(Conto) O Advento Nefando

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(Conto) O Advento Nefando

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Qui Set 14 2017, 15:40

Considerações off

Começamos aqui as interpretações do conto "O Advento Nefando", envolvendo os personagens Bruce, Buliwif, Iscalis, Athorion e Raven.

A premissa da minha narrativa já é colocar o texto em formato literário, de forma que alguns detalhes serão omitidos no turno, mas enviados por Mensagem Privada a vocês. Por isso, limpem suas caixas de entrada de MPs.

Neste primeiro momento, a interpretação do jogador deve seguir o fluxo normal dos jogos anteriores. Mas é importante seguir as instruções abaixo, para facilitar a edição em todos os sentidos:

- Uma cena inicial é proposta, onde você terá duas possibilidades: observar (neste caso, apenas faça um post dizendo em off que observará) ou intervir (sendo assim, faça um turno normalmente). Estas duas opções serão permitidas em todos os demais turnos. Lembrando que todas as ações já preveem brechas para que sua personagem interfira

- Não use formatação do texto com cores. Quando o personagem se expressar verbalmente, coloque o travessão (alt+0151). Caso queira expressar algum pensamento, coloque em itálico, sem o travessão;

- Para criar o turno, prioriza-se a qualidade do texto, e não a quantidade. Na sequência do meu turno, marcarei em vermelho, no post da minha última ação, tudo o que foi extraído das ações de vocês, que, logicamente, podem sofrer edições. Quanto mais aproveitados forem na conversão, maior é o indício de que estão funcionando bem para o formato literário;

- Revise a ortografia, a gramática e a coesão e coerência do texto. Lembrando que este é um projeto literário e que é um requisito para participação. Apenas turnos que estejam dentro dessa proposta serão aceitos e respondidos;

- Revise a proposta que lhes foi enviada por áudio e sinopse pelo Whatsapp. Em caso de dúvidas, entrem em contato privadamente ou pelo nosso grupo; 

- Os posts neste conto acontecerão toda quinta-feira. Portanto, faça sua ação até a quarta anterior;

- Por fim, a disposição dos turnos é dividida por personagens. O primeiro tópico foca o ponto de vista de Bruce, mas considera a ambientação para Iscalis, Athorion, Buliwif e Raven. Para tanto: Bruce já está na residência. Trata-se da mansão dos Azkan, família aristocrata de Aliank conhecida como "exploradores". Sabidamente, são servos da realeza aliankina para reconhecer territórios externos ao reino, colher informações e entregar às hostes do reino, que compõem planos de colonização àquelas terras. Athorion, Buliwif e Raven, já formados como a elite secreta de Berong (A Ordem da Chama Divina), foram convocados pelo príncipe Illos (um dos filhos de Berong) a ir a uma ceia oferecida pela família em sua propriedade, mas desconhecem a razão disso (o próprio Bruce não sabe o assunto, apenas que o pai falará a respeito durante a ceia). Iscalis, o Alto Inquisidor do reino, também foi convocado por Illos. Por pertencerem aos postos de maior risco em Aliank, foi acordado que o evento aconteceria numa madrugada, onde a plebe não pode transitar pelas ruas da capital após a meia-noite (o tempo em Aliank é medido por clepsidras. Ver no Google caso não saibam o que é). Iscalis e Bruce desconhecem o propósito da Ordem e ficarão sabendo durante a ceia. A própria Ordem desconhece, igualmente, o assunto que será tratado por Dom Bradan (pai de Bruce). Sugiro que interfiram da seguinte forma: A Ordem em uma conversa, parando a cena ao chegar na mansão; Iscalis sendo o primeiro a chegar; Bruce falando com Sarah Azkan.

No mais, obrigado a todos por estarem aqui no projeto. Será uma honra narrar para vocês. 

Nota: Consulte o glossário para conferir traduções de palavras estranhas: http://materyalis.mo-rpg.com/t3391-cronologia-glossario-as-cronicas-de-aliank

Vamos ao jogo:




BRUCE

— Fale-me sobre as entradas, Nira.

A matriarca fitava a criada com um olhar exigente. Escolhera cuidadosamente os componentes do banquete e precisava ter certeza de que ela preparara tudo o que foi pedido.

— Pães e três pastas de queijo, tomate ou tâmaras, Dona.

Sarah anuiu com a cabeça. 

— Agora, as opções para o prato principal.

— Um pato, um carneiro e uma merluza. Temperos: molho picante de alho, ervas aromáticas, molho de vinho, vinagre e extrato de uva verde. Guarnições com especiarias, grãos e amêndoas.

— E quanto às sobremesas?

— Torta de maçã com molho de uvas passas.

Satisfeita, Sarah sorriu.

— Muito bem, está tudo pronto?

— Sim, Dona.

— Certo. Sirva ao meu sinal — ordenou a matriarca.

Trajando um belo vestido longo e azul escuro, Sarah saiu da sala de estar e entrou na de jantar. Conferia os últimos detalhes da ceia. A ornamentação da mesa era bela, com o tampo de madeira forrado com uma bela toalha de cetim dourado e bordado branco. Três candelabros de cinco velas estavam dispostos nas extremidades e no centro, iluminando o ambiente com a ajuda de castiçais de parede. O aposento era perfeitamente preparado para os convidados deliciarem as diferentes iguarias aprendidas pela família Azkan durante suas viagens pelo mundo.

— Dona Sarah — disse Nira, interrompendo-a de suas confabulações. — Devo chamar Dom Bradan e seu unigênito?

— Não. Anuncie-os quando os comensais estiverem reunidos.  

Nira respondeu afirmativamente. Sarah suspirou. Voltava lentamente por onde viera, mas desta vez passando por um corredor estreito após uma entrada em arco que desembocava na sala de estar e, por fim, terminava num hall amplo. Lá, um sujeito calvo e baixo, porém finamente enroupado, estava parado ao lado de uma porta de carvalho, por onde logo surgiriam membros do alto escalão aliankino.

— A Dona não deveria estar aqui — disse o mordomo. — Sei que a senhora não está feliz com o evento, embora sua delicadeza lhe impeça de abandonar seu perfeccionismo característico. Não é preciso que se preocupe. Cuidaremos de tudo. Por que não retorna à sala de estar e, ao menos, acalenta tua alma com o fogo da lareira? 

Sarah sorriu.

— É impossível esconder-lhe meus sentimentos, meu caro Fridlin — disse Sarah. — Mas não consigo sossegar. À despeito do banquete, sinto que esta noite será muito atordoante.

— Eu sugeriria que se acomodasse nos braços de Bruce, mas estou certo de que também deseja poupá-lo de seus devaneios.

— Isso mesmo — confirmou Sarah. — Não há motivos para preocupá-lo. Bradan já exige demais dele e o melhor é deixá-lo descansar até a ceia. Por isso, não comente nada com ele, está bem?

— Como quiser, Dona Sarah.

A mulher confiava plenamente em Fridlin. Era seu porto seguro em tempos difíceis. Há muito não podia contar com a afabilidade de Dom Bradan, seu esposo, que tornara-se um feudatário cego pelas ordens da realeza aliankina. Muitas vezes, era Bruce quem afagava sua alma contra a irrequietação de um povo pávido pela crueldade da inquisição. Esforçava-se ao máximo para parecer uma teryonista convicta e plena de sua fé, porém, seus objetivos se afastavam cada vez mais das contradições expostas pelas leis de uma nobreza insegura e defensiva.

— Receberei os comensais na sala de estar. Por favor, conduza-os conforme chegarem — ordenou Sarah, que se retirou da presença do mordomo. Seguiu a recomendação dele. Sentou-se em uma poltrona rente à lareira, aproveitando do fogo que fora aceso premeditadamente pelos serviçais para trazer conforto aos convivas antes da refeição.

Do lado de fora, um dos convidados se aproximava calmamente a cavalo. Atravessava as ruas largas com total tranquilidade, pois o turno escolhido para a reunião dos figurões aliankinos fora bem pensado. A plebe era obrigada a se manter em seus lares devido ao toque de recolher noturno, diminuindo a quantidade de observadores que poderiam conjecturar algo sobre a movimentação na casa dos Azkan. No entanto, os comensais sabiam, de imediato, que qualquer coisa relacionada à família dos "exploradores do mundo", como eram chamados, apontava para um assunto além das fronteiras aliankinas.

A curiosidade alimentava o cavaleiro incipiente, ainda que sua boca estivesse tapada por uma máscara famigerada pelo simbolismo despótico das leis aliankinas. Não era apenas mais uma pessoa com um trabalho a cumprir. Tratava-se de um carrasco hábil em usurpar segredos de fiéis a Materyon presos nas masmorras do reino, ainda que um dia tivessem jurado pelo seu deus que selariam sua sabedoria para que nunca chegassem aos ouvidos dos membros da inquisição. Todavia, seus muitos olhos e ouvidos espalhados por toda a parte convergiam informações capazes de criar uma grande biblioteca invisível e intocável, absorvidos numa mente enigmática e hermética. O encontro só serviria para fomentar ainda mais aquele depósito de conhecimento escamoteado.

O ruído inconstante dos cascos do velho andaluz nas pedras irregulares do pavimento terminaram de frente para a mansão. *O animal era magro e com cicatrizes nos lombos, digno de um aldeão pobre que cuida de sua lavoura, e não da uma figura importante como a que estava sobre a sela. Tratava-se do Alto Inquisidor do reino, que vestia uma capa de tecido grosseiro lhe cobrindo todo o dorso e as pernas, assim como o capuz sombreava-lhe a face. Apenas duas vestimentas saltavam à luz frágil que eventualmente seria captada por algum observador: as botas para cavalgada, cheias de lama seca, e as luvas, ambas de um couro bege desgastado. Uma indumentária disponível em qualquer mercado de rua, que destoava do porte altivo proveniente de sua função em Aliank.*

Finalmente diante do portão da propriedade, o mascarado aprumou-se na sela. A postura ereta era como a de um aristocrata orgulhoso de sua estirpe. Ergueu a cabeça na tentativa de reconhecer alguém antes que fosse recebido.


*****

Já fazia algum tempo que Bruce estava deitado na cama, trancado em seu quarto. Pensava em sua mãe, Sarah, a quem se dedicava de corpo e alma. Seu olhar vagava pelo teto fosco do aposento, refletindo ansiedade e irritação com a situação vivida por ela.  

"Apesar de toda a glória, Aliank parece uma jaula. Mamãe é um animal raro, preso, atormentado por uma angústia que talvez eu nunca entenda."

Vez por outra, as divagações eram quebradas pelas pisadas firmes de Dom Bradan, seu pai. Só ele e a água da clepsidra pareciam capazes de produzir algum som em toda propriedade. Ao mesmo tempo, se confundiam com uma estranha canção ritmada e constante de ninar. Bruce continuava devaneando, mas a sonolência fortalecida pela atmosfera fúnebre de sua morada começava a vencê-lo.

"O que será, afinal, que está acontecendo nessa casa ultimamente?"


Última edição por A Lenda de Materyalis em Qui Out 05 2017, 16:58, editado 5 vez(es)

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Re: (Conto) O Advento Nefando

Mensagem por Bruce Azkan em Qua Set 20 2017, 21:18

O que será, afinal, que está acontecendo nessa casa ultimamente?

O garoto se mantinha deitado já faziam algumas horas, caminhando por pensamentos desconectados. Sua morada parecia mais silenciosa do que o de costume, mal ouvia os passos dos que ali viviam. O carinho que nutria por sua mãe era suficiente para notar o reflexo em seus olhos, reflexo esse que parecia até mesmo um espelho premonitório; demonstravam irritação e ansiedade.

Apesar de toda a glória, Aliank parece uma jaula. Mamãe é um animal raro, preso, atormentado duma angústia que talvez eu nunca entenda...


Os pisados duros de Dom Bradan pela casa e o senho franzido além do comum eram um presságio que dava as mãos para o olhar ansioso de Sarah. O som da água na clepsidra parecia ser a única coisa viva ali, se confundindo com uma estranha canção ritmada e constante de ninar. Bruce continuou em sua reflexão, ainda deitado, já com a sonolência tomando seu corpo com o banhar da noite.

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Re: (Conto) O Advento Nefando

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Qui Set 21 2017, 18:13

Considerações off

Como apenas o Alkemarra postou neste turno, passarei somente as instruções pertinentes a ele. Bruno, Douglas, Fernando e Gustavo, favor ler as considerações off do post anterior para a realização correta da ação.

Em relação ao turno anterior:

Alkemarra:

- Aproveitei todo o turno, porém, você notará que alterei a ordem, as palavras e excluí alguns detalhes replicados. Leia o meu primeiro post e, o que estiver em vermelho, é o seu turno convertido. Procure comparar as versões para entender a dinâmica. Qualquer dúvida, não hesite em me procurar;

- Adicionei, ao glossário, os significados das palavras "bruce" e "azkan". Estão destacadas em vermelho. Confira: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

Vamos ao jogo:




BRUCE

Quando sua consciência estava prestes a apagar, os passos fortes voltaram. Pararam diante da porta. Batidas estrondosas, provindas do punho poderoso de Dom Bradan, se chocaram contra ela.

— Bruce! — berrou o patriarca, impaciente, fazendo Bruce saltar da cama, sobressaltado. — Abra! Sei que está acordado! Logo os convidados chegarão e precisamos conversar antes!

Bruce andava tão anuviado pela preocupação com sua mãe, que esquecera completamente do evento daquela noite, organizado cuidadosamente por Sarah sob a pressão constante do marido. Há alguns anos, Dom Bradan foi um camponês, porém conhecido pelo seu espírito nobre e corajoso, além de autenticamente fiel aos preceitos de Materyon, o deus benévolo. Suas viagens mundo afora lhe revelavam culturas distintas e motivações diversas, suficientes para fazê-lo refletir profundamente sobre a moralidade das leis de sua pátria, ou mesmo em sua crença. Porém, tudo mudou quando a realeza resolveu recompensá-lo pomposamente por suas aventuras. Deixaria a fama ordinária do mero andarilho de terras estranhas, para se tornar um homem valoroso aos propósitos imperiais de um reino opressor. Ademais, a família Azkan entraria para a distinta aristocracia aliankina, deixando a vida laboriosa dos campos para uma realidade ladeada por luxo.

— Estou acordado, pai! — respondeu Bruce, correndo pelo quarto como um vulto. Jogava alguns livros pra debaixo da cama e cobria com seu diário algumas anotações feitas em pedaços de papiros soltos, reunidos sobre uma escrivaninha de cedro. Felizmente, precisava de poucos e ágeis passos para preparar tudo.

— Seja lá o que estiver fazendo, abra logo! — ordenou Dom Bradan. — Não tenho tempo a perder com a sua morosidade!

O jovem sabia que a mudança de seu pai o deixara impaciente. Não era nada sábio deixá-lo esperando. Entre o sexto e sétimo passo, já estava com a mão sobre a tranca da porta. Sentiu a madeira lisa, finamente polida e envernizada, receber o toque levemente trêmulo de sua mão. Destrancou e a abriu num único movimento. Endireitou-se, disposto a encarar Dom Bradan seriamente. No entanto, logo abaixou a cabeça, encruado.

— Vamos ter visitas, pa... — disse Bruce, corrigindo a pergunta quase no fim. — Digo, do que se trata a visita, meu bom pai?


Última edição por A Lenda de Materyalis em Qui Set 28 2017, 15:47, editado 2 vez(es)

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Re: (Conto) O Advento Nefando

Mensagem por Iscalis Quo em Ter Set 26 2017, 13:48

Desde a reunião com o príncipe, Iscalis estava intrigado. Uma inquietude que não podia ser testemunhada por gestos, mas se formava como um turbilhão em sua mente, alimentada pela curiosidade. Principalmente pelo esforço em manter o mistério sobre os detalhes daquele encontro. A madrugada era o horário escolhido, certamente porque que a plebe era obrigada a se manter em seus lares, diminuindo a quantidade de observadores que poderiam conjecturar algo sobre os motivos daqueles altos figurões se reunirem da propriedade dos Azkan. O nome da família por si só já dizia pelo menos uma coisa sobre o que viria a seguir: era um assunto que apontava para além do território de Aliank.

Segredos eram como alimento para Iscalis. A mascara que ocultava sua identidade o tornava mais próximo de um espirito do julgamento e da vingança de Aliank, um simbolo, ao invés de uma pessoa com um trabalho a cumprir. Os prisioneiros em sua câmara possuíam segredos que juraram nunca revelar, mas que por fim cuspiam junto de coisas mais materiais. Olhos e ouvidos espalhados por aquele reino e outros convergiam a ele informações que formariam uma coletânea capaz de preencher uma biblioteca própria, mas que sumiam como se drenados por uma ralo para galerias profundas. Não podiam ser vistas, mas estavam la, em algum lugar desconhecido. O encontro na surdida era um segredo novo em folha que ele digeria apetitosamente enquanto se locomovia ate o ponto de encontro.

O ruido inconstante dos cascos do velho cavalo nas pedras irregulares do pavimento terminaram de frente a mansão. A figura na cela pouco revelava sobre si mesmo. A capa de tecido grosseiro cobria-lhe todo seu dorso e pernas, assim como o capuz sombreava-lhe a face. Apenas as botas de cavalgada cheias de lama seca e as luvas, ambas de um couro bege desgastado, saltavam a luz fragil que eventualmente seria captada por algum observador. O cavaleiro aprumou-se na cela, em uma postura ereta de alguem orgulhoso por sua estirpe, e ergueu a cabeça na tentativa de reconhecer alguem que ja o esperava e ali diante dos portões, aguardando ser recebido em breve pois certamente ja era esperado.

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Re: (Conto) O Advento Nefando

Mensagem por Bruce Azkan em Qua Set 27 2017, 22:32

Enquanto isso, no quarto, Bruce saltava de sua cama com um pouco de pânico. Andava tão anuviado com os pensamentos preocupados sobre sua mãe, que se esqueceu completamente do que tinha ouvido Bradan murmurar com Sarah em uma das noites anteriores. Talvez os tais convidados tinham a ver com a expressão de preocupação e angústia nos olhos da Sra. Azkan.

 — Estou acordado, pai!

Correu pelo quarto como um vulto, jogando alguns livros pra debaixo da cama e cobrindo anotações sobre a mesa com seu diário, precisando de poucos e ágeis passos para isso. Sabia que deixar seu pai esperando passou a ser uma atitude nada sábia depois que vieram para Aliank. Na sexta ou sétima passada já estava com a mão sobre a tranca da porta. Sentiu a madeira finamente polida e envernizada, lisa, receber o apoio um pouco trêmulo da sua mão. Destrancou e abriu a porta em um único movimento. Endireitou-se na postura de alguém com ar de seriedade e olhou para onde encontraria o semblante de seu pai.

 — Vamos ter visitas, pa... — o semblante de Bradan parecia mais impaciente do que nunca. O jovem baixou o olhar, não conseguia encara-lo. — Digo, do que se trata a visita, meu bom pai?

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Re: (Conto) O Advento Nefando

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Qui Set 28 2017, 18:31

Considerações off

Vamos ao jogo:




BRUCE

— Sua capacidade de me envergonhar está me assustando — respondeu Bradan, percebendo a distração do filho. — Como pode esquecer de algo tão importante?

As palavras não foram as únicas propagadoras de sua agressividade. A mão esquerda tocou o tórax de Bruce e o empurrou para dentro do quarto. Dom Bradan o seguiu, jogando-o para o lado usando a mesma força que, contudo, era insuficiente para derrubar o filho, apesar de altamente capaz de provocar feridas mais profundas e etéreas.

— Como um Azkan pode se enclausurar num quarto? — esbravejava Bradan. — Por acaso, alguma camponesa miserável andou revirando as suas ideias, arrestando o seu intelecto?

O homem foi até a janela. Bufava como um touro raivoso. Estava vestido com um belo colete acetinado e branco, com uma camisa azul de mangas largas e compridas. As calças de couro escuro estavam atadas por um cinto prateado, cuja fivela redonda cintilava sob a luz do luar que invadia o aposento.

— Por Materyon — reclamou Bradan, desta vez sem se referir ao filho. — Um deles já chegou!

Os cabelos negros, penteados para o lado direito, foram levemente bagunçados com o movimento rápido da cabeça, que se voltou para Bruce repentinamente.

— Os Azkan jamais receberam um membro da família real aliankina em seu lar. Porém, esta noite será especial — disse o patriarca, entonando a importância da ceia de forma mais comedida. — O príncipe Illos logo chegará, trazendo a esta casa todo o brilho que ela merece. Além dele, também receberemos o único em Aliank capaz de decifrar todos os segredos da mente de um homem: o santo inquisidor.

Em passos calmos, Dom Bradan se aproximou de Bruce, encarando-o com altivez.

— Portanto, se você tem algum segredo, alguma subversão ou o que seja, é melhor me dizer agora, enquanto ainda tenho alguma condição de perdoá-lo e, talvez, defendê-lo diante do inquisidor. E é melhor que não se engane: não terei o menor remorso em vê-lo preso nas masmorras caso descubramos que decidiu adotar uma vida fútil e não devotada ao benévolo.

Os olhos castanhos do pai tornavam-se tão chamuscantes como as fogueiras preparadas aos hereges pela inquisição. Ele não parecia um devoto da divindade sagrada, mas, sim, um emissário do deus maldito.

*****

O capuz foi jogado para trás, revelando a máscara alva inconfundível. Viu apenas um homem atarracado se aproximando apressadamente da grade, carregando um molho de chaves. Buscava o instrumento correto atabalhoadamente e, quando enfim conseguiu, abriu a trinca com uma força desnecessária.

— À sua bênção, santo Inquisidor! Niho! — disse o homem, se curvando como defronte a uma divindade. — Bem-vindo à morada dos Azkan! Permita-me levar sua montaria ao estábulo.

— O Benévolo já o abençoa, meu irmão devoto. Niho! — Respondeu o inquisidor, erguendo a mão espalmada sobre a cabeça do serviçal, intentando lhe derramar as bençãos que, pretensamente, só ele poderia conceder. Desceu de sua montaria, caindo ao solo com ambos os pés ao mesmo tempo, deixando o cavalo fatigado aos cuidados do outro, e seguiu junto a ele a trilha na direção da entrada.

O espaço externo da mansão era admirável. Uma trilha feita por blocos de pedra conduzia até a porta dupla de acesso ao lar, a cerca de dez braças do portão. Um vistoso chafariz trazia a imagem de uma figura alada e masculina segurando um jarro, de onde caía água para um outro objeto do mesmo tamanho à direita da estátua, com um medidor de tempo dividido em doze partes. Uma ideia criativa para formar uma clepsidra, que já indicava passar da meia-noite.

Um cheiro agradável de orvalho saía da grama e também dos arbustos emoldurados arredondadamente, compondo o jardim que contornava a casa até onde a vista alcançava. Porém, o visitante considerava toda aquela beleza como uma extensa frivolidade. O que chamava a sua atenção eram os homens que vigiavam o lugar, analisando meticulosamente os seus movimentos. Usavam armaduras de metal cinzento, munidos de espadas. Era possível ver apenas quatro deles, sendo um responsável por carregar um pequeno sino, que foi tocado logo que o convidado entrou, produzindo um ruído alto e suficiente para chamar a atenção do anfitrião mais apropriado para atendê-lo. No entanto, também provocara um grunhido irritado do inquisidor ante o soar agudo.

— Fridlin logo virá, Santidade — disse o homem, olhando o nobre de baixo para cima. — Ele o levará até o aposento onde poderá se deliciar com o banquete. Minha boca se enche de água só de pensar no que os Azkan vão lhe oferecer!

O serviçal lambeu os lábios, passando de uma expressão sorridente para um semblante acuado. Lembrou-se que não era conveniente falar assim com alguém de suma importância na hierarquia aliankina. Mas, ainda que nada lhe acontecesse, via uma das portas da mansão se abrindo. Era Fridlin, que caminhava rápido até o mascarado, porém, sem abandonar sua elegância.

— Ah, então Fridlin é meu anfitrião, e não você? — perguntou o inquisidor, com a voz abafada e surpreendentemente amigável. — É uma pena, pois sua etiqueta é impecável. Diga-me o seu nome e talvez lhe traga uma guloseima especial lá de dentro.

— O nome é Sabar, Santidade — respondeu o homem, aliviado por não ter caído em desgraça com o inquisidor, que tocou sua cabeça num gesto que misturava o carinho de um pai e o afago a um cão. A máscara antes incólume parecia inexplicavelmente mostrar nuances de uma expressão de complacência, que era admirada pelo sorriso singelo do pobre indivíduo. 

Pouco depois, Fridlin os alcançou.

— A família Azkan, fiel a Materyon, o saúda, Santidade. Niho! — disse ele, entrelaçando os dedos e curvando a cabeça levemente.

— E que assim sempre sigam o caminho dos justos. Niho! — respondeu o inquisidor.

O olhar um tanto austero do ecônomo se voltou rapidamente ao convidado, erguendo o braço em direção à entrada. — Por favor, me acompanhe.

Sarah já ouvira o sino e o som da porta que se abrira. Foi até a entrada rapidamente. Sua face emanava um ar melancólico e pesaroso. Os cabelos negros e lisos, presos por um coque, eram adornados com uma diadema prateada e pontiaguda, digna não de uma matriarca, mas sim de uma verdadeira rainha. Chegara no momento em que o mascarado desatava a capa.  

— Que a bênção de Materyon venha à minha família através da tua presença, Santidade — disse Sarah, fazendo o mesmo movimento que Fridlin executara outrora. Porém, a cabeça permaneceu abaixada, enquanto buscava o primeiro contato. O inquisidor a observava como se julgasse, em silêncio, todos os seus pecados. Tocou-lhe o alto da cabeça ornamentada antes de saudá-la.

— Através deste servo, ele derrama às glórias sobre este lar — falou por fim com palavras profundas como o eco em uma gruta, absolvendo-a de qualquer transgressão.

Esgueirou a mão até o queixo de Sarah, inclinando-o para cima, numa sugestão delicada para que erguesse a cabeça.

— Sua mente está pesada, minha irmã.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Qui Out 05 2017, 17:38, editado 1 vez(es)

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Re: (Conto) O Advento Nefando

Mensagem por Sir Athorion em Qui Set 28 2017, 22:41

Mais uma vez, o outrora filho de fazendeiros estava prestes a se reunir com mais uma família nobre de Aliank.

Para Athorion, tudo aquilo não passava de uma grande perda de tempo. O inimigo avançava pelos territórios teryonistas, enquanto os nobres permaneciam em suas casas, regozijando-se nas melhores refeições, vestimentas e opções de lazer.

Aquilo, aos olhos de Athorion, não estava correto. Athorion era um guerreiro santo, deveria dedicar toda a sua força e determinação para expurgar o marisinkro, não importa onde ele estivesse. Graças a essa mentalidade, aliada a sua devoção verdadeira, havia conseguido alcançar altos postos nas fileiras do exército teryonista, até que, finalmente, com o auxílio de seu irmão, conseguiram fundar a Ordem da Chama Divina.

Ainda assim, por melhor guerreiro que fosse, precisava se sujeitar aquele tipo de reunião “secreta”. No entanto, durante a vivencia com a família Yurinov, havia aprendido que certos pensamentos devem ser mantidos em sigilo.

Buliwif sempre pedia que ele tivesse calma, pois aquele tipo de reunião era necessária para o avanço dos ideais da Ordem. Em seu intimo, Athorion sabia que seu irmão tinha razão, porém, limitava-se a apenas seguir seu comando, sem questionar ou resmungar. Afinal, essa era a natureza de Athorion: um verdadeiro soldado sagrado.

Apesar do adiantar da hora, Athorion jamais iria transitar sem estar preparado para combate. O homem moreno, de altura mediana e corpo pouco atlético, montando em seu cavalo, vestia um tabardo branco por cima de alguma armadura metálica. O tabardo ostentava um enorme e belíssimo bordado do símbolo da Ordem (imagem do avatar), enquanto que suas calças, não aparentavam possuir nenhuma característica especial. Por outro lado, o escudo de espinhos preso nas costas do guerreiro chamava atenção, assim como a enorme maça que estava presa em seu cinto.

Evidentemente que sempre carregava consigo a Orbe, no entanto, ela não ficava visível para olhos de terceiros.

Poucos segundos antes de se colocarem em frente aos portões da mansão, sorrindo, diria:

- Pois bem irmãos. Que esta noite seja produtiva à Ordem...

Logo após, parava seu cavalo ao lado de Buliwif, esperando que seu irmão atendesse as formalidades exigidas pela nobreza.

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Re: (Conto) O Advento Nefando

Mensagem por Iscalis Quo em Sex Set 29 2017, 17:40

O capuz foi jogado para trás, revelando a máscara alva inconfundivel

— O Benévolo já o abençoa, meu irmão devoto. Niho ! 

Respondeu erguendo a mão espalmada sobre a cabeça do homem curvado, intentando lhe derramar as bençãos que apenas o inquisitor poderia conceder. Iscalis então desceu de sua montaria, caindo ao solo com ambos os pés ao mesmo tempo. O cansado cavalo deixou aos cuidados do outro, e seguiu junto a ele a trilha na direção da entrada da mansão.

Havia uma destoancia entre o que era apresentado e o cargo do visitante. O animal que trouxera, magro e com cicatrizes nos lombos, era digno de um aldeão pobre que cuida de sua lavoura, não do próprio inquisitor. A capa grosseira e botas mundanas poderiam ser encontradas em qualquer mercado de rua. O seu porte, contudo, não deixava duvidas. Seu peito inflado e mãos cruzadas as costas descreviam alguém importante, que não desperdiça seu tempo com bobagens e que tem certeza que esta acima dos outros.

A passagem pelo jardim era certamente agradável, mas essas frivolidades não chamavam tanto a atenção de Iscalis quando a guarda da casa. Estava analizando meticulosamente cada um dos quatro homens ate que o sino foi tocado. O rosto se virou bruscamente com um grunhido irritado ante o soar agudo.

— Ah, Fridlin então é meu anfitrião, e não você ? É uma pena, sua etiqueta é impecável — a voz abafada era surpreendentemente amigavel. — Diga-me o seu nome, e talvez traga para você uma guloseima especial de la de dentro.

O inquisitor tocou a cabeça do outro num misto de carinho de um pai e o afago a um cão. A mascara antes incólume parecia inexplicavelmente mostrar nuances de uma expressão de complacência.

— E que assim sempre sigam o caminho dos justos. Niho ! — respondeu a Fridlin, entrando logo a seguir na mansão

Sarah o pegou no momento que desatava a capa. O inquisitor a observou se curvar em respeito e clamor, mas ele manteve um silencio que parecia julgar todos seus pecados. Tocou-lhe a cabeça ornamentada, e momentos depois as palavras vieram profundas, como se saídas de uma gruta

— Atraves deste servo ele derrama as glorias sobre este lar — Falou por fim, como se tivesse os absolvido.

A mão deixou o topo de sua cabeça e veio ate o queixo de Sarah, inclinando-o para cima numa sugestão para se levantar

— Sua mente esta pesada, minha irmã...

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Re: (Conto) O Advento Nefando

Mensagem por Raven Aesirus em Seg Out 02 2017, 04:44

Não havia muito tempo que Raven tinha vivido entre os Nobres, tendo seus primeiros ensinamentos nos caminhos do Benigno ministrados pela família Handoll. Ele absorveu rapidamente os ensinamentos de seu mestre sobre o domínio dos elementos e da alquimía, e, principalmente, sobre a natureza de Materyon, mas nunca se deu muito bem com toda a pompa da vida aristocrática. Ele percebia a necessidade de se distinguir dos plebeus, mas nunca lhe fez real sentido a luz dos ensinamentos teryonistas. Por outro lado, seu tempo entre os Marilistas lhe possibilitou entender que existem muitas formas de dominação e algumas delas não se baseiam no uso irrestrito da força. Algumas são sutis, podem residir em belas mansões e se deliciar em saborosos banquetes. De qualquer forma, naquela noite saia da busca imediata pelo extermínio do Marisinkro para acompanhar seus irmãos as altas casas da nobreza aliankina. Para tal vestia um manto branco, que ostentava o símbolo da Ordem,  cobrindo as proteções leves que usava, em contraste com seu pelo vermelho. Além delas, vestia sua luva denin, apelidada por ele de Vendaval, fiel parceira nos combates. Já próximos da residência dos Azkan, o Taurino interpela seu irmão:

-Buliwif, tem certeza que não sabe o que nos espera essa noite? Estou desacostumado com banquetes fartos - realizava uma curta pausa como se simulando o tempo de um raciocínio - ele vai ser farto não é? - Raven ensaiava uma piada, que tinha como único intuito aliviar o clima e deixar Athorion mais leve. Ele sabia que para Buliwif aquele momento era tão comum como respirar, mas para o outro líder da Ordem aquele espaço poderia ser sufocante.

Como se em posição de respeito, Raven sempre permanecia uma pouco atrás de Buliwif e Athorion, esperando que seus irmãos conduzissem a situação.

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Re: (Conto) O Advento Nefando

Mensagem por Sir Buliwif Yurinov em Qui Out 05 2017, 19:41

O comandante seguia no meio dos outros dois, como se liderasse o grupo até a casa dos Azkan. Liderança era quase que uma posição de conforto para ele. Não que ele não sentisse o fardo e o peso da posição, ele sentia e muito, mas lidava com ele como poucos. Buliwif era um homem com uma missão, e seguir nesse caminho, liderar, era a forma de ele cumprir a sua missão, o objetivo de sua existência nesse mundo. Ele aceitava o fardo, pois sabia que pertencia a ele.


Ele observava o caminho com uma calma e uma atenção que poucos teriam em uma tarefa tão banal. Ele acariciava o lado esquerdo do pescoço de Bóris, seu cavalo de longa data, fazendo com que esse desviasse um pouco para esse lado escapando de uma pedra que estava no caminho e que poderia machucar a pata do cavalo. Buliwif enxergava o padrão no espaço e tempo, e por isso seu olhar parecia sempre tão compenetrado. Sua mente conseguia focar nos menores detalhes, ao mesmo tempo que enxergava o todo.


Seguiam em silêncio o caminho inteiro, ouvindo apenas os sussurros da noite. Se mantinham assim, até ouvir a fala de Athorion, e então de Raven.
-- Farto como o tamanho das suas orelhas, meu irmão. – Buliwif falava com sua calma e seriedade habituais. Mas depois de 10 segundos, não podia deixar de dar uma leve risada. Não era do seu feitio fazer brincadeiras e piadas, sendo que estas só aconteciam em momentos muito raros e reservado aos seus irmãos, lideres da ordem. Ele sabia exatamente o que Athorion pensava acerca da convivência na corte, e sabia que Raven era um peixe fora d’agua, ou um boi fora do pasto, e provavelmente seria tratado como tal, especialmente pelo alto inquisidor. O próprio Buliwif, apesar de  acostumado com esses eventos, não nutria muita simpatia por eles.  Não a toa, dispensava as formalidades da cavalaria, preferindo e se especializando em batalhas no chão, liderando sempre a infantaria.
 – Realmente não sei, Raven. Se eu soubesse, vo-los teria dito. Apenas sei que não são amenidades nem questão de etiqueta. – Virava para Athorion, irmão de armas desde que eram crianças. Seu olhar era fraterno, mas também rígido como de um militar de patente superior, apesar dos dois pertencerem a mesma hierarquia na ordem. – Que assim seja e assim será, pois a luz de Venir ilumine nossa noite e nossas mentes.

Por que nos colocariam junto com o Alto Inquisidor? Não confio nele, e creio que, no momento, ele é a pessoa com o qual devemos ter mais cuidado. Pensava parado na frente do portão, enquanto o seu rosto voltava para a feição natural, como se tivesse sido talhado em mármore. Cofiava a barba e então tocava a sineta. Ajeitava, então o tabardo com o símbolo da ordem finamente bordado em sua fronte, e que utilizava por cima de uma armadura de metal leve e cerimonial e que se prendia na bainha de sua Fullblade, que carregava nas costas. Afinal, era um evento formal para a Ordem, então ele se vestiria como tal.O comandante seguia no meio dos outros dois, como se liderasse o grupo até a casa dos Azkan. Liderança era quase que uma posição de conforto para ele. Não que ele não sentisse o fardo e o peso da posição, ele sentia e muito, mas lidava com ele como poucos. Buliwif era um homem com uma missão, e seguir nesse caminho, liderar, era a forma de ele cumprir a sua missão, o objetivo de sua existência nesse mundo. Ele aceitava o fardo, pois sabia que pertencia a ele.


Ele observava o caminho com uma calma e uma atenção que poucos teriam em uma tarefa tão banal. Ele acariciava o lado esquerdo do pescoço de Bóris, seu cavalo de longa data, fazendo com que esse desviasse um pouco para esse lado escapando de uma pedra que estava no caminho e que poderia machucar a pata do cavalo. Buliwif enxergava o padrão no espaço e tempo, e por isso seu olhar parecia sempre tão compenetrado. Sua mente conseguia focar nos menores detalhes, ao mesmo tempo que enxergava o todo.


Seguiam em silêncio o caminho inteiro, ouvindo apenas os sussurros da noite. Se mantinham assim, até ouvir a fala de Athorion, e então de Raven.


-- Farto como o tamanho das suas orelhas, meu irmão. – Buliwif falava com sua calma e seriedade habituais. Mas depois de 10 segundos, não podia deixar de dar uma leve risada. Não era do seu feitio fazer brincadeiras e piadas, sendo que estas só aconteciam em momentos muito raros e reservado aos seus irmãos, lideres da ordem. Ele sabia exatamente o que Athorion pensava acerca da convivência na corte, e sabia que Raven era um peixe fora d’agua, ou um boi fora do pasto, e provavelmente seria tratado como tal, especialmente pelo alto inquisidor. O próprio Buliwif, apesar de  acostumado com esses eventos, não nutria muita simpatia por eles.  Não a toa, dispensava as formalidades da cavalaria, preferindo e se especializando em batalhas no chão, liderando sempre a infantaria.


 – Realmente não sei, Raven. Se eu soubesse, vo-los teria dito. Apenas sei que não são amenidades nem questão de etiqueta. – Virava para Athorion, irmão de armas desde que eram crianças. Seu olhar era fraterno, mas também rígido como de um militar de patente superior, apesar dos dois pertencerem a mesma hierarquia na ordem. – Que assim seja e assim será, pois a luz de Venir ilumine nossa noite e nossas mentes.


Por que nos colocariam junto com o Alto Inquisidor? Não confio nele, e creio que, no momento, ele é a pessoa com o qual devemos ter mais cuidado. Pensava parado na frente do portão, enquanto o seu rosto voltava para a feição natural, como se tivesse sido talhado em mármore. Cofiava a barba e então tocava a sineta. Ajeitava, então o tabardo com o símbolo da ordem finamente bordado em sua fronte, e que utilizava por cima de uma armadura de metal leve e cerimonial e que se prendia na bainha de sua Fullblade, que carregava nas costas. Afinal, era um evento formal para a Ordem, então ele se vestiria como tal.

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Re: (Conto) O Advento Nefando

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