(Conto) O Ritual Profano

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(Conto) O Ritual Profano

Mensagem por Nathan em Qua Set 27 2017, 11:07

Considerações em OFF

Começamos aqui as interpretações do conto "O Ritual Profano", envolvendo os personagens Baoh, Dekadron, Lorienne, Gish e Zaref (Masharuk).

A premissa da minha narrativa já é colocar o texto em formato literário, de forma que alguns detalhes serão omitidos no turno, mas enviados por Mensagem Privada a vocês. Por isso, limpem suas caixas de entrada de MPs.

Neste primeiro momento, a interpretação do jogador deve seguir o fluxo normal dos jogos anteriores. Mas é importante seguir as instruções abaixo, para facilitar a edição em todos os sentidos:

Uma cena inicial é proposta, onde você terá duas possibilidades: observar (neste caso, apenas faça um post dizendo em off que observará) ou intervir (sendo assim, faça um turno normalmente). Estas duas opções serão permitidas em todos os demais turnos. Lembrando que todas as ações já preveem brechas para que sua personagem interfira.

Não use formatação do texto com cores. Quando o personagem se expressar verbalmente, coloque o travessão (alt+0151). Caso queira expressar algum pensamento, coloque em itálico, sem o travessão. Percebam que ao contrário das Visões, onde a história é contada por um venirista que assiste as cenas, aqui é descrito um evento. Isso muda bastante pois poderão ser explorados pensamentos e coisas mais sutis, que um venirista não seria capaz de notar durante uma visão oferecida pelo sinkrorbe.

Para criar o turno, prioriza-se a qualidade do texto, e não a quantidade. Na sequência do meu turno, marcarei em vermelho, no post da minha última ação, tudo o que foi extraído das ações de vocês, que, logicamente, podem sofrer edições. Quanto mais aproveitados forem na conversão, maior é o indício de que estão funcionando bem para o formato literário;

Revise a ortografia, a gramática, a coesão e coerência do texto. Lembrando que este é um projeto literário e que é um requisito para participação. Apenas turnos que estejam dentro dessa proposta serão aceitos e respondidos;

Revise a proposta que lhes foi enviada por áudio e sinopse pelo Whatsapp. Em caso de dúvidas, entrem em contato privadamente ou pelo nosso grupo;

Os posts neste conto acontecerão toda Quinta-Feira. Portanto, faça sua ação até a quarta anterior;

Por fim, a disposição dos turnos é dividida por personagens. O primeiro tópico foca o ponto de vista de Zaref, mas considera a ambientação para Baoh, Dekadron, Lorienne e Gish. A medida que se tornar necessário, novos tópicos poderão ser criados para diferir os pontos de vista e eventos acontecendo em outros pontos do cenário.

No mais, obrigado a todos por estarem aqui no projeto. Será uma honra narrar para vocês.


Vamos ao jogo:

ZAREF (MASHARUK)

O dia terminava gélido no interior da Floresta de Lumnar, fazendo com que a penumbra que dominava sua mata fechada ao longo da tarde se transformasse em uma escuridão absoluta. A vegetação de Lumnar era exuberante, de folhas largas que bloqueavam e absorviam a luz do sol ao longo de todo o ano. Isto, somado ao grande número de rios que cortava a região, favorecia que as árvores tivessem troncos espessos e fossem extremamente altas, servindo como barreira natural para a luminosidade solar e se tornando o ambiente natural perfeito para criaturas de hábitos noturnos.

A disputa por poder nas trevas que dominavam Lumnar havia sido vencida há décadas pelas sinistras e exóticas criaturas conhecidas como Lakriaks, seres humanóides com traços reptilianos e com a capacidade de se metamorfosear em enormes serpentes por curtos períodos de tempo. Fiéis ao marilismo, uma das ideologias mais temidas por adorar o deus maligno e por acreditar obter deste o seu poder, os Lakriaks governam com presas afiadas e punho de ferro todos os que vivem no interior de sua floresta.

O centro de poder da Floresta de Lumnar reside em um suntuoso palácio chamado Luviah, erguido pelos elfos silvestres e oferecido como sinal de devoção a Marilis aos Lakriaks. No palácio vive uma espécie de corte que serve aos interesses do regente de Lumnar, Sylvant. Pertencente a raça dos Lakriaks, Sylvant conquistou o título de regente através de intrigas, ardis e assassinatos, sendo temido e respeitado por todos os que vivem sob sua proteção no Palácio de Luviah. Além dos metamorfos reptilianos, outras duas raças vivem sob o julgo do regente Sylvant, os elfos silvestres e uma outra espécie de metamorfos conhecida como ajarg, capazes de se transformar em aves de rapina atrozes.

Dentre os diversos ritos praticados pelo culto marilista no coração da floresta, um tem uma importância de maior destaque. A cada quinze anos, os sacerdotes, que em Luviah são chamados de vizires e servem como principais conselheiros e servos do regente da província, realizam uma enorme preparação para o evento que ocorre no solstício de inverno e é conhecido como Ritual do Noivado. A figura responsável por orientar os demais vizires em suas atribuições para a realização deste ritual é uma anciã élfica chamada
Callë, que detém o posto de Grã-Vizir de Luviah. Ela havia planejado por anos este momento e designou seus melhores sacerdotes para a execução dos ritos, uma vez que não estaria presente, pois naquele momento estaria junto do regente Sylvant no Palácio de Luviah. Durante a cerimônia, uma dezena de bartaluns, criaturas corrompidas invocadas do plano maligno chamado Inferlis, tomam como esposas várias humanas e elfas para que estas carreguem em seus ventres a semente do mal, servindo como receptáculo para a reencarnação de criaturas vís leais ao Zhânrir Malévolo, Marilis.

Uma pequena comitiva aguardava silenciosa na escuridão da floresta, onde as árvores eram espaçadas o suficiente para formar uma pequena clareira. Algumas rochas margeavam o local, esculpidas como pequenos totens pontudos voltados para o centro da clareira e traziam em si pinturas indecifráveis na forma de runas arcanas grifadas com sangue fresco, que em alguns pontos escorria pela pedra. Diante do pequeno grupo heterogêneo, jaziam oito corpos inertes repousados sobre liteiras rústicas cobertas por mantas de peles. Não apresentavam qualquer ferimento visível, mas em seus rostos estavam grafadas runas semelhantes às dos totens, também com sangue. Vestiam uma espécie de vestido cerimonial de linho negro com bordados vermelhos nas golas e nas mangas longas.

Aquele era um momento familiar, horrivelmente belo e familiar, para o homem alto de pele morena que observava toda a movimentação posicionado cerca de um passo a frente da comitiva marilista. Havia orientado os vizires sobre a maneira de proceder à marcação das pedras e árvores com as runas místicas, as mesmas que ele, Masharuk, havia marcado nos corpos inertes diante do pequeno grupo. Ao seus pés, um corpo aberto na região abdominal ainda escorria o sangue usado na preparação do rito. Masharuk abaixou-se e enfiou as mãos no corte do corpo ainda quente e espasmódico, arrancando uma parte de suas tripas e levando-a a boca. Tensão o deixava faminto. Mas o momento havia chegado.

Nenhuma voz ou ruído se fazia ouvir no local, como se a própria floresta e os animais que nela habitavam aguardassem ansiosos ou amedrontados pelo que estava por acontecer. De súbito, um nevoeiro pouco comum no interior de Lumnar, começava a se formar e ganhar uma densidade quase sobrenatural ao redor da clareira, cuja única fonte de luz era uma lamparina a óleo pequena segurada por um dos membros da comitiva.


Ainda com o canto da boca coberto por uma mancha vermelha de sangue, Masharuk girou sobre os calcanhares, voltando-se para os demais marilistas que aguardavam apreensivos e silenciosos.  - Ahrraraks! – exclamou Masharuk – Meus irmãos. Hoje vocês irão testemunhar o poder de nosso senhor Marilis... – começou, fazendo sua voz ecoar entre as árvores largas de Lumnar – Nessa noite de sagrada profanação daremos início a mais um Ritual de Noivado que resultará em grandes soldados para a causa de nosso senhor!

Não houve resposta, um zumbido que fosse.  Então, o silêncio era quebrado pelo ruído do vento, que começava a assobiar entre a vegetação ao redor da clareira e ia se distorcendo numa espécie de lamúrio, similar ao dos espíritos errantes tão comuns no território do reino. Aquilo soava como uma doce melodia aos ouvidos de Masharuk. Os lamentos trazidos pelo vento foram se tornando gritos espectrais à medida que ganhavam força e ecoavam perturbadores pela floresta, acompanhados de uivos terríveis que cortavam a noite, até que finalmente cessavam, tão repentinamente quanto haviam começado, no mesmo momento em que os oito corpos deitados sobre as liteiras despertavam de seu torpor.


Masharuk não pode conter o enorme sorriso que se abriu em seus lábios molhados de sangue no mesmo momento em que abria os braços. — Finalmente... – ele disse, triunfante – Sejam bem vindos meus ahrraraks. Marilis os escolheu para participarem de seu triunfo nesta noite. As noivas os aguardam ansiosas no Palácio de Luviah. – finalizou, em tom irônico, voltando sua atenção à pequena comiiva marilista – Tragam as noivas que não gerarão crias... Nossos convidados estão sedentos de carne para saciar sua luxúria e sua fome. E não queremos deixá-los esperando, afinal, meus ahrraraks precisam estar com muita energia para o início do ritual!

Até então desapercebido além dos limites da clareira, um jovem de porte atlético com cabelo negro oleados e espetados para o alto estava rodeado de ao menos uma dezena de lobos, gentilmente deitado sobre o flanco do maior deles, enquanto os demais repousavam ao seu redor. Todos observavam o início do ritual e as palavras pronunciadas por Masharuk. Com o despertar dos corpos ao centro da clareira, o jovem domador de lobos se punha de pé fazendo um sinal de devoção com o corpo inclinado para frente e rosto voltado ao chão por alguns segundos, antes de caminhar para o interior da clareira e se juntar ao restante da comitiva marilista.

Complemento:

- Prestem atenção em como funcionará a dinâmica dos turnos. Como eu expliquei no whats, é mais importante um turno curto que preencha as lacunas e brechas disponíveis na narrativa do que fazer uma nova narrativa bem escrita e extensa que não tem como ser muito aproveitada.

- Para facilitar a compreensão, coloquei em azul a intervenção de Gish, em verde a do Dekadron e em vermelho a do Zaref. Usem essa edição como base para entender a melhor forma de responder os próximos turnos. É simples, "se encaixem" no texto.


Última edição por Nathan em Qui Out 05 2017, 13:43, editado 2 vez(es)

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Re: (Conto) O Ritual Profano

Mensagem por Zaref Amon em Qua Set 27 2017, 21:50

Aquele era um momento familiar, horrivelmente belo e familiar. O homem alto, de pele morena, observava toda a movimentação a uma distância segura e, a cada novo segundo, mais inquieto o mesmo parecia ficar. Via dois vizires carregando baldes de sangue marcando pedras e árvores com glifos, os mesmos que ele, Masharuk, havia marcado noa corpos inertes que eram dispostos em um círculo na clareira. Ao seus pés um corpo aberto ao meio ainda vazava o sangue usado para encher parte dos baldes. Masharuk abaixou-se e enfiou as mãos no corte do corpo ainda quente e espasmódico, arrancando uma parte das tripas e levando-a à boca. Tensão o deixava faminto.

Logo tudo estava finalmente pronto e o homem, cuja boca agora era uma mancha vermelha, se aproximou do pequeno grupo próximo aos corpos marcados com glifos. Seus passos eram lentos e seguros. O grupo no centro da clareira imóvel. A floresta em silêncio parecia morta.

— Ahrraraks! - exclamou Masharuk - Irmãos... Hoje vocês irão testemunhar o poder de nosso lorde Marilis... - começou, fazendo sua voz ecoar entre as grandes folhas - Nessa noite de sagrada profanação iniciar-se-á mais um Ritual de Noivado que resultará em grandes soldados para a causa de nosso Lorde!

Não houve resposta, um zumbido que fosse. Uma estranha neblina começou a se formar ao redor da clareira e sons terríveis, que para Masharuk eram músicas, passrão a inundar o local. Batidas, gemidos, urros e gritos vinham da neblina, então, subitamente, tudo voltou a ficar quieto e os corpos, antes frios, ganharam vida e o calor de Inferlis. Masharuk abriu um enorme sorriso ao mesmo tempo que abria os braços.

— Finalmente... - disse - Sejam bem vindos meus ahrraraks... - exclamou, triunfante - Marilis os escolheu para serem parte de seu triunfo nesta noite... As noivas os aguardam ansiosas... - finalizou, em tom irônico, voltando sua atençao aos presentes ali - Tragam as noivas que não gerarão crias... Nossos convidados estão sedentos de carne para saciar sua luxúria e sua fome... E não queremos deixá-los esperando, afinal, meus ahrraraks precisam estar com muita energia para quando o Ritual começar!
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Re: (Conto) O Ritual Profano

Mensagem por Dekadron em Ter Out 03 2017, 07:10

Era uma noite tenebrosa, com o vento soprando timidamente e as criaturas da noite em silêncio, tudo estava extremamente calmo, pareciam respeitar algo. De fato, alí nas proximidades estava ocorrendo uma grande reunião marilista, o Deus malévolo se exaltava novamente e com rituais profanos pregava sua causa.

Os traços vermelhos por muitos lugares na floresta era visível, fosse por sangue ou mantos contendo a cor marilista. Um grupo de servidores do mal estavam ali, todos agrupados, com insígnias marcadas em rochas e árvores, pareciam celebrar algo. Mais ao fundo, via-se um jovem, de porte atlético, cabelo negro espetado para o alto e um fato curioso, estava arrodeado de pelo menos 9 lobos, onde gentilmente estava deitado sobre um maior, enquanto os outros repousavam silenciosamente ao seu redor. Todos observavam o ritual, até que alguém se pronunciava. Dekadron por sua vez, observava atentamente as palavras do seu companheiro no grupo, que por sua vez exaltava a causa da reunião com fervor.

Após alguns segundos, o poder pairava na localidade. O ritual havia começado, e alguns cadáveres até então sem propósito, voltavam a se mexer. Os lobos uivavam e Dekadron  logo se punha de pé fazendo um sinal de devoção com o corpo inclinado para frente e cabeça voltada ao chão por alguns segundos.
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Re: (Conto) O Ritual Profano

Mensagem por Gish em Qua Out 04 2017, 16:25

Callë (Gish), era a grã-vizir élfica responsável pelo Ritual de Noivado desta era. Ela havia planejado por anos este momento, surgiriam oito novos Bartaluns para saciar Marilis.
Havia designado seus melhores colegas para a realização do mesmo, mas não estava presente, tinha objetivos mais importantes a atingir. 
E no momento do ritual, encontrava-se no palácio, em reunião com Sylvant.

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Re: (Conto) O Ritual Profano

Mensagem por Baksos em Sex Out 06 2017, 11:25

Considerações em OFF

Conforme previsto, vamos dar continuidade ao conto "O Ritual Profano".

De acordo com as interações dos intérpretes, farei uma narrativa mais simples com o desenrolar dos acontecimentos.

Vamos ao jogo:
ZAREF (MASHARUK)

Ao comando de Masharuk e logo após a aproximação do domador de lobos, um outro grupo se aproximava da clareira, adentrando a proteção do círculo de pedras. Pelas curvas ocultas sob o tecido leve de linho em tom escarlate, se tratava um grupo que mesclava homens e mulheres cujas cabeças estavam protegidas por um capuz simples, deixando bem pouco de seus rostos a mostra. Pouco atrás destes estava um elfo esguio como uma lança e coberto de aço da cabeça aos pés, em uma armadura prateada que refletia a luz fraca proporcionada pela lamparina a óleo. O elfo pastoreava os cativos até o interior do círculo, mantendo uma expressão facial que pouco revelava de seus pensamentos. Era marcial, solene e silencioso. Sua mão esquerda repousada suavemente sobre o punho do sabre que trazia embainhado à cintura garantia que ninguém ali faria qualquer tolice que ameaçasse o andamento dos ritos sinistros.

Enquanto observava o soldado escoltar as oferendas até o interior da clareira, um sorriso sádico se formava no rosto maligno Masharuk, que se aproximou dos cativos encapuzados quando estes foram abruptamente parados pelo elfo. Desviava o olhar para seus irmãos, agora habitando provisoriamente os corpos que haviam sido marcados e preparados através de feitiços ancestrais. Enquanto se acostumavam com os corpos mortais, erguiam-se e estalavam seus ossos.

- Ahrraraks! - começou, com sua voz solene - Imagino que estejam ansiosos pelo Ritual para o qual o grande Zhânrir os escolheu.

Enquanto falava, enfiou sem cerimônia alguma as garras de sua mão direita no abdome de uma das pessoas encapuzadas, torcendo o pulso, fechando o punho e arrancando, de uma só vez, parte das vísceras da pobre alma que caiu de joelhos gemendo tão silenciosa quanto possível por dentro do capuz enquanto tremia em seus últimos espasmos. Os demais cativos não reagiram, sequer desviavam os olhos para o corpo que agora banhava a grama escura com seu sangue. Pareciam em alguma espécie de transe, inertes como marionetes. Com o corpo dilacerado a seus pés e a mão pingando em sangue, Masharuk ergueu as vísceras de sua vítima aos céus e bradou como uma fera.

- Venham, irmãos! - gritou, arremessando as vísceras aos Bartaluns recém chegados. - Saciem sua fome, sua luxúria e sua ira! Venha também, Dekadron, junte-se a nós, e traga seus lobos! Venham todos, saciem-se nos corpos, nas almas e nas mentes dessas oferendas, pois o Ritual está prestes a ter início!


*****

CALLË (GISH)


O que o Palácio de Luviah tinha de opulento, tinha de mórbido. A construção de arquitetura élfica se confundia perfeitamente à vegetação que a cercava, possuindo inclusive diversos pátios internos exclusivos para seus exóticos habitantes. Apesar da imponência e majestade ostentada no local, poucos ousavam residir no palácio, centro do poder marilista no reino de Túrion. Tanto elfos quanto metamorfos avídeos ou reptilianos preferiam viver na mata fechada e pantanosa que formava a província de Lumnar ao invés de prolongar sua estadia em um ambiente compartilhado com o cruel e sádico regente Sylvant.

Em seu amplo salão fracamente iluminado por tochas espalhadas ao longo da dezena de pilastras largas que sustentavam a abóbada superior, Sylvant governava com displicência, mais preocupado com seus prazeres pessoais do que com a regência em si, o que fazia crescer a influência de sua principal conselheira e oradora, a Grã-Vizir conhecida apenas como Callë. Enquanto uma pequena comitiva havia sido despachada para receber os bartaluns enviados para a participação no Ritual do Noivado, o regente jazia esparramado em seu trono luxuoso, acompanhado da Grã-Vizir e algumas dúzias de zortaluns que lhe serviam de criados. Estes, eram corpos reanimados pela magia negra praticada pelos homem-serpente, conhecidos como lakriaks, dotados de poderes Seitokan.

O regente rotineiramente se vestia com poucas roupas e muito ouro, deixando exposta a maior parte de seu corpo esguio de pele escura com marcas amareladas e sinuosas que pareciam pintadas a mão. Seus olhos eram fendidos como os de uma serpente e sua cabeça calva era desprovida de nariz e orelhas. Uma língua cumprida e bifurcada saltava vez ou outra de seus lábios finos, como se perscrutasse o ar ao seu redor. Uma espécie de coroa dourada fina estava perfeitamente ajustada sobre sua testa, e dela tilintavam finíssimas correntes douradas que caíam ao redor da cabeça como se fossem tranças dos cabelos que Sylvant não possuía. Seus dedos longos terminados em garras negras tamborilavam sobre o braço do trono, demonstrando a impaciência que sentia enquanto ouvia o que a Grã-Vizir tinha para dizer.

Após tantos anos servindo aos metamorfos da Floresta de Luviah, Callë já estava acostumada com o temperamento e a empáfia de seu regente, mas sabia que para que o seu elaborado plano continuasse a transcorrer bem, precisava manipular uma vez mais os desejos e domar a vontade imprevisível de Sylvant. Via no Ritual do Noivado a melhor oportunidade possível para isto. Sua voz quebrava o silêncio tedioso do amplo salão. Era melodiosa, suave, com as palavras escolhidas com esmero.

- Meu senhor Sylvant, regente de Luviah e imponente líder escolhido pelo próprio Marilis. Enquanto falamos, os convidados foram recepcionados por Masharuk e se aproximam de vosso palácio. Tudo está transcorrendo exatamente como deveria. O próprio Zhânrir com certeza ficará orgulhoso do senhor, a epítome da raça Lakriak. Espero que eu tenha, humildemente, conseguido lhe agradar e gostaria de reafirmar a minha devoção a sua senhoria. 


Seu álibi estava confirmado, ninguém conseguiria associar a Grã-Vizir ao que aconteceria aquele momento na escuridão da floresta. Um certo brilho em seu olhar aflorava da satisfação pessoal e excitação que sentia. O feiticeiro élfico chamado Levold precisara de treze anos vivendo no interior da Floresta de Luviah para conseguir chegar a este momento, quando finalmente começaria a ruir o marilismo por dentro. Durante esse tempo, adotou a identidade da elfa Callë, aprendendo tudo o que podia a respeito da ideologia maligna. Conseguiu escalar a hierarquia da província e conquistar a confiança de Sylvant, tramando e ludibriando, subornando e assassinando, até que o lakriak se tornasse o novo regente da província anos antes, e Callë fosse designada por este para a honorável função de Grã-Vizir, cargo jamais ocupado por um elfo na história de Luviah.


Última edição por Baksos em Qui Out 12 2017, 11:44, editado 4 vez(es)
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Re: (Conto) O Ritual Profano

Mensagem por Zaref Amon em Qua Out 11 2017, 12:21

Um sorriso maligno se formava na face de Masharuk enquanto este via o soldado escoltar as oferendas que haviam sido trazidas até ali. Aproximou-se das pessoas encapuzadas quando estas foram abruptamente paradas pelo soldado. Via seus irmãos, agora em corpos marcados ritualisticamente, erguerem-se e estalarem os ossos.

- Irmãos... - começou, com sua voz solene - Imagino que estejam ansiosos para o Ritual ao qual o grande Marilis os escolheu a participar...

Enquanto falava, enfiou as garras de sua mão direita na barriga de uma das pessoas encapuzadas, girando a mão, fechando o punho e arrancando, de uma só vez, parte das vísceras da pobre alma que caiu de joelhos urrando por dentro do capuz enquanto estrebuchava. Com o corpo a seus pés, e a mão pingando em sangue, Masharuk ergueu as vísceras de sua vítima aos céus e bradou como uma fera.

-  Venham, Ahrraraks... - gritou, arremessando as vísceras aos Bartaluns recém chegados - Saciem sua fome, sua luxúria e sua ira... Venha também, Dekadron, junte-se a nós, e traga seus lobos... Venham todos, saciem-se  nos corpos e nas almas e nas mentes dessas oferendas, pois o Ritual está quase para começar!

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Re: (Conto) O Ritual Profano

Mensagem por Gish em Qua Out 11 2017, 15:47

Callë já estava acostumada com a impaciência e a empáfia do regente, mas sabia que para que o seu plano continuasse a ser bem executado, precisava subir ainda mais na hierarquia marilista, e viu no ritual a melhor oportunidade possível.

- Grande Sylvant, regente mór e imponente líder. O ritual desta era está em pleno acontecimento, e tudo está ocorrendo exatamente como deveria. Marilis, com certeza, ficará orgulhoso de você, a epítome da raça Lakriana. Espero que eu tenha, humildemente, conseguido lhe agradar e gostaria de afirmar a minha devoção a vossa majestade. Com ar de completa satisfação em atender as necessidades marilistas, mas ao mesmo tempo que esperava induzir a vontade de Sylvant, para lhe dar o cargo almejado de conselheira pessoal do regente.

Seu álibi estava confirmado, ninguém conseguiria alia-la ao que aconteceria na floresta.
 
Levold precisou de 13 anos dentro da floresta Luviah para conseguir chegar a este dia, quando finalmente começaria a ruir o marilismo por dentro. Durante esses 13 anos como Callë, aprendeu tudo o que pode sobre a ideologia marilista. Conseguiu subir na hierarquia, tramando e ludibriando, subornando e assassinando, até o ponto onde conheceu pessoalmente a Sylvant. A partir daquele momento, seu plano tinha chegado no próximo nível.  

Havia armado uma grande sabotagem no ritual, de modo a compromete-lo por completo. E esta estava prestes a se desencadear.

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Re: (Conto) O Ritual Profano

Mensagem por Baksos em Qui Out 12 2017, 13:25

Considerações em OFF

Conforme previsto, vamos dar continuidade ao conto "O Ritual Profano".

De acordo com as interações dos intérpretes, farei uma narrativa mais simples com o desenrolar dos acontecimentos.

Vamos ao jogo:
ZAREF (MASHARUK)


Caminhar através da Floresta de Lumnar, especialmente no período noturno, era uma verdadeira provação. As copas altas das árvores largas obstruíam completamente qualquer tipo de iluminação oriunda da lua ou estrelas, lançando a região na escuridão absoluta. Além disso, a grande incidência de charcos e córregos no interior da mata escondia manguezais e alagados que facilmente dragariam os mais desavisados. Algumas lamparinas a óleo auxiliavam os passos úmidos e pegajosos da pequena comitiva marilista que havia deixado o refúgio da clareira no coração da selva e agora marchava por trilhas estreitas em direção ao suntuoso Palácio de Luviah. 

Os bartaluns convidados para o Ritual do Noivado quebravam o silêncio com risadas e comentários aleatórios enquanto caminhavam banhados  no sangue dos cativos que haviam lhes servido de oferenda e boas-vindas. Haviam abdicado das liteiras e macas disponibilizadas por seus anfitriões e preferiam explorar as sensações proporcionadas pelos corpos mortais que possuiriam por um breve período de tempo, até que os ritos fossem encerrados. Seguiam descalços, sentindo a terra úmida entre os dedos e admirando toda beleza sombria da mata ao seu redor. A umidade e falta de iluminação natural favorecia a proliferação de uma infinidade de musgos e fungos que somente existiam em Lumnar. 

As criaturas malignas pareciam desfrutar de cada odor, cada toque, cada ruído vindo da floresta. As piadas e a descontração dos recém-chegados tinha fim no momento em que uma lança curta zumbia através da escuridão, encontrando com precisão o peito de um dos bartaluns, que era empalado e olhava incrédulo para a haste de madeira que se projetava de seu peito. Aquela era a sensação experimentada pelos mortais no fim de suas vidas. Com um baque molhado, o corpo de um dos dez membros do Ritual do Noivado caía no chão enlameado da floresta. 

Antes que tivessem tempo para reações, novas lanças rasgavam a noite em busca de novas vítimas, mas apenas um dos recém-chegados era atingido de raspão na coxa. A pequena escolta élfica que trouxera as oferendas fechava rapidamente um círculo ao redor dos bartaluns, protegendo-os do que quer que os estivesse atacando. O tilintar das sabres deixando suas bainhas se fazia ouvir e a luz fraca das chamas nas lamparinas refletiam nas lâminas finas e pontiagudas dos soldados marilistas. Mesmo com a visão aguçada do povo élfico, era quase impossível distinguir a origem do ataque em meio à vegetação fechada. Após alguns instantes as lanças paravam de voar e um silêncio sinistro dominava o pequeno grupo marilista, que era envolto em um cheiro pútrido nauseante.

- Corram para o palácio!!! - bradava o capitão élfico coberto de metal que havia escoltado os cativos para a clareira. Seu nome era Fingoliss.

Por um momento, Masharuk parecia ver o mundo ao seu redor ficar mais lento. A voz do elfo soava distante. Seus olhos arregalados demonstravam surpresa, sentimento com o qual não estava acostumado. Após observar o corpo de um dos Bartaluns caído perto de seus pés, os gritos e zunidos voltaram com toda força. Por sorte, nada havia o atingido ainda, mas o caos crescia enquanto a comitiva marilista se escondia ou atendia ao comando de Fingoliss, correndo desorganizados em direção ao palácio. Eram bartaluns, mas acabaram de possuir os corpos mortais, com os quais não estavam familiarizados e tampouco tinham acesso à plenitude de seus poderes.

— Malditos... - sibilou para si mesmo, logo voltando a atenção para o elfo que tentava encobrir uma fuga da comitiva - Cale-se, insolente! Masharuk não foge... Ele se delicia...
Buscando abrigo trás de uma árvore, o bartalun fechou os olhos, concentrando-se enquanto expandia seus sentidos e sua mente, concentrando-se no terreno e pensamentos ao seu redor. Percebia o pânico que dominava outro bartalun ferido, não familiarizado com a sensação de dor. Os elfos, que se concentravam em proteger e escoltar a comitiva em segurança de volta para Luviah. E ao redor do grupo marilista sentia as mentes frágeis e selvagens de criaturas pouco racionais, que sequer formulavam pensamentos complexos, ou pelo menos primitivos demais para serem lidos com clareza. Apenas algumas palavras eram discernidas. "Atacar!", "Matar todos!", "Cuidado!", era tudo o que Masharuk capturava.

— Quem são vocês? - resmungava novamente sozinho ao mesmo tempo que invadia a mente de um dos agressores, deturpando-a tão bruscamente que a insanidade viria sem aviso prévio - Agora ataque os seus! Faça-os gritar e gemer! Então, eu procurarei saber como descobriram este lugar sagrado...


*****


CALLË (GISH)


- Me poupe desses floreios. - Revirando-se sobre seu trono largo, o lakriak fitava sua conselheira com a expressão retorcida de ansiedade. - Seremos anfitriões de nosso primeiro Ritual de Noivado. Não podemos admitir falhas.

Sylvant se erguia de súbito e caminhava a passos sinuosos na direção da Grã-Vizir. Seu corpo era mais esguio do que o de um elfo, e também mais alto. Correntes finas de ouro e prata pendiam de sua cintura, ombros e pulsos. Seus olhos fixos no rosto da conselheira como um predador. Sua língua fina saltava para fora dos lábios antes de voltar a falar.

- Eles já deveriam ter chegado. Certifique-se de que tudo esteja realmente correndo bem. - Estendia o braço comprido na direção de uma cesta larga de vime segurada por um dos serviçais zortaluns. Erguia sua tampa e mergulhava as garras negras no interior da cesta. Dela, retirava um pequeno roedor, erguendo-o pelo rabo e balançando-o no ar diante da elfa como se oferecesse um petisco.

- Traga-os a mim assim que chegarem ao palácio. São meus convidados, não meus senhores. Deverão curvar-se como todos os demais. - Dizia com um sorriso displicente e excêntrico antes de erguer a cabeça, abrindo a bocarra cujas presas pontiagudas pingavam saliva e levava devagar o pequeno roedor até o fundo da garganta. O ruído dos ossos se partindo quando o regente fechava a boca era audível e logo sua língua serpentina saltava novamente, lambendo os lábios finos e escuros.

- Seu desejo é uma ordem, meu senhor. - respondeu Callë formalmente com uma sutil inclinação do tronco, em sinal de respeito antes de girar sobre os calcanhares e deixar o amplo e enevoado salão a passos apressados. Se tudo na mata acontecesse como havia sido planejado, a elfa já sabia o desfecho do ritual, que com certeza não agradaria em nada ao regente nem ao culto marilista. Precisava garantir que a culpa pelo incidente recaísse sobre os elfos revoltosos que viviam nos pântanos de Lumnar, assim como sobre Fingoliss e os demais responsáveis pela escolta da comitiva. Ao mesmo tempo, precisava manter os ânimos de elfos e lakriaks sob controle, para que seus objetivos de longo prazo fossem igualmente alcançados.

Enquanto cruzava por corredores mal iluminados, a Grã-Vizir era acompanhada de perto por dois soldados que lhe serviam de escolta pessoal. Assim como ela, eram membros do povo élfico e usavam armaduras de metal polido, com cimitarras embainhadas à cintura e um arco curto pendurado sobre os ombros. O símbolo marilista era bordado negro no centro das longas capas escarlates que lhes cobriam as costas. Callë não esperava que sua viagem fosse longa ou oferecesse qualquer perigo, pois a essa altura a emboscada já deveria ter ocorrido, o que justificava o atraso no retorno da comitiva com os bartaluns convidados para o ritual. Mas mesmo assim achou prudente levar consigo os soldados e estar pronta para qualquer situação adversa. Lembrara-se claramente de seu treinamento, onde seu mestre sempre repetia uma frase, que soava quase como um mantra: "Uma pessoa preparada para todas as situações, dificilmente é pega de surpresa.
"


Informações Complementares:

[size=15]- Prestem atenção em como funcionará a dinâmica dos turnos. Como eu expliquei no whats, é mais importante um turno curto que preencha as lacunas e brechas disponíveis na narrativa do que fazer uma nova narrativa bem escrita e extensa que não tem como ser muito aproveitada.

- Para facilitar a compreensão, coloquei em azul a intervenção de Gish, em verde a do Dekadron e em vermelho a do Zaref. Usem essa edição como base para entender a melhor forma de responder os próximos turnos. É simples, "se encaixem" no texto.
[/size]

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Última edição por Baksos em Qui Out 19 2017, 16:14, editado 4 vez(es)
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Re: (Conto) O Ritual Profano

Mensagem por Gish em Qui Out 19 2017, 12:36

- Seu desejo é uma ordem. - Brandou Callë enquanto saia do salão as pressas. Se tudo ocorresse na floresta como fora planejado, já sabia o desfecho do ritual, que com certeza não agradaria a Sylvant.
Precisava garantir que a culpa fosse para os elfos rebeldes, mas ao mesmo tempo precisava manter os rebeldes sob controle, para continuar com o desfecho do seu plano.

Chamou 2 jovens sacerdotes para lhe fazerem escolta. 
Não esperava que sua viagem fosse muito longa, pois a essa hora a emboscada já deveria ter ocorrido. Mas mesmo assim achou prudente se preparar para todas as situações, lembrara-se de seu treinamento, quando seu mestre sempre dizia: - Uma pessoa preparada para todas as situações, dificilmente é pega de surpresa.
Armou-se, e junto a seus vassalos, partiu.

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Re: (Conto) O Ritual Profano

Mensagem por Zaref Amon em Qui Out 19 2017, 15:15

Por um momento Masharuk parecia ver o mundo ao seu redor ficar mais lento. Seus olhos arregalados demonstravam surpresa, sentimento nada comum a ele. Após a queda de um dos Bartaluns, gritos e zunidos voltaram com toda força. Por sorte nada o atingira.

— Malditos... - sibilou como Sylvant faria, logo ouvindo o brado do Elfo - Cale-se insolente... Masharuk não foge... Ele se delicia...

Aprumou-se para trás de uma árvore e fechou os olhos, concentrando-se enquanto expandia seus sentidos, forçando-os ao terreno ao redor.

— Quem são vocês... - dizia para si ao mesmo tempo que invadia a mente de um dos atacantes e deturpava-a tão bruscamente que a insanidade veio sem avisar - Agora ataque os seus... Faça-os gritar e gemer... Então eu procurarei saber como descobriram este lugar...

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Re: (Conto) O Ritual Profano

Mensagem por Baksos em Qui Out 19 2017, 16:27

Considerações em OFF

Conforme previsto, vamos dar continuidade ao conto "O Ritual Profano".

De acordo com as interações dos intérpretes, farei uma narrativa mais simples com o desenrolar dos acontecimentos.

Vamos ao jogo:
ZAREF (MASHARUK)

A saraivada de lanças curtas cessava após o comando de Masharuk, que se recusava a fugir de seus agressores. Com a vontade dobrada pelo bartalun, uma das criaturas ocultas na escuridão da selva se voltava contra seus asseclas dando início a um conflito entre estes, tornando possível que a comitiva marilista escapasse sem maiores baixas pela trilha escura e sinuosa que cortava a vegetação densa e levava até o palácio de Luviah. Fingoliss e os soldados élficos eram os últimos a abandonar a área de conflito, tentando manter Masharuk em segurança. Os corpos de dois bartaluns jaziam atravessados por lanças e dardos de madeira, assim como um dos guardas marilistas. Um terceiro bartalun mancava de um ferimento na coxa que empapava a túnica cerimonial com mais sangue. Membros da comitiva auxiliavam o ferido, colocando-o sobre uma das liteiras para carregá-lo enquanto gritos bestiais rasgavam a mata escura. Guinchos, urros e rugidos se misturavam mata a dentro e pareciam se distanciar do local onde os marilistas estavam. Em pouco tempo o silêncio voltava absoluto, quebrado apenas pela respiração ofegante dos soldados que permaneceram junto do Bartalun, suando sob suas vestes metálicas. Masharuk permaneceu concentrado até que não percebesse mais nenhuma mente hostil nas redondezas. Então deixou seu abrigo atrás de uma das árvores e cruzava os braços sobre o peito ao se dirigir ao capitão élfico.


— Nossos atacantes eram estúpidos demais para terem arquitetado esse ataque... - disse à Fingoliss - Uma tentativa fútil de sabotar o Ritual, mas ainda assim uma tentativa! - resmungou - Alguém está nos observando e não será nada agradável quando eu descobrir quem é essa futura alma destroçada! -Logo, deu ordens aos soldados para que buscassem na mata dois dos corpos já sem vida dos atacantes e os levassem à Luviah.
*****

CALLË (GISH)

Chegando no grande arco adornado por esculturas de serpentes que servia de limite do território de Luviah e separava o palácio da mata fechada de Lumnar, a Grã-Vizir percebia uma grande comoção. Os sentinelas que vigiavam o monumento recebiam a comitiva que havia partido para o local sagrado na Clareira de Orpheus, onde os bartaluns convidados seriam recepcionados e escoltados para o Ritual do Noivado. Callë notava que os mantos sacros estavam manchados de sangue e não permitia discernir se eram dos próprios receptáculos ou das oferendas que haviam sido levadas para a carnificina liderada por Masharuk. Havia mais sobreviventes do que a elfa previra. Subestimara o poder de Masharuk. Mas haviam muitas etapas até que o ritual fosse concluído, e a emboscada não passava do primeiro imprevisto que os marilistas enfrentariam. Tudo ainda estava dentro dos conformes. Ao perceber a aproximação da Grã-Vizir, os sentinelas e a própria comitiva se curvava em deferência, com os olhos voltados para o chão e o tronco levemente curvado para frente.

- Venerável, fomos atacados. Lorde Masharuk e o capitão Fingoliss ficaram para trás. - relatava um dos guardas que havia retornado escoltando a comitiva. Não desviava os olhos da relva escura.

- Como assim, foram atacados? Quem teve a audácia? E porque diabos vocês abandonaram Masharuk na floresta? - Antes mesmo de ouvir as respostas à suas indagações, a Grã-Vizir Virou-se para sua escolta e brandou - Preparem um grupo de busca imediatamente. Precisamos resgatá-los! E você... - disse apontando para o guarda que havia relatado sobre o ataque - Vai me contar todos os detalhes do que aconteceu. Agora!

Pouco depois do diálogo com o guarda e antes que a equipe de busca estivesse pronta, Callë percebia o retorno de Masharuk e Fingoliss, juntamente com alguns outros sobreviventes, que carregavam os corpos de dois bartaluns abatidos na emboscada e de duas pequenas criaturas peludas. Masharuk
orientava para que os corpos, inclusive aqueles que haviam sido possuídos pelos bartaluns, fossem levados ao subterrâneo do castelo, onde ele mesmo se encarregaria deles. Voltou, então, sua atenção a Fingoliss e a Grã-Vizir que estava próxima ao pórtico de Luviah e recepcionava a comitiva pessoalmente.


— Por segurança, Fingoliss, não deve haver testemunhas élficas, do que aconteceu, fui claro? - então voltou suas atenções a Grã-Vizir, fazendo nenhuma menção de se curvar - Por sorte eu estou encarregado do Ritual, mas essa tentativa fútil e ridícula será paga, por mim, da melhor forma possível... Descobrirei quem fez isso e essa alma irá implorar para morrer.

A Grã-Vizir já esperava a forma de tratamento de Masharuk, pois tratava-se de um bartalun ancião, mas antes de incomodar-se com a forma a qual fora tratada, precisava mantê-lo as cegas para o que ainda estava por acontecer.

- Masharuk, descobriu mais alguma coisa? Algo que devemos nos preocupar? Segundo as informações dos guardas, foi uma emboscada orquestrada pelos elfos silvestres. Acredito que Namuzistas leais ao maldito Druida de Lumnar. Presumo que você tenha lidado com a situação, ou precisarei eu mesma intervir?

Percebendo que Fingoliss ainda aguardava por perto, a Grã-Vizir desviou o olhar de Masharuk para o elfo. Esperava que a raiva cegasse ainda mais o bartalun, mas este era muito mais astuto do que Callë estava acostumada, e não seria tão fácil de manipular quanto o regente marilista.
Masharuk permaneceu imóvel ouvindo as indagações da Grã-Vizir, o que, para ele, era uma afrota, mas que deixava passar por saber que os elfos eram seres inferiores e que jamais, por mais que tentassem, conseguiriam entender a real magnitude de seu Zhânrir.

- Como ousa falhar desta forma deplorável? - dizia Callë para o capitão élfico. - Embora sejamos da mesma raça, você é a prova viva da inferioridade élfica. Certifique-se de que todos os anseios de Masharuk e dos convidados sejam muito bem atendidos e que nenhum outro incidente atrapalhe o Ritual. Do contrário, reze para outro deus, pois nem eu nem o Maligno teremos piedade de sua alma.


— Se preocupar comigo é perda de tempo. - disse, seco, ao vê-la terminar de ameaçar com Fingoliss - Aquelas mentes primitivas jamais seriam capazes de agir sem ajuda, por essa maneira trouxe esses corpos... - apontou, abrindo um sorriso - Serão perfeitos para que eu descubra como eles souberam onde estáva...

Parou de falar ao ver a elfa virar-se e partir em direção ao palácio, ignorando-o. Masharuk deu de ombros a mais esta afronta e seguiu, a passos lentos e calculados, na mesma direção.



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Última edição por Baksos em Qui Out 26 2017, 13:44, editado 3 vez(es)

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Re: (Conto) O Ritual Profano

Mensagem por Zaref Amon em Sex Out 20 2017, 19:13

Masharuk permaneceu concentrado até que não houvesse mente hostil alguma próxima a ele. Agora estava acompanhado apenas de um punhado de guardas élficos e Fingoliss. Saiu, então, detrás da árvore e caminhou poucos passos à frente enquanto mantinha os braços cruzados sobre o peito.

— Nossos atacantes eram estúpidos demais para terem arquitetado esse ataque... - disse à Fingoliss - Uma tentativa fútil de sabotar o Ritual, mas ainda sim uma tentativa! - resmungou - Alguém está nos observando, e não será nada agradável quando eu descobrir quem é essa futura alma destroçada!

Logo, deu ordens aos soldados para que pegassem dois dos corpos ja sem vida dos atacantes e os levassem à Luvoah, pois ele tinha trabalho a fazer. Chegaram algum tempo depois dos Bartaluns sobreviventes, indicando para que os corpos, inclusive aqueles que levavam os Bartaluns que pereceram, fossem levados aos subterrâneos do castelo, onde ele mesmo se encarregaria deles. Voltou, então, sua atenção à Fingoliss e à Grã-Vizir que estava próxima aos arcos de Luviah.

— Por segurança, Fingoliss, não deve haver testemunhas, entre seus homens, do que aconteceu, fui claro? - então voltou suas atenções à Grã-Vizir, fazendo nenhuma menção de se curvar - Por sorte eu estou encarregado do Ritual, mas essa tentativa fútil e ridícula será paga, por mim, da melhor forma possível... Eu vou descobrir quem fez isso e essa alma irá implorar para morrer.

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Re: (Conto) O Ritual Profano

Mensagem por Gish em Qua Out 25 2017, 19:01

- Como assim, foram atacados? Quem os atacou? E porque diabos vocês abandonaram Masharuk na floresta? - Virou-se para sua escolta e brandou: - Preaparem uma comitiva com urgência, precisamos resgatá-los o mais rápido possível. E você - apontando para o guarda que havia dado a informação sobre o ataque - vai me contar detalhe por detalhe do que está acontecendo, de uma forma ou de outra.

Durante o diálogo com o guarda, chegaram Masharuk e Fingoliss, juntamente com alguns outros sobreviventes. Callë já esperava a forma de tratamento de Masharuk, pois tratava-se de um Bartalun ancião, mas antes de preocupar-se com a forma a qual fora tratada, precisava mantê-lo as cegas para o que ainda estava por acontecer.

- Masharuk, o que aconteceu na floresta? Precisamos nos preocupar? Segundo as informações dos guardas, foi uma emboscada de elfos selvagens... presumo que você tenha lidado com a situação, ou precisarei eu intervir? - E nem esperou pela resposta, virando-se em direção a Fingoliss. Esperava que a raiva cegasse ainda mais o Bartalun convidado.

- Como ousa você voltar para cá em fuga? Embora sejamos da mesma raça, você é a prova viva da inferioridade élfica... Certifique-se de que o Masharuk esteja muito bem atendido e que nenhum acontecimento atrapalhe mais o Ritual, ou reze para outro Deus, pois Marilis não terá piedade de sua alma.

Virou-se e rumou para dentro do castelo novamente. A próxima fase estava por começar.

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Re: (Conto) O Ritual Profano

Mensagem por Zaref Amon em Qua Out 25 2017, 19:11

Permaneceu imóvel ouvindo o brado da grã-vizir indagando-o se estava bem, o que, para ele, era uma afrota, mas que deixava passar por saber que eles, Elfos, eram seres inferiores e que jamais, por mais que tentassem, conseguiriam entender a real magnitude de seu Zhânrir.

— Se preocupar comigo é perda de tempo. - disse, seco, ao vê-la terminar de gritar com Fingoliss - Aquelas mentes primitivas jamais seriam capazes de agir sem ajuda, por essa maneira trouxe esses corpos... - apontou, abrindo um sorriso - Serão perfeitos para que eu descubra como eles souberam onde estáva...

Parou de falar ao ver a elfa partir em direção ao castelo. Masharuk deu de ombros e seguiu, a passos lentos e calculados, na mesma direção.

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Re: (Conto) O Ritual Profano

Mensagem por Baksos em Qui Out 26 2017, 10:26

Considerações em OFF

Conforme previsto, vamos dar continuidade ao conto "O Ritual Profano".

De acordo com as interações dos intérpretes, farei uma narrativa mais simples com o desenrolar dos acontecimentos.

Vamos ao jogo:
ZAREF (MASHARUK)

O caminho que levava ao grande salão do palácio de Luviah incluía longos corredores, pátios internos e ante-câmaras, todos com iluminação mínima, suficiente para os olhos aguçados de elfos e metamorfos. Os bartaluns encarnados em humanos eram as criaturas com maior dificuldades para enxergar as peculiaridades daquele intrincado complexo de construções perfeitamente esculpidas pelo povo élfico na antiguidade. Tudo havia sido construído e decorado com uma meticulosidade e engenhosidade impossíveis aos humanos. Até mesmo as portas mais simples eram adornadas com desenhos em alto relevo retratando em sua maioria serpentes e crocodilos, em homenagem aos metamorfos lakriaks. Janelas eram fechadas com intricados vitrais e até mesmo o piso dos salões eram cobertos por uma infinidade de mosaicos.

O grande salão não perdia em nada para a ostentação do restante do palácio. Tendo como principal diferencial uma fumaça fina que preenchia o ambiente, originada de dezenas de incensos espalhados pelos quatro cantos do amplo salão. Mesmo com a fragrância de incenso dominando o ambiente, era possível sentir o cheiro da podridão que vinha dos cantos do salão, onde dezenas de zortaluns aguardavam silenciosos à espreita. Estes, eram corpos animados pela magia negra dos lakriaks e atendiam sem hesitar aos comandos do regente de Luviah, Sylvant.

O metamorfo jazia sentado como um rei na enorme poltrona acolchoada que lhe servia de trono. Ao seu lado, sobre os três degraus que formavam a plataforma do trono, ficavam outros dois zortaluns, imóveis como estátuas macabras e cobertos por uma armadura negra de placas que lhes cobriam quase completamente o corpo apodrecido, deixando a mostra apenas alguns pedaços da carne negra em lenta decomposição. Encaravam o vazio com seus olhos fundos e avermelhados, segurando lanças longas apoiadas ao piso da plataforma. Sylvant os ignorava completamente, com seus olhos reptilianos fixos em Masharuk, Callë e os convidados. A coroa dourada que lhe adornava a cabeça calva e cinzenta dava um toque caricato ao marilista, que não fazia menção de se levantar para os recém chegados.

- Muito bem... sejam bem vindos ao palácio de Luviah, maior centro de poder marilista do reino de Túrion. - Dizia o lakriak com sua voz sibilante e com uma formalidade quase irônica.

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Re: (Conto) O Ritual Profano

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