seu povo estar exposto. Via que o pobre coitado estava mais confiante e menos temeroso por estar em sua presença, mudança de atitude que o fez soltar um suspiro rapidamente. Estava claramente diante de um, pondo diretamente e em palavras brutas, covarde.

— Encontrei um corpo — disse Misesh, sem perder tempo, olhando para Yidrin. Abandonava sua fama de pachorrento por um instante. Julgava que o melhor a se fazer era ser direto. — Um cadáver humano em decomposição numa lagoa de água acessível aos subterrâneos. Isso significa que alguém está perto de nos descobrir, ou já abriu caminho para alguém. Só não foi forte o suficiente para prosseguir. 


Com essas informações vindo a tona, a conversa toma um rumo bem mais sério, inclusive o próprio Misesh não enrolava com as palavras, foi direto, rompendo o motivo pelo qual tinha o apelido de pachorrento. Agora sim, a situação se mostrava digna da atenção de Yidrin. Alguém, mesmo que morto, tão próximo do esconderijo? Queria saber de onde o corpo veio e como chegou ali.

O som do "S" na língua de Saslah se intensificou por um momento. Ela não ousou fitar Yidrin, sustentando seus olhos fendidos sobre Misesh. Estava prestes a falar algo, mas se calara. Ainda não era o momento de se manifestar.
O líder lakriak mais uma vez estranhava o comportamento daquela que considerava como seu braço direito, e cada vez mais tinha suspeitas de que havia algo mais nessa situação do que ela desejava falar para ele. Isso não era bom. Teria que realmente por ela contra a parede para saber o que havia acontecido enquanto estava fora? Ainda sim, o outro lakriak ainda não havia terminado seu relatório.

— Posso levá-lo até lá, kop-Yidrin — continuou Misesh. — Mas não tenho ideia do quão expostos nós... Estamos!


— Então vamos nos apressar antes que algo possa sair do meu controle.

A cabeça de Saslah se voltou para baixo, inclinada mais à direita, como se pensasse em alguém específico. Dividia a informação, contudo, de uma forma impessoal, murmurando uma palavra muito reveladora. 

— Traidores! — disse a guardiã, sustentando por algum tempo o som da última letra. 


Essa palavra carregava um assunto e uma possibilidade extremamente forte e sensível para Yidrin. O problema foi que Saslah não deu continuidade ao raciocínio ou explicação daquele adjetivo que o seu líder tanto odiava, o que fez muitos pensamentos passarem por sua cabeça nos poucos segundos em que ele a fitou com um olhar extremamente ameaçador, o qual se formou instantes após ouvir a voz dela pronunciar tal coisa. A única conclusão que chegava a partir daquela palavra, naquele momento e no contexto em que foi inserida, era que ELE havia sido traído por alguém de seu povo, e consequentemente isso apenas veio a tona porque Misesh comentou do corpo. Ou seja, Saslah estaria mantendo isso escondido. Por que? Essa era uma linha de raciocinio extremamente simples que automaticamente se construiu no cérebro do líder. E o comportamento estranho que ela havia demonstrado desde que chegou era apenas combustível sendo adicionado a uma chama que já queimava forte.

— O. Que?

Dizia, com uma pausa acentuada e seca entre as duas palavras. Inclusive, pronunciava essa curta frase em um tom baixo, algo que não era de costume de seu tom alto e imperativo que sempre usava, digno de um ser feito para ser líder. As pupilas logo dilataram e as fendas de seus olhos se comprimiram, demonstrando um sentimento perigoso que começava a se alastrar pela expressão de Yidrin. Silenciosamente ele se aproxima de Saslah em passos longos, com o mesmo olhar que a pouco havia tomado conta. Ele para logo a frente da lakriak, a uma distância próxima e invasiva, para logo por a sua mão sobre o rosto dela, como se fosse acariciá-lo, antes de finalmente continuar com suas palavras, que demontravam que seu recente gesto não era uma demonstração de afeição, mas sim algo que fazia para tentar manter a situação e resolve-la apenas com palavras.

— Conte-me. TUDO. Que você... — Fazia uma pausa, apertando seus dentes pontudos logo em seguida. — ...ESCONDE. — Terminava falando entre os dentes.

Suas palavras: Ásperas, demonstravam uma estranha violência silenciosa, diferente de suas explosões de personalidade ao qual os dois já poderiam estar acostumados. Era claro, Yidrin estava irritado. Perigosamente irritado.


Última edição por Yidrin Gallux em Ter Dez 05 2017, 15:14, editado 2 vez(es)
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Nathan em Ter Nov 21 2017, 10:11

Os dois se viraram. Não pareciam tão aturdidos, ao menos não como deveriam. O primeiro, compelido por uma onda de ansiedade, recuou quatro passos, quase se colocando ao lado do chefe. Este, por sua vez, comprimiu o sorriso e fitou atentamente o mórbido. Já não superestimava mais a própria confiança.

— Assim será feito. Sabemos que não se compra o tempo da morte.  

Ao contrário do aliado, o interlocutor avançou quatro passos, pondo-se à frente do outro, que, apesar de parado, tinha o corpo tão agitado quanto os galhos de uma árvore frágil em meio a uma tempestade.

— Um objeto vermelho cintila do norte. Sua luz, alta e proeminente, invade os céus vindo da boca do vulcão Majara, como um pilar reluzente criado pelo fogo de Garlak. No entanto, não é o dragão quem a propaga. Vem do tesouro há muito cobiçado por teryonistas e marilistas, embora seus propósitos sejam deveras distintos.

O outro homem olhava-o com estranheza, como se aquela história fosse desconhecida. Ao mesmo tempo, era uma maneira de não fitar o Ceifador diretamente. Isso anuviaria os seus pensamentos sobre os dizeres do companheiro, pois há muito se falava em Aliank sobre uma preciosidade confinada no âmago do vulcão, e portanto só acessível a Garlak. Havia, no entanto, diversas teses sobre sua real utilidade, no qual aquele indivíduo parecia conhecer melhor que outros.

— Ele não atrai apenas curiosos — continuou o líder. — Seu poder é capaz de criar uma enorme fenda entre os mundos. As chamas do dragão não são nada perante o arder do fogo de Marilis. Com o artefato em mãos, ainda que temporariamente, quebraríamos as regras entre os planos físicos e espirituais, e levaríamos o calor do Inferlis aos vivos. Incineraríamos os aliankinos sem precisar despertar Garlak de seu sono. E, ainda assim, nos deleitaríamos com o sofrimento contínuo dos sectários de Materyon, erguendo um novo tempo através das cinzas do reino de Berong. Nosso regente será um dos acólitos do Maldito, alguém como eu e você. E assim não precisaríamos ser subservientes a uma criatura tão orgulhosa e poderosa como um dragão.

Ouvir o próprio discurso fez bem ao homem, que sorriu sem se dar conta antes de concluir:  

— Ajude-nos a chegar ao tesouro escarlate. Não conhecemos ou ouvimos falar de alguém tão hábil em invocar criaturas inférlicas ou, ao mesmo tempo, se deslocar rapidamente entre espaços distantes, desde que sua graça lhe foi retirada pelos servos de Materyon. Mas, antes, precisamos alcançar as profundezas de Majara. Nós temos o caminho. Você, a chave.

Não era bom que a morte não soubesse nada sobre um interlocutor que demonstrava conhecer muito sobre si. Era uma intimidade surpreendente e ao mesmo tempo perigosa, pois poucos eram os que sabiam o paradeiro de Nathan, ou sabiam que o motivo de seu cognome veio de tempos muito longínquos, quando propagava a morte por razões muito distintas. Ademais, que credibilidade havia naquela história, cuja natureza fantástica poderia denotar significados tão bons quanto ruins?


Enquanto o vampiro discursava, o Ceifador se mantinha prostrado a sua frente como uma estátua macabra, imóvel ao passo que mantinha os olhos sinistros focados no marilista. A lâmina da enorme foice continuava displicentemente apoiada no chão, empunhada por apenas uma das mãos ao lado do corpo do nathan. O único movimento visível em sua silhueta era o balançar do manto esfarrapado ao sabor da brisa noturna. Após o término da fala do sanguessuga, um silêncio sepulcral dominava o descampado enquanto o Ceifador parecia digerir todas aquelas informações, tanto as agradáveis quanto as mais perturbadoras.

 Coletou com primor as informações para a demanda, filho da noite. E, de fato, derrubar a monarquia élfica sem a necessidade de nos curvarmos aos caprichos do dragão é uma alternativa deveras interessante.

A voz sussurrante de Nathan era quase inaudível, mas a audição aguçada dos vampiros seriam capazes de discernir suas palavras, que mais soavam como devaneios. O brilho púrpura de seus olhos fundos se voltavam de um para o outro visitante, perscrutando-os da cabeça aos pés. A luz parecia faiscar em sinal de excitação. Era difícil captar os pequenos sinais corporais e expressões faciais naquela criatura cadavérica.

 Antes de meu veredito, diga-me quem seria vosso patrono e onde conseguiu tanta informação sobre mim e a Região Disforme.


Última edição por Nathan em Ter Dez 05 2017, 14:39, editado 1 vez(es)

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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Elgard em Qui Nov 30 2017, 15:20

A atenção de Burlin se dividiu por um momento. A música leve envolvia seu espírito, de forma a torná-lo mais reflexivo ante à situação e a pergunta de Salenae. Um sorriso brando apareceu, mas poderia ser interpretado tanto como empatia quanto ironia. Só alguns instantes depois, veio a resposta à dúvida:

— Não sei que motivos a trouxeram a Umonal, Salenae — disse ele, a voz sobressaindo aos tons da flauta. — Mas tristes são os que acreditam em amizade num lugar como este. Todos somos proscritos da capital. Lembre-se que há muito esquecemos o que essa palavra significa, assim como muitas outras normas ensinadas pelos supostos mandamentos do deus benévolo.

A melodia terminava rapidamente. Era o bastante para os assentados se levantarem, e quem estava de pé permaneceu em sua posição. Todos agiam por uma causa comum: aplaudir o artista,
do qual em quanto isso fazia agradecimentos com uma leve curvatura de ser copo como uma reverencia a todos estando em pé no Tablado onde se encontrava até os aplausos terminarem, aonde da li viria a se retirar. Burlin acompanhou os demais, aproveitando o momento para voltar o olhar à Salenae e complementar seu raciocínio:

— Gostaria de acreditar que tens sentimentos nobres, caríssima, mas suas vestes já contradizem totalmente a ideia. Posso imaginar claramente o porquê de ter sido expulsa da cidade para esta comunidade, populada indiscriminadamente por indivíduos sujos desde as entranhas da alma.

Embora a polidez ainda existisse em sua fala, Burlin ultrajava Salenae de forma insinuosa. Para ele, todos em Umonal eram iguais. O respeito demonstrado à priori era apenas um afago necessário, uma ponte segura para que pudesse caminhar rumo ao outro lado e, então, despejar palavras amoladas. A única coisa que ainda permanecia latente era a sua intenção perante o ato.
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Ter Dez 12 2017, 17:40

Considerações off

Vamos ao jogo:




YIDRIN

— Solte-me! — disse Saslah, sem se debater. Queria que seu líder recobrasse a consciência e percebesse o erro que estava cometendo. — É o meu líder e serei sempre fiel a você. Mas não aceito ser tratada dessa... forma.

Pela primeira vez, Saslah se dirigia a Yidrin daquela maneira. Apesar da aparência destemida, ainda havia algum receio em sua voz. Sabia que podia desencadear uma erupção com tal atitude, e portanto precisava ser rápida em sua argumentação.

— Sempre procurei poupá-lo das tolices que chegavam a mim e aos demais guardiões — continuou Saslah. — Não dei importância a elas. Talvez não como deveria, e agora estou disposta a pagar pelo meu erro. Eu não tenho dúvidas de que eles estão envolvidos nisso, mas não tinha ideia de que possuíam a menor chance de nos descobrir.

— Quem são eles? — perguntou Misesh, confuso.

— Os malditos exilados de Aliank — respondeu Saslah, olhando de soslaio para Misesh. — Há muito tentavam chegar aqui. Seu morto não significa necessariamente que conseguiram, mas é um motivo forte para nos preocuparmos.

Misesh coçava a cabeça esperando que Saslah fosse mais direta.

— Alguns vigias da superfície avisaram aos guardiões que homens perambulavam pelas redondezas por muito tempo, buscando algo com muito afinco nessa região. Eles não conseguiam avançar por causa dos caçadores majurks. Se fossem vistos por eles, seriam levados de volta a um povoado composto por bandoleiros da cidade de Aliank ou executados pelos próprios ursídeos. Não imaginávamos que fossem capazes de nos encontrar devido às limitações que possuíam em tempo e recursos para desbravar labirintos tão complexos quanto os nossos. Parece que ao menos um deles fugiu à regra. E não há outro jeito disso ter acontecido sem que um dos nossos, ou talvez mais, tenham traído o nosso segredo secular!

A saliva de Saslah escorria involuntariamente. Não desejava envenenar Yidrin ou Misesh, mas, assim como seu superior, se esforçava ao máximo para controlar suas emoções. De toda forma, ela sabia que em grande parte detinha a responsabilidade pela exposição do povo lacertílio. Se não tivesse tratado todos como meros subalternos, teriam menos problemas para se preocupar agora.




NATHAN

— Aquela que fala a Língua Maldita do Inferlis — disse o homem, suprimindo o sorriso. — Ela tem muitos acordos com o Violador, que corrompe as mentes dos aliankinos com benesses que parecem maldições aos olhos dos teryonistas. Não conheces Lady Ciadra, minha ama, mas é íntimo de Wagsa. Ela é uma das muitas mediadoras da vontade de Marilis neste mundo, assim como tu és.

Ele tinha razão. Wagsa, o Violador, estava diretamente ligado ao motivo pelo qual Nathan habitava ali. Um dos dez Lordes a serviço do deus maldito vigiava aquelas terras como um caçador voraz e ao mesmo tempo indistinto, tramando dia e noite contra o reino erguido por Berong. Para ele, o Ceifador seria o condutor das almas pérfidas dos teryonistas, quando o dragão de Majara fosse despertado e transformasse Aliank numa enorme ruína incandescente. Todavia, segundo as palavras daquele sujeito, o plano havia sido totalmente transformado, já que Garlak era a melhor chance de uma vitória rápida. Ao mesmo tempo, havia preocupação sobre a ameaça contínua que poderia proporcionar devido a sua personalidade, um problema vivenciado por séculos antes de sua queda.

— Se aceitares, desejo levá-lo até Lady Ciadra, que poderá comprovar o que lhe digo. Através dela, soubemos da sua fama, o caçador de criaturas profanas que subverteu as ordens dos asseclas sacros de Materyon. Poderás ter com ela em Umonal, enquanto organiza os últimos preparativos para a grande busca ao Tesouro Escarlate.

O outro homem suspirou. A amenidade do diálogo lhe trazia certa tranquilidade, embora tudo só se definisse quando a palavra final fosse dada pela morte e, até onde sabia, ela nunca era agradável.

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