Revisão da Primeira Visão - O Prisioneiro

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Revisão da Primeira Visão - O Prisioneiro

Mensagem por Baksos em Qua 11 Out - 15:07

Considerações em OFF

Dérik, faremos aqui a revisão do que será o primeiro capitulo de "O Legado do Rei Negro".

Conforme conversamos em privado, vou copiar minhas postagens da Terceira Visão aqui, revisando e editando o que eu havia escrito, acrescentando as informações julgadas aproveitáveis das suas respostas. Todo o texto inicial vai ser mantido e na postagem, mas vou riscar as partes editadas, acrescentando em uma cor diferente os trechos novos acrescentados seja das suas respostas, seja de informações novas.

Sua função será ler a postagem revisada, copiar a sua resposta na Terceira Visão para colar aqui, usando a mesma técnica que eu para acrescentar informações que você achar interessantes de acordo com o que eu também acrescentei. Assim a gente dá o máximo de detalhes e qualidade ao texto, pra tentar fechar o primeiro capítulo do livro.

Lembrem-se: o Venirista expressa nas transcrições das visões do sinkrorbe aquilo que ele vê, ou deduz que as personagens estão pensando ou sentindo. Portanto, quanto mais claro isso ficar nas suas ações, melhor. Lembre, também, de revisar o texto depois de escrever o turno, preferencialmente com a ajuda de um corretor ortográfico e gramatical. Isso é muito importante.

Vamos ao jogo:


Primeira Visão - Shimatsu


 O Prisioneiro

Após alguns dias de jornada através das Estepes Arenosas, finalmente alcancei o terreno mais elevado e o clima mais ameno da Cordilheira das Cascatas. Meu pequeno cantil se encontrava quase vazio quando me aproximei de uma tímida nascente que parecia brotar do coração das montanhas e corria lenta, serpenteando em direção ao leste. Apesar de esta ser uma região bastante visitada pelos nômades clifistas da província de Volkan, que vinham ao limite de suas terras em busca de suprimentos de água, tudo parecia estranhamente silencioso e calmo. Enquanto me deleitava com o prazer simples de beber a água pura da nascente, sentei-me sobre uma rocha contemplando a bela paisagem ao norte, onde as estepes se estendiam até onde a vista podia alcançar. Cruzar o território volkani sem esbarrar com nenhuma de suas tribos foi mais fácil do que eu poderia imaginar, mesmo em meus sonhos mais otimistas. Se o artefato que carrego embrulhado com cuidado em minha bolsa fosse tomado pelos selvagens seguidores dos dogmas de Kyobencliff, o maior trabalho de minha vida como Venirista fracassaria vergonhosamente. 

Fui escolhido para uma tarefa de importância imensurável. Preciso encontrar um lugar seguro para manter vigília pelas noites que estão por vir, mantendo olhar atento ao artefato conhecido como Sinkrorbe, que é capaz de revelar eventos de um futuro próximo, os quais precisam ser registrados em detalhes para que sejam estudados em busca de seres dotados de poderes fantásticos, conhecidos como denins, que possam vir a servir a causa Venirista. Encontrar um lugar seguro no Reino de Túrion, entretanto, tem se mostrado uma missão cada vez mais complicada. Rumores de guerra rondam cada vilarejo pelo qual passei durante essa jornada. Dizem que um terrível exército marilista abandonou seu refúgio na Floresta de Luviah e marcha levando morte e destruição em direção à capital do reino, Godnyr. Além disso, em algum lugar ao norte daqui, em meio às Estepes Arenosas, acredita-se que pela primeira vez na história do reino todas as tribos clifistas de Volkan se uniram numa imensa horda que está decidida a deixar suas diferenças de lado e combater não só os marilistas de Luviah, mas também os bárbaros gorgronistas que ocupam Godnyr desde a queda da dinastia Alberich. Pelo que ouvi, os dois grandes exércitos são comandados por ninguém menos que os dois filhos sobreviventes do falecido Rei Roland, que foi morto durante a insurreição gorgronista, pondo fim a mais de dois séculos de domínio clifista em Túrion e lançando o reino numa década de caos que está prestes a culminar em uma guerra civil generalizada.

Após recuperar o fôlego, molhar a garganta e descansar minhas pernas, retomei a longa e tortuosa subida através da Cordilheira das Cascatas, na teoria um dos lugares menos afetados pelo conflito ideológico eminente. Fui orientado que as revelações da Sinkrorbe costumam ocorrer no período noturno, e, portanto apressei meus passos em busca de algum abrigo no alto das montanhas. A circulação de viajantes subindo ou descendo as trilhas que cortam a cordilheira não é algo muito comum, pois os monges do santuário de Tinto não costumam abandonar seu refúgio, e os viajantes que buscam amparo no santuário acabam unindo-se aos monges seguidores de Emylia e se isolam do caos crescente no restante do reino. O sol se escondeu antes do esperado, embrenhando-se nas nuvens escuras que cobriam o interior do reino, e assim minha peregrinação precisou ser interrompida na primeira caverna que pude encontrar. Por sorte, meu abrigo estreito não escondia nenhum perigo para um pequeno viajante como eu, e não demorei em acender uma modesta fogueira para iluminar o local e manter afastadas as criaturas noturnas que habitam a região. 

Percebendo que o sol finalmente se punha no oeste distante, retirei o artefato de dentro da bolsa, o coloquei no chão ainda coberto pelos panos que o embalavam e com cuidado o desfraldei. A esfera reluzia alaranjada ao refletir a fogueira próxima, e me sentei ao seu lado, com pernas cruzadas e tragando vigorosamente meu cachimbo que ajudava a conter a ansiedade pela primeira revelação que me seria passada pelo Sinkrorbe. Mesmo cansado pela longa jornada, não sentia sono algum enquanto esperava alguma mudança no reflexo do artefato, ainda que essa espera parecesse durar toda uma vida. Não sei ao certo quanto tempo aguardei, mas enfim o reflexo das chamas na esfera perdia intensidade até que se tornava completamente negra, dominada por uma escuridão quase palpável. Esfreguei os olhos com as costas da mão tentando clarear a visão, mas nenhuma imagem se formava no interior do Sinkrorbe.

Após algum tempo, comecei a escutar o ruído de correntes sendo arrastadas sobre pedras, o que me deixou sobressaltado, olhando ao redor procurando a origem do som dentro da própria caverna que me servia de abrigo. Balançando a cabeça para organizar os pensamentos, segurei melhor o pergaminho e mergulhei a ponta da pena no frasco tinteiro, preparado para registrar o que acontecesse a seguir. Apenas o som das correntes permanecia ecoando ao meu redor. Aquilo era, para dizer o mínimo, perturbador. Só após algum tempo algo parecia começar a se formar na escuridão do Sinkrorbe. Um brilho fraco cinzento começava a tomar a forma de um humano, mas seu rosto não tinha expressão alguma, nem olhos, nem boca, nada. De seus braços pendiam grilhões tão etéreos e cinzentos quanto todo o resto, e suas pernas se desfaziam numa espécie de névoa antes de tocar o chão. Uma alma penada! Seu corpo era constituído de puro cynblarkin, a energia que forma os espíritos.


Vale ressaltar que uma das heranças deixadas pela dragoa Arla no território onde se formou o Reino de Túrion é a incidência de grande quantidade destes espíritos errantes. Conhecida como Devoradora de Almas, Arla acumulava sob seu poder milhares de espíritos, que eram negados a seguir o caminho natural em direção ao Makisis, plano cynblarkino que serve como purgatório para as almas daqueles que morrem no plano físico. Com a queda da dragoa e o fim de sua tirania, grande parte destes espíritos acabou fadado a vagar sem rumo por toda extensão do território de Túrion, atormentando os desafortunados sensíveis à sua presença ou servindo àqueles capazes de manipular a energia cynblarkina. Estas pessoas especiais são conhecidas como denins Seitokan. As duas áreas com maior número destas aparições são justamente a Cordilheira das Cascatas, que servia como covil para a dragoa, e a cidade de Godnyr, perto de onde Arla foi derrotada e morta pelos colonizadores clifistas.


Por algum tempo, aquele espírito vagou através da escuridão, arrastando suas correntes etéreas aparentemente sem rumo. Aos poucos, ele começava a se aproximar de um local onde uma tocha presa a um suporte na parede fornecia uma iluminação tímida, que revelava um corredor de paredes simples de pedra mais semelhante a uma masmorra do que uma simples caverna. Próximo da tocha havia um banco pequeno, onde uma sentinela dormia sentada encostada à parede, com a cabeça tombada sobre o peito. Roncava baixo e estremeceu em seu sono à presença do espírito que passava ao seu lado. Não parecia capaz de ouvir o tilintar das correntes fantasmagóricas, ou se o fizesse, não era o suficiente para despertá-lo. Caído ao seu lado estava uma espada curta coberta por uma bainha simples de couro e um escudo pequeno, quase um broquel. Pouca coisa na sentinela me permitia distinguir sua inclinação ideológica, não havia qualquer símbolo em seus trajes de couro batido, tampouco em seu escudo. A única pista que pude notar eram algumas pinturas tribais em sua pele, no formato de runas do falecido idioma dracônico. Um gorgronista, talvez?

Chegando ao fim do corredor, onde a luz fornecida pela tocha era bem fraca, o espírito acorrentado cruzava as barras de ferro que fechavam a entrada de uma cela estreita. Lá dentro, pouco era possível enxergar por causa da iluminação escassa. Fui capaz de identificar com dificuldades um humanóide que era mantido prisioneiro. Dos dois lados da cela surgiam grossas correntes que mantinham seus braços esticados, com as mãos quase tocando as paredes, devido a pouca largura da masmorra. Estava de joelhos, praticamente pendurado pelos pulsos acorrentados. Ao contrário da sentinela adormecida no corredor, aquele humano parecia despertar de seu transe assim que o espírito se aproximava. Usava trajes imundos e em farrapos, que pouco lembrava os mantos utilizados pelos monges emylistas do santuário de Tinto.

Quando o espírito parava à frente do prisioneiro, este erguia a cabeça devagar e seus olhos iam se abrindo, revelando serem estranhamente avermelhados com pupilas fendidas como as de uma serpente. Seu rosto não esboçava nenhuma outra expressão além de um aparente cansaço, com certeza causado pelo tempo que passou aprisionado naquela masmorra.

– Olá, amigo – Falava o prisioneiro maltrapilho quase num sussurro. – Poderia me ajudar? Diga-me quantas pessoas estão guardando as masmorras.

O espírito permanecia imóvel e indiferente, flutuando de frente para o monge acorrentado. Ao perceber que não receberia qualquer resposta, o prisioneiro mudou sua feição de cansaço para um olhar sereno, desviando a cabeça e fixando o olhar nas correntes que o obrigavam a permanecer ajoelhado com os braços erguidos em direção às paredes. Após um suspiro, ele retorna o olhar ao seu companheiro espectral e faz uma nova tentativa de comunicação.

– Poderia me dizer pelo menos em que cidade estamos? – Voltava o monge a indagar ao espírito errante, mantendo o timbre de sua voz baixo para evitar que mais alguém o escute. Porém, além de ignorar a pergunta, o espírito dá meia volta e começa a se deslocar para fora da cela, arrastando suas correntes etéreas sobre o piso rochoso. Neste momento, o monge fecha os olhos e abaixa a cabeça. A princípio, acreditei que ele voltaria ao transe inicial, mas ao invés disto ele faz um movimento circular com os punhos, segurando as duas correntes que mantinham seus braços esticados. Então, o incrível aconteceu. Um brilho amarelado começou a emanar das mãos do monge, se espalhando através dos elos da corrente onde este segurava.


Essa foi a primeira vez que tive a oportunidade de presenciar um dos lendários denins utilizando seus dons fantásticos. Dizem que objetos que não foram especialmente confeccionados para receber uma carga de energia metonyana como aquela são destruídos, e foi exatamente o que aconteceu com aquelas correntes, cujos elos começaram a rachar e, não suportando a concentração de energia, se romperam. Com a facilidade como aquilo foi feito, me pergunto por que o monge não havia escapado antes. Talvez apenas aguardasse a chegada de um guia como a criatura espectral. Após o feito extraordinário, o denin ergue novamente o olhar, encarando a alma penada cuja atenção havia sido atraída novamente para o interior da cela. Sua voz, ainda baixa, transmitia uma entonação mais imperativa, que dessa vez parecia ser atendida.


– Guie meus passos para fora deste lugar. Onde eu possa ver o céu e respirar ar puro.

Enquanto aguardava que o espírito obedecesse ao seu comando, o denin se levantava e caminhava a passos leves em direção às barras de ferro que completavam sua prisão. Do mesmo jeito que fez com as correntes que antes prendiam seus pulsos, o monge segurava uma barra de ferro em cada mão e começava a canalizar metonyan de seu corpo para o metal despreparado para aquela descarga de energia.
O brilho amarelo surgiu novamente, fazendo as barras de ferro brilharem por alguns momentos até que trincavam e se partiam, permitindo a saída do prisioneiro. Entretanto, antes que o guia espectral pudesse atender às ordens do monge fugitivo, passos pesados pareciam se aproximar pelo corredor da masmorra. A sentinela responsável por vigiar os prisioneiros havia despertado e pela sombra projetada pela tocha fixada na parede de pedra, o carcereiro carregava consigo a espada curta desembainhada, assustado com os barulhos vindo da cela do monge. Sua voz tremula ecoava nos corredores subterrâneos daquela prisão.

- Que porcaria estão inventando dessa vez? Se aquietem ou serão chicoteados e ficarão mais um dia sem comida!


(Continue a partir daqui, Dérik)


Informações Complementares:

- Conforme explicado anteriormente, copie sua resposta na Terceira Visão, editando-a caso julgar necessário acrescentar alguns detalhes novos para enriquecer a cena. 

- Ações novas são permitidas, e se for necessário seguiremos como uma narração normal ao invés de simples revisão.

- Qualquer dúvida ou informação complementar que você achar útil para sua ação, pode me chamar no privado do Whats.


Última edição por Baksos em Qua 11 Out - 15:47, editado 4 vez(es)
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Re: Revisão da Primeira Visão - O Prisioneiro

Mensagem por Baksos em Qua 11 Out - 15:08

Considerações em OFF

Dérik, continamos então a revisão do que será o primeiro capitulo de "O Legado do Rei Negro".

Acho que por hora esse método de editar e revisar a Terceira Visão, transcrevendo aqui pra sua leitura e complementos está ok. Enquanto não surgir a necessidade de uma postagem inteira nova sua, a gente vai fazendo como foi com a  primeira postagem minha, onde você me passou no privado as oportunidades de melhoria, algumas das quais vou acrescentar nessa continuação.

Vamos ao jogo:


Primeira Visão - Shimatsu


 O Prisioneiro


Ao ouvir a voz de seu carcereiro, o monge olhava na direção da sombra que se aproximava pelo corredor além da cela. Não teria muito tempo para pensar em algo ou planejar qualquer coisa, mas ainda assim a expressão em seu rosto era serena e inabalável. Sem perder tempo, o denin terminava de arrancar uma das barras de ferro que haviam se partido e a empunhava como se fosse um bastão, arma tradicional entre os monges emylistas do santuário de Tinto. O espírito errante permanecia imóvel, com seu rosto disforme parecendo acompanhar cada um dos movimentos do monge, ao passo que até então ignorava completamente suas perguntas e comandos. Ao espiar o corredor da masmorra, o emylista percebia que o carcereiro vinha se aproximando além de uma esquina, lançando suas sombras no chão de pedra.

Cansado de esperar alguma reação daquela criatura cynblarkina que até então se mostrara inútil, o monge deixava para trás sua cela e corria pela masmorra em direção à esquina onde via cada vez mais de perto a sombra do homem que se aproximava. Talvez com a intenção de ocultar o som de seus passos e levar temor à mente de seu inimigo, o monge investia com a ponta da barra de ferro se arrastando pela parede da masmorra, fazendo o som ecoar nos corredores de pedra e, com aquilo, percebia que o carcereiro parava e erguia a espada curta antes de dobrar a esquina, em postura claramente defensiva. Toda a cena parecia se desenrolar numa fração de segundos. Em instantes, o monge chegava ao final do corredor, que se dobrava para a esquerda. A barra de ferro que antes era arrastada pela parede, se afastava da mesma e com maestria rodopiava no ar ao lado do corpo do monge, que sem a menor dificuldade defletia a estocada da espada curta do carcereiro apavorado. Antes que pudesse emitir qualquer tipo de alerta ao perceber o fugitivo, o homem era atingido na lateral do pescoço pela barra de ferro que após empurrar a lâmina de sua espada para o lado, realizou um novo giro no ar, percorrendo um arco horizontal que derrubava o carcereiro já inconsciente aos pés do monge emylista.
 
Então, a atenção do monge retornava ao espírito que aguardava inerte ainda não muito distante da entrada da cela. Sua face desprovida de traços e coberta por uma espécie de neblina espectral parecia acompanhar os movimentos do monge com lerdeza, como um espectador desinteressado. Então, sua voz sussurrante finalmente se fez ouvir com alguma dificuldade, mesmo naqueles corredores silenciosos.

- Dragões voam para o norte... A cidade está condenada...

E com estas palavras o espírito punha-se a vagar pelo corredor, passando por cima do carcereiro desacordado sem que suas pernas enfumaçadas o tocassem. Logo ele deixava a área iluminada pela tocha na parede, vagando em direção à escuridão. No local onde estava, o monge era capaz de ver o banco onde antes o soldado estava dormindo, o escudo pequeno largado ao chão e a tocha sobre seu suporte. Com ele estavam uma espada curta, que caiu próxima de seu corpo inconsciente, uma argola metálica com quase uma dezena de chaves grandes, provavelmente das diversas celas da masmorra, e como notei antes, nenhum símbolo marcava suas vestes para confirmar minha suspeitas a cerca de sua inclinação ideológica.

(Continue a partir daqui, Dérik)


Informações Complementares:
- Os trechos em tom esverdeado são os editados da resposta do intérprete, que foi incluída ao post original.

- Qualquer dúvida ou informação complementar que você achar útil para sua ação, pode me chamar no privado do Whats.
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