(Conto) A Casta dos Deuses

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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por Surya em Sex Nov 17 2017, 05:21

[Off]
Acho que podemos usar Suriel como o nome élfico. O nome original como artanin acho que fica para pensarmos quando for necessário, já que ninguém ali vai chamá-lo por esse nome de qualquer forma. Depois tenho que mudar a imagem também!

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Conforme o morto-vivo se aproximava, Suriel o fitava, porém não com aversão ou pesar, mas com certa curiosidade. Segundo o que conhecera sobre a cosmogonia namuzista, a natureza e seus ciclos eram intocáveis, devendo-se preservar o delicado equilíbrio da criação de Nara-Lan assim como ela a criara. Mas a criatura que estava diante deles era uma depravação desta ordem, uma vez que mantinha-se viva quando já deveria ter retornado ao corpo da deusa.

— É a primeira vez que vejo alguém assim — disse, enfatizando a palavra "alguém" — Acredito que este seja o estado a que a senhora se referia quando afirmou que fui poupado. De fato, nem posso imaginar o tamanho desta provação, mas não me sinto digno de usufruir desta regalia sem uma retribuição. Estou à disposição da grande sacerdotisa e de sua sucessora, para cumprir com o que me comprometi a fazer. Hytria já conhece minha devoção, mas pretendo prová-la a qualquer um que queira me testar.
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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por Nessa Alcarian em Qua Nov 22 2017, 22:26

[OFF] 
Ficou Suriel então? Posso escrever Suriel né? ashashashas

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Nessa já havia escutado antes sobre essa penitência á Deusa Mãe, mas nunca antes teve a oportunidade de observa-los de perto. Sua aparência decomposta fez com que ficasse um pouco surpresa, mas não se assustou com isto, nem demonstrou nenhum tipo de reação irreverente para o morto-vivo, apenas observou com um olhar atento a reação que Suriel demonstrava diante de uma visão tão repulsiva, se levar em consideração que esta poderia ser seu destino se o rumo dos acontecimentos não tivesse sido o mesmo. 

Ao escutar a opinião do elfo, Nessa também se pronunciou 

— Acredito que esteja sendo sincero e aprecio isso, mas, se a grande sacerdotisa assim desejar, irei de bom grado auxiliar em qualquer teste que possa ser realizado. — disse de modo que sua devoção pudesse ser transmitida através de suas palavras.

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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por Leben Schöpfer em Qui Nov 23 2017, 21:51

A experiência política de Leben mostrava-se presente naquela situação, pois muito embora Mensaard sequer deu espaço para qualquer tipo de interrupção, o alukan sabia muito bem que quando alguém da estirpe do intendente iniciava seu sermão, já tinha premissa e conclusão claramente formados em sua mente, de maneira que não aceitaria interjeições.
 
Por vezes Leben se questionava, entre um estudo e outro, se os aristocratas aliankinos conscientemente usavam do sermão religioso como estratégia argumentativa contra aqueles que não partilhavam de seu credo, ou se aquela linha de pensamento lhes era tão instintiva quanto o ato de respirar.
 
O fato é que a forma como Mensaard conduzia a discussão deixava Leben – e qualquer interlocutor, a bem da verdade – em situação bastante precária. O alukan sentia como se atravessasse um precipício equilibrando-se em uma corda, a tênue linha entre o debate intelectual e a heresia.
 
Por mais que sua índole fosse pacífica e sua postura impassível, para Leben era por demais tortuoso ter de responder àquelas indagações tão... impertinentes. O tom de seriedade daquela reunião finalmente conseguira extrair de Leben algum descontentamento.
 
— O múnus de um cientista é uma atividade extremamente solitária, nobre Intendente. Diferentemente de vós e dos teus, agraciados com o dom de ouvir e sentir os desígnios de Materyon, nós, os pesquisadores, somos prisioneiros de nosso próprio intelecto. Nossa única esperança é buscar dentro de nós mesmos a iluminação necessária; ouvimos com atenção o eco deixado pelo sopro divino que nos deu a vida e buscamos incessantemente, dia após dia, noites em claro, decifrar o que Materyon nos disse quando ainda podíamos ouvi-lo.
 
Talvez o único membro de Panaceia capaz de falar com os Teryonistas da maneira que eles gostavam, de ouvir era Leben – e só ele sabia como fora difícil e custoso, física e mentalmente, aprender as palavras e as frases capazes de apaziguar a ira velada dos homens e mulheres de Materyon.
 
— Embora obtenhamos grande sucesso em compreender as leis e regras criadas por Materyon para ordenar a natureza e sua interação com tudo aquilo que Ele criou, é incrivelmente complexo traduzir na linguagem dos mortais aquilo que para O Divino revela-se simples e imediato. É por tal motivo, inclusive, que meus relatórios são de fato enfadonhamente pormenorizados e precisos, conforme Vossa Senhoria mesmo disse, pois nós, cientistas de Panaceia, acreditamos que vós, ouvintes d’A Palavra d’Ele, poderão nos guiar para o caminho correto.
 
Somente Leben sabia como sujava-lhe a alma e manchava-lhe o intelecto ter de pronunciar aquelas palavras, mas precisava, acima de tudo, proteger a Academia e os cientistas que nela trabalhavam. A bem da verdade, por mais que suas palavras fossem entoadas em tom incisivo e convincente, Leben não acreditava verdadeiramente em nada daquilo. Além disso, fazia questão de inserir tantos detalhes quanto fossem necessários em seus relatórios para que fossem completamente ininteligíveis pelo clero aliankino – tanto assim que o próprio Mensaard tinha de vir pessoalmente à Academia, ao pretexto de fazer uma visita, para tentar entender o que exatamente aquelas pessoas estavam estudando.
 
— E digo tudo isto, Nobre Intendente, para reforçar que temos, sim, um compromisso inabalável com o Reino de Aliank e em especial na busca de uma cura para o mal que nos assola. Infelizmente, por mais que na matemática o menor caminho entre dois pontos seja sempre uma reta, a Praga de Garlak tem se revelado o maior enigma com que esta Escola já se deparou.
 
Leben agora caminhava ao redor da sala, gesticulando com uma das mãos enquanto a outra conduzia a bengala à sua frente.
— Todas as abordagens diretas da medicina tradicional foram perseguidas – fazia com o dedo indicador linhas imaginárias no ar - , sem êxito. Em razão disto, temos sido obrigados a adotar abordagens cada vez mais abrangentes – fazia agora movimentos circulares com a mão, cada vez mais amplos – o que, creio eu, dê a impressão de que estejamos distantes de nosso objetivo.
 
Chocou a bengala contra o assoalho de pedra, com certa força. Depositou ambas as mãos sobre o castão e encarou Mensaard com o olhar bastante severo.
 
— Graças a essa estratégia – que é encorajada por mim, pessoalmente – temos obtido avanços em diversas outras áreas, não apenas na medicina. Causa-me espécie, inclusive, que ao mesmo tempo em que nosso trabalho é reconhecido pela Corte como um considerável elemento de respeito do Reino de Aliank perante os demais, meus colegas e eu sejamos acusados de negligenciar a dor e o sofrimento dos que morrem todos os dias em razão da Praga em prol de causas egoístas ou infrutíferas. É um desrespeito... – bateu com a bengala no chão – ...e um demérito... – novamente – para com todos aqueles que, assim como eu, dedicam suas vidas para o bem de nossa sociedade.
 
Leben então abaixou a cabeça, respirando fundo. Envergonhava-se, porém não sabia se por ter deixado as emoções fluírem livres e descontroladas, ou se por ser obrigado a submeter toda a sua genialidade à mente pequena de pessoas como Mensaard. Rapidamente, contudo, tornou a olhar Mensaard com cordialidade.
 

— Peço desculpas pela forma como me pronunciei, caro Menssard, especialmente se algo no que disse soou como uma ofensa. Jamais foi minha intenção. Esta situação, esta... – mordiscou os lábios, olhando ao redor enquanto procurava não apenas as palavras, mas as forças para continuar o teatro - ... Praga... Entenda, Panaceia abriga aqueles de mentalidade positivista, racionalista, matemática e sistemática. O fato de que até hoje não conseguimos proporcionar ao povo de Aliank uma cura para este mal é um grande motivo de inquietação para todos nós. Asseguro-lhe, contudo, que sempre fizemos e continuamos buscando fazer tudo aquilo que está ao alcance de nosso intelecto para que Aliank se veja livre da Praga o quanto antes.

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Re: (Conto) A Casta dos Deuses

Mensagem por Surya em Seg Dez 11 2017, 14:28

[Off: Saymon, repassei o seu texto, o turno do Suriel e o da Nessa. Sei que cada um devia repassar o seu, mas como já havia demorado demais, apenas nesse post, tentei reunir os três para te poupar tempo. Se vocês não concordarem com a maneira como ordenei os trechos, vamos ver como fica melhor. Como fiz tudo de uma vez, coloquei o conteúdo do meu texto e o da Nessa sem itálico, como você pediu, mas também em negrito, para ficar melhor de saber onde incluí coisas no seu post. Teve um pequeno trecho no final que eu editei o início da sua frase, para fazer sentido com o trecho colocado logo acima]

----

— Suriel — disse Hytria se antecipando. — Este foi o nome dado pelos seus genitores élficos. A deusa, certamente, o tratará de outra maneira. 

Nallel meneou a cabeça positivamente. Esperava o fim das apresentações para se pronunciar novamente. Apesar da importância do momento, seu semblante estava visivelmente distante. Na verdade, ela dividia sua atenção com algo que a preocupava imensamente, mas que seria revelado no momento certo.  

— É necessário que mostremos a Suriel o quão abençoado foi pela deusa — disse a sacerdotisa. — Muitos são os que passam por provações muito mais duras até chegarem a este ponto. E, sinceramente, ainda me pergunto o por que de Hytria ter criado um atalho em seu caminho. 

A dríade já esperava àquela pergunta, que foi feita num momento muito oportuno. Era importante que a Grande Sacerdotisa, assim como sua aspirante e o próprio elfo, entendessem a natureza de sua decisão. Afinal, os errantes passavam por tirocínios muito mais complexos e Suriel havia realmente sido poupado de um enorme martírio. 

— Suriel não é como os outros — disse Hytria, olhando para ele. — Os elfos habitantes do falso reino vivem uma vida incomparavelmente superficial, tendo muito mais chances de entender que os mandamentos de Materyon são enganosos. Suriel veio do berço da ideologia aleivosa, e, no entanto, seu intelecto transcendeu uma doutrina que era como uma raiz quase inacessível em sua alma. Ele não só foi capaz de perceber o erro de sua missão, como também prevaricou as ordens de seus antigos superiores para se entregar totalmente à deusa. 

Nallel sabia que as palavras de Hytria soariam estranhas para Suriel e para Nessa. Ela os fitou alternadamente, a face severa e analítica. De fato, o elfo não compreendeu as provações sugeridas pela Grande Sacerdotisa, que pareciam familiares à Hytria. Felizmente, ela estava prestes a esclarecê-las.

— Durante muitos anos, o povo subserviente a Berong acreditou que havia uma praga nesta floresta. Nós, servos de Nara-Lan, nos mantivemos ocultos, lhes dando a chance de repensarem sobre a vitória que alcançaram contra o dragão. Mas a intensa soberba cegou as gerações antigas e atuais, e o que para eles é um mal continua lá, vigilante, procurando por seres que possam se diferenciar dos intentos sujos que não param de se avolumar entre eles. 

E, após breve pausa, a sacerdotisa voltou o olhar para Suriel. 

— Embora tenha pulado uma senda perigosa, seu desafio não será menor. Livrou-se da amargura de um corpo moribundo, sem que tenha de provar o seu valor à Nara-Lan através da dor. Mas, agora, deverá enaltecer suas qualidades diferenciadas. Precisará mudar muitas realidades em favor da deusa, mais do que outros servos. Esta é uma tarefa bela, porém a que mais exige sensatez.

Ao terminar de falar, Nallel olhava para a entrada da sequoia estrategicamente, chamando a atenção dos presentes. Realçaria a Suriel e Nessa o significado de suas palavras, através da presença de um ser que se aproximava com passos arrastados, vestido em farrapos e o corpo enegrecido. Estava podre. Todavia, não exalava um odor incômodo. Produzia uma leve fragrância de algum tipo de bálsamo, contrastando completamente do seu estado mórbido. A boca estava costurada. Mesmo os olhos brancos e sem vida pareciam captar tudo a volta. Os ouvidos grandes e pontudos mostravam claramente que se tratava de um elfo, que ilustrava a estranha provação que Nallel mencionara. 

— Venha, Nara-dusarbo — ordenou a sacerdotisa. — Deixe que Suriel sinta a sua penitência e entenda o quão agraciado foi. 

Embora se dirigisse à criatura para que levasse a Suriel sua impressão excruciante, ela também desejava que Nessa contemplasse, pela primeira vez, o estado de um cativo daquele tipo de corpo miserável, mas que, curiosamente, ainda teria uma chance de se restabelecer como uma nova criatura. Em parte, era uma pregação que se assemelhava muito aos princípios teryonistas, embora a vida, declarada pelos sectários de Materyon como símbolo da dor e caminho até a plenitude, não pudesse se comparar à forma que aquele ser se encontrava.

Conforme o morto-vivo se aproximava, Suriel o fitava, porém não com aversão ou pesar, mas com certa curiosidade. Segundo o que conhecera sobre a cosmogonia namuzista, a natureza e seus ciclos eram intocáveis, devendo-se preservar o delicado equilíbrio da criação de Nara-Lan assim como ela a criara. Mas a criatura que estava diante deles era uma depravação desta ordem, uma vez que mantinha-se viva quando já deveria ter retornado ao corpo da deusa.

Nessa já havia escutado antes sobre essa penitência à Deusa Mãe, mas nunca antes teve a oportunidade de observá-los de perto. Sua aparência decomposta fez com que ficasse um pouco surpresa, mas não se assustou com isto, nem demonstrou nenhum tipo de reação irreverente para o morto-vivo, apenas observou com um olhar atento a reação que Suriel demonstrava diante de uma visão tão repulsiva, se levar em consideração que esta poderia ser seu destino se o rumo dos acontecimentos não tivesse sido o mesmo.

— É a primeira vez que vejo alguém assim — disse Suriel, enfatizando a palavra "alguém" — Acredito que este seja o estado a que a senhora se referia quando afirmou que fui poupado. De fato, nem posso imaginar o tamanho desta provação, mas não me sinto digno de usufruir desta regalia sem uma retribuição. Estou à disposição da grande sacerdotisa e de sua sucessora, para cumprir com o que me comprometi a fazer. Hytria já conhece minha devoção, mas pretendo prová-la a qualquer um que queira me testar.

Ao escutar a opinião do elfo, Nessa também se pronunciou.

— Acredito que esteja sendo sincero e aprecio isso, mas, se a grande sacerdotisa assim desejar, irei de bom grado auxiliar em qualquer teste que possa ser realizado — disse de modo que sua devoção pudesse ser transmitida através de suas palavras.


O Nara-dusarbo continuava na direção de Surya e, nisto, Kira se manifestou. Separava as patas e rugia, pronta para atacar se o elfo se aproximasse mais. Ele, no entanto, continuou destemido, como se estivesse pronto para aceitar o seu destino, qualquer que fosse a vontade da deusa.
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