(Conto) A Casta dos Deuses

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(Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Seg Ago 07 2017, 18:36

LIVIOS

Há dias, uma chuva torrencial inundava a Floresta de Majara. A atmosfera cinzenta e sombria contrastava com o agradável cheiro de orvalho que tomava toda a mata, contaminando as narinas de quem quer que fosse. Dizia um antigo conto elmïn: todo aquele que peregrinar pelas ruínas entre as árvores majarinas por sete dias, buscando em preces o espírito de Materyon, guardará na alma o aroma da madeira dos cedros erguidos pelos elfos. E não haverá o odor da morte, mas sim o perfume da vida eterna.

No entanto, a promessa não estava reservada a qualquer aliankino.

— Ajudem-me! Por Materyon!

A passadas descalças traziam um corpo élfico e lânguido, que repetia exaustivamente a súplica. Toda vez que seus olhos se encontravam com a neblina e as grossas gotas de chuva encharcavam suas vestes brancas e amolambadas, tinha mais certeza que estava perto do fim. Contudo, seu corpo assumia uma fraqueza estável, como uma tortura contínua que não o permitiria chegar ao descanso eterno.

— Ó, Materyon, meu deus! Não trará em meu socorro um irmão sequer? — implorava, vociferando com todas as forças. — Terei vida suficiente para um resgate, ou encontrarão apenas os meus restos nos charcos?

Mas a voz produziu pouco eco, minguando a esperança do elfo que, enfim, decidiu parar embaixo de uma frondosa conífera. Abaixou a cabeça e olhou para as mãos de aparência enegrecida e putrefata. Seu estado não piorara, porém continuava desagradável e angustiante. No entanto, ainda não vira o próprio rosto. Fez um esforço para enxergar seu reflexo numa poça sob os pés, que recebia menos ataques das águas celestes devido à proteção das folhas da árvore. Melhor seria se não tivesse insistido, pois o que viu não era a face expressiva e cálida de um ser vivo: a pele realçava o crânio, a carne lutava para permanecer presa ao rosto, as pupilas eram azuladas e sem íris, e os poucos fios compridos dos cabelos lisos e negros pendiam como ramos esparsos de salgueiro.

— Materyon, meu deus... O que há? Por que não me ouve? Seria eu um herege tão desprezível?

As costas encontraram o tronco da árvore, e por ela deslizaram até que o elfo estivesse sentado e com as pernas relaxadas. Novamente, viu o misto do verde primaveril e o vapor cinzento produzido pela tempestade. Sentia um frio diferente, que não tremeleava seu corpo, mas congelava seu entendimento.

E por muito tempo o elfo ali permaneceu. Até que, enfim, ouviu o arfar de alguém que compartilhava sua situação, porém encarando-a de uma forma distinta.

— Arf! Arf! Malditos sejam! — esbravejava um outro elfo, que também andava em passos arrastados e arfava como um cão. — Se querem me isolar, arf, podem se esconder, arf. Mas vão ter que, arf, me ouvir falar, arf, por toda a floresta, arf!

— Espere! — disse, se levantando com a dificuldade de um ancião humano e centenário. — Eu não estou me escondendo de você!

Os olhos de íris azulada e igualmente desprovidas de pupilas caçaram o interlocutor, que logo foi encontrado. Um tom risonho foi ouvido em resposta. Contudo, bizarramente, o elfo não abria a boca para falar: seus lábios estavam costurados. O arfar ecoante não vinha do cansaço expressado por cordas vocais, mas por um som misterioso que parecia emergir da alma.

— Arf! Aí está você, Norion! — disse o estranho, reconhecendo o elfo depressivo. — Arf! Ao menos você não se acovarda, arf, diante de mim! Mas me pergunto, arf, se me chamaria se soubesse quem, arf, sou!

Norion deixou que ele se aproximasse. Surpreso em ser reconhecido mesmo com uma aparência cadavérica, mostrou que o havia chamado conscientemente. A verdade é que não evocaria um elfo de caráter tão duvidoso em uma situação comum, mas tudo o que não havia entre eles era algum sinal de normalidade.

— Seu arfar seria reconhecido mesmo nos confins de Hedoron, Plaskol, farejador de sangue — respondeu Norion, mostrando conhecimento sobre a curiosa alcunha do andarilho.

Uma risada foi ouvida.

— Arf! Você está, péssimo. Arf, igual a mim!

Norion não esboçou esgar, pois percebeu que, assim como seu semelhante, também estava com os lábios cerzidos. Sua face era capaz de mostrar poucos sentimentos.

— Como conseguimos... nos comunicar desse jeito? — indagava-o sobre a questão óbvia das íris e da boca.

— Não me importa, arf! — respondeu Plaskol. — Só quero saber onde estão os, arf, covardes! Eu vou, arf, deixá-los mais mortos do que, arf, parecemos estar.

Nenhum ser vivo conhecido era dotado de peculiaridades tão medonhas, o que não assustava Plaskol, mas intrigava Norion. Ambos não tinham a mais remota ideia do motivo pelo qual estavam com aquela aparência. A única possibilidade conhecida por eles corroborava os contos bizarros sobre uma maldição há muito esquecida naquela floresta.

Por um longo momento, apenas os arfados de Plaskol eram ouvidos naquela região. O curto diálogo com Norion, contudo, despertara outro ser, que também estava jogado ali perto. Diferente dos dois elfos perdidos, ele estava consciente de que padecera. Não encontrava, porém, o sono eterno de seu corpo e a luz infinda do Etrenon, o lar de Materyon. Sentia-se novamente naquele ambiente tão familiar, e os primeiros questionamentos que lhe vieram à mente remetiam à praga silvestre. Seria ela mais forte que o poder de Materyon sobre seus servos? Ou apenas uma punição aos que ainda não haviam alcançado a plenitude dos seus ensinamentos?

"O que está acontecendo? Quanto tempo passou? Por que ainda estou aqui?"

Logo vieram outras indagações íntimas, naturais de quem havia despertado numa situação tão adversa. O terceiro elfo ouviu a voz de outros, mas ainda estava confuso demais para se socializar com eles. Chegou a mover o corpo, fazendo breve menção de se levantar. Sentiu-se fraco, mas podia se levantar. Decidiu, porém, permanecer onde estava. Afundava-se nas inúmeras hipóteses que arrebatavam seus pensamentos. Beirou o pânico, mas, estranhamente, conseguiu se controlar. Afinal, presumia que o pior já lhe ocorrera.


(Continue a partir daqui)

COMPLEMENTO:

- Os eventos acima mostram o despertar da alma dos elfos na Floresta de Majara, como Nara-Dusás. Ao longo da trama, você verá que eles ainda não têm corpos, e que os sentidos são captados apenas pela alma, ainda que a aparência já esteja transmutada para o estado em que ficarão quando se tornarem parte da hoste de Nara-Lan;

- Lembre-se que, no passado, todos eram teryonistas, e portanto ainda se comportam como um deles, inclusive Livios, que descobrirá a devoção na deusa ao longo do conto;

- Interfira na cena a seguir como achar melhor, considerando que Livios está na mesma situação de Norion e Plaskol.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Sex Set 15 2017, 17:39, editado 5 vez(es)

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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por Livios em Qui Ago 10 2017, 14:21

Algo muito interessante, e misterioso, começava a acontecer naquela amaldiçoada floresta...

O sono eterno, prometido por Materyon, agora parecia soar "temporário" e de alguma forma ainda não compreendida o jovem elfo começava a tomar consciência do que estava acontecendo ao seu redor.

Seria a maldição da Floresta de Majara mais forte do que o desejo de Materyon, ou maldição visava apenas punir as ovelhas que constantemente teimavam em fugir de seus ensinamentos ???

Fazia menção de levantar-se, embora soubesse que talvez não tivesse forças para isso, e observar o local, que parecia muito semelhante a floresta que havia conhecido desde criança...

O que está acontecendo ??? Quanto tempo passou ??? Porque estou aqui ???

Perguntas comuns de quem havia "acordado" em alguma situação adversa. O elfo percebia a presença de mais pessoas mas estava confuso demais para socializar com as mesmas. 

Permanecia parado, inerte, meditando e tentando entender o que havia acontecido ali...imaginou estar entrando em panico ao pensar em todas as milhares de hipóteses...mas percebeu que diferente do passado a "emoção" ruim do panico não tomava o seu corpo...afinal, um homem morto teria medo de quê ????

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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Sex Ago 18 2017, 17:56

Considerações off

Vamos ao jogo:




LIVIOS

— Arf! — recomeçou Plaskol. — Por quanto tempo ainda teremos que, arf, caminhar?

Norion seguiu Plaskol. Não tinha ideia da resposta. Sequer tinham um motivo sólido para andar, além da esperança de respostas afáveis.

— Esta parece ser... A Floresta de Majara — especulou Norion.

— É claro que, arf, é ela — respondeu Plaskol, impaciente. — Passei há algum tempo pelas ruínas elmïns, arf!

— O que significa que ainda estamos vivos.

Plaskol gargalhou com aquela frase.

— Arf, vivos? — perguntou, se virando para Norion sarcasticamente. — Sua boca está pregada, arf! Seus olhos não têm pupilas, arf! Sua voz sai de um eco profundo, arf! Seu corpo está podre, arf! Você ainda acha que, arf, está vivo?

Norion engoliu seco. Se é que isso era possível em sua condição.

— É como diziam, arf! Quem sucumbe na Floresta de Majara, será parte da ruína do povo elmïn. Arf!

Norion não conseguia falar. Nem por pensamento. Via seu companheiro se distanciando, surpreso por ouvi-lo comentar sobre aquilo de maneira tão trivial.

— Arf! Vai ficar aí? — indagou Plaskol, complementando sua ansiedade. — Arf, ou vamos procurar mais, arf, mortos como nós? Arf!

Definitivamente, Norion não ficaria sozinho outra vez. Muito menos o terceiro elfo. Ele finalmente decidira se levantar. Sentiu, porém, a letargia dominante em seu corpo. No entanto, tinha que forçá-lo. Ficar ali não ajudaria a ter respostas que, talvez, os outros pudessem fornecer.

— O que está acontecendo aqui?

A voz do terceiro, mais alta que as de Norion e Plaskol, ecoou pelo ambiente. O primeiro virou o corpo o mais rápido que pode. O segundo contorcia as costas, tentando uma graça que logo resultou em sua queda na terra congelada. Sua cabeça, contudo, permaneceu voltada ao lugar certo, por onde o novo elfo arrastava os pés na direção deles.

— Onde está o conselho?




(Continue a partir daqui)

COMPLEMENTO:

- Os elmïns são o primeiro povo élfico da região onde hoje é território do rieno de Aliank. A maior parte dos elfos do reino (inclusive Livios) descende deles. Foram os primeiros a arquitetar a queda de Garlak, mas foram exterminados pelo dragão. Na reformulação do enredo, existem várias ruínas na Floresta de Majara, que eram usadas antes da guerra contra Garlak como abrigo para elfos, homens e majurks. Por isso Plaskol fez tal citação. A saber, antes de morrer, Livios, tentando encontrar a cura para a praga, também residia em uma das habitações dos elmïns, que ficam no alto das copas das árvores.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Sex Set 15 2017, 17:40, editado 3 vez(es)

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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por Livios em Qui Ago 24 2017, 14:15

O elfo escutava atentamente o desenrolar da conversa outros dois "mortos-vivos". Por estarem a mais tempo em tal situação eles poderiam ter algumas das respostas que rodeava os seus pensamentos. Levantou-se, com certa dificuldade, e pois-se a andar em direção a ambos.

— O que está acontecendo aqui ???

Dizia inesperadamente. Era ríspido e altivo, como os "solucionadores de problemas" costumam se portar em situações adversas.

— Onde está o conselho ???

Não sabia quanto tempo havia passado mas recordava-se de como as coisas estavam até pouco antes de "dormir".

COMPLEMENTO:

Off: Posso fazer isso também ???

- O conselho era um grupo de experientes elfos(velhinhos) que determinavam o passo a passo de cada uma das investidas da raça elfica contra a praga...eles foram o único pilar elfico que conseguiu se sustentar durante caos. Foram os responsáveis por manter a luz da esperança acesa durante as noites mais escuras...

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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Ter Ago 29 2017, 16:55

Considerações off

Livio, dei a brecha no turno para você comentar sobre o conselho. Se achar melhor fazê-lo aos poucos, fique à vontade.

Vamos ao jogo:




LIVIOS

Os lábios colados de Plaskol se esforçaram para esboçar um sorriso elástico e irônico.

— Arf! Além de morto, arf, é louco? Arf!

Norion também não entendeu. Não tinham a mais vaga ideia de que conselho era esse. Ou, ao menos, suas lembranças ainda distorcidas não os permitia chegar ao cerne da questão.

— Está perdido, como nós — deduziu Norion. — Mal sabemos o que aconteceu conosco. Como haveríamos de saber sobre o... Conselho?

Com alguma dificuldade, Plaskol virava o corpo no chão, olhando de bruços para o terceiro elfo.

— Arf! Eu acho que ele quer um, arf, conselho! Arf! Então, arf, eu vou lhe dar um, arf!

Os lábios de Plaskol se soltaram, revelando dentes podres e um hálito terrível que se espalhava com facilidade pelo lugar, mas que não era captado pelos outros dois elfos.

— É melhor se juntar, arf, aos farejadores de sangue, arf! Aceite agora! Arf! Acabei de fundar! Arf!

Plaskol riu. Já Norion observava aquele sujeito com muita atenção, como se ele, de alguma forma, lhe trouxesse profunda nostalgia.

COMPLEMENTO:

- Norion foi um dos alunos de Livios na alquimia enquanto vivo. Dada a aprência putrefata, ambos ainda não são capazes de se reconhecer.

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(Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Sex Set 15 2017, 17:42

Considerações off

Começamos aqui as interpretações do conto "A Casta dos Deuses", envolvendo os personagens Surya, Livios, Nessa, Leben e Mydra'nda.

Este tópico foi aproveitado do jogo que já estava em curso com o personagem Livios. Portanto, não estranhem os posts anteriores.

A premissa da minha narrativa já é colocar o texto em formato literário, de forma que alguns detalhes serão omitidos no turno, mas enviados em off por aqui ou por Mensagem Privada a vocês. Por isso, limpem suas caixas de entrada de MPs.

Neste primeiro momento, a interpretação do jogador deve seguir o fluxo normal dos jogos anteriores. Mas é importante seguir as instruções abaixo, para facilitar a edição em todos os sentidos:

- Uma cena inicial é proposta, onde você terá duas possibilidades: observar (neste caso, apenas faça um post dizendo em off que observará) ou intervir (sendo assim, faça um turno normalmente). Estas duas opções serão permitidas em todos os demais turnos. Lembrando que todas as ações já preveem brechas para que sua personagem interfira.

- Não use formatação do texto com cores. Quando o personagem se expressar verbalmente, coloque o travessão (alt+0151). Caso queira expressar algum pensamento, coloque em itálico, sem o travessão;

- Para criar a ação, prioriza-se a qualidade do texto, e não a quantidade. Na sequência do meu turno, marcarei em vermelho, no meu último post, tudo o que foi extraído das ações de vocês, que, logicamente, podem sofrer edições. Quanto mais aproveitados forem na conversão, maior é o indício de que estão funcionando bem para o formato literário;

- Revise a ortografia, a gramática e a coesão e coerência do texto. Lembrando que este é um projeto literário e que é um requisito para participação. Apenas turnos que estejam dentro dessa proposta serão aceitos e respondidos;

- Revise a proposta que lhes foi enviada por áudio e sinopse pelo Whatsapp. Em caso de dúvidas, entrem em contato privadamente ou pelo nosso grupo;

- Os posts neste conto acontecerão toda sexta-feira. Portanto, faça sua ação até a quinta anterior;

- Por fim, notem que os turnos foram divididos por personagens. Nesta primeira disposição, foram selecionados três personagens encabeçando pontos de vista: Surya, Livrios e Leben.[/b] Nessa deve considerar seu turno de interferência na mesma cena proposta ao Surya. Mydra'nda deve considerar seu turno de interferência na mesma cena proposta ao Leben.

Complementos importantes para as cenas:

Aos namuzistas:

- No tópico do Surya, Nessa foi convocada pela Grande Sacerdotisa a encontrá-la no interior da sequoia, mas não sabe o motivo. É recomendável que o Daniel (Surya) realize o turno antes, para que Nessa, ao chegar, escute sua aprsentação;
- Surya será apresentado à Grande Sacerdotisa pela dríade Hytria, e por isso está aqui;
- Livio, sua ação já estava lançada. Como ainda não a respondeu, apenas a repliquei aqui.

Aos mombranistas:

- Mensaard é o Intendente da região norte da capital aliankina. Exerce o papel de "prefeito" e foi recentemente condecorado ao cargo, porém, é conhecido por enviar pedidos de detenção aos aristocratas, camponeses e toda plebe por motivos rasos. Ele convocara Leben por ser o reitor da Escola da Panaceia e pela fama que possui como maior alukan de Aliank, e Mydra'nda por ser o melhor aluno da Escola. No entanto, o motivo exato só será conhecido durante a reunião;
- O significado de Escola da Panaceia: o nome foi dado pela primeira geração da família Schöpfer desde o surgimento de Aliank há duzentos anos. Foi criado como um centro dedicado a encontrar a cura para a praga de Garlak, doença (para alguns, uma maldição) supostamente lançada pelo dragão na Floresta de Majara. Com o passar do tempo, passou a desenvolver outros focos de experimentos alquímicos, principalmente quando Leben assumiu a reitoria.

No mais, obrigado a todos por estarem aqui no projeto. Será uma honra narrar para vocês.

Nota: Consulte o glossário para conferir traduções de palavras estranhas: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

Vamos ao jogo:




SURYA

As copas das árvores balançavam suavemente no ritmo imposto por uma leve brisa. A luz do sol permeava por entre as folhas, tocando delicadamente o rosto da elfa, que caminhava pela floresta fitando o caminho com seus olhos vermelhos como sangue. Encarava o percurso a sua frente sem realmente vê-lo, pois se encontrava perdida em meio a pensamentos distantes. Nem mesmo a companhia da imponente felina de belos pelos alvos e listrados parecia capaz de tirá-la do transe.

"Que assunto faria a Grande Sacerdotisa me chamar até a sequoia com tamanha urgência? Será que, talvez, tenha alguma ligação com a apreensão que estou sentindo há dias?"

A elfa passava seus dedos através do pelo macio da parceira. Deu uma leve risada quando a tigresa, sentindo que algo a incomodava, começou a esfregar sua cabeça nas pernas dela e a fitar seu rosto, como um gesto de conforto comumente realizado por pequenos felídeos.

— Não precisa se preocupar, minha amiga — disse sorridente, retribuindo o carinho por trás das orelhas da tigresa. — Esse meu sentimento de apreensão provavelmente é infundado. Bem sabes como me preocupo muito com coisas mínimas, não é? Logo, assim que chegarmos a grande sequoia, provavelmente será apenas mais uma daquelas reuniões de rotina ou algo de igual importância.

A elfa queria provar que já se sentia um pouco melhor. Estampou uma expressão brincalhona, parando subitamente diante do animal.

— O que você acha de apostar uma corrida até o local da reunião, Kira? — disse ela, percebendo o brilho de empolgação nos olhos da tigresa que, por fim, emitiu um rugido. O que para muitos soaria como um sinal de perigo, para a elfa era um aceite ao seu alvitre. Iniciavam animadamente a corrida em meio a gargalhadas adultas, porém contagiantes como as de uma criança.


*****

A elfa idosa, sacerdotisa excelsa de seu povo, estava em um cômodo inadequado para a posição que exercia. Ao menos, esta seria a ótica dos grandes reis espalhados pelo mundo. Assentada em um trono de lenho dentro da grande sequoia, não se importava com pomposidade. Media o valor da vida de maneira distinta de outros regentes, através de uma crença peculiar e implacável, capaz de espavorir desde a menor das criaturas até o mais poderoso soberano.

Sua atenção estava voltada a um ritual revelador que só ela conhecia. Enfileirava uma pilha de ramos de alecrim e, sem olhá-los, retirava duas folhas de cada haste separadamente, dispondo-as uma ao lado da outra sobre uma tábua de pedra polida. Franzia o cenho toda vez que repetia o ato, confirmando maus presságios em sequência.

A meditação, no entanto, foi interrompida pelo som de passos arrastados que se aproximavam do interior da árvore. A elfa olhou através do acesso ao local, uma grande passagem em arco a cinco braças de onde estava assentada, e que trazia o belo brilho dourado do lusco-fusco primaveril que dominava a floresta, além de uma criatura exótica que desejava vê-la o quanto antes.    

Levantando-se, ela esperou até que a visitante entrasse.

— Já faz dias que a espero — disse a anciã. — Meu coração estava aflito, Hytria.

A dríade parara diante da entrada. Sua pele era escura e castanha como o tronco de um salgueiro. A madeira que compunha seu corpo parecia formar um longo vestido natural, coberto com arbustos que nasciam nos ombros e terminavam aos seus pés. Os traços finos do rosto muito lembravam os de elfas, embora todos os demais atributos se distinguissem, como a textura áspera da pele. Os olhos eram expostos apenas em contornos, desprovidos de pupilas e íris.

— Perdoe-me, Grande Sacerdotisa Nallel — disse Hytria, cuja voz não saía da boca, mas sim por uma estranha simbiose entre as plantas em seu corpo e o ar no ambiente. — A hoste da deusa começou a se erguer e um novo aliado abraçou nossa causa.  

Viu-se um sorriso singelo em Nallel, que cruzou as mãos acima da cintura.

— Você é uma escol de Nara-Lan, Hytria.

A dríade curvou a cabeça, aceitando o elogio de bom grado.

— Peço-lhe permissão, Grande Sacerdotisa — disse Hytria. — Desejo lhe trazer, neste momento, o novo adepto a tua presença.

— Estou ansiosa em ver o teu novo rebento. — disse Nallel, consentindo o pedido com um meneio positivo de cabeça.

Ouviu-se o eco de um tilintar fora da sequoia. Um sinal provocado pela voz de Hytria, para que os outros três sacerdotes élficos, responsáveis por controlar o acesso à sua líder, liberassem o caminho ao novo devoto. Ele se aproximava majestosamente. Sua aparência era de um elfo de cabelos curtos entre o loiro e o castanho claro. Seus olhos penetrantes eram azuis, quase negros. Era dono de uma estatura maior que a média racial, com porte físico atlético, embora sua vestimenta não salientasse muito tais detalhes. Não trazia qualquer pertence além das próprias roupas, feitas do linho tradicional dos campos da região oeste da capital aliankina, incluindo uma camisa branca, calças pretas e botas simples. A peça mais detalhada era a túnica verde, com pulsos vilosos e ombros revestidos pelo mesmo couro que usava nos calçados.

O elfo parou ao avistar sua mentora conversando com a anciã, para que sua presença fosse reconhecida por ambas. Só então continuou a se aproximar. Com uma reverência singela e silenciosa, aguardou a apresentação formal. Seus olhos denunciavam à sábia que seus pensamentos dividiam a atenção com o momento, afinal, passara por muitas adversidades até finalmente chegar naquele ponto. Ademais, muitas coisas ainda lhe causavam estranheza por ali; o modo de vida dos sectários da deusa não se parecia com o estilo adotado pelos camponeses ou aristocratas aliankinos, o que certamente lhe traria um longo tempo de adaptação às novidades.




LIVIOS

Os lábios colados de Plaskol se esforçaram para esboçar um sorriso elástico e irônico.

— Arf! Além de morto, arf, é louco? Arf!

Norion também não entendeu. Não tinham a mais vaga ideia de que conselho era esse. Ou, ao menos, suas lembranças ainda distorcidas não os permitia chegar ao cerne da questão.

— Está perdido, como nós — deduziu Norion. — Mal sabemos o que aconteceu conosco. Como haveríamos de saber sobre o... Conselho?

Com alguma dificuldade, Plaskol virava o corpo no chão, olhando de bruços para o terceiro elfo.

— Arf! Eu acho que ele quer um, arf, conselho! Arf! Então, arf, eu vou lhe dar um. Arf!

Finalmente, a boca de Plaskol se soltou, revelando dentes podres e um hálito terrível que se espalhava com facilidade pelo lugar, mas não era captado pelos outros dois elfos.

— É melhor se juntar, arf, aos farejadores de sangue. Arf! Aceite agora! Arf! Acabei de fundar! Arf!

Plaskol riu descontroladamente, mesmo sem haver graça alguma. Já Norion observava aquele sujeito com muita atenção, pois ele lhe trazia profunda nostalgia.

— Como não se recordam do Conselho? — inquiriu o novato, irritado. — É o único raio de luz capaz de iluminar uma floresta tão obscura!

Os dois não responderam. Como ele, tentavam forçar recordações que insistiam em não se revelar.

— Então, eu lhes direi — continuou. — São os anciões élficos, donos da nossa história e influenciadores do nosso futuro.

Plaskol e Norion se entreolharam. Continuaram na mesma.

— Eles... São os únicos a nos... Ajudar... — balbuciou o elfo pútrido até silenciar. Ergueu a cabeça, olhando além das copas das árvores. Parecia indagar a própria mente sobre o sentido do que dizia. Era como se suas memórias escapassem em pequenos fragmentos.





LEBEN

— Intendente Mensaard, seja bem-vindo a sua primeira visita à Escola da Panaceia.

O homem atarracado abriu a porta dupla da enorme biblioteca para o déspota aliankino, que, como sempre, era escoltado por dois guerreiros armados com espadas. Rumava para uma enorme mesa, usada pelos alunos do centro de ensino para longos estudos sobre os mais diversos temas. Todavia, o móvel serviria, naquela noite, para debater assuntos no mínimo ultrajantes.

O olhar austero do Intendente viajou pelo espaçoso aposento. Quase não era possível ver suas paredes, cobertas por estantes um tanto empoeiradas que guardavam diversas obras, algumas delas com conhecimento milenar. Candelabros de teto ou chão, sustentando diversas velas brancas, estavam posicionados planejadamente para que nenhuma seção perdesse seu destaque. Mas nada disso despertava a atenção do homem, que passava a mão desinteressadamente por uma pilha de livros e papiros que estavam sobre a mesa.

— Onde está o Professor Leben? — perguntou Mensaard ao bibliotecário.

— Ainda não chegou. A segunda faixa da clepsidra ainda não está cheia, senhor. Porém, não deve se preocupar. Ele é sempre muito pontual.

Mensaard olhou para o medidor cônico de tempo com pouco mais de uma braça de altura, disposto no chão entre duas estantes abarrotadas de livros. O anfitrião tinha razão. Chegara adiantado.

— E quanto ao outro?

O homem franziu o cenho, perguntando "quem" sem precisar emitir a palavra.

— Mydra'nda — completou Mensaard. — Ao que me consta, o acadêmico mais destacado desta Escola.

— Naturalmente, senhor Intendente. Decerto, também está a caminho. Quase sempre é visto com o Professor Leben em nossas dependências.

Mensaard puxou a cadeira na ponta anterior ao acesso à biblioteca e se assentou. Os guardas assumiram sua retaguarda, um em cada lado.

— Muito bem, você já pode sair — ordenou o Intendente. — Não permita que ninguém, além da dupla citada, adentre este local até que eu saia.

Apenas o som da água que caía lenta no recipiente da clepsidra era ouvido. Mensaard colocou os cotovelos sobre a mesa e cruzou os dedos das mãos. Batia os indicadores um contra o outro, impacientemente, com o olhar fixo para a porta.

— Para o bem deles, espero que levem seus compromissos a sério — murmurou.

*****

Sentado em sua confortável poltrona de encosto alto e acolchoado, Leben tinha em seu colo um livro aberto. As páginas, um tanto amareladas e gastas, estavam repletas de fórmulas, esquemas e muitas anotações. A única luz no ambiente era aquela que escapava pela fresta deixada de propósito na cortina entreaberta, o suficiente para que o solitário leitor pudesse mergulhar em um mundo formado de ideias e elucubrações.

A sala era bastante ampla, com uma mesa de madeira nobre e envernizada ao centro. Muitas estantes atulhadas de livros e pergaminhos ocupavam boa parte das paredes. Poucas pessoas em Aliank poderiam se gabar de ter lido tanto em suas vidas e aquele homem era uma delas. No entanto, embora o olhar estivesse fixo no tomo à sua frente, a mão depositada sobre o texto denotava que ele não prestava mais atenção no que o autor tinha a lhe dizer.

À frente de seu olho direito, flutuando sobre o ar, três pequenos objetos redondos e luminosos, de tonalidade azul clara, se alternavam em uma dança perfeita. Um olhar mais atento revelaria que tinham a aparência de pequenos discos dentados, engatados um no outro, girando cadenciada e continuamente, até que se desfizeram no ar sem deixar vestígio. O professor executara uma proeza latente.

Na sequência, ouviu-se um suspiro lento e pesaroso. Leben fechou o livro com um som audível, depositando-o sobre a mesa ao lado de tantos outros. Seu corpo parecia aperceber-se novamente de seus arredores e, conforme soltava o ar, se permitiu deslizar na poltrona em busca de conforto. As mãos agora estavam apoiadas sobre o castão metálico de sua bengala, aguardando que o homem terminasse de contemplar o pouco que conseguia ver do céu por entre as cortinas – uma luta inglória entre sua índole pacífica e o senso do dever que tinha para com a Escola e seus estudantes.

Esticou novamente seu braço e tocou a sineta que ficava sobre a mesa. Poucos instantes depois, a porta dupla atrás de si foi aberta lentamente, permitindo que a claridade do corredor entrasse na sala escura.

— Ache Mydra'nda, por favor — disse com a voz rouca, revelando que permanecera em silêncio há muito tempo. Pigarreou antes de continuar. — Peça que vá a biblioteca o quanto antes. Diga-lhe que Mensaard acabou de chegar.


Derrotado por sua própria consciência, Leben ergueu-se com certa relutância e caminhou até o espelho que pendia de uma das paredes. Enquanto abotoava a gola de sua camisa e refazia a amarração da gravata ao redor do pescoço, encontrou o próprio olhar refletido na superfície cristalina. Por alguns instantes ele parou o que fazia, sugado pela grande mistura de sentimentos antagônicos que, involuntariamente, carregava dentro de si. Um deles, porém, parecia sobressair a cada instante, afinal de contas, aquele visitante indesejado era como sal arremessado sobre uma ferida que talvez nunca fosse cicatrizar.

Balançando a cabeça e suspirando pesadamente, Leben afastou aqueles pensamentos. Não era hora para demonstrar qualquer tipo de fraqueza, não diante daquele homem. Poderia enfrentar seus medos e rancores em uma outra hora e de maneira mais apropriada. Olhou-se uma última vez e tudo o que viu foi o respeitável diretor da Escola da Panaceia.

Enquanto caminhava na direção da biblioteca, acompanhado pelo som do metal de sua bengala se chocando contra o assoalho, concentrava-se apenas em lidar com a presença e as demandas de Mensaard da forma mais rápida e cortês possível.


*****

Desde que se juntara à Panaceia, Mydra, como costumeiramente era chamado, experimentava a vida laboriosa dos acadêmicos. Regada de insônia e cálculos intermináveis, era quase impossível estabilizar uma vida socialmente ativa. Cada vez mais consumido por seus livros, pesquisas e projetos, despertou subitamente, coberto por uma montanha de antigos pergaminhos enrolados que pareciam formar uma cabana sobre o alquimista. Não era a primeira vez que dormira no meio do trabalho. Levantava-se olhando para a cadeira da escrivaninha, de onde havia tombado e levado consigo tudo o que estava sobre o móvel.

— Mas que raios? — perguntou-se o alquimista, ajeitando a enorme e amarrotada túnica verde musgo, bem como o capuz sobre os cabelos desgrenhados.

Sentando-se à mesa mais uma vez, ele coçava os olhos tentando se recordar de onde havia parado na noite anterior, antes de sucumbir à exaustão mental. Conforme apoiava a face sobre a mão esquerda, usava sua destra para girar a válvula de um aparato conhecido como Bico de Gás. O objeto consistia em uma chapa de metal aquecida pela chama que saía de um tubo abaixo da mesma, alimentado por fragmentos de uma pedra com propriedades kalaidrinas, a energia que compõe a essência da natureza. Usava a parafernália para esquentar uma caneca contendo um elixir energético, que o ajudaria a se manter concentrado durante mais algum tempo. Como um bom alquimista, deturpava o que já existia afim de criar algo único a partir disso.

Viu-se uma careta, que poderia ser interpretada como uma reação ao sabor amargo da bebida, ao mesmo tempo que também podia indicar contrariedade ao ver as portas de sua sala serem abertas. De lá passava um garoto descendente dos cítaros, com os característicos cabelos e olhos alvos como a neve, vestindo uma túnica branca simples. Não tinha mais que oito anos de idade.

— Mestre — começou o menino, com a feição apática e a voz inocente, incapaz de entender a gravidade da situação. — Foi-me ordenado relatar ao senhor que Mensaard o aguarda junto a Leben na grande biblioteca.

— O Intendente já chegou na academia? — perguntou Mydra, erguendo as sobrancelhas em sinal de espanto. Presenciou o menear afirmativo do mensageiro. Mordeu a unha do polegar sistematicamente, olhando para os cantos de maneira ansiosa enquanto pensava alto em resmungos.

— O que aquele porco sociopata faz aqui? — continuou o alquimista. — Ele não pode ter descoberto meus projetos. Não agora que estou tão perto de terminá-los! Maldição! Maldição! Maldição!

Mesmo sem tomar todo o elixir, a adrenalina fez com que o sono de Mydra desaparecesse.

— Espere! — exclamou ele, erguendo o indicador para o garoto. — Você disse Leben? Ele deseja ver a mim e a Leben?

O menor meneou afirmativamente a cabeça, fazendo Mydra morder o lábio inferior.

— Bom! Bom! Bom! — Continuou, desta vez se levantando com uma expressão paranoica. — Isso significa que ele não veio prender ninguém. Ele não faria isso na frente de alguém influente como Leben. De todo modo, não posso arriscar. Há muito em jogo.

Freneticamente, rasgou um pergaminho e puxou uma pena do manto, escrevendo uma fórmula alquímica. Depois, o enrolou e seguiu até uma vidraça empoeirada à esquerda do aposento. Forçou-a um pouco até conseguir desemperrá-la. Guardava mais uma carta na manga: um pequeno pássaro branco, que saía e abocanhava o pequeno pedaço do manuscrito. Liberava-o aos céus. Ele saberia o que fazer caso o pior acontecesse.

Mydra se apressou em guardar todos os livros e pergaminhos usados, lançando poeira sobre eles, afim de transmitir a ideia de que não passavam de entulho. Só então se voltou ao menor, apontando o indicador contra sua face.

— Ordem primária: se eu for capturado e tentarem tirar meus segredos de você forçosamente, queime tudo sem aviso.

O alquimista parecia um esquizofrênico. Partia apressado para a biblioteca, deixando o garoto sozinho e confuso no cômodo. Seus passos largos ecoavam pelos longos corredores conforme seu manto esvoaçava devido ao seu estado sôfrego, representado pela velocidade que emulava uma pequena corrida contida por sua educação aristocrática. A mente zumbia como uma caixa de abelhas raivosas em pensamentos paranoicos e conflitantes.

— Mas se... Ele não pode... Eu preciso... — Murmurava, produzindo palavras desconexas.

Conforme firmava os passos, suas mãos se moviam de maneira circular e harmoniosa. Um brilho dourado surgiu, exibindo sua energia metonyana, a mesma que lhe permitia criar ou alterar formas materiais com experimentos alquímicos mais arrojados que o comum. Forjava uma máscara reluzente, com furos verticais dispostos em quatro carreiras diante dos lábios, dois na altura do nariz e outros dois cortes retangulares horizontais e estreitos para os olhos. Por fim, jogou os cabelos completamente para dentro do capuz. Desta forma, buscava uma maneira de se preservar num primeiro contato com o Intendente.

Finalmente, ao se aproximar da biblioteca, se deparou com Leben. Parou diante da entrada com as mãos unidas na frente da cintura, encarando o professor sem pronunciar uma palavra, tamanha era a sua tensão.


— Desculpe-me por retirá-lo de seus afazeres, caro Mydra'nda — disse Leben, que o cumprimentara com um leve aceno de cabeça. — Porém, não houve muito que pudesse ser feito. Por algum motivo que ainda desconheço, Mensaard solicitou expressamente sua presença na reunião que teremos.

A expressão de Leben era um tanto quanto reconfortante. Aproximava-se do garoto, colocando a mão em seu ombro e exercendo uma leve pressão.

— Muito provavelmente, o seu trabalho despertou o interesse dos teryonistas — continuou Leben, falando como se não compactuasse à ideologia baseada nos preceitos de Materyon, o deus benévolo. — O que ao mesmo tempo é motivo para congratulá-lo pela relevância de suas descobertas, também requer cautela redobrada. Portanto, tenho apenas um pedido a fazer.

Leben soltou o jovem e encarou a porta dupla, respirando fundo e em silêncio por alguns instantes.

— Fale o quanto achar que deve, da forma mais educada e respeitosa que conseguir... — ele interrompeu brevemente e olhou para Mydra de soslaio, sorrindo de forma irônica — ...mas não lhe diga absolutamente nada.


Última edição por A Lenda de Materyalis em Sex Out 13 2017, 16:26, editado 12 vez(es)

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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por Mydranda em Sab Set 16 2017, 07:26

A vida dos acadêmicos não era simples, regada de insonia e longos cálculos quase não se sobrava tempo para desfrutar de uma vida pessoal, desde que se juntou a Panaceia Mydra respirava livros e sonhava com seus projetos, havia sido consumido pelas suas pesquisas de tal modo que ao despertar se viu coberto por uma montanha que se fazia de antigos tomos e pergaminhos enrolados de modo que quase formara-se uma cabana sobre o alquimista que ao se levantar notou ter outra vez dormido em meio a suas pesquisas, ao lado de sua escrivaninha onde provavelmente havia tombado da cadeira e levado o que havia em cima do móvel junto consigo ao chão.

— Que diabos? — Perguntou-se o alquimista amarrotado ajeitando a enorme túnica verde musgo tal qual o capuz sobre os cabelos esverdeados que antes belamente trançado agora apresentavam  seu desleixo.

Sentando-se a mesa mais uma vez ele coçava os olhos tentando se recordar de onde havia parado na noite anterior antes de sucumbir a exaustão mental, conforme apoiava a face sobre a mão esquerda usava sua direita para girar a válvula de um aparato conhecido como Bico de Gás que consistia em uma chapa de metal esquentada pela chama que saia de um tubo abaixo da mesma, alimentado por fragmentos de uma pedra com propriedades Kalaidrinas, era tipico dos alquimistas deturpar o que já existia afim de criar algo único a partir disso.

Após esquentar uma bebida de sabor amargo, elixir que o ajudava a se concentrar, viu as portas de sua sala serem abertas por um jovem garoto com não mais de oito anos, cabelos alvos como neve e olhos rubros, vestindo uma túnica branca simples.


— Mestre, me foi ordenado relatar ao senhor que Mensaard o aguarda junto de Leben na grande biblioteca imediatamente. — A feição do garoto era apática e sua voz inocente, incapaz de entender a gravidade da situação.

—O Intendente esta aqui na academia? — Perguntou Mydra com o erguer das sobrancelhas em espanto só para presenciar o menear afirmativo do mais jovem, o alquimista mordeu a unha do polegar sistematicamente olhando para os cantos de maneira ansiosa pensando alto em resmungos — O que aquele porco sociopata faz aqui?, ele não pode ter descoberto meus projetos...não agora que estou tão perto de termina-los...maldição, maldição, maldição...espere!— Exclamou Mydranda erguendo o indicador agora encarando o garoto a perguntar — Voce disse Leben?, ele deseja ver a mim e a Leben? — O menor menava novamente o que fazia o alquimista morder o lábio inferior resmungando conforme se levantava de maneira apressada e paranoica — Bom bom bom...isso significa que ele não veio prender ninguém, ele não faria isso na frente de alguém influente como Leben...de todo modo não posso arriscar, tem muita coisa em jogo. — Freneticamente rasgou uma folha de papel e puxou uma pena do manto escrevendo uma formula alquímica, enrolando o papel ele seguiu até a vidraça empoeirada, com um pouco de força conseguiu desemperra-la franzindo os olhos contra os raios de sol, coisa que não via com frequência, de dentro da manga de seu manto um pequeno pássaro branco saia e abocanhava o pequeno papel, sendo enviado para os céus, ele saberia o que fazer caso o pior viesse a ocorrer.

Imediatamente Mydra guardou todos os livros e pergaminhos usados, lançando poeira sobre eles afim de evitar que qualquer um descobrisse suas pesquisas recentes, voltando-se ao menor apontando o indicador contra a face do mesmo ele disse — Ordem primaria, se eu for capturado e tentarem tirar meus segredos de você forçosamente Exploda sem aviso — era quase cômico o tamanho da paranoia do alquimista que deixava a sala de maneira apressada em direção a biblioteca deixando o garoto sozinho e confuso na sala, esperava encontrar-se com seu mentor assim que adentrasse a biblioteca poucos instantes mais tarde.
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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por Livios em Seg Set 18 2017, 16:51

Levantou-se utilizando a pouca força que ainda possuía, percebeu que sentia-se mais forte do que de fato acreditava estar. Seu corpo, sua pele, mal conseguiam manter-se colada em seus ossos, mas ainda assim sentiu-se vigoroso, apesar de lento, para rastejar-se em direção aos outros dois Elfos.

— Como não se recordam do conselho, o único raio de luz capaz de iluminar uma floresta tão obscura ???

Olhava para cima, tentando estender a sua vista até a copa das arvores, imaginou conseguir ver alguns poucos elfos silvestres observando-os, da mesma forma que faziam na época que ainda lutavam contra a maldição.

— Os anciões Elfos, donos da nossa historia e influenciadores do nosso futuro...

Começava a falar mais lentamente, percebia aos poucos uma lacuna em sua memoria

— ...eles são os únicos a nos ajud...

Buscava saber o que havia acontecido consigo, porque estavam ali. Sentia aos poucos que as lembranças escapavam em meio aos seus dedos. Silenciava-se por um minuto...


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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por Leben Schöpfer em Qui Set 21 2017, 18:41

Sentado em sua confortável poltrona de encosto alto e acolchoado, aquele homem tinha em seu colo um livro aberto. As páginas, um tanto quanto amareladas e gastas, estavam repletas de fórmulas, esquemas e muitas, muitas anotações. A única luz no ambiente era aquela que escapava pela fresta deixada de propósito na cortina entreaberta, o suficiente para que o solitário leitor pudesse mergulhar em um mundo formado de ideias e elucubrações.
 
A sala era bastante ampla, com uma mesa de madeira nobre e envernizada ao centro e muitas estantes abarrotadas de livros e pergaminhos ocupando boa parte das paredes. Poucas pessoas poderiam se gabar de ter lido tanto em suas vidas e aquele homem era uma delas. No entanto, embora o olhar estivesse fixo no tomo à sua frente, a mão depositada sobre o texto denotava que ele não prestava mais atenção no que o autor tinha a lhe dizer.
 
À frente de seu olho direito, flutuando sobre o ar, três pequenos discos luminosos de tonalidade azul clara alternavam-se entre si em uma dança perfeita, como as engrenagens de uma máquina. Um olhar mais atento revelaria que de fato tinham a aparência de pequenos discos dentados, engatados um no outro, que giravam de forma cadenciada e contínua, até que se desfizeram no ar sem deixar vestígio.
 
O suspiro do homem foi lento e pesaroso. Fechou o livro com um som audível, depositando-o sobre a mesa ao lado de tantos outros. Seu corpo parecia aperceber-se novamente de seus arredores e conforme soltava o ar, permitiu-se deslizar na poltrona em busca de conforto. As mãos agora estavam apoiadas sobre o castão metálico de sua bengala, aguardando que o homem terminasse de contemplar o pouco que conseguia ver do céu por entre as cortinas – uma luta inglória entre sua índole pacífica e o senso do dever que tinha para com a Escola e seus estudantes.
 
Esticou novamente seu braço e tocou a sineta que ficava sobre a mesa. Poucos instantes depois a porta dupla atrás de si foi aberta lentamente, deixando entrar na sala escura a claridade do corredor.
 

— Ache Mydra'nda, por favor, e peça que venha aqui o quanto antes. — a voz rouca do homem revelava que fazia horas que ele estava em silêncio. Pigarreou. — Diga-lhe que nossos convidados acabam de chegar.

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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por Nessa Alcarian em Qui Set 21 2017, 21:27

As copas das árvores balançavam suavemente no ritmo imposto por uma leve brisa e o sol permeava por entre suas folhas, tocando delicadamente o rosto da elfa, que caminhava pela floresta juntamente a um grande felino de pelo alvo e listrado. Os olhos da elfa, de uma cor avermelhada como a do sangue, fitavam o caminho a sua frente sem realmente vê-lo, pois se encontrava perdida em meio aos seus pensamentos.



Que assunto fez com que a Grande Sacerdotisa me chamasse até a grande sequoia? Será que, talvez, tenha alguma ligação com o sentimento de apreensão que estou sentindo desde cedo? Pensou Nessa enquanto passava seus dedos através do pelo macio da cabeça de sua companheira Kira, ainda a fitar o nada.



Sentindo que havia algo que incomodava a elfa, a tigresa, como se não passasse de um pequeno felino, começou a esfregar sua cabeça nas pernas dela e a fitar seu rosto, como que em um gesto de conforto. Ao ver o modo como Kira agia, Nessa deu uma leve risada.



— Não precisa se preocupar, minha amiga. - diz ainda sorrindo e começa a acariciar por trás das orelhas da tigresa — Esse meu sentimento de apreensão provavelmente é infundado e bem sabes como me preocupo muito com pequenas coisas, não sabes? Logo, assim que chegarmos a grande sequoia, provavelmente será apenas mais uma daquelas reuniões de rotina ou algo de mesma importância.




Um pouco mais tranquila ao ser confortada por sua companheira e, como que para provar que já se sentia melhor, com uma expressão brincalhona em seu rosto, para de andar e vira de frente para a tigresa.


— O que você acha de apostar uma corrida até o local da reunião, Kira? — disse ela olhando diretamente pros olhos da tigresa, que já começavam a brilhar de diversão. O som do rugido de Kira, que já começava a correr de forma animada, fez com que Nessa gargalhasse e começasse a correr atrás dela.

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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por Surya em Sex Set 22 2017, 08:34

Conforme foi instruído anteriormente por Hytria, Surya aguardou até que lhe fosse concedida a permissão para entrar na grande árvore. Ainda havia muita coisa que lhe causava estranheza por ali; o modo de vida dos devotos da deusa não se parecia com o estilo adotado pela família que o acolhera desde que encarnou em Aliank para cumprir suas missões celestes, assim como menos ainda se assemelhava aos costumes dos artanins.

Acompanhado por outros sacerdotes responsáveis por controlar o acesso a sua líder, o novo devoto de Nara-Lan se aproximou do arco de passagem assim que ouviu o pedido para que fosse apresentado. Sua aparência, ao menos agora, era de um elfo de cabelos curtos entre o loiro e o castanho claro, curtos e olhos azuis quase negros, mais alto que a média, porte físico atlético, embora sua vestimenta não demonstrasse muito. Vestia roupas de linho, tradicionais das vilas élficas, incluindo a camisa branca e as calças pretas, além de botas simples de couro. A peça mais detalhada era a túnica verde, cujos ombros tinham detalhes em couro e os pulsos em pelo. Para esta visita, não estava armado, nem trazendo outros pertences.

Ao avistar sua mentora conversando com a anciã, interrompeu-se por um instante, para que sua presença fosse reconhecida por ambas, continuando a aproximação logo em seguida. Com uma reverência silenciosa, aguardou a apresentação formal. Enquanto isso, pensava em tudo que havia passado até chegar naquele ponto; sua maior curiosidade era saber o que Brumel diria se pudesse vê-lo agora. Será que escutaria seus motivos? Ele ao menos se importaria em ouvi-los?
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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por Leben Schöpfer em Ter Set 26 2017, 12:15

Derrotado por sua própria consciência, Leben ergueu-se com certa relutância e caminhou até o espelho que pendia de uma das paredes. Enquanto abotoava a gola de sua camisa e refazia a amarração da gravata ao redor do pescoço, encontrou o próprio olhar refletido na superfície cristalina. Por alguns instantes ele parou o que fazia, sugado pela grande mistura de sentimentos antagônicos que, involuntariamente, carregava dentro de si. Um deles, porém, parecia sobressair a cada instante, afinal de contas, aquele visitante indesejado era como sal arremessado sobre uma ferida que talvez nunca fosse cicatrizar.

Balançando a cabeça e suspirando pesadamente, Leben afastou aqueles pensamentos. Não era hora para demonstrar qualquer tipo de fraqueza, não diante daquele homem. Poderia enfrentar seus medos e rancores em uma outra hora e de maneira mais apropriada. Olhou-se uma última vez e tudo o que viu foi o respeitável diretor da Escola de Panacéia.


Enquanto caminhava na direção da biblioteca, acompanhado pelo som metálico de sua bengala se chocando contra o assoalho, concentrava-se apenas em lidar com a presença e as demandas de Mensaard da forma mais rápida e cortês possível.

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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Sex Set 29 2017, 17:06

Considerações off

Daniel:

- Caso decida mudar mesmo o nome do Surya, por favor, informe no próximo post, para que eu já possa fazer a edição.

Daniel e Núzia:

- Considerem que Nessa chegara a sequoia no momento em que Hytria apresentou Surya à Nallel. Nesta cena, Nessa não adentrou a sequoia, ouvindo tudo da entrada. Como Nallel se surpreenderá com a revelação de Hytria (vide post), ela ainda não dará a devida atenção à Nessa. No entanto, Núzia deve interpretar a reação da personagem na cena, enquanto o Daniel deve dar continuidade respondendo a deixa no diálogo.

Livio:

- Sobre a descendência do Livios, ler o início da quarta visão do livro A Lenda de Materyalis: As Crônicas de Aliank - Volume 1, que fala sobre Liamor (vide post) e a história da Floresta de Majara.

Bernardo e Wanderson:

- Conforme proposto pelo Bernardo no grupo do Whatsapp, haverá uma interação entre Leben e Mydra'nda antes da entrada na biblioteca, onde falarão com Mensaard. Wanderson, leia o meu primeiro post editado, já contendo o turno revisado, e simule Mydra encontrando Leben no caminho até a biblioteca, tomando a iniciativa da interação. Como se trata de uma interação, podem fazer mais de uma ação livremente, parando apenas quando chegarem no destino.




Palavras em asterisco no post atualizadas no glossário: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

Vamos ao jogo:




SURYA

— Grande Sacerdotisa, este é Surya — disse Hytria. — Um excomungado de Aliank, reino dos sacerdotes malignos.

Viu-se surpresa na expressão de Nallel.

— Surya, eis Nallel, a única que pode lhe conferir a bênção de Nara-Lan em Nementrid* — continuou Hytria, entonando para o novato sobre a importância da figura que estava diante dele. — Ela é a representante escolhida pela própria deusa para guiar nossos caminhos.

— Isso quer dizer que você não renunciou apenas ao seu povo, mas também às crenças em Materyon, o falso benevolente? — questionou a sacerdotisa, encarando Surya austeramente.

— A devoção de Surya à Nara-Lan vai além do reino e de sua anátema a Materyon, Grande Sacerdotisa — disse Hytria, se interpondo aos dois antes que Surya falasse. — Ele agora entende o grau de superficialidade de sua vida, mesmo sendo um filho de Materyon.

Havia um misto de espanto e desconfiança na face de Nallel, talvez porque jamais recebera ou ouvira falar num traidor como ele. Estava diante de um artanin, criatura espiritual de luz crido pelos fiéis a Materyon como ser mais evoluído antes da divindade benévola. Na visão dos servos da deusa, são criaturas das mais abomináveis, devido ao fato de encarnarem desde o ventre materno de elfas ou humanas, assumindo uma vida comum para se infiltrar entre os povos e, assim, cumprirem os mandamentos de uma pretensa divindade com objetivos dominadores e travestidos de pacifistas.

— É um imenso prazer que tenha sido trazido à sua sabedoria, Grande Sacerdotisa — começou Surya, serenamente. — Como Hytria disse, não pertenço mais às fileiras teryonistas. Embora seja verdade que há poder entre os servos de Materyon, o título de falso benevolente lhe cai perfeitamente; sua hoste de artanins o serve de forma cega e temo que só intervenham em proveito próprio. Sinto-me abençoado pela oportunidade de perceber o que realmente importa, que não é a perfeição da forma ou o autoritarismo disfarçado pelas promessas de paz. Minha vida não iniciou neste corpo, mas foi através deste presente da deusa que pude entender que o que há de ser preservado está aqui.

Interrompendo sua apresentação por um instante, Surya tentou amenizar as estranhezas com algo mais pessoal e menos formal.

— Acho que a forma mais simples de explicar tudo isso seria dizer que, deste lado, sinto que estou fazendo algo justo. Lá, apenas me sentia um subordinado atendendo a ordens. Embora não cultive qualquer tipo de sentimento para com meus antigos irmãos, também não os odeio e espero que, assim como eu, possam se libertar. Mas não pretendo permitir que eles pisem desrespeitosamente neste solo, bradando sobre sua ideologia egoísta.

A esperada resposta de Nallel não veio de imediato. Seu semblante mudou para um sorriso tenro, mas logo foi possível constatar que o gesto não era devido às palavras de Surya. A elfa acompanhada da tigresa branca acabara de chegar, em tempo suficiente para ouvir as palavras do elfo. Com isso, ela começava a compreender um dos possíveis motivos de ter sido convocada.

— Peço perdão por interromper de forma tão abrupta, Grande Sacerdotisa — disse a elfa, entrando reverenciosamente na sequoia, após se certificar de que todos os presentes perceberam sua chegada. Ainda estava com a respiração um pouco ofegante devido à corrida que realizara com Kira. — Acredito que eu não tenha chegado em um bom momento.






LIVIOS

— Quanta heresia — disse uma voz feminina, porém grossa, vinda do nada, despertando a atenção dos três. — Não é à toa que suas almas estão presas nestas carcaças.

— O quê? — esbravejou Plaskol, se levantando após algum esforço. — Quem falou isso? Arf!

Enquanto viravam suas cabeças para procurar por todos os lados, a raiva e a curiosidade exacerbada escondiam a criatura altiva, que se pronunciou pouco tempo depois de lhes dar uma chance de ser encontrada.

— Olhem para o norte. Estou bem diante de vocês.

Assim o fizeram. A chuva ainda atrapalhava o campo de visão. Mas, ao se esforçar um pouco mais, notavam um pequeno rosto sobre o tronco de uma faia frondosa a cerca de dez braças adiante. Seu semblante era neutro e inexpressivo, mostrando uma frieza ainda maior que a das gotas grossas vindas dos céus.

— Arf! Uma... Árvore falante? — ironizou Plaskol. — Você acha que pode, arf, mais que nós, arf, presa aí neste tronco? Arf!

— Mais do que você poderia supor — respondeu a árvore.

Plaskol riu descompensadamente outra vez.

— Quem é você? — indagou Norion.

— Mesmo que eu explicasse, não entenderiam — disse a árvore. — Ainda estão ligados aos conceitos erráticos de seu povo. Isso é notável com a sua afirmação.

Todavia, eles perceberam que a última frase não foi uma resposta para Norion, mas sim uma afronta ao último elfo que aparecera.

— Como pode achar que o seu Conselho é a única fonte de luz com quem pode contar? Que acalento os anciões élficos o fornecem agora, Livios, filho de Liamor?

Plaskol e Norion se entreolharam por um instante e, então, se voltaram para o elfo, cujo nome finalmente era revelado. O silêncio que fizeram demonstrava a surpresa que tinham ao finalmente descobrir que estavam junto ao antigo líder daquela floresta, agora aparentemente dominada por criaturas místicas e desconhecidas.

Livios deu passos curtos na direção da árvore. Não era comum um elfo da floresta ser surpreendido dentro de seu território. Sentia que a destreza e a prontidão provenientes da sua raça haviam quase desaparecido de si.

— Vejo que me conhece — balbuciou Livios. — Portanto, sabe que conseguirei reverter essa situação. A sabedoria da floresta, que vive graças aos antigos, seguirá iluminando os meus passos.

A nova menção ao Conselho amuou a face no tronco.

— Apresente-se! — disse Livios, impositivamente. — Quem ousa questionar o Conselho diante do líder da floresta?





LEBEN

(Edição dos últimos posts foi incorporada ao meu primeiro turno)


Última edição por A Lenda de Materyalis em Sex Out 13 2017, 15:58, editado 5 vez(es)

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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por Mydranda em Sex Set 29 2017, 17:33

Os passos largos do alquimista ecoavam pelos longos corredores conforme seu manto esvoaçava com a ansiedade representada pela velocidade que emulava uma pequena corrida contida pela sua natureza aristocrática, sua mente zumbia como uma caixa de abelhas raivosas em pensamentos paranoicos e conflitante enquanto murmurava palavras desconexas.

— Mas se....Ele não pode...eu preciso...

Conforme firmava os passos suas mãos se moviam de maneira circular e harmoniosa elevando sua energia Metonyana forjando uma mascara de cerâmica com duas carreiras de quatro furos verticais frente os lábios, dois a altura do nariz e dois cortes retangulares horizontais estreitos para os olhos sombreados, jogando os cabelos para dentro do capuz ocultando suas formas e comprimento tal qual descera a mão sobre si anulando o próprio aroma, no pior dos casos o Intendente estaria acompanhado de guardas ou animais capazes de grava-lo pelo cheiro, mesmo que aqueles pensamentos fossem mero preconceito com a fama de Mensaard a mera prevenção serviria para acalmar o espirito do alquimista que ao se aproximar das portas adornadas pudera ver seu professor em caráter honorável, apesar de nada dizer parou frente a porta encarando Leben para ouvir quaisquer conselhos do mentor que podia sentir o nervosismo natural de Mydra através da força com que as mãos do alquimista estavam unidas frente a cintura, adentraria logo após o mesmo, fechando as portas atras de si, acompanhando-o como sua sombra silenciosa, desejando não ser notado, desejando não estar ali.
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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por Surya em Ter Out 03 2017, 15:32

[Off: já que mudamos o background para um em que o Surya agora é um encarnado como um elfo, apesar dos conhecimentos de artanin, pensei em dar a ele um nome mais apropriado para uma família élfica. Talvez ele tenha se chamado Surya anteriormente, talvez no Etrenon, e ainda reconhece o nome, mas prefira renunciá-lo e usar o nome que recebeu nessa "vida". O que acha?]

---

Surya podia imaginar a surpresa que alguém em tal posição sentiria em presenciar um artanin que renegara sua divindade. Nem ele mesmo tinha conhecimento de outro caso como o seu. Apesar das histórias dos traidores, caídos das graças de Materyon, amaldiçoados e entregues à perversidade, não era assim que ele se sentia.

— É um imenso prazer que tenha sido trazido à sua sabedoria, Grande Sacerdotisa. Sim, não pertenço mais às fileiras de Materyon. Embora seja verdade que há poder no Etrenon, o título de falso benevolente lhe cai perfeitamente; sua hoste de artanins o serve de forma cega e temo que só intervenham em proveito próprio. Sinto-me abençoado pela oportunidade de perceber o que realmente importa, que não é a perfeição da forma ou o autoritarismo disfarçado pelas promessas de paz. Minha vida não iniciou neste corpo, mas foi através deste presente da deusa que pude entender que o que há de ser preservado está aqui.

Interrompendo sua apresentação por um instante, Surya tentou amenizar as estranhezas com algo mais pessoal, menos formal.

— Acho que a forma mais simples de explicar tudo isso seria dizer que, deste lado, sinto que estou fazendo algo justo. Lá, apenas me sentia um subordinado atendendo a ordens. Embora não cultive qualquer tipo de sentimento para com meus antigos irmãos, também não os odeio e espero que, assim como eu, possam se libertar. Mas não pretendo permitir que eles venham pisar neste solo com desrespeito e bradando sua ideologia egoísta.
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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por Livios em Qua Out 04 2017, 15:09

OFF: Desculpe a baixa qualidade...estou em pré-ferias então tá uma correria sinistra aqui...prometo melhorar...

-----

A voz feminina surpreendia o Alquimista e colaborava ainda mais com as suas deduções. Não era comum um Elfo da Floresta ser surpreendido dentro de seu território. A destreza e a prontidão, originais da raça elfica, haviam quase que desaparecido da sua lista de 'habilidades'. Enfim começava a ver que não havia se tornado um enfermo, como acreditar ser todos os possuídos pela Maldição, e sim algo diferente...

O Alukan andava, a passos curtos, em direção ao norte, para onde a voz havia dito que estaria. Tentaria então entender quem chamava a sua atenção, embora fosse difícil enxergar onde realmente ela se encontrava.

— Vejo que me conhece...

Disse, reconhecendo que era o Líder da Floresta.

— ...então sabe que conseguirei reverter essa situação. A Sabedoria da Floresta, que vive graças aos antigos, seguirá iluminando os meus passos.

Fazia menção ao conselho, que era responsável por todo o conhecimento que possuíam.

— Apresente-se...quem ousa questionar o Conselho enquanto o Líder da Floresta encontra-se a sua frente ???

Falava agora com mais força e intimidação...

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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por Leben Schöpfer em Qua Out 04 2017, 18:16

Enquanto Leben se aproximava das portas que davam para o salão onde Mensaard agora aguardava, o alukan vislumbrou Mydranda vindo da outra direção. Aproximou-se e o cumprimentou de forma cortês, fazendo um breve aceno com a cabeça. Contudo, passados alguns instantes, Leben se aproximou do garoto e colocou a mão em seu ombro, fazendo uma leve pressão.
 
— Desculpe-me por retirá-lo de seus afazeres, caro Mydranda, porém não houve muito que pudesse ser feito. Mensaard, por algum motivo que ainda desconheço, solicitou expressamente sua presença na reunião que teremos.
 
A expressão de Leben era um tanto quanto reconfortante. Seu olhar, apesar de bastante enigmático e inquisitório, era dotado de bastante sabedoria – característica essa que Leben via refletida no olhar do jovem alukan à sua frente.
 
— Muito provavelmente o seu trabalho despertou o interesse dos teryonistas, o que é ao mesmo tempo motivo para congratula-lo pela relevância de suas descobertas, mas também um motivo de cautela redobrada. Tenho apenas um pedido a fazer.
 
Ele soltou o jovem e encarou o portão por alguns instantes em silêncio, respirando fundo.
 

— Fale o quanto achar que deve, da forma mais educada e respeitosa que conseguir... — ele interrompeu brevemente e olhou para o jovem de soslaio, sorrindo de forma irônica — ...mas não lhe diga absolutamente nada.

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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por Nessa Alcarian em Sex Out 13 2017, 00:40

Nessa acabava de chegar a grande sequoia junto com Kira, tendo tempo o suficiente para ouvir, do lado de fora do salão, as palavras do estranho elfo. Foi quando ouviu a conversa e compreendeu o que havia sido dito que a mesma percebeu o que poderia ser um dos motivos de ter sido convocada até lá, mas apenas manteve em sua mente até obter uma confirmação.

Ela então aproximou da entrada do salão, ainda com a respiração um pouco ofegante pela corrida e somente se pronunciou quando todos os presentes no salão perceberam sua presença.

— Peço perdão por interromper de forma tão abrupta, Grande Sacerdotisa. — disse Nessa assumindo uma posição de respeito ao ambiente e as pessoas ali reunidas — Acredito eu que não tenha chegado em uma boa hora?

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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por A Lenda de Materyalis em Sex Out 13 2017, 16:50

Considerações off






Palavras em asterisco no post atualizadas no glossário: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

Vamos ao jogo:




SURYA

(Em formulação)





LIVIOS

(Em formulação)





LEBEN

Tão logo a recomendação foi dada, Leben abriu a porta dupla. Os olhos de Mensaard fitaram a entrada de ambos durante pouco tempo, pois logo foram desviados para a clepsidra. No entanto, não havia o que falar negativamente. A décima oitava faixa acabara de ser atingida. Era o tempo combinado.

— Devo dizer que sua assiduidade é irretocável, Professor Leben — disse Mensaard, aumentando um pouco o tom da voz para que pudesse ser ouvido enquanto passavam pela outra extremidade do aposento. — Um bom início para as tratativas que iniciaremos esta noite.

O clima inicialmente amistoso, porém, logo deu lugar a uma atmosfera densa. Com a aproximação dos dois, Mensaard notava, inevitavelmente, a máscara de energia que cobria a face de Mydra'nda. Sem disfarçar o semblante contrariado, não precisou de muito tempo para alfinetar o mestre e o aluno.

— Surpreendo-me, contudo, ao ver que a timidez dos alunos desta escola é maior que as boas normas de convivência — disse ele, encarando Mydra. — Que tipo de ensinamentos andam propagando por aqui, Professor Leben? Até onde me consta, não há razão alguma para vestir máscaras durante um encontro sem propósitos inquisitórios.

Mensaard repousou novamente o olhar em Leben. Quando voltasse a ver Mydra'nda, esperava que já estivesse com a face livre.

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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

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