(Conto) O Tesouro Escarlate

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(Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Ter Set 12 2017, 19:49

Considerações off

Nota: Novas palavras, baseadas no contexto do turno de hoje, foram adicionadas ao glossário. Veja em: http://materyalis.mo-rpg.com/t3391-cronologia-glossario-as-cronicas-de-aliank

Vamos ao jogo:




YIDRIN

Os ventos da superfície e a imensidão do céu. Uma visão ímpar para uma criatura cujo lar está oculto nas profundezas da terra. A variedade de cenários e de seres era algo que encantava o grande metamorfo lacertílio, que caminhava por passagens rochosas, aproveitando os últimos momentos antes de retornar ao seu domínio secreto.

Seus trajes, no entanto, não eram tão diferentes dos seres da superfície. Vestia um enorme capote cinza, que escondia sua principal peculiaridade racial: uma cauda, que agora estava envolvida em sua cintura e, certamente, causaria muito clamor se fosse vista por outros habitantes do território aliankino. 

— Ah — suspirava o ser. — Creio que já estou há muito tempo aqui em cima. E espero que esteja tudo inteiro lá embaixo.

Conhecendo o temperamento arredio daquela a quem respondia por ele em sua ausência, ele divagava sobre possibilidades desagradáveis. Era o líder de seu povo e conhecia o caráter de cada um dos seus comparsas, procurando não julgá-los desnecessariamente. Afinal, sua personalidade também não era tão distinta dos geniosos parceiros que lhe protegiam. 

Já perto de chegar ao objetivo, ele para. Puxa da roupa as sobras de uma lebre que havia pego e assado na manhã daquele dia, embrulhadas em folhas grandes de uma planta a qual havia esfumaçado na brasa para dar um sabor extra à carne. Porém, ao abri-las, a expressão do lakriak se fecha instantaneamente, e seus lábios se distorcem antes dele apertar os dentes e desabafar altissonante. 

— E isso é tudo o que sobrou? — falava sozinho, furiosamente. — Grrrrrawr! Malditas sejam essas criaturinhas rápidas e evasivas! Eu preciso de mais umas quatro para ficar satisfeito! Eu deveria ter queimado sua toca, ou quem sabe todo o bosque. Assim pouparia os meus esforços e saciaria a minha fome com algo diferente de insetos! 

Era difícil imaginar que seu corpo robusto se sustentasse com seres tão pequenos. Não, definitivamente ele precisava de mais. Muito mais! 

Não se preocupava em parar e sentar para comer. Fazia isso enquanto continuava a seguir a pequena estrada de terra, enquanto mantinha em sua face o seu mal-humor espontâneo pela quantidade ínfima de comida ingerida em sua jornada pelas montanhas e, também, pela sua obrigação e responsabilidade de logo ter que voltar à toca, sem nenhuma notícia interessante. Mal sabia ele, porém, que as novidades viriam naturalmente, mas não eram agradáveis aos seus propósitos. 

*****

— Estamos expostos! Estamos expostos!

Por mais que tentasse se deslocar rapidamente, Misesh, que também atendia pela alcunha de pachorrento, arrastava seu pesado corpo pelo chão áspero da caverna. As pernas traziam toda a sua adiposidade com uma dificuldade incompatível à urgência propagada na mensagem destinada ao povo do subsolo, que, por séculos, tinha pleno interesse em permanecer secreto.

Embrenhando-se por um algar cuja luz era provinda por um longo lençol de lava à sua destra, o indivíduo se apoiava nos pilares de metal escarlate, esculpidos pela mesma raça lacertília do sujeito ranzinza que ainda perambulava na área externa ao latíbulo.

— Até o eco do seu berro é lento! — vociferou uma criatura feminina, fazendo Misesh se escorar morosamente com as costas curvadas em uma das altas colunas do local.

As mãos enrugadas do ser se apoiaram nos joelhos. Ele estava ofegante. Olhava para o rumo setentrional da caverna, por onde saía um enorme fulgor vermelho de uma elevada passagem em arco, iluminando os passos apressados da interlocutora de outrora.

— Você... já foi mais rápida, Saslah — zombou Misesh.

Uma figura calva se aproximava. Tinha pele negra, com marcas amarelas e sinuosas que pareciam pintadas à mão. Usava somente uma tanga de palha, que ia da cintura até um pouco acima dos joelhos, além de uma roupa formada pela mesma gramínea chamada azex*, que lhe cobria o busto. Uma cauda comprida e pontiaguda era balançada de um lado a outro, sem seguir os movimentos naturais do corpo. Era sinal de que estava impaciente e fazia questão de mostrar isso.

— Por que fui incomodada pelo pachorrento e sua voz anciã? — indagou Saslah, parando com os braços cruzados a pouco mais de uma braça do visitante.

— Você não me ouviu? — respondeu Misesh, ofegante. — Estamos expostos!

— O calor está corroendo sua cabeça? Por que ao invés de esperar que eu pergunte o que quer dizer com isso, você simplesmente não fala?

A cauda de Saslah bateu mais intensamente no chão, chamando a atenção de Misesh, que não tinha o mesmo atributo físico.

— Estão chegando aqui!

Ela arqueou as sobrancelhas desprovidas de pelos. Misesh entendeu que deveria continuar falando, ou experimentaria a ansiedade de Saslah de uma maneira nada agradável.

— Eu quero falar com kop-Yidrin.

— Vai ter que falar comigo primeiro — respondeu Saslah, meneando a cabeça negativamente. — E, mesmo que eu permitisse sua passagem aos salões, kop-Yidrin não está aqui.

— Onde ele está? — perguntou Misesh, com o semblante sôfrego.

— Foi se arrefecer no outono da superfície. Perdeu a noção do tempo, pachorrento?

Sim, era exatamente o que aconteceu a Misesh. Ele abaixou a cabeça. E só deixava a intermediadora do líder lacertílio ainda mais irritada.

— Você vai falar, ou não? Se o que quer dizer com "estamos expostos" for algo como alguém ter caído em um dos seus charcos nojentos e visto essa sua face imunda, dê meia volta antes que eu destile meu veneno em sua bocarra!

Saslah apertou o pulso. Uma gota de um líquido viscoso caiu lentamente de uma de suas marcas amarelas. Misesh a fitou, pávido. Era melhor ser convincente.  




MALTHUS

As trevas protegiam o seu aliado, que logo entraria incólume no casarão repleto de tesouros há muito esquecidos.

Mesmo tomados pela intensidade da chuva que caía naquela noite, os guardas aliankinos sempre eram um problema. Naquele turno, o toque de recolher era implacável. Por isso, a figura sombria não poderia simplesmente passar por eles.
Observava todos os detalhes com atenção. Contornava a casa pelo flanco leste, por onde não havia outros lares escondendo testemunhas nas janelas. O muro alto, aparentemente intransponível, foi estrategicamente burlado. Há dias, caixotes cheios de suprimentos eram deixados próximo à entrada do portão de acesso, quando agricultores ainda tinham a esperança de receber algo por suas mercadorias. Até que as encomendas pararam de chegar. Os aliankinos, sempre tão moralistas em nome de seu deus, eram incapazes de saquear os pertences deixados na rua. Não fosse o fato de que os Nesoma tinham negócios com a realeza e seus agentes locais, tudo aquilo já teria sido recolhido. O Intendente ainda aguardava um tempo até que decidisse declarar toda a família morta. No entanto, todo o evento era primoroso às intenções do homem, que empilhava dificultosamente os cunhetes para saltar a enorme parede e invadir o território proibido.

O homem caiu em uma parte fofa do jardim. Usara o máximo de sua vigorosidade para procurar a entrada mais próxima, mas não encontrara outra além de um improviso: uma janela de madeira quebrada, com os trincos facilmente violáveis. Correu pisando inevitavelmente nas poças de lama, que encardiram as roupas grossas que usava.

Forçava a madeira. Conseguia findar o objetivo. Pulava para o interior do casarão sem dificuldades. Entrou em uma grande sala de estar, vislumbrando um ambiente luxuoso. Uma rica tapeçaria aveludada tomava conta de quase todo o cômodo, indo desde a janela anterior até uma braça e meia rente a duas poltronas de madeira maciça e folhadas em prata. Estavam diante de uma lareira, com lenha suficiente para que fosse usada pelo resto da noite.

Havia diversos outros detalhes. Uma harpa com bordas polidas no canto esquerdo, junto a um pufe revestido com pelos de algum animal das montanhas nortenhas; dois sofás entalhados à mão, com forro prateado como as poltronas, posicionados perpendicularmente no centro da sala; quatro candelabros de chão, posicionados próximos a cada extremidade do ambiente; duas portas, uma a esquerda e outra a direita; e, por fim, uma mesa de carvalho, com dois lugares nas extremidades e outros quatro distribuídos nas laterais do móvel.

Meio receoso, o invasor começou a explorar o local, espalhando lama à medida em que andava. Olhava para tudo como um caçador indômito. Levantava as extremidades do tapete, procurando por algum alçapão ou, quem sabe, objeto. Nada. Sua adrenalina o impedia de pensar nos detalhes com cuidado. Logo desistiu dos móveis e tentou a porta da direita. Estava trancada. Ainda restava a outra. Indeciso, pensava em seus próximos movimentos, enquanto outro indivíduo intentava entrar no casarão.

Ao contrário do primeiro, porém, este conhecia bem a propriedade, mesmo estando distante dela há algum tempo. Ali vivera alegrias e tristezas por muitos anos. Ansiava chegar logo, mas seus passos eram lentos e seu corpo não parecia dar conta da chuva fria e do vento constante que tomavam aquela noite.

Tomara o mesmo caminho do ladrão que o precedera no ato. Ao ver o jardim, constatava que já não era como se lembrava. Os canteiros, tomados por ervas daninhas, não tinham o cheiro doce das mais diversas rosas que sua mãe cultivava, o que era estranho para ele. Todavia, nunca gostara daquele aroma. Preferiu sair logo dali, se dirigindo para a janela aberta,
o que atiçou os sentidos do outro invasor, que, tenso, se deslocara até a porta da esquerda. Obteve sucesso em abri-la, e não hesitou em passar por ela. Continuava despercebido. Só não sabia por quanto tempo.

Enquanto o antigo morador se deparava com a sala de estar, o homem sombrio encontrava um compartimento de jantar. Sua natureza o possibilitava enxergar com facilidade no breu do local. Porém, não teve tempo de minuciar outros detalhes, além de uma mesa comprida e cadeiras enfileiradas para receber muitos convidados. Estava atento ao ambiente vizinho. Precisaria agir ao menor movimento.

O outro, no entanto, percebia que o lugar estava exatamente como lembrava, porém mais empoeirado e descolorido. Passava as mãos por cada móvel com serenidade, contemplando-os com o único olho que ainda lhe proporcionava visão. Estava alheio ao fato de que já havia mais alguém ali, e que logo outros também viriam.

*****

— E então, Wilnas? Podemos ir?

A voz fina da adolescente indagava o namorado apressadamente. A chuva apoquentadora ensopava os corpos de ambos, escondidos em um beco escuro numa esquina próxima ao casarão.

— Falta pouco — respondeu Wilnas, forçando a vista entre as gotas grossas e o vapor denso que o impedia de ver com clareza a movimentação do trio de guardas aliankinos que patrulhava as ruas. A noite já havia passado da metade. O toque de recolher à plebe, no entanto, não valia para jovens audaciosos, que não se intimidavam mesmo num reino imperado pela inquisição.

— Estou com frio — reclamou a menina. — Devíamos ter esperado uma noite seca.

— Fique calma, Merija — disse Wilnas, com um sorriso no rosto. — Terei muito tempo para lhe aquecer nas colchas dos Nesoma.

Ela não respondeu. Se encolheu e espirrou, assustando Wilnas. Felizmente, os guardas já estavam se afastando bastante. O suficiente para que concretizassem o plano.

— Agora! — sinalizou Wilnas. — Vamos!

Ambos correram. Todos os empecilhos já foram dispersos. Há meses, o último dos Nesoma não retornara àquele lar. Os serviçais também abandonaram a propriedade. Afinal, não havia mais quem os sustentasse. Sem pagar os tributos, logo seria tomado pela ordem de algum déspota aliankino. E, enquanto isso não acontecia, servia perfeitamente como refúgio para os mais diversos propósitos.

Enquanto o casal usava o mesmo caminho dos outros, lá dentro, o verdadeiro morador era tomado por uma torrente de lembranças distantes e difusas. Seu rosto expressava inquietação, como se ainda tentasse entender a realidade em que agora estava. Até que suas divagações foram interrompidas por um barulho, e seu instinto possessivo alertou que alguém invadia seu antigo lar.

Rapidamente, pegou um braseiro no chão. Defenderia-se com ele, mas se lembrou da fraqueza que abatia seu corpo. Desistiu, deixando o objeto no console da lareira.

Olhou para a esquerda, a mesma que fora usada pelo salteador. Foi o mais rápido que pode até ela, conseguindo atravessá-la discretamente. O aposento estava escuro, porém, seu estado permitia enxergar todo o ambiente com facilidade. Não se ateve, contudo, a reparar em suas minúcias. Seu foco estava nos intrusos, de forma que também não percebera o outro indivíduo furtivo que o observava encolhido atrás da mesa.

Quando os adolescentes enfim entraram, ficavam maravilhados com todo o requinte. Mas Merija não conseguia se concentrar. Abraçou o próprio corpo, se recostando em Wilnas, que a amparou e sorriu.

— Lugar incrível, não é? — perguntou o jovem. — E ainda há tanto a se ver. Nem que orássemos a Materyon por décadas, conseguiríamos, algo assim.

Quieta, Merija parecia intimidada.

— Tem certeza que é seguro ficarmos aqui? — perguntou ela, preocupada.

— Ora, quem poderia nos atrapalhar?

O garoto, que não tinha mais que dezesseis primaveras, correu até o sofá da direita, onde se jogou displicentemente, sujando-o de lama.

— Venha, minha querida! Vou cumprir a minha promessa! Vou lhe aquecer!

O frio parecia agora o menor dos problemas para Merija. Ignorara o convite do amante, e caminhou lentamente até a porta da direita. Assim como o ladrão, não conseguiu abri-la. Restava a outra. Começava a ir para lá.  

Do outro lado, os homens ouviam as vozes joviais. O último a entrar encostara o ouvido na porta para entender melhor o que diziam. Constatou que passos se aproximavam! Estava prestes a ser visto! Foi tomado pela maior ansiedade que já o abatera. Abriu a boca espontaneamente. Há muito tempo não ouvia a própria voz, jazida no fundo de sua garganta. Agora, ela era a sua única arma. Faria com que ela ecoasse assim que a porta fosse inevitavelmente aberta.

— Já sei! Quer aproveitar a casa primeiro, certo? — perguntou Wilnas, com um sorriso abobado no rosto.

Ela não respondeu. Girou a maçaneta e abriu a porta.

— Vão embora! — bradou urrante o residente, defronte a garota indefesa.




NATHAN

As batidas constantes na aldrava do portão de ferro ribombavam. Emitiam um alerta impreterível. Não parariam, até que o único indivíduo disponível para atender aos dois encapuzados finalmente aparecesse.

— Quem pode ser tão idiota para vir a uma necrópole neste turno? — indagou uma voz masculina, rouca e envelhecida. — Acaso, esqueceram o toque de recolher?

Os dois homens se entreolharam. Não confirmariam, obviamente, uma resposta tão degradante.

— Abra! — ordenou um deles.

O ancião abriu uma portela, suficiente apenas para revelar seus olhos claros e nariz encrespado. Surpreendeu-se em ver os homens parados lado a lado como estátuas, e a aparência sombria das túnicas negras que os protegia da chuva e cobria seus rostos.

— Quem são vocês? — indagou o velho.

— Pessoas que desejam conhecer a Região Disforme — respondeu o outro.

O anfitrião os fitou como se os chamasse seguidamente de estúpidos.

— Já vi que são forasteiros — disse o macróbio. — Sabiam, por exemplo, que é proibido vestir preto em Aliank? Ou que os poucos que retornaram da Região Disforme hoje estão loucos, presos nas masmorras?

— Sim — respondeu o outro, revezando, deixando por um momento, o interlocutor sem reação.

— Tudo bem, estranhos. Já que não conseguem entender, então serei mais claro — esbravejou o velho, pigarreando. — O meu dever é enterrar os cadáveres, não conduzi-los à morte! Compreenderam?

A portela se fechou. O velho, que carregava uma lamparina, já não tinha mais saúde para continuar debaixo de chuva e sereno. Murmurava ranzinza contra os pretensos estrangeiros, enquanto voltava para o o casebre miserável onde vivia e, ao mesmo tempo, vigiava a necrópole.

Contudo, um tilintar foi ouvido do outro lado. Ele se tornava cada vez mais intenso, a ponto de fazer o coveiro parar. Olhou novamente para o portão, tentando entender o que se passava. Meneou a cabeça negativamente e seguiu o caminho de volta. Porém, as batidas da aldrava o interromperam novamente. Já não aguentava mais tanta perturbação.

— Vão embora! — gritou ele. — Tenham mais amor a única vida que Materyon lhes permite ter!

Foi quando fez menção de se virar novamente, que percebeu não ter mais vontade própria. O barulho tornava-se excruciante, mas não o deixava partir. Sua cabeça estava a ponto de explodir. A única maneira de interromper aquilo era abrindo o portão. A mente não parava de sugerir aquele ato. Era mais forte que ele. Precisava fazer isso. Que se danassem os ingênuos.

O coveiro, então, tirou um molho de chaves de sua túnica. Em verdade, não queria fazer aquilo. Simplesmente, não faria, mas era obrigado a tal, literalmente. Seu corpo tremia com o frio e com o domínio que estava sobre si. Raciocinava perfeitamente, mas era incapaz de consolidar a própria vontade. Seria obrigado a deixar que aqueles tolos seguissem em direção a Região Disforme. Se importava com eles, mas não podia evitar que fizessem o que bem entendessem.

O peso do portão era provindo do ferro e da idade avançada de seu guardião. Com muita dificuldade, fez o que não desejava. E, ao escancarar a entrada, não esperava que além da vontade usurpada, sua visão do campo externo seria a última de sua vida. Sua última luz foi o mover rápido de um vulto negro, que saltou sobre sua jugular, cravando nela dentes brancos e enormes. Enquanto sua alma tentava inutilmente permanecer no corpo, o outro encapuzado seguia sem muita pressa ao horizonte setentrional, numa trilha formada entre túmulos e mausoléus.

— O sabor do sangue ancião é como o vinho: quanto mais velho, melhor é o sabor — disse o primeiro peregrino.

O outro homem, antes debruçado sobre o corpo do coveiro, o deixou ali, morto indignamente. Era possível ver seus olhos vermelhos por baixo do capuz, fitando o outro que seguia lentamente.

— Como acharemos a tal Região Disforme? — indagou o assassino, altissonante.

— A morte nos rodeia, mas posso sentir a presença de seu emissário — respondeu, parando por um momento. — Vamos! Até ele deve ter um preço.

O homicida não apressou o passo. Acompanharia o assecla de longe. Estava ressabiado, pois pela primeira vez sentia como se logo pudesse dialogar com a morte, distintamente de todas as experiências que tivera, em que apenas usava-a como um fenômeno.





FALLEN

A água da clepsidra já quase transbordava. Os ventos frios da zona montanhosa de Majara traziam um fragor veemente, quebrando o silêncio nos casebres destinados aos proscritos da capital. Ademais, o som das botas metálicas dos vigilantes aliankinos estrondeavam no calçamento de pedra das ruas quase mortas, alertando aos exilados que não deveriam atentar mais uma vez contra as regras do reino.

Aquela noite, contudo, seria diferente. Não tanto quanto outras, porém, criaria marcos que sequer eram esperados.

Uma extensa propriedade ficara pronta há nove dias. Na verdade, tratava-se de uma obra não muito grandiosa, já que a arquitetura dos imóveis da cidade de Umonal não era projetada para garantir construções personalizadas. Oito delas foram anexadas. A área do entorno foi totalmente isolada, fazendo com que a população exilada daquela região fosse levada para uma outra, ao sul, onde não seriam mais um estorvo para um grupo que, há muito tempo, tirara na surdina o domínio da realeza aliankina sobre aquela província.

A Guilda dos Proscritos faria a sua primeira reunião após aquele grande feito. Seus negócios alavancariam, intentando, aos poucos tirar o poder e a influência de Berong sobre o próprio território erguido há duzentos anos. Prisioneiros de uma comunidade que estavam mais libertos do que se imaginava, e cujo progresso ficaria ainda mais evidente naquela noite.

Diante do portão de ferro que agora separava a rua deserta e o imóvel, dois homens conversavam. Um deles estava vestido elegantemente com trajes finos, sedosos e azuis. O outro era nada menos que um patrulheiro aliankino, que, neste momento, deveria manter o engomado enclausurado em um casebre qualquer.

— Então, entendestes o roteiro, senhor Edcas? — perguntou o homem de aparência nobre. — Lady Ciadra não aprecia nem recompensa a desordem.

— Comigo aqui, vocês estarão seguros, senhor Sanlay — respondeu o armífero, tocando no cabo da espada embainhada.

— Pensei em lhe deixar algumas instruções por escrito, mas temo que isso não lhe seja útil, estou certo? — indagou Sanlay.

— Infelizmente — disse Edcas, que, como muitos em Aliank, não sabia ler ou escrever. — Mas não se preocupe. Tenho uma boa memória.

Sanlay meneou a cabeça positivamente.

— Estamos esperando três figuras muito importantes. Eles não podem ser barrados em hipótese alguma. Fui claro?

— O bardo, a meretriz e o... elfo. Correto? — perguntou o guerreiro, demonstrando asco à última palavra.

— Estes mesmos. Mas sua mente recordará seus nomes?

— Estão mais claros que a neve invernal, senhor.

— Muito bem, então, entrarei. Há muito o que preparar para esta noite.

Sanlay se retirou, passando pelo jardim de arbustos recentemente plantados na entrada. O guerreiro se voltou para o lado de fora, onde tudo permanecia ermo. Por algum tempo, permaneceu acompanhado do som dos ventos e dos burburinhos que já começavam entre os convidados já presentes na festa.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Qua Set 20 2017, 11:50, editado 10 vez(es)

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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Singlond em Qua Set 13 2017, 10:05

Aquela era apenas mais uma noite. Já não sabia quanto tempo havia se passado desde que voltara a visitar aquela propriedade que lhe trouxera alegrias e tristezas por muitos e muitos anos. Seus passos eram lentos e seu corpo não parecia dar conta da chuva fria e do vento constante que tomavam conta da noite. O jardim já não era como se lembrava. Os canteiros, tomados por ervas daninhas, não tinham o cheiro doce das mais diversas rosas que sua mãe cultivava, o que era estranho para ele, pois nunca havia gostado daquele cheiro.

O casarão, ainda que imponente, mostrava sinais de abandono. Já não havia segurança, a não ser a dos guardas da cidade que, tinha certeza, não o haviam visto ao passar pelos caixotes deixados por fazendeiros e atravessar o muro. O grande salão interno estava exatamente como lembrava, só que com mais poeira e menos cor, em sua opinião. Passou a mão por cada móvel de madeira e tapeçaria com solenidade. Parou diante da bela harpa e a contemplou com seu único olho bom como se fosse a coisa mais linda que já vira na vida, deslizando seus dedos calmamente pelas cordas, como se desejasse tocá-la. Seus olhos percorriam os detalhes de cada peça enquanto sua mente era inundada por uma torrente de lembranças tão distantes e difusas que era impossível que seu rosto não demonstrasse dúvidas sobre a veracidade delas.

Um barulho. Alguém invadindo sua casa. Por um momento pegou o braseiro que estava no chão próximo para se defender, mas estava fraco e, pensando duas vezes, pendurou-o acima da lareira, na parede que subia para a chaminé. Correu até a porta de ferro da esquerda e a fechou sem barulho. Um corredor escuro se adiantou à sua frente, mas para ele era como se nunca houvesse saído daquela casa. Sabia que nada viria do porão.

Ouviu vozes. Dois jovens conversavam. Encostou o ouvido na porta para melhor entender o que diziam. Ouviu passos se aproximarem da porta e viu a maçaneta girar. Segurou-a com todas as suas forças, e como a mesma não moveu, a pessoa do outro lado desistiu. Soltou um suspiro baixo, mas continuou quieto atrás da porta. Não queria ser visto naquele estado deplorável no qual se encontrava, mas seu intestino virou e torceu. Uma sensação maior que qualquer coisa que já havia sentido inundou seu corpo por completo. Sem perceber, abriu a boca lentamente e uma voz que há muito não ouvia saiu do fundo de sua garganta como um urro, ecoando pelo vasto salão do outro lado da porta.

— VÃO EMBORA!


Última edição por Singlond em Sab Set 16 2017, 20:24, editado 1 vez(es)
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Elgard em Qua Set 13 2017, 15:14

Após um leve tempo com Edcas observava a rua que em si ainda era deserta começou-se a se ouvir um som leve e suave, diferente dos burburinhos que vinham dos convidados, parecia ser o som vindo de uma flauta. O som parecia tranquilizar devido a sua leveza aparente e então logo pode se ver um Homem com trajes aparentemente simples e ao mesmo tempo com certa elegância pessoal, trajando uma capa azul com capuz, que se encontrava abaixado e em sua cabeça um pequeno chapéu cinza e uma plena vermelha presa, ele também estava usando uma camisa marrom e calças cinza.
Ele vinha caminhando e tocando suavemente sua flauta, e era como se tudo fosse ficando mais devagar exceto os movimentos do bardo, a lua. Assim que chega próximo ao guarde ele então para de tocar e em quanto guardava sua flauta na cintura também removendo o chapéu.

— Uma bela noite não? — Disse o bardo — Gostaria de me encontrar com Lady Ciadra. Creio que não vejo ter sido o primeiro a chegar, correto? — Ele fala sorrindo como se fosse algo costumeiro um atraso vindo de sua pessoa.

Após questionar ele aguardou uns estantes, mesmo após a resposta do que havia perguntado parecia que ele esperava alguma outra coisa, talvez alguma informação ou indagação, porem logo após ele começa a adentrar passando pelo jardim de arbustos recentemente plantados na entrada.
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Nathan em Qui Set 14 2017, 11:03

O som das batidas no portão pesado de ferro ecoava na vastidão da necrópole, com certeza atraindo atenções muito mais sombrias que a do velho guardião local. Indiferente ao que se passava entre os invasores e o agora novo defunto junto ao portão que se abrira com novo estardalhaço, quebrando o silêncio fúnebre da madrugada, jazia um observador ainda mais sinistro que os dois mortos-vivos recém-chegados.

Este se mantinha oculto, acompanhando o movimento dos invasores com olhos púrpuras, tomados de energia kalaidrina que permitiam enxergar através da película que separava o plano metonyano daquele habitado pelos espíritos e criaturas cymblarkinas. Antes de revelar a própria presença, o Ceifador estudava os sangue-sugas e buscava perceber seus pontos fracos e habilidades. A demonstração de poder para dominar a vontade do coveiro reforçava a cautela do artaninfolo, que não recebia a visita de simples curiosos.

Permitia que os vampiros avançassem cada vez mais próximos da lendária Região Disforme, como era conhecido o local onde o tecido da realidade era tão fino que por vezes os planos espelhados chegavam a convergir. Para não se mostrar abertamente aos invasores, o marilista invocava algumas almas errantes, comuns na necrópole, e aqueles sensíveis ao cymblarkin veriam algumas esferas etéreas flutuarem dispersas entre os túmulos. Aquelas manifestações espirituais eram conhecidas vulgarmente como fogo-fátuo.

- Quem ousa se aproximar da Região Disforme?

A voz ecoaria ao redor dos invasores ao cruzar a barreira entre os planos. A intenção era fazer os vampiros acreditarem que inicialmente eram interpelados apenas pelos espíritos que habitavam o local, e não pelo próprio Ceifador.

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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Malthus em Sab Set 16 2017, 19:25

E ao Pico da noite apenas o vento soprava ao horizonte, não tinha sinais de nenhuma criatura viva por perto e em uma rua afastada via-se um casaram. A chuva caia intensamente e Malthus aproximava da localidade em busca de completar sua missão. O Alukan apos chegar observava de uma distancia segura a presença de alguns guardas próximo ao local, e logo escondia-se nas esquinas escuras ali próximo. Apos alguns minutos o momento surgia e Malthus logo adentrava na localidade sem muita dificuldade. Apos observar os arredores percebiam que todas as portas e janelas estavam fechadas, exceto uma aparentemente já violada, uma pequena janela de madeira.

Malthus aproximava da janela e olhava de forma rápida o interior da mansão percebendo que ninguém estava ali, saltava rapidamente sobre a janela e logo se via em uma grande sala com moveis finos e caros começava a vasculhar o local olhando atentamente como se busca-se alguma coisa, entretanto, era notável que mais pessoas estiveram ali aquela noite, passos e rastros de lama estavam localizadas no recinto, e meio receioso abaixava-se próximo a arpa e levantava um tapete próximo de duas poltronas ali presente, infelizmente nada encontrava. Impaciente, Malthus abria a porta da direita dando acesso a outro tipo de sala, deixava uma pequena frecha de luz sobre a porta apenas para da uma pequena iluminação no ambiente, novamente ninguém avista, via-se uma mesa menor e quatro cadeiras também de material requintado, uma estatueta de canto e uma enorme pratilheira com diversos livros de todos os tamanhos e cores, na parte alta da pratilheira um pequeno bau trancado a chave o qual Malthus retirava e colocava sobre o chão em um local em que a frecha ilumina-se.

O alukan observava o ambiente mais cautelosamente ali mesmo abaixado no piso da sala, não era possível ver muito mais apenas outra janela de madeira trancada no fundo da sala, e sem pensar duas vezes Malthus força o bau quebrando a fechadura sem muito pudor e via uma certa quantidade de papeis velhos dentro dele junto com muitos pergaminhos. Na sala a qual estava não tinha sinais de visantes, nem passos, nem lama, porem infelizmente Malthus ouve algum barulho vindo da sala ao lado, do qual tinha saído, e sorrateiramente observava pela frecha da porta quem aproximava-se do lugar, interrompendo sua ação de busca.
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Salenae em Seg Set 18 2017, 10:05

Salenae caminhava lentamente em direção à propriedade, seus passos eram graciosos, quase parecia levitar de tão suave que era seu toque ao chão. Ela vestia uma capa bordô de veludo, com um capuz cobrindo seus cabelos e ocultando sua face. Embaixo da capa, trajava um vestido, que parecia da alta elite aliankina, porém parecia um pouco mais gasto do que deveria.
Neste momento, ela tinha um objetivo a cumprir e não desejava chamar atenção, não pelo menos até chegar lá.
Mesmo com o capuz, era capaz de sentir a brisa da noite, ela sempre gostou das noites frias.
Enfim ela chegou ao lugar que precisava, ouvia as vozes em conjunto de algumas pessoas lá dentro e o guarda parecia ansioso na entrada. Salenae se aproximou do guarda, que se sobressaltou com sua voz doce, mas que parecia penetrar nas profundezas da alma.
- Boa noite! Gostaria de encontrar lady Ciadra, ela me aguarda.
Ela então entrou na sala principal, onde estavam os outros convidados, retirou a capa e a colocou em um cabideiro próximo à entrada. Agora era possível vê-la melhor. Era uma humana, aparentava ter cerca de 20 anos, pele quase tão alva quanto a neve, longos cabelos pretos azulados e ondulados que desciam até abaixo de seus quadris e belos e penetrantes olhos azuis. Seu vestido era de um cinza bem escuro, quase preto, com alguns detalhes em renda vermelha, contornava sua silhueta, marcando bem a cintura e apresentava um decote bem ousado.  

Quase todos os presentes a olhavam, mesmo sem ter a intenção. Ela sorriu e observou a sua volta, em busca de lady Ciadra.
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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Fallen em Seg Set 18 2017, 13:57

A maior parte dos convidados parecia já ter entrado na propriedade.Em um canto sombrio de uma das casas próximas à propriedade  havia um mendigo enrolado em uma estopa suja, estava todo coberto, encolhido  se protegendo do vento intenso daquela noite.  Ele estava imóvel no lugar há um bom tempo, alguns poderiam julga-lo morto mas das sombras de seu rosto coberto pela estopa os olhos prateados observavam a entrada com atenção. Se recolhendo nas sombras do sopé da casa ele se ergue deixando a estopa deslizar caindo ao chão. Sai das sombras caminhando altivo um homem trajando uma jaqueta longa de couro negro. A jaqueta se prendia um lado ao outro por 3 tiras de couro  que cruzavam o peito terminando em  presilhas prateadas a última quase a altura do cinturado.Na altura da cintura a jaqueta era presa por um cinto ligeiramente largo e negro com uma fivela redonda prateada. Embaixo da jaqueta podia se observar uma camisa de crepe de seda branca,um colete de seda negro, um lenço de seda creme em torno no pescoço sob a gola da camisa com tecido caindo sobre o colo do peito e preso embaixo da lapela da jaqueta e da primeira tira que a prendia. Ele puxava as mangas e as alisava tirando a poeira, suas mãos estavam cobertas com luvas brancas de cetim engomadas nas partes de cima,  enquanto caminhava apertava abotoaduras prateadas nas mangas da jaqueta que cintilavam quando ele se movia. Em sua cabeça seu rosto era oculto até embaixo da linha das orelhas por um grande chapéu pontudo de couro de abas bem largas que pendiam para baixo, sua  ponta pendia dobrando sobre o próprio peso na base da ponta uma fivela prateada fazia o ajuste do tamanho junto as grandes abas. Apenas podia se ver duas mechas de cabelo branco prateado, uma de cada lado do rosto caindo até o colo do peito e nas costas seu cabelo estava preso sob um rabo de cavalo embaixo do chapéu por uma presilha adornada. À medida que se aproxima do portão os saltos da as botas pretas de cano alto  faziam um som suave agora que ele desejava ser notado, as botas iam até o joelho e eram presas por fivelas de couro,dentro da boca da bota as calça de linho preta se prendiam. O "toc toc" do solado no pavimento de pedra aumentava a medida que ele se aproximava do portão. Sem dar muita atenção ao guarda ele já se dirigia para dentro da propriedade.


Última edição por Fallen em Seg Set 18 2017, 20:24, editado 1 vez(es)

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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

Mensagem por Yidrin Gallux em Seg Set 18 2017, 19:43

Os ventos da superfície e a imensidão do céu. Isso não é algo que se vê todo dia quando seu lar está oculto no interior mais profundo da terra. A variedade de cenários e de seres é algo que encanta o grande lakriak em sua visita distante de seu domínio secreto. Vestido com um enorme capote cinza que esconde as suas peculiaridades que o diferem das outras criaturas que andam por estas terras e com a cauda abraçada em sua cintura, ele caminha procurando nada mais do que se atualizar sobre os acontecimentos da superfície enquanto aprecia as belezas dali, no caminho para as passagens rochosas e abafadas de seu lar.

-Ah, creio eu que já estou a muito tempo aqui em cima...E espero que esteja tudo inteiro lá em baixo...

...Dizia isso conhecendo o temperamento daquela a quem respondia por ele enquanto não estava presente. Não que o próprio Yidrin tivesse um temperamento tão diferente. Ele puxa de seu capote as sobras de um pequeno animal que havia pego e assado na manhã daquele dia, embrulhadas em folhas grandes de uma planta a qual havia esfumaçado na brasa para dar um sabor extra à carne. Ao abrir as folhas, Instantaneamente a expressão do lakriak fecha e seus lábios se distorcem rapidamente antes dele apertar os dentes e desabafar...

-E isso é tudo que sobrou! Grrrrrawr!!! Malditas sejam essas criaturinhas rápidas e evasivas, eu preciso de mais umas quatro para sequer ficar satisfeito! Eu deveria ter queimado elas, a toca e o bosque!

 Reclamava e esbravejava para sí mesmo sobre a aparente falta de comida para agradar o seu enorme corpo e paladar. Não se preocupava em parar e sentar para comer, fazia isso enquanto continuava a seguir a pequena estrada de terra enquanto mantinha em sua face o seu mal-humor espontâneo pela quantidade de comida e pela sua obrigação e responsabilidade de logo ter que voltar à toca, com nenhuma notícia muito interessante...

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Agora chegue à conclusão óbvia, Duh!

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Re: (Conto) O Tesouro Escarlate

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